quarta-feira, 26 de abril de 2017

Carta de Officio do Brigadeiro Oliveira, da acção de Carumbé, 27 de Outubro. Extracto.


Sahio no dia 23 pelas 3 horas da madrugada do seu acampamento com 300 praças de Infantaria, fes alto depois de cinco horas na Estancia do Varguinhas, aonde se achou vestigios de ter estado o inimigo: as 5 da tarde se lhe reunirão 300 praças de Cavalaria dos Corpos de Dragoens, Realistas e Milicianos, 2 peças de 6, e 32 artilheiros: e algumas guerrilhas, fazendo tudo 750 praças.

A 26 acamparão na estancia do Canto, donde ja viram bombeiros dos postos avançados do inimigo: a 27 marcharão a encontrallo na sua guarda de S. Anna, antes da qual observarão dispoziçoens para ataque.
Tomou logo poziçoens a esperar o inimigo.

As nove e meia da manhã começarão as escaramuças, e fogo das peças (elles não as tinhão) e (...) ellas descerão o Serro de Carumbé, e se formarão em huma sanga, distante hum 4.º de legoa de nos. 

A huma hora se começou a desenvolver o plano de ataque, ordenado pleo Artigas, e foi – 450 homens de cavalaria na direita, 400 na esquerda; 500 de infantaria no centro, e 150 guaicurus flanqueando o todo.

Deixamoles avançar, e quando chegarão a queima roupa, tendo feito o detalhe das differentes armas, mandou atacar o I. fizerão como leoens, e immediatamente desapareceu o centro. No lado esquerdo vacilou a linha, por culpa dos officiaes de guerrilhas Alexandre Luis e Gabriel Machado; mas mandado reforçar em 30 homens de Infantaria comandados pelo Tenente S. Ana; num quarto de hora desfizerão o flanco do inimigo.

O flanco direito ocupado pelos Dragoens , e reforçado pelo invencível Jacibnto (official de Guerrilhas) e respetivamente por metade da Cavalaria da Legião, e alguma Infantaria, depois de grande resistencia dos Indios Guaicurus e Charruas, teve o mesmo resultado.
Então fes reunir meio esquadrão de Dragoens, meio de Milicias e parte da Cavalaria de S. Paulo para seguir Artigas: qual logo que deo as ordens de retirada para o Serro de Carumbé a ver os movimentos: e os expulsou do campo de Batalha.

Pelas relaçoens dadas pelos Comandantes R. C. Galvão, C. Brandão, e Ajudante de Dragões, houverão dos inimigos 300 mortos, alem dos que cahirão na retirada por huma legoa alem da guarda de S. Anna de Artigas. Aprehendeuse a correspondencia, tomando 350 armas – 200 espadas, de bainha de ferro – pistolas lanças – dois caixoens de cartuxame, hum caixão de polvora – e muito cartuxame avulso que tomarão os soldados – 700 cavalos (...) Inimigo, e ficarão os de vespera á (... coga/ioga?).

Morrerão das tropas 30 soldados, e 58 feridos, destes (...) o Tenente de Artilharia Bento Jose de Moraes.

De tarde enterrados os mortos, e curados os feridos, voltou ao acampamento anterior, a 28 ao Canto, e a 29 ao Campo; aonde forão recebidos em triunfo – meterão em batalha e derão as vivas a Sua Majestade.

Gatelli afirma terem morrido quasi todos os oficiais de Infantaria, excepto la Torre, que vio escaparse.
Distinguirãose muito – T. C. Galvão – M. Cezar(?) – T. S. Anna – da Legião – de Dragoens, M. Seb. Barreto – T. Jose Rois [=Rodrigues] – A. Jose Luis Mena – Milicias Bento Manoel e outros dois – Guerrilhas – o bravo Jacinto.

AHI-REE-00944: “Rio da Prata: Documentos sem importância – 16 folhas, 1811-1818”

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