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segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Exército do Brasil: Diogo Arouche de Moraes Lara


O capitão graduado Diogo Arouche de Moraes Lara nasceu em S. Paulo em 1789, filho do tenente general José Arouche de Toledo Rendon [na foto em baixo] e de D. Maria Thereza Rodrigues de Moraes. Vinha de uma família paulista com grande tradição castrense, sendo o seu avô o mestre de campo (ou coronel) Agostinho Delgado Arouche e seu bisavô o sargento mor Francisco Nabo Freire, nascido em Lagos.

Muito pouco é conhecido acerca da fase inicial da sua carreira militar, mas terá estudado matemáticas e, em 1802, com cerca de 13 anos, é nomeado tenente da companhia de caçadores do 2.º Regimento de Milícias de S. Paulo, pelo capitão general da província, António Manuel de Melo e Castro de Mendonça. O capitão general seguinte (António José Correia da Franca e Horta, 1753-1823) ainda não havia confirmado a promoção por volta de 1803, mas notou que o tenente servia “sem nota”.  Em Maio de 1803, é inclusive indicado numa nota o oficial que Diogo Arouche vai substituir, Joaquim Pedro Salgado que havia sido agregado em capitão para fora da província.

Não é certo quando integra a Legião de Voluntários Reais (também conhecida por Legião de S. Paulo), mas tê-lo-á feito na artilharia, conforme sugere o seu camarada Machado de Oliveira (Oliveira era também capitão graduado na infantaria, mas mais moderno que Diogo Arouche), provavelmente entre 1804 e 1808, tendo-se deslocado para o Rio Grande. Terá passado, previamente a 1809, à infantaria; na Legião, a arma era constituída de 8 companhias em 2 batalhões. 



O que é certo é que, a 27 de Junho de 1809 é promovido a alferes de 4.ª Companhia do 1.º Batalhão de Infantaria da  Legião de Voluntários Reais, de sargento (não indica mais nada, pelo que poderemos aferir que era também de infantaria).

Não é certo de que forma se relaciona o facto de Diogo Arouche Moraes Lara ter sido tenente de milícias e depois, passado a uma unidade de linha, ou como sargento ou até assentado praça. Pode ter sido que a promoção não foi confirmada pelo novo capitão general, ou uma muito incomum despromoção de oficial, ainda que passando da 2.ª à 1.ª linha. A primeira possibilidade é a mais certa, pois não tenho conhecimento de nenhum caso semelhante na segunda senão por punição disciplinar (e ainda assim, a demissão era preferível).

Participa na campanha de 1811-1812. Machado de Oliveira indica que Moraes Lara, então ou alferes ou tenente serviu como parlamentário com grande distinção(não encontrei a promoção de alferes a tenente, que terá ocorrido algures entre 1809 e 1814). 

A 13 de Maio de 1813, na promoção geral após a campanha, é promovido a Ajudante do 1.º Batalhão de Infantaria da sua unidade.

A 25 de Julho de 1814, é graduado em capitão de infantaria na Legião. Terá servido como diretor do Arsenal de Porto Alegre, mas em 1816 retorna à Legião na área do Rio Pardo para servir na campanha iminente. 
Os dois cargos em que serve neste período são indicativos de uma forte competência em termos administrativos, seja como ajudante do major do seu batalhão, seja gerindo o arsenal da capital da província.

Com 27 anos, é capitão graduado de infantaria da Legião e participa da batalha de Catalán [saiba mais], onde segundo Machado de Oliveira, Moraes Lara comanda uma das partes da carga de infantaria na parte final da batalha que ajudou a derrotar o ataque principal oriental: “[...] e posto enfim à frente de uma massa de infantaria penetrou o bosque, em que se entrincheirara uma grande parte da infantaria inimiga, e donde sustentava um fogo mortífero contra a espalda do acampamento, bateu denodamente esta força, e obrigou-a a aceder depois de vigorosa resistência, rendendo-se mais de 200 prisioneiros.”

Diogo Arouche Moraes Lara, já no acampamento do Quaraí, em 1817, escreve uma das mais importantes fontes dessa primeira fase do conflito, especialmente em Entre Rios e Missões. Os mapas que lhe vem anexos são preciosos croquis das batalhas de S. Borja, Arapéi e Catalán. Ainda que escrito em 1817, o manuscrito só em 1844 reemerge pelas mãos de José Joaquim Machado de Oliveira, que o transcreve e faz publicar na revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, em 1845, assim como uma biografia de Diogo Arouche, a qual, pela sua proximidade ao oficial, dou mais valor, ainda que a mesma esteja longe de exata ou precisa.

A 22 de Janeiro de 1818, é promovido a Capitão efetivo, no comando da 1.ª Companhia do 1.º Batalhão da sua legião, o lugar de maior prestígio para um oficial da graduação dele. Já agora, o seu camarada e biógrafo Machado de Oliveira era o comandante da 1.ª Companhia do 2.º Batalhão.

É, já próximo do final da guerra, por volta de 1818-1819, é promovido a tenente coronel, no comando do recém-criado Regimento de Milícias Guarani a Cavalo, de Missões, formado a partir das companhias de milícias a cavalo de Missões (8 de guaranis e 3 de brancos), que vinham já de 1811. Até à independência, chegou a haver um 2.º regimento de Milícias a cavalo Guarani, os famosos lanceiros naturais.

