domingo, 10 de janeiro de 2016

Estado Maior: Carlos Frederico Lecor


O Tenente general CARLOS FREDERICO LECOR, primeiro filho de Luiz Pedro Lecor e D. Quitéria Luísa Marina Lecor nasceu a 6 de outubro de 1764, em Santos-o-Velho, Lisboa, na rua do Pé de Ferro, vizinha do convento das Trinas do Mocambo. Muda-se para Faro com a sua família algures na década de 1770. Após os estudos iniciais, terá trabalhado como caixeiro na companhia do tio, assim como viajado pelo norte da Europa, mas preferiu alistar-se e jurar bandeiras, aos 29 anos, como soldado de artilharia Pé de Castelo, na Fortaleza de São João do Registo da Barra de Tavira, a 13 de outubro de 1793. 

Subalterno
A 17 de março de 1794, já sargento, é promovido a Ajudante de infantaria com exercício na Praça de Vila Nova de Portimão pelo Capitão General dos Algarves, que já havia patrocinado os seus três irmãos meses antes, recebendo a sua carta patente de ajudante, a primeira como oficial, a 6 de abril. 


A 5 de outubro de 1794, é admitido na Real Academia de Marinha, como discípulo do primeiro ano do curso de Marinha, tendo sido ‘plenamente aprovado’ no exame de admissão. A 2 de dezembro desse ano de 1794, troca com o 1.º tenente António Pimentel do Vabo e torna-se o 1.º tenente da 9.ª companhia do Regimento de Artilharia do Algarve, em Faro. 
Entre Portimão e Lisboa, conclui o 1.º ano na Real Academia, sendo aprovado no exame final, por volta de Junho, estando assim habilitado “a ouvir as Liçoens do segundo anno”,o que não vem a fazer, pois nos finais de dezembro, embarca na Esquadra do Brasil
Até julho de 1796, serve como 1.º tenente de artilharia, destacado do seu regimento, na nau Príncipe Real. Viaja de Lisboa a Salvador, retornando já em 1796. Segundo é referido por algumas fontes, ficou de baixa ao serviço a partir de junho de 1796. 

Capitão nas Tropas Ligeiras
A 1 de março de 1797, é promovido a capitão da 8.ª companhia de infantaria da Legião de Tropas Ligeiras. Participa na campanha de 1801, a Guerra das Laranjas, na fronteira de Zibreira, próximo a Castelo Branco. A 13 de maio de 1802, é promovido a sargento mor de cavalaria da Legião. 

Estado Maior
Três anos depois, a 1 de agosto de 1805, é promovido a tenente coronel agregado à Legião, ajudante d’ordens do novo Vice Rei do Brasil, o marquês de Alorna. Apesar de Alorna não tomar posse do comando no Brasil, Carlos Frederico mantém o exercício junto a Alorna, que vem a ser nomeado Governador d’Armas do Alentejo. Antes de se reunir ao seu general, Lecor comanda interinamente a Legião, até que o barão de Wiederhold assume o comando.


Punhete, junto ao Tejo.
Em 1807, é Lecor o oficial que identifica as forças francesas já bem dentro de Portugal, em Vila Velha de Ródão, a 21 de novembro, correndo a avisar o Secretário de Estado dos Negócios da Guerra, D. António de Araújo Azevedo, e o Príncipe Regente D. João, o que consegue fazer pela manhã de 23, em Lisboa. O seu relatório e posterior reconhecimento na área do Cartaxo e Golegã foi essencial para acautelar a plena segurança do embarque da Corte. 

Depois de 29 de Novembro, mantém-se como ajudante d’ordens do marquês de Alorna, colaborando com a ocupação francesa, até que foge, na Páscoa de 1808, em direção à esquadra britânica do almirante Sir Sidney Smith, para tomar o exílio em Plymouth. Após a revolta e criação da Junta do Porto, o tenente coronel Lecor desembarca no Porto, com a incumbência de promover a formação do 2.º batalhão da Leal Legião Lusitana, que havia ajudado a criar em Plymouth e Londres. 


