domingo, 10 de janeiro de 2016

1.ª Brigada: Jerónimo Pereira de Vasconcelos


O Sargento mor JERÓNIMO PEREIRA DE VASCONCELOS nasce a 31 de julho de 1792, em Ouro Preto (então, Vila Rica), em Minas Gerais, filho de Diogo Pereira Ribeiro de Vasconcellos, Juiz do Crime no Rio de Janeiro e cavaleiro da Ordem de Cristo, e de D. Maria do Carmo de Sousa Barradas. Assenta praça e foi nomeado cadete do Regimento de Cavalaria de Minas Gerais. 

Em junho de 1808, estava a estudar na Universidade de Coimbra. A 14 de setembro desse ano, é promovido a tenente do Batalhão de Caçadores n.º 8. Está presente na batalhas do Buçaco, em 1810, e de Fuentes de Honor, no ano seguinte. Dois meses depois, a 25 de julho de 1811, é promovido a capitão do recém-criado Batalhão de Caçadores n.º 12. Está presente na batalha de Salamanca/Arapiles, em 1812. 

Passa, a um mês dos 23 anos, à Divisão de Voluntários Reais do Príncipe, como sargento mor do 1.º Batalhão de Caçadores.

Exército do Brasil: Sebastião Barreto Pereira Pinto


O Sargento Mor SEBASTIÃO BARRETO PEREIRA PINTO nasceu em Porto Alegre, no ano de 1775. 

Assentou praça e foi reconhecido cadete do Regimento de Dragões do Rio Pardo, a 18 de Outubro de 1791, com 16 anos. Após ter participado na campanha de 1801, com menções nas ordens de dia regimentais, ficou na guarnição de Rio Pardo e Missões, sendo promovido de alferes a tenente, no ano seguinte, a 14 de Novembro. 

Após seis anos, é promovido a capitão, em 25 de julho de 1808. Faz a campanha de 1811/1812, participando no combate de Itapebuhy (Itapeti Grande), sendo graduado em sargento mor a 13 de Maio de 1813, dia do aniversário de SAR o Príncipe Regente. 

No ano seguinte, a 12 de outubro, é promovido a sargento mor efetivo. Com 41 anos, comanda o regimento nas batalhas de Carumbé (27.10.1816) e de Catalán (4.1.1817).

2.ª Brigada: João Crisóstomo Calado


O Tenente coronel JOÃO CRISÓSTOMO CALADO nasce a 24 de março de 1780 em Elvas, filho do coronel Manuel Joaquim Calado e de D. Maria Joaquina Nobre. A 26 de março de 1795, dois dias depois de fazer 15 anos, assenta praça como cadete do Regimento de Infantaria de Campo Maior. Poderá ter sido declarado cadete aos 11 anos, em 1791, mas só começa a servir nesta altura. Participa na campanha de 1801. Entre 1802 e 1805, cursou Matemática. É promovido a tenente a 5 de fevereiro de 1805, patente com que se demite do serviço em 1808. Após a evacuação dos franceses, apresenta-se à Junta de Campo Maior e ajuda a restabelecer o Regimento de Infantaria n.º 20. Dois anos depois, a 12 de dezembro de 1810, é promovido a capitão. A 29 de janeiro de 1812, é graduado em sargento mor pela sua conduta na batalha de Chiclana. A 29 de novembro desse mesmo ano, é confirmado como sargento mor. 

Passa, com 26 anos, à Divisão de Voluntários Reais do Príncipe, como tenente coronel comandante do 4.º Batalhão de Caçadores.

1.ª Brigada: António José Claudino de Oliveira Pimentel


O Tenente coronel ANTÓNIO JOSÉ CLAUDINO DE OLIVEIRA PIMENTEL nasce em 1776, em Torre de Moncorvo, filho de João Carlos de Oliveira Pimentel, capitão mor de ordenanças de Moncorvo, e de D. Violante Engrácia de Silva Torres. Após adquirir a instrução básica, vai para Lisboa para continuar os estudos. 