Morre em combate, a 9 de Maio de 1819, com cerca de 30 anos. em S. Nicolau, no comando do seu regimento, ao tentar reocupar o aldeamento às forças orientais. Algumas fontes dão-no como não tendo ainda cumprido o seu 30.º aniversário, sendo que assim terá nascido entre Junho e Dezembro de 1789.

Memória(s) da Campanha de 1816
No manuscrito da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro [conheça aqui, abre nova janela], está ao início uma Advertência que, quando da publicação em 1845, foi omitdo ou não existia no manuscrito usado por Machado de Oliveira. Seja como for, aqui a transcrevo, convidando também  ler a versão publicada na RIHGB, em 1845, que pode ser lida aqui:


Advertencia.
O Amor da Patria, e do meu Soberano me faz tomar o maior interesse por tudo quanto he util, e gloriozo para ambos. A Campanha d' 1816 feita pelas Tropas da Capitania do Rio Grande de S. Pedro do Sul, he pelas brilhantes acçoens militares nella havidas hũa das muitas que fundamentam a digna reputação das Armas Portuguesas, a Gloria Nacional, e a de El Rey D. João 6.º. E dezejando conservar a memoria de tão brilhantes acçoens, assim como os respeitaveis nomes de tantos heróes, q nella fizerão-se remarcaveis, me propuz a escrevêla; e puz em pratica o meu dezejo, prevalecendo o Patriotismo às dificuldades, que me apresentavão as faltas de talentos, e dos conhecimentos precizos de todas as particularidades, que as partes officiaes das mesmas acçoens militares não mencionão, e que exigião pennoza investigação para alcansallas, muito principalmente em meio dos tumultos de hũa guerra activa. Escrevi pois como pude, e expuz os factos taes, e quaes conheci, sem me poupar ao trabalho de investigar a verdade; ficando-me sempre o pezar de o não poder fazer com aquela elegancia, que meresse tão grave assumpto: estimarei porem, que hũa pena digna delle, podendo-se aproveitar da noticia que dou daquelles acontecimentos, os descreva de maneira, que se eternizem os nomes dos meos honrados Patriotas, que trabalhárão com distinção naquella memoravel Campanha, e chegue ao conhecimento das geraçoens vindouras a prezente gloria do meu Rey, e da minha Patria.
O Autor

Imagem de topo
- Várzea do Carmo (Arnaud Pallière). fonte: Wikicommons. São Paulo, 1821.

Fontes
- Gazeta do Rio de Janeiro
LARA, Diogo Arouche de Moraes – Memória da Campanha de 1816, in Revista do Instituto Histórico e Geographico Brasileiro, Tomo VII, n.º 26 – Julho de 1845, p.: 123 a 170, terceira edição, Rio de Janeiro ; imprensa Nacional, 1931, p.: 123 a 170.
- ------------ - Apêndice à Memória da Campanha de 1816, in: Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Tomo VII, n.º 27 – outubro de 1845, p.: 263 a 317, terceira edição, Rio de Janeiro ; imprensa Nacional, 1931, p.: 363 a 317.
- OLIVEIRA, José Joaquim Machado de, Breve Noticia Biographica sobre o Auctor da Memoria da Campanha de Artigas, in: Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Tomo VII, n.º 27 – outubro de 1845, terceira edição, Rio de Janeiro ; imprensa Nacional, 1931, pp. 256-262.

- BLAKE, Augusto Victorino Alves Sacramento, Dicionario Bibliographico Brazileiro, v. 2,Rio de Janeiro: Typographia Nacional, 1883. pp. 175-176
- BOEIRA, Luciana Fernandes, Como Salvar do Esquecimento os Atos Bravos do Passado Rio-Grandense: A Província de São Pedro Como um Problema Político-Historiográfico no Brasil Imperial (Tese de doutoramento), Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2013pp. 162-163
- CEZAR, Adilson, "Elogio de Adilson Cezar a seu patrono Ten Cel Diogo Arouche de Morais Lara". in: O Guararapes, Órgão de Divulgação das Atividades da Academia de História Militar Terrestre do Brasil, Aditamento ao N.º 42, Julho e Setembro 2004, http://www.ahimtb.org.br/guarara42a.htm. página de internet [31.1.2018]
SILVA, João Manuel Pereira da , Os varões illustres do Brazil durante os tempos coloniaes. 2 tom. [t. 1], (3.ª Edição),  Rio de Janeiro: B. L. Garnier. 1868

sábado, 17 de fevereiro de 2018

1.º Brigada: João Carlos de Saldanha de Oliveira e Daun


O coronel JOÃO CARLOS DE SALDANHA DA OLIVEIRA E DAUN nasceu no Palácio da Anunciada, em Lisboa, a 17 de novembro de 1790, nono filho do 1.º conde do Rio Maior, João Vicente de Saldanha Oliveira e Sousa Juzarte Figueira, e da D. Maria Amália de Carvalho Daun, filha dos 1.os marqueses de Pombal.