Exército Português Reorganizado
A 20 de novembro de 1808, no processo de reorganização do Exército, é promovido a coronel comandante do Regimento de Infantaria n.º 23, em Almeida. A 2 de fevereiro do ano seguinte, é feito comandante de brigada das unidades presentes na Beira Baixa, sedeando-se primeiro em Idanha a Nova e depois em Castelo Branco. Participa na campanha de 1809, comandando a brigada constituída pelos Batalhões de Caçadores 3 e 4, a um momento, e 4 e 6, noutro, juntamente com o 2.º batalhão do Regimento de Infantaria n.º 9. 
Em fevereiro de 1810, a brigada Lecor, constituída pelos Regimentos de Infantaria n.º 12 e 13, fica posicionada na serra do Muradal, em 2.ª linha face ao comando do general Roberto Wilson na área de fronteira de Castelo Branco. No mês seguinte, Lecor leva a sua brigada para Castelo Branco, substituindo a brigada Wilson. A brigada Lecor, com a adição em inícios de Julho de um batalhão cada dos Regimentos de Milícias de Castelo Branco, Idanha e Covilhã, é subordinada ao general Rowland Hill , desembocando, cerca de dois meses depois, na batalha do Buçaco, a 27 de setembro de 1810, onde não combate, ficando posicionado na parte mais à direita da linha, na pointe de Murcela, sobre o rio Alva, retirando depois até aos primeiro dias de outubro para as linhas defensivas, em Alhandra, no extremo direito, junto ao rio Tejo.

A 5 de março de 1811, é nomeado comandante da brigada portuguesa da nova 7.ª Divisão anglo-portuguesa, mas em abril desse ano, antes da batalha de Fuentes de Honor, é de novo nomeado comandante militar da área de Castelo Branco, com os regimentos de milícias da área. Dois meses depois, a 8 de maio, é promovido a brigadeiro. Ainda no mesmo exercício, reage com muito atino, sangue frio e respeito pelas ordens na incursão francesa de abril de 1812, do marechal Marmont, sobre a Guarda e Castelo Branco, reagindo com calma e sem baixas. 

Campanhas de Espanha e França
Em março de 1813, nas vésperas do início da campanha desse ano, é novamente nomeado comandante da brigada portuguesa da 7.ª Divisão, tendo participado nas batalhas de Vitória e dos Pirinéus. A 10 de julho, é promovido a marechal de campo.  A 10 de novembro de 1813, é o comandante interino da 7.ª Divisão anglo-portuguesa na batalha de Nivelle, sendo assim o único general português em toda a Guerra Peninsular que comanda uma divisão dos dois exércitos. No início de dezembro, com a nomeação do general George Walker, retorna ao comando da agora 6.º Brigada, mas é logo nomeado comandante da Divisão Portuguesa. 
A 13 de dezembro desse ano, na batalha de S. Pierre, última parte da batalha do Nive, comanda a Divisão Portuguesa, nomeadamente a brigada do Algarve (Regimentos de Infantaria 2 e 14) no centro, ordenando até uma carga do 2.º batalhão do Regimento de Infantaria n.º 14, para desembaraçar o 1.º batalhão, de voltigeurs franceses que atacavam. É ferido sem gravidade. 
Comanda a divisão até ao fim da guerra, em abril de 1814, retornando a Portugal. È nomeado governador da praça de Elvas, em 28 de agosto.

Passa, em 1815, com 51 anos, à Divisão de Voluntários Reais do Príncipe, como tenente general  Comandante em Chefe, tendo sido o seu nome logo indicado na ordem de levantamento da grande unidade, enviada do governo do Rio de Janeiro, em dezembro de 1814.

Estado Maior: Miguel António Flangini


O Sargento mor (hoje, Major) MIGUEL ANTÓNIO DE PINA OSÓRIO FLANGINI nasceu na Covilhã em data que desconheço, provavelmente nos finais da década de 1780, filho de Michele Angelo Flangini e de D. Gertrudes Eugénia Pina de Osório. 

Em 1804, está no 2.º ano do curso jurídico da Universidade de Coimbra, e terá obtido o grau de bacharel. 
Em 22 de abril de 1809, ao início da Guerra Peninsular, é assistente do Quartel Mestre General, Benjamin D’Urban, como tenente da Leal Legião Portuguesa, não sabendo se se alistou na Inglaterra ou já no Porto. 
Um ano depois, a 12 de maio, deixa de estar agregado à LLL. Em 25 de agosto de 1812, é promovido a capitão, com o mesmo exercício. 