A 26 de maio de 1795, assenta praça como cadete no Regimento de Cavalaria de Alcântara. Nesse mesmo ano oferece-se como voluntário na Esquadra que escoltou o Exército Auxiliar na Catalunha e Rossilhão e torna-se artilheiro da Brigada Real de Marinha tendo servido, entre 1795 e 1802, em diversas esquadras do Brasil. 

A 9 de junho de 1802, é promovido a 2.º Tenente agregado, incerto se ainda na Brigada Real de Marinha se já tendo passado ao Exército. A 4 de novembro do ano seguinte, é promovido a tenente agregado do Regimento de Infantaria de Bragança, e a efetivo, pouco mais de um ano depois (6 de janeiro de 1805).

Em 1807, inscreve-se na Real Academia de Marinha, frequentando o curso de matemática. Em Junho de 1808, apresenta-se ao general Manuel Jorge Gomes de Sepúlveda e, a 23 de setembro do mesmo ano é promovido a capitão do seu regimento, de Bragança, agora o n.º 24. A 22 de junho de 1810, é nomeado ajudante d’ordens do marechal de campo Francisco da Silveira Pinto da Fonseca, em Trás-os-Montes. Está presente em Puebla de Sanabria, a 10 de agosto, e foi promovido a sargento mor, a 17 de agosto, “por haver conduzido a Águia do Batalhão Suiço, que capitulou” ao quartel general do marechal Beresford. 

A 3 de agosto de 1813, é nomeado sargento mor do Regimento de Infantaria n.º 5, que estava aquartelado em Elvas, onde permaneceu até ao fim da guerra. 

Passa, com 29 anos, à Divisão de Voluntários Reais do Príncipe, como tenente coronel comandante do 3.º Batalhão de Caçadores.

2.ª Brigada: Francisco Homem de Magalhaes Quevedo Pizarro


O Brigadeiro FRANCISCO HOMEM DE MAGALHÃES QUEVEDO PIZARRO nasce em Bobeda, Chaves, a 27 de setembro de 1776, filho de José da Silva Cardoso Pizarro, capitão de Cavalaria e fidalgo da Casa Real, e de D. Henriqueta José Gabriela de Quevedo. 

Assenta praça no Regimento de Cavalaria de Chaves, em 28 de Fevereiro de 1791. 
A 2 de agosto de 1793, passa à Armada Real, como Aspirante a Guarda Marinha; a guarda marinha, a 27 de novembro de 1794, e a segundo tenente, a 5 de novembro de 1796. Por decreto de 27 de Julho de 1799, é promovido a primeiro tenente e participa, em 1801, nas expedições navais de Tripoli e Malta, embarcado na Nau Afonso de Albuquerque. 

Em 27 de maio de 1804, sai da Armada e volta a casa sendo nomeado tenente coronel agregado do Regimento de Milícias de Chaves. A 1 de fevereiro de 1809, passa ao Quartel General do tenente general Bernardim Freire de Andrade, em Braga. A 28 de setembro de 1809, é submetido a Conselho de Guerra, que decorreu na Real Academia de Fortificação, Artilharia e Desenho, sob a acusação de “querer defender a Praça de Chaves contra a ordem do General Silveira, e não fazer depois a defeza possível, que devia”. Foi julgado inocente, e mandado entrar no exercicio do seu posto, o de tenente coronel do Regimento de Infantaria n.º 12, com antiguidade de 10 de fevereiro. 
A 24 de agosto de 1812 é graduado em coronel e, a 11 de novembro do mesmo ano, passa a coronel efetivo do Regimento de Infantaria n.º 16. 
Durante a campanha de 1813, está presente nas batalhas de Vitória, Pirinéus, S. Sebastian, Nivelle e Nive, onde, a 10 de dezembro, reagindo a uma carga de cavalaria inimiga, é atropelado e feito prisioneiro. 