Assentou praça e jurou bandeiras como cadete do Regimento de Infantaria de Lippe, aos 14 anos de idade, em 28 de Setembro de 1805. No ano seguinte, a 24 de Junho de 1806, é promovido a capitão agregado da 10.ª companhia, beneficiando de um decreto desse mesmo ano que permitia a promoção direta a capitão aos filhos de conselheiro de Guerra. Exatamente um ano depois, passa a capitão efetivo no comando da 8.ª companhia, estando a patente assinada de 18 de Agosto. 
Entre 1805 e 1807, frequentou os três anos da Academia Real de Marinha com distinção.

Foi escuso do Real Serviço em 6 de Fevereiro de 1808, por moléstia, em protesto confessado à dominação francesa e para evitar servir na futura Legião Portuguesa, ao serviço de Napoleão. 
Após a restauração, apresentou-se ao serviço em Outubro de 1808, reassumindo o comando da 8.ª companhia e, em 9 de Dezembro de 1809, era promovido a sargento mor (major) do agora Regimento de Infantaria n.º 1. A 5 de Fevereiro de 1811, com 21 anos de idade, é promovido a tenente coronel. Participa com distinção nas batalhas do Buçaco, em 1810, e de Salamanca, ou Arapiles, em 1812. 

A 5 de Fevereiro de 1812 vai para o Regimento de Infantaria n.º 13, onde permanece até ao fim da Guerra Peninsular, tendo participado novamente com distinção nas batalhas de Salamanca, em 1812, e de Vitoria, em 1813, e posteriormente no sítios de San Sabastian e na Batalha de Nive. Em Setembro de 1812, comandou interinamente a 10.ª Brigada Portuguesa, que atuava de forma independente no exército de operações aliado.

Com 25 anos, a 22 de Junho de 1815, passa à Divisão de Voluntários Reais do Príncipe como coronel adido, tornando-se já no Rio de Janeiro comandante do 1.º Regimento de Infantaria da Divisão de Voluntários Reais, após a reorganização da grande unidade.

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Leia também:




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Imagem (ao topo): Retrato de Saldanha, enquanto brigadeiro (década de 1820)

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

1.ª Brigada: João da Cunha Lobo Barreto


O tenente JOÃO DA CUNHA LOBO BARRETO nasceu em Barcelos, a 2 de Junho de 1795, filho de Estevão Bernardino Barreto e de D. Vitória Margarida da Cunha Barreto. 

Alistou-se no Batalhão de Caçadores n.º 4, tendo sido promovido a alferes, de cadete, a 9 de Dezembro de 1812. Fez as campanhas de 1813 e 1814, inserido na 1.ª brigada portuguesa independente. 

Passa, com 21 anos, à Divisão de Voluntários Reais do Príncipe, como tenente do 1.º Batalhão de Caçadores, inserido no início de julho de 1816 na vanguarda comandada pelo marechal de campo Sebastião Pinto de Araújo Correia.


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Memórias
BARRETO, João da Cunha Lobo, “Apontamentos historicos a respeito dos movimentos e ataques das forças do comando do general Carlos Frederico Lecor, quando se ocupou a Banda oriental do Rio da Prata desde 1816 até 1823 (…)”, in: Revista do IHGB, vol. 196, Julho-Setembro 1947, pp.4-68.

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Os Voluntários: Contributos para uma caracterização do oficialato


Em finais de 1814, na ressaca da Guerra Peninsular, o príncipe regente D. João mandou aprontar um corpo de tropas ligeiras do Exército Português para servir no Brasil.  A Divisão de Voluntários Reais (DVR), que tenho vindo a tratar aqui, no âmbito do bicentenário sobre a campanha de Montevidéu, serviu como válvula de escape para centenas de oficiais que procuravam avanço e promoção num exército completo, saído ‘vítima’ da eficiência de Miguel Pereira Forjaz e do marechal general W. C. Beresford e do total comprometimento português nas campanhas da Guerra Peninsular.

Quando a divisão foi anunciada formalmente através da publicação do decreto da sua criação no Diário do Governo a 15 de maio de 1815, eram nele pedidos voluntários entre o oficialato do Exército Português, com a promessa de acesso ao posto superior e que se manteriam agregados ao seu regimento de origem, no número dos destacados.

Nesta postagem vou analisar o número de voluntários que se responderam ao apelo e retratar o espírito de aventura e promoção profissional que a DVR proporcionou àquela altura.

O Exército Português

2.º Corpo de Cavalaria (Divisão dos Voluntários Reais): Oficial e Soldado (1815-1823) - trajavam a azul ferrete


Antes de mais, é preciso perceber que apesar de estar a fazer um ano sobre o fim da Guerra Peninsular, o Exército Português manteve-se em números de guerra até meados de novembro; altura em que passou a efectivos de paz, totalizando 40,840. Refletindo o número sem precedentes de oficiais que se haviam incorporado, em cerca de 48 batalhões de infantaria (2 batalhões por cada um dos 24 regimentos), só para nos referir à mais significativa das armas.

Uma expedição ao Brasil, em defesa do império e da Santa religião, já de si promessa de aventuras e de avanço e promoção, quem sabe por distinção no campo da honra, era ainda mais adocicado pelo acesso ao posto seguinte e a manutenção no Exército de Portugal, e não, como era habitual passar aos quadros do Exército do Brasil.