Passa, em 1815, à Divisão de Voluntários Reais do Príncipe, como sargento mor Deputado do Quartel Mestre General.

Estado Maior: João Pedro Lecor

O Tenente coronel JOÃO PEDRO LECOR, segundo filho de Luiz Pedro Lecor e D. Quitéria Luísa Marina Lecor nasceu a 7 de outubro de 1766, em Santos-o-Velho, Lisboa, na rua São João da Mata. Muda-se para Faro com a sua família algures na década de 1770. 

Alista-se por volta de dezembro de 1792 ou Janeiro de 1793, no Regimento de Artilharia do Algarve, com quartel em Faro, sendo soldado da 5.ª companhia de artilheiros. Oito meses após assentar praça, é nomeado cadete (muitas vezes dito também sargento-cadete), apesar de ter mais 4 anos que a idade estabelecida no decreto de 1757. Embarca na nau S. António, em Lagos, em 10 de agosto de 1793 com os irmãos, António Pedro e Jorge Frederico, também cadetes, e as três companhias de artilheiros de Faro para a Catalunha onde participa nas operações do Exército Auxiliador. Cai prisioneiro de guerra dos franceses, entre 17 e 20 de novembro de 1794, juntos com os seus dois irmãos e mais 6 oficiais da Brigada de Artilharia, durante a batalha da Montanha Negra, e permanece em cativeiro na área de Toulose por dez meses. 

A 7 de outubro de 1795, de volta ao regimento, é graduado em 2.º tenente. Vai a 1 de abril de 1797 como tenente na Legião de Tropas Ligeiras, na 4.ª companhia de infantaria. No entanto acaba por retornar logo em seguida para o regimento de Artilharia do Algarve, ficando como 1.º tenente da 4.ª companhia de artilheiros. No ocaso do século, a 13 de fevereiro de 1800, é graduado em capitão, em atenção ao serviço prestado na Campanha do Roussilhão e Catalunha, e aos prejuízos sofridos enquanto esteve prisioneiro dos Franceses, mantendo o exercício de 1.º Tenente da 4.ª companhia. 

Na campanha de 1801, esteve incumbido de diversas diligências ao serviço de D. Miguel Pereira Forjaz, assim como foi também Ajudante de Ordens do comandante da Artilharia no Alentejo, Rosa. A 28 de julho de 1804, João Pedro casa-se com Brigida Leonor da Fonseca, na Sé de Faro. 
Um ano depois, a 17 de dezembro é promovido a capitão efetivo, comandando a 6.ª companhia de artilheiros. 

Durante a primeira invasão Francesa, entre finais de 1807 e 1808, pede a demissão do Regimento de Artilheria n.º 2, indicando numa carta de 1814 que foi o único oficial que o fez. 
Aquando do levantamento anti francês e criação da Junta em Faro, em junho de 1808, foi empregue como enviado da Junta, com o seu primo tenente coronel António Pedro Buys, à esquadra inglesa e depois a Cadiz e Gibraltar, por forma a adquirir víveres, armas e munições. 
A 17 de novembro de 1809, é promovido a sargento mor Governador da Praça de Albufeira, 35 quilómetros a oeste de Faro. Permanece nesse cargo durante a Guerra Peninsular. 

Passa, com 48 anos, à Divisão de Voluntários Reais do Príncipe, como tenente coronel 1.º Ajudante d’Ordens do Comandante em Chefe.

Exército do Brasil: Bento Correia da Câmara


O Tenente Coronel BENTO CORREIA DA CÂMARA nasceu no Rio Grande do Sul, tendo assentado praça como cadete no Regimento de Dragões do Rio Pardo, a 1 de março de 1795. Participa na campanha de 1801, na área de Missões, tendo sido promovido a tenente em novembro do ano seguinte. A 25 de julho de 1808, é promovido a capitão e neste posto faz a campanha de 1811-1812. É graduado em sargento mor em 13 de março de 1813, por se ter distinguido na expedição. A 12 de outubro de 1814, torna-se sargento mor efetivo do seu regimento. Em 1815, é promovido a tenente coronel agregado do Regimento de Cavalaria de Milícias de Porto Alegre. 