Passa, com 39 anos, à Divisão de Voluntários Reais do Príncipe, como brigadeiro comandante da 2.ª Brigada de Voluntários Reais.

* * *

«Os fins de 1814 trouxerão a seus Lares os filhos da Patria, o Exercito de Portugal repousava á sombra dos Louros, que tanto sangue tinhão custado, quando El-Rei quiz que uma parte dos seus Soldados passasse ao Novo Mundo: uma grande parte do Exercito (fomos testemunhas) se disputou n'aquelle tempo a gloria de vir ao Brazil, só na Divizão da Extremadura havia mais Voluntários Reaes, do que El-Rei ordenava: o General Pizarro fiel sempre a seus princípios, e ancioso de empregar a vida no serviço d'El Rei  abandonou sua Patria, uma Consorte querida, sacrificou seus interesses, e de seus infelices filhes á gloria de Commandar uma Brigada diante d' El-Rei, a quem elle , e a sua dilatada família deverão sempre amparo, e honra : foi-lhe então observado por alguns dos seus Amigos, que a sua Caza arruinada já pelos tempos, e pelos Francezes, acabaria com a sua auzencia, o General Pizarro respondeo com o desinteresse que o caracterizava “Quem tem empregado a mocidade no serviço para que ha de poupar a velhice ?” 
Em virtude do seu offerecimento foi nomeado Brigadeiro, e Commandante da segunda Brigada da Divizão de Voluntários Reaes ; organizou-a, e Commandou-a até o Rio de Janeiro d'ali para Santa Catharina, e desta Ilha por terra até Monte-Vidéo, aonde o Tenente General Barão da Laguna entrou com a Divizão a 20 de Janeiro de 1817.»

VV AA, Notícias Biographicas de Francisco Homem de Magalhães Pizarro,(...) Pelos seus ajudantes d'Ordens. Rio de Janeiro, Imprensa Régia, 1819. pp. 13-14

sábado, 19 de dezembro de 2015

A grande Parada de 18 de Dezembro, o adeus de Lisboa à Divisão

«LISBOA 18 de Dezembro[, 1815].


A Brilhante parada que honrem, por motivo do anniversario da nossa Augusta Soberana, fizerão as Tropas de Linha e Milícias desta Capital , ás quaes se veio reunir a nova Divisão dos Voluntários Reaes do Príncipe, commandada em Chefe pelo Tenente General Carlos Frederico Lecor, apresentou ao numeroso concurso dos habitadores desta Cidade que a vèlla se apinhou , hum dos mais pomposos espectáculos pelo aceio e garbo marcial de todos os Corpos. Entre os de linha se não podia facilmente designar a algum delles a palma da primazia; pois se notava cm todos o particular esmero dos seus respectivos Chefes em apresentarem as tropas do seu commando dignas do sempre illustre nome de Guerreiros Portuguezes. Ao vêr estes aguerridos Soldados, despertavão-se em nossa imaginação as victorias que coroarão de louros os guerreiros Portuguezes no Douro, no Bussaco, em Albuera, em Ciudad-Bodrigo, em. Badajoz, em Arapiles, em Vittoria, nos Pyrenéos, cm S. Sebastião, no Nivelle, Nive, e Adour, em Ortbez, e nas margens do Ets e Garona, em toda a parte em fim onde na ultima gloriosa luta lhes foi preciso combater, devendo-lhes em grande parte Portugal a independência, a Hespanha a liberdade, a França o paternal Governo dos Bourbons, a Inglaterra e o seu Grande Wellington trofeos e gloria immortal pela invencível força com que, unidos os Portuguezes e Bretões debaixo do commando de Arthur, contrastarão intrépidos os bellicosos Exercitos e os mais hábeis Generaes do inimigo commum da Europa.