É natural que muitos oficiais tenham respondido sem grande hesitação. João da Cunha Lobo Barreto, que entra na DVR como tenente do 1.º Batalhão de Caçadores, vindo de Caçadores n.º 4, exprime bem o sentimento em presença:

Tão depressa se publicou este Decreto, se ofereceram para servir na mesma Divisão um sem numero de oficiais, inferiores e soldados; sendo tal o entusiasmo que podemos asseverar [...]  que se o governo naquela ocasião mandasse prontificar um corpo de 12 ou 15 mil homens aguerridos, os encontraria prontos para semelhante expedição.


Nas suas memórias, editadas pelo filho, o coronel Francisco de Paula Azeredo, que vem a comandar o 2.º Regimento de Infantaria, apresenta-nos o élan que a DVR inspirava num exército que esteve em guerra, de 1807 a 1814, e que se sujeitava agora à paz:

[...] 45 anos, com constituição robusta e ânimo ousado. A vida sedentária incomodava-o; o serviço ordinários das guarnições era uma ocupação modesta para quem via uma nova carreira de combates e glória. O trabalho era o seu deleite, e a actividade o maior prazer da existência. Não quis portanto deixar escapar esta oportunidade favorável de ir ao novo mundo aumentar os seus créditos e melhorar a sua posição, pois é sabido que além da sua espada não tinha outro património.

A questão da composição da infantaria da DVR: Caçadores todos?

William Carr Beresford
(Sir William Beechey)
Apesar de comummente se pensar que a DVR era constituída por 4 batalhões de caçadores, a 8 companhias cada, a mesma foi pensada para ser constituída por 12 companhias de caçadores e 20 companhias de infantaria ligeira (na verdade infantaria de linha regular, mas fardada como caçadores), mais não seja porque esvaziaria os 12 batalhões de caçadores que ficariam em Portugal (basta notar desde já que 38 dos 60 tenentes de todos os batalhões se apresentaram como voluntários).

Silvino da Cruz Curado refere que foi Beresford, no conflito com os governadores do Reino, que forçou um limite de 12 companhias de caçadores, pois como o marechal general Beresford coloca de forma clara, “[...] ponhamos-lhe nós o fardamento que quisermos, nem por isso os faremos caçadores... podendo, talvez tirar-lhes as qualidade de boa infantaria”. 


Oficiais generais e soldado e oficial da DVR
(José Wasth Rodrigues)

Apesar do conflito entre Beresford e os governadores do reino ser algo que foi mais ou menos constante desde 1809, a situação em paz era pior no sentido em que os interesses do maior aliado, D. Miguel Pereira Forjaz, começavam a divergir fortemente do dos ingleses desde o final da Guerra em 1814.

É de crer que Beresford terá estabelecido a divisão de efetivos entre infantaria de linha e caçadores da forma que veio a tomar, interpretando ao mesmo tempo os desejos do governo do Rio de Janeiro e as necessidades do Exército. 12 companhias de caçadores já implicaria que se retirasse cerca de um quinto de todos os oficiais de caçadores; imagine-se então se todas as 32 fossem recrutadas  nesta arma.

Os números

Embarque das tropas em Praia Grande (J. B. Debret)

Assim sendo, a DVR deveria ser constituída por 20 companhias de infantaria, 12 de caçadores, 12 de cavalaria e 2 de artilharia, tirando o efetivo do estado maior ao nível divisão, brigada e batalhão/corpo. 
Os efetivos seriam recrutados para cada um destas companhias a partir da arma correspondente.

Em termos da classe de oficiais, a DVR apresentava as seguintes vagas:

Infantaria:
2 tenente coronéis, 4 majores, 20 capitães, 20 tenentes, 40 alferes

Caçadores
2 tenente coronéis, 4 majores, 12 capitães, 12 tenentes, 24 alferes

Cavalaria
2 tenente coronéis, 4 majores, 12 capitães, tenentes e alferes

Artilharia
2 capitães, 2 primeiro tenentes e 6 segundo tenentes


Artilharia a Cavalo, da2.ª Brigada)  (Divisão dos Voluntários Reais): Oficial e Soldado (1815-1823) - trajavam a azul ferrete

A partir de 15 de maio, muitos oficiais voluntariaram-se para a expedição no Brasil. 
Estes são os números, por arma e por posto, de quantos se apresentaram:

Infantaria
3 coronéis, 7 tenentes coronéis, 14 majores, 55 capitães, 88 tenentes, 147 alferes
(Incluem-se nestes os coronéis Luís do Rego Barreto e Carlos Sutton e o tenente coronel John Prior, sendo que nenhum entrou)



Caçadores
5 tenente coronéis, 6 majores, 30 capitães, 38 tenentes e 41 alferes



Cavalaria
4 tenente coronéis, 3 majores, 10 capitães, 14 tenentes e 11 alferes


Artilharia
1 coronel, 1 tenente coronel, 7 capitães, 9 primeiros tenentes e 17 segundos tenentes


Se voltarmos atrás e relembrarmos as palavras do memorialista Lobo Barreto, que se o governo “mandasse prontificar um corpo de 12 ou 15 mil homens aguerridos”, não teria problema em o fazer. Pois os números demonstram-no de forma clara, e pouco faltaria (excetuo a cavalaria) para formar uma segunda DVR, se tal fosse necessário.