2.ª Brigada: Francisco de Paula Azeredo

O Coronel FRANCISCO DE PAULA AZEREDO (TEIXEIRA DE CARVALHO) nasce a 14 de janeiro de 1770, em Samodães, Lamego, o 7.º filho de Francisco António Teixeira de Carvalho e de D. Joaquina Leocádia d’Azeredo Leite e Albuquerque. Em 1785, inicia os estudos em direito canónico na Universidade de Coimbra. 

Em janeiro de 1792, ele, com 22 anos, e o irmão, Bernardo Correia de Azevedo, desejavam assentar praça de cadetes no Regimento de Cavalaria de Almeida, mas como não havia vagas e com lista de espera, a 31 do mês assentam praça no Regimento de Infantaria de Almeida, sendo ambos colocados na companhia de Granadeiros. Francisco de Paula é reconhecido cadete a 14 de Maio.

Em 1796, Francisco é porta bandeira. No ano seguinte, a 4 de abril, é promovido a alferes de granadeiros. 7 anos depois, a 15 de agosto de 1805, é promovido tenente da 5.ª companhia do regimento. 

Após a restauração, é promovido a capitão do agora Regimento de Infantaria n.º 23, a 14 de janeiro de 1809, e pouco depois é nomeado major da brigada de Lecor, destacado do regimento. 

Em 21 de agosto de 1812, é promovido a sargento mor. Comanda o regimento em Salamanca, tendo dois cavalos mortos e duas balas que lhe levaram a espada e a barretina. A 21 de junho de 1813, na batalha de Vitória, é gravemente ferido numa perna, já no fim da ação, por ação dos tiros da artilharia francesa. É graduado em tenente coronel, pela distinção na batalha, não participando mais na campanha. 

Passa, com 45 anos, à Divisão de Voluntários Reais do Príncipe, como coronel adido, a ser empregado como convier, tomando já no Rio de Janeiro o comando do 2.º Regimento de Infantaria.


Leia as suas memórias, compiladas e revistas pelo filho, em https://books.google.pt/books?id=eyqyKF6NE6wC

Exército do Brasil: Joaquim de Oliveira Alvares


O Brigadeiro graduado JOAQUIM DE OLIVEIRA ALVARES nasceu a 19 de novembro de 1776, na ilha da Madeira. Tendo concluído o curso de preparatórios, matriculou-se na Universidade de Coimbra onde recebeu o grau de bacharel em matemática e filosofia. Alista-se na Armada Real, tendo sido feito prisioneiro e depois escapado. 
Tendo passado ao Exército, foi em 1804 para o Brasil, sendo nomeado capitão de artilharia da Legião de São Paulo. Em 1807, é promovido a sargento mor. 

Marchou no ano seguinte para o Rio Grande do Sul, onde, em 1810, é promovido a tenente coronel. Participa na campanha de 1811-1812 e é promovido a coronel, a 20 de fevereiro de 1812. 

Em 1814, é graduado em Brigadeiro comandante da Legião de Voluntários Reais de S. Paulo, assim se mantendo até 1816. Comandou as forças da capitania do Rio Grande na batalha de Carumbé, a 27 de Outubro de 1816.

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Batalha de Carumbé: 27 de Outubro de 1816
http://dvr18151823.blogspot.pt/2016/10/batalha-de-carumbe-27-de-outubro-de-1816.html

Exército do Brasil: João de Deus Mena Barreto


O Brigadeiro graduado JOÃO DE DEUS MENA BARRETO nasceu em 1769, no Rio Grande do Sul, filho de Francisco Barreto Pereira Pinto e da D. Francisca Velosa da Fontoura. 

Alistou-se no Regimento de Dragões do Rio Pardo, tendo galgado os postos de oficial subalterno. Participou na campanha de 1801, tendo sido promovido a sargento mor. A 23 de julho de 1808, é promovido a tenente coronel. Em 1811, é destacado para o comando do território de Missões. 

A 20 de janeiro de 1813, é promovido a coronel do Regimento de Cavalaria de Milícias do Rio Grande, e a 13 de maio do mesmo ano, é graduado em Brigadeiro, assim se mantendo até 1816.

Leia também
- Batalha de Ibirocaí (19 de Outubro de 1816):
http://dvr18151823.blogspot.pt/2016/10/batalha-de-ibirocai-19-de-outubro-de.html