Entrarão pois sucessivamente as Tropas de Linha e Milicias na espaçosa Praça do Terreiro do Paço, e ruas immediatas, depois das 11 horas, e ficou reservada a Praça do Rocio para os quatro Batalhões de Caçadores, que formão as duas Brigadas do Corpo de Voluntários Reaes do Príncipe, que perto da meio-dia entrarão e se formarão na dita Praça, attrahindo particular attenção dos espectadores a firmeza, continência marcial, e alto grão de disciplina a que este Corpo tem sido elevado pelo seu illustre Commandante em Chefe, e pelos Brigadeiros Avellez, e Pizarro, que vinháo á frente das suas respectivas Brigadas. - Chegou pouco depois á Praça do Rocio o Illustrissimo e Excelentissimo Tenente General Francisco de Paula Leite, Governador das Armas desta Capital e Provincia, e cumprimentando o Illustrissimo e Excelentissimo Tenente General Lecor, feitas as continencias pela tropa, e passada revista aos quatro Batalhões, se encaminhárão ambos os Generaes ao Terreiro do Paço, d’onde voltárão a postar-se, com os seus luzidos Estados Maiores, (unindo-se-lhes o Illustrissimo e Excelentissimo Tenente General, d’Artilheria, José Antonio da Rosa), junto do Portão do Palácio do Governo.



Tinha dado o Castello de S. Jorge e as Fortalezas a costumada salva ao meio-dia; e á huma hora em ponto começárão no Terreiro do paço as tropas as descargas, principiando cada huma das tres pelos Parques de Artilheria seguida immediatamente em toda a linha da Infanteria. - Acabadas as descargas passárão os Generaes Leite e Lecor ao meio da Praça, onde o primeiro entoou por tres vezes o Viva á nossa Augusta Soberana, a que em toda a linha as tropas e o povo correpondêrão com enthusiasmo; acção que repetio o General Lecor, com as mesmas circunstancias. Passou depois o Governador das Armas, no lugar que anteriormente occupava, e principiárão as tropas a desfilar pela sua frente na ordem seguinte:



Rompião a marcha dois Esquadrões de Cavallaria dos Regimentos n.º 1 e 4, e após elles a Cavalaria dos Voluntarios Reaes do Commercio; vinha depois hum Parque de Artilheria Montada, do Regimento de Artilheria n.º 1, de 3 peças e 1 obuz; e, formados em columna, começárão a marchar os Voluntarios Reaes do principe,a  cuja frente se [posicionou] o seu Comandante em Chefe, que, conduzindo a Divisão até principiar a desfilar pela frente do Governador de Armas, passou a tomar lugar ao lado deste, (ao qual estava tambem unido o Tenente general Rosa), o que igualmente (...) fazendo os dois Commandantes das Brigadas desta Divisão. - Marchárão em seguimento della os dois Batalhões de Artilheiros Nacionaes Oriental e Occidental,e  atraz delles hum Parque de 5 peças e 1 obuz, do sobredito Regimento de Artilheria n.º1. - Forão avançando immediatamente a Brigada de Infantaria n.º 1 e 16, outro Parque  de 3 peças e hum obuz, e a Brigada n.º 4 e 13, o Regimento da Guarda Real da Polícia, e o ultimo parque de Artilheria Montada de 5 peças e 1 obuz. -Desfilárão consecutivamente os dois Regimentos de Milicias Oriental e Occidental, finda a passagem dos quaes se retirárão o Governador das Armas, e os Tenentes Generaes Lecor e Rosa, ficando o innumeravel concurso regosijado de vêr este esplendido apparato militar, que no seio da doce paz se não mistura com funestas recordações.»



in: Gazeta de Lisboa, n.º 299, 19.12.1815


http://books.google.pt/books?id=lgcwAAAAYAAJ

sábado, 5 de dezembro de 2015

Soldado de Infantaria da DVRP (Ivan Washt Rodrigues)


Soldado de Infantaria da DVRP
ilustração de Ivan Washt Rodrigues

In: DUARTE, Paulo de Queiroz, Lecor e a Cisplatina 1816-1828 ( 3 v.), Rio de Janeiro, Biblioteca do Exército Editora, 1984.