Aqui temos o rácio entre oficiais voluntários face às vagas no posto imediatamente superior na DVR e percebemos melhor a oportunidade que esta DVR representou para o oficialato português, sem perspetiva de promoção e muito jovem.




A classe dos capitães é a que mais se candidata, até porque era tradicionalmente o ponto de engarrafamento na carreira militar e o término desta para muitos. As pouquíssimas vagas de major (12 em toda a DVR, no que respeita aos batalhões) refletem um rácio que chega a ser de 14 capitães de infantaria de linha para 4 vagas de major, seguida de perto por 30 capitães de caçadores (mais de metade de todos os comandantes de companhias de caçadores do Exército) para 4 vagas de major. A arma que parece menos afetada é a de cavalaria, mas ainda assim apresenta 3 capitães por cada cada uma das 4 vagas de major nos dois corpos da arma. Apesar das outras classes não apresentarem rácios tão altos, mostram claramente que a oferta excedeu a procura em cinco vezes (se excluirmos as vagas de estado maior de brigada e divisão, que influem muito pouco nos resultados).

O caso dos Caçadores

2.º e 4.º Batalhões de Caçadores (Divisão dos Voluntários Reais, 1815-1823) - trajavam a castanho ou Saragoça


Ainda que Beresford tenha reduzido a 12 companhias o número de caçadores a retirar do Exército, ainda assim os 12 batalhões de caçadores ficaram sem muitos dos seus efetivos. 19,3% de todos os oficiais dos batalhões de caçadores foram para a DVR, abrindo promoção aos que ficaram. 

1 em cada 5 oficiais de caçadores em 1815 entrou na DVR.

Se verificarmos o número de oficiais de caçadores que se voluntariaram, por posto, é impressionante, tendo em vista as percentagens face aos efetivos dos 12 batalhões metropolitanos:

5 tenente coronéis (41.6% de todos os tenentes coronéis de caçadores)
6 majores (50%)
30 capitães (41.6%)
38 tenentes (63%)
41 alferes (34,2%)

Por exemplo, 63% de todos os tenentes de caçadores do Exército à altura, 38 num total de 60, ofereceram-se como voluntários, tendo 12 deles obtido o comando de uma das companhias.

***


Ainda que hoje tenuemente lembrada pela história militar portuguesa, a Divisão de Voluntários Reais foi naquela altura um imenso acontecimento para todos os militares do seu tempo e que se repercutiu de forma extraordinária na vida de muitos homens, mesmo entre os que estiveram em combate na Espanha e na França em 1813 e 1814.

Próximo: que medalhas usavam estes militares e como nos indicam elas a experiência militar que eles levaram à Campanha de 1816?

Conheça mais sobre o Exército Português nos Finais do Antigo Regime, de Manuel Amaral 

Fontes

- Arquivo Histórico Militar, 2/1/8/4 & 2/1/8/10

- AGUILAR, Francisco D’Azeredo Teixeira D’, Apontamentos Biographicos de Francisco de Paula D’Azeredo, Conde de Samodães, Porto, Tip. Manoel José Pereira, 1866.

- BARRETO, João da Cunha Lobo, “Apontamentos historicos a respeito dos movimentos e ataques das forças do comando do general Carlos Frederico Lecor, quando se ocupou a Banda oriental do Rio da Prata desde 1816 até 1823 (…)”, in: Revista do IHGB, vol. 196, Julho-Setembro 1947, pp.4-68.

- CURADO, Silvino da Cruz, Campanha de Montevideu, A Ocupação Portuguesa do Uruguai, 1816-1823 (Col. Batalhas da História de Portugal, n.º 14), Matosinhos, QuidNovi, 2006.

- LIMA, Cor. Henrique de Campos Ferreira, O Exército Português: Enciclopédia pela Imagem ; dir. artística Alberto de Sousa. - Porto : Livraria Lello, Limitada Editora, 1930. pp 54-55.

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Antecedentes: Regimento de Voluntários Reais (1762-1770?)

Uniformes da infantaria, c. 1763


Regimento de Voluntários Reais foi criado em 8 de Agosto de 1762 com o efectivo de 800 praças, divididos em 8 companhias de Infantaria e  4 companhias de Cavalaria, sob o comando do coronel Charles Chauncy. Após a Guerra do Pacto de Família, ficou aquartelado em Faro, pelo menos desde 1767, onde foi extinto entre 1769 e 1772, possivelmente logo nesse primeiro ano.

Foi a primeira experiência do uso de tropas ligeiras na primeira linha, ou tropa paga, do Exército Português. Os batalhões de caçadores iriam adotar em 1806 a cor castanha do tecido de saragoça que esta unidade usou. Também a Divisão de Voluntários Reais do Rei, em 1815, emulou tanto o nome quanto a cor dos uniformes. Várias outras unidades posteriores do tipo usaram o nome Voluntários Reais (S. Paulo e Rio Grande), assim como o modelo do uso combinado ligeiro da infantaria, cavalaria e artilharia.

