Conjunto de esculturas y pinturas de autores uruguayos del período 1880 - 1945 ubicadas en el Cuartel de Dragones. Ubicada en el departamento de Maldonado
domingo, 14 de fevereiro de 2016
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016
Mapa da Batalha de Catalão: 4 Janeiro de 1817
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Apesar deste blogue assumir pelo nome o seu interesse na Divisão de Voluntários Reais, na verdade - e no que diz respeito à Campanha de 1816/1817 -, queremos também divulgar as ações da zona oeste do teatro de operações, onde as tropas das Capitania do Rio Grande, sob o comando do Capitão General Marquês do Alegrete e do Tenente General Joaquim Xavier Curado, na fronteira do rio Quaraí e nas Missões, defrontaram o grosso das tropas orientais, impedindo Artigas de penetrar na zona de Entre Rios pelo Rio Grande adentro, assim negando o objetivo de ameaçar a retaguarda da Divisão de Voluntários Reais a leste, pela Angostura e pela fronteira do rio Jaguarão.
Disponibilizado originalmente pela Biblioteca Nacional do Brasil e pela Biblioteca Mundial Digital, este mapa diz respeito à batalha de Catalán, disputada um pouco a sul das atuais cidades de Artigas (Uruguai) e Quaraí (Brasil) e resultou numa vitória que permitiu a tomada de Montevidéu apenas 13 dias depois pelas forças da Divisão e as unidades do Brasil comandadas pelo Sargento Mor Manuel Marques de Sousa.
A batalha de Catalán foi combatida por 2436 militares portugueses do Exército do Brasil, comandados pelo Marquês do Alegrete e por Joaquim Xavier Curado, e por cerca de 3300 militares orientais comandados por Latorre e Verdún. Entre a informação preciosa e a descrição narrativa em baixo, encontramos informação acerca das munições despendidas pelo lado português:
Artilharia, 149
Fuzil (ou Mosquete), 11,749
segunda-feira, 25 de janeiro de 2016
MEMÓRIAS: O jovem marquês de Fronteira e o desfile da Divisão em Lisboa a 18 de dezembro de 1815
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| Praça do Rossio, no primeiro quartel do século XIX. |
Numa das memórias mais conhecidas referentes a este momento histórico, D. José Trazimundo Mascarenhas Barreto, 7.º marquês de Fronteira (1802-1881), relembra em 1861 as emoções invocadas pelo desfile de 18 de dezembro de 1815, 46 anos antes, com que a Divisão de Voluntários Reais se despedia de Lisboa, e a que assistiu com a tenra idade de 13 anos.
Carlos Frederico Lecor, comandante da Divisão destinada ao Brasil, havia sido não só o ajudante de ordens do Marquez de Alorna, entre 1805 e 1808, mas era um amigo devotado da família e da inteira confiança de D. Leonor, a 4.ª marquesa de Alorna, especialmente durante o seu exílio em Londres, por ordem da Regência.
«A Divisão de Voluntários de El-Rei, antes de embarcar para o Brazil, formou em grande parada na praça do Rocio, debaixo do commando do seu General em chefe, [Carlos Frederico] Lecor. Os Governadores do Reino assistiram à parada na varanda do palacio da Regencia. A Divisão era o corpo mais brilhante que tem sahido das fileiras do Exercito portuguez. Tanto os officiaes, como os soldados, eram jovens, mas aguerridos, tendo feito todas ou parte das campanhas da Guerra Peninsular. O uniforme era dos mais elegantes que havia nos exercitos da Europa: o antigo uniforme dos nossos caçadores, que tinha reputação de elegância, entre os entendedores.
O General Lecor era o typo dum verdadeiro soldado e seguia-o um brilhante Estado Maior.
As duas Brigadas de Caçadores eram commandadas por dois jovens Generaes que fizeram a Campanha Peninsular com grande distincção, os Brigadeiros [Jorge de] Avillez [Zuzarte Ferreira de Sousa] e [Francisco Homem de Magalhães Quevedo] Pizarro.
Minha avó [D. Leonor de Almeida Portugal, 4.ª marquesa de Alorna (1750-1839)] estava comnosco, nas minhas casas do Rocio, onde foi visitada pelo antigo Ajudante de campo de seu irmão, General Lecor, accompanhado de muitos officiaes que tinham servido com meu tio, entre elles o General [Francisco de Paula] Azeredo [Teixeira de Carvalho] que ha pouco morreu. Tristes recordações seriam as de minha Avó, ao despedir-se d’aquelles officiaes, lembrando-se de que, poucos annos antes, os tinha visto naquella mesma praça, fazendo parte da Divisão de Alorna, do commando de seu irmão e meu tio, o Marquez de Alorna.
Foi a ultima