Uniformes da cavalaria, c. 1763

Imagem
Divisas de los Regimientos de Infantería y Caballería del Reyno de Portugal, disponibilizado pela Biblioteca Nacional de Espanha [Sítio]

domingo, 10 de janeiro de 2016

2.ª Brigada: Francisco de Paula Azeredo

O Coronel FRANCISCO DE PAULA AZEREDO (TEIXEIRA DE CARVALHO) nasce a 14 de janeiro de 1770, em Samodães, Lamego, o 7.º filho de Francisco António Teixeira de Carvalho e de D. Joaquina Leocádia d’Azeredo Leite e Albuquerque. Em 1785, inicia os estudos em direito canónico na Universidade de Coimbra. 

Em janeiro de 1792, ele, com 22 anos, e o irmão, Bernardo Correia de Azevedo, desejavam assentar praça de cadetes no Regimento de Cavalaria de Almeida, mas como não havia vagas e com lista de espera, a 31 do mês assentam praça no Regimento de Infantaria de Almeida, sendo ambos colocados na companhia de Granadeiros. Francisco de Paula é reconhecido cadete a 14 de Maio.

Em 1796, Francisco é porta bandeira. No ano seguinte, a 4 de abril, é promovido a alferes de granadeiros. 7 anos depois, a 15 de agosto de 1805, é promovido tenente da 5.ª companhia do regimento. 

Após a restauração, é promovido a capitão do agora Regimento de Infantaria n.º 23, a 14 de janeiro de 1809, e pouco depois é nomeado major da brigada de Lecor, destacado do regimento. 

Em 21 de agosto de 1812, é promovido a sargento mor. Comanda o regimento em Salamanca, tendo dois cavalos mortos e duas balas que lhe levaram a espada e a barretina. A 21 de junho de 1813, na batalha de Vitória, é gravemente ferido numa perna, já no fim da ação, por ação dos tiros da artilharia francesa. É graduado em tenente coronel, pela distinção na batalha, não participando mais na campanha. 

Passa, com 45 anos, à Divisão de Voluntários Reais do Príncipe, como coronel adido, a ser empregado como convier, tomando já no Rio de Janeiro o comando do 2.º Regimento de Infantaria.


Leia as suas memórias, compiladas e revistas pelo filho, em https://books.google.pt/books?id=eyqyKF6NE6wC

1.ª Brigada: Jerónimo Pereira de Vasconcelos


O Sargento mor JERÓNIMO PEREIRA DE VASCONCELOS nasce a 31 de julho de 1792, em Ouro Preto (então, Vila Rica), em Minas Gerais, filho de Diogo Pereira Ribeiro de Vasconcellos, Juiz do Crime no Rio de Janeiro e cavaleiro da Ordem de Cristo, e de D. Maria do Carmo de Sousa Barradas. Assenta praça e foi nomeado cadete do Regimento de Cavalaria de Minas Gerais. 

Em junho de 1808, estava a estudar na Universidade de Coimbra. A 14 de setembro desse ano, é promovido a tenente do Batalhão de Caçadores n.º 8. Está presente na batalhas do Buçaco, em 1810, e de Fuentes de Honor, no ano seguinte. Dois meses depois, a 25 de julho de 1811, é promovido a capitão do recém-criado Batalhão de Caçadores n.º 12. Está presente na batalha de Salamanca/Arapiles, em 1812. 

Passa, a um mês dos 23 anos, à Divisão de Voluntários Reais do Príncipe, como sargento mor do 1.º Batalhão de Caçadores.

2.ª Brigada: João Crisóstomo Calado


O Tenente coronel JOÃO CRISÓSTOMO CALADO nasce a 24 de março de 1780 em Elvas, filho do coronel Manuel Joaquim Calado e de D. Maria Joaquina Nobre. A 26 de março de 1795, dois dias depois de fazer 15 anos, assenta praça como cadete do Regimento de Infantaria de Campo Maior. Poderá ter sido declarado cadete aos 11 anos, em 1791, mas só começa a servir nesta altura. Participa na campanha de 1801. Entre 1802 e 1805, cursou Matemática. É promovido a tenente a 5 de fevereiro de 1805, patente com que se demite do serviço em 1808. Após a evacuação dos franceses, apresenta-se à Junta de Campo Maior e ajuda a restabelecer o Regimento de Infantaria n.º 20. Dois anos depois, a 12 de dezembro de 1810, é promovido a capitão. A 29 de janeiro de 1812, é graduado em sargento mor pela sua conduta na batalha de Chiclana. A 29 de novembro desse mesmo ano, é confirmado como sargento mor. 

Passa, com 26 anos, à Divisão de Voluntários Reais do Príncipe, como tenente coronel comandante do 4.º Batalhão de Caçadores.

1.ª Brigada: António José Claudino de Oliveira Pimentel


O Tenente coronel ANTÓNIO JOSÉ CLAUDINO DE OLIVEIRA PIMENTEL nasce em 1776, em Torre de Moncorvo, filho de João Carlos de Oliveira Pimentel, capitão mor de ordenanças de Moncorvo, e de D. Violante Engrácia de Silva Torres. Após adquirir a instrução básica, vai para Lisboa para continuar os estudos. 

A 26 de maio de 1795, assenta praça como cadete no Regimento de Cavalaria de Alcântara. Nesse mesmo ano oferece-se como voluntário na Esquadra que escoltou o Exército Auxiliar na Catalunha e Rossilhão e torna-se artilheiro da Brigada Real de Marinha tendo servido, entre 1795 e 1802, em diversas esquadras do Brasil. 

A 9 de junho de 1802, é promovido a 2.º Tenente agregado, incerto se ainda na Brigada Real de Marinha se já tendo passado ao Exército. A 4 de novembro do ano seguinte, é promovido a tenente agregado do Regimento de Infantaria de Bragança, e a efetivo, pouco mais de um ano depois (6 de janeiro de 1805).

Em 1807, inscreve-se na Real Academia de Marinha, frequentando o curso de matemática. Em Junho de 1808, apresenta-se ao general Manuel Jorge Gomes de Sepúlveda e, a 23 de setembro do mesmo ano é promovido a capitão do seu regimento, de Bragança, agora o n.º 24. A 22 de junho de 1810, é nomeado ajudante d’ordens do marechal de campo Francisco da Silveira Pinto da Fonseca, em Trás-os-Montes. Está presente em Puebla de Sanabria, a 10 de agosto, e foi promovido a sargento mor, a 17 de agosto, “por haver conduzido a Águia do Batalhão Suiço, que capitulou” ao quartel general do marechal Beresford. 

A 3 de agosto de 1813, é nomeado sargento mor do Regimento de Infantaria n.º 5, que estava aquartelado em Elvas, onde permaneceu até ao fim da guerra. 

Passa, com 29 anos, à Divisão de Voluntários Reais do Príncipe, como tenente coronel comandante do 3.º Batalhão de Caçadores.

2.ª Brigada: Francisco Homem de Magalhaes Quevedo Pizarro


O Brigadeiro FRANCISCO HOMEM DE MAGALHÃES QUEVEDO PIZARRO nasce em Bobeda, Chaves, a 27 de setembro de 1776, filho de José da Silva Cardoso Pizarro, capitão de Cavalaria e fidalgo da Casa Real, e de D. Henriqueta José Gabriela de Quevedo. 

Assenta praça no Regimento de Cavalaria de Chaves, em 28 de Fevereiro de 1791. 
A 2 de agosto de 1793, passa à Armada Real, como Aspirante a Guarda Marinha; a guarda marinha, a 27 de novembro de 1794, e a segundo tenente, a 5 de novembro de 1796. Por decreto de 27 de Julho de 1799, é promovido a primeiro tenente e participa, em 1801, nas expedições navais de Tripoli e Malta, embarcado na Nau Afonso de Albuquerque. 

Em 27 de maio de 1804, sai da Armada e volta a casa sendo nomeado tenente coronel agregado do Regimento de Milícias de Chaves. A 1 de fevereiro de 1809, passa ao Quartel General do tenente general Bernardim Freire de Andrade, em Braga. A 28 de setembro de 1809, é submetido a Conselho de Guerra, que decorreu na Real Academia de Fortificação, Artilharia e Desenho, sob a acusação de “querer defender a Praça de Chaves contra a ordem do General Silveira, e não fazer depois a defeza possível, que devia”. Foi julgado inocente, e mandado entrar no exercicio do seu posto, o de tenente coronel do Regimento de Infantaria n.º 12, com antiguidade de 10 de fevereiro. 
A 24 de agosto de 1812 é graduado em coronel e, a 11 de novembro do mesmo ano, passa a coronel efetivo do Regimento de Infantaria n.º 16. 
Durante a campanha de 1813, está presente nas batalhas de Vitória, Pirinéus, S. Sebastian, Nivelle e Nive, onde, a 10 de dezembro, reagindo a uma carga de cavalaria inimiga, é atropelado e feito prisioneiro. 

Passa, com 39 anos, à Divisão de Voluntários Reais do Príncipe, como brigadeiro comandante da 2.ª Brigada de Voluntários Reais.

* * *

«Os fins de 1814 trouxerão a seus Lares os filhos da Patria, o Exercito de Portugal repousava á sombra dos Louros, que tanto sangue tinhão custado, quando El-Rei quiz que uma parte dos seus Soldados passasse ao Novo Mundo: uma grande parte do Exercito (fomos testemunhas) se disputou n'aquelle tempo a gloria de vir ao Brazil, só na Divizão da Extremadura havia mais Voluntários Reaes, do que El-Rei ordenava: o General Pizarro fiel sempre a seus princípios, e ancioso de empregar a vida no serviço d'El Rei  abandonou sua Patria, uma Consorte querida, sacrificou seus interesses, e de seus infelices filhes á gloria de Commandar uma Brigada diante d' El-Rei, a quem elle , e a sua dilatada família deverão sempre amparo, e honra : foi-lhe então observado por alguns dos seus Amigos, que a sua Caza arruinada já pelos tempos, e pelos Francezes, acabaria com a sua auzencia, o General Pizarro respondeo com o desinteresse que o caracterizava “Quem tem empregado a mocidade no serviço para que ha de poupar a velhice ?” 
Em virtude do seu offerecimento foi nomeado Brigadeiro, e Commandante da segunda Brigada da Divizão de Voluntários Reaes ; organizou-a, e Commandou-a até o Rio de Janeiro d'ali para Santa Catharina, e desta Ilha por terra até Monte-Vidéo, aonde o Tenente General Barão da Laguna entrou com a Divizão a 20 de Janeiro de 1817.»

VV AA, Notícias Biographicas de Francisco Homem de Magalhães Pizarro,(...) Pelos seus ajudantes d'Ordens. Rio de Janeiro, Imprensa Régia, 1819. pp. 13-14

sábado, 5 de dezembro de 2015

Soldado de Infantaria da DVRP (Ivan Washt Rodrigues)


Soldado de Infantaria da DVRP
ilustração de Ivan Washt Rodrigues

In: DUARTE, Paulo de Queiroz, Lecor e a Cisplatina 1816-1828 ( 3 v.), Rio de Janeiro, Biblioteca do Exército Editora, 1984.

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Plano de Organização da Divisão de Voluntários Reais do Príncipe (30MAI1815)

PLANO DE ORGANIZAÇÃO DA DIVISÃO 
[30 de Maio de 1815]

Composta da 1.ª e 2.ª Brigada de Voluntários Reais do Príncipe, cada composta de:


2 Batalhões de 8 Companhias cada

3 Esquadrões de Cavalaria
1 Companhia de Artilharia

EM Divisão, 7

EM Brigadas, 10
Estado Completo dos 4 BatInf, 3632
EC Cavalaria, 894 (800 cavalos)
EC Artilharia, 252
Musicos, 36
TOTAL, 4832 homens e 800 cavalos



Estado Maior da Divisão
1 Tenente General, Comandante em Chefe
1 Ajudante general & Secretário Militar (Oficial general)
1 Quartel Mestre General (Brigadeiro)
2 Oficiais de Engenheiros
2 Auditores Encarregados (Intendências dos Víveres + Bagagens)
Total, 7

Estado Maior de uma Brigada

1 Brigadeiro
1 Major de Brigada
1 Ajudante de Campo (Tenente)
1 Cirurgião Mor de Brigada (grad. Major)
1 Capelão
Total, 5

Estado maior de um Batalhão de 8 Companhias

1 Tenente-Coronel comandante
2 Majores
1 Ajudante
1 Quartel Mestre
2 Cirurgiões Mores (grad. Capitães)
1 Ajudante Sargento
1 Quartel Mestre Sargento
1 Corneta Mor (grad. 1.º sargento)
1 Coronheiro
1 Espingardeiro
Total, 12


Composição de uma Companhia do Batalhão
1 Capitão
1 Tenente
2 Alferes
1 1.º sargento
4 2.º Sargentos
1 Furriel
6 Cabos de Esquadra
6 Anspeçadas
2 Cornetas
88 Soldados
Total, 112

Total das 8 Companhias, 896

Total de um Batalhão com o seu Estado Maior, 908
Total dos dois Batalhões de Infantaria de uma Brigada, 1816


Corpo de Cavalaria composto de 6 Companhias, pertencendo a uma Brigada


Estado Maior

1 Tenente-Coronel (3 cavalos)
2 Majores (4 cavalos)
1 Ajudante (1 cavalo)
1 Quartel Mestre (idem)
1 Capelão (idem)
2 Cirurgiões Mores (grad. Capitães) (2 cavalos)
1 Picador (grad. Tenente) (1 cavalo)
1 Ajudante Sargento (idem)
1 Quartel Mestre Sargento (idem)
1 Trombeta Maior (idem)
1 Seleiro (idem)
1 Coronheiro
1 Espingardeiro
Total, 15 homens e 16 cavalos


Composição de uma Companhia de Cavalaria
1 Capitão
1 Tenente
1 Alferes
2 Sargentos
1 Furriel
4 Cabos de Esquadra
4 Anspeçadas
1 Trombeta
1 Ferrador
48 Soldados montados
8 Soldados a pé
Total, 72 homens e 64 cavalos

Total das seis Companhias, 432 homens e 384 cavlos

Total do Corpo de Cavalaria de uma Brigada, 447 homens e 400 cavalos


Corpo de Artilharia pertencente à Divisão, composto de duas Companhias com quatro bocas de fogo cada uma, a saber, três peças de calibre 6 e um Obuz de 6 polegadas


Estado Maior

1 Oficial Superior
1 Ajudante
1 Quartel Mestre
1 Ajudante sargento
1 Quartel mestre Sargento
1 Corneta Mor
2 Ferreiros
2 Serralheiros
2 Carpinteiros de Machado
2 Carpinteiros de Obra Branca
Total, 14

Composição de uma Companhia de Artilharia

1 Capitão
1 1.º Tenente
3 2.º Tenentes
1 1.º Sargento
2 2.º Sargentos
2 Artífices de Fogo
1 Furriel
6 Cabos de Esquadra
2 Cornetas
100 Soldados
Total, 119

Total das duas Companhias, 238

Total do Corpo de Artilharia, 252

Banda de Música para uma Brigada

2 Mestres
16 Músicos
Total, 18

Total de Musicos para a Divisão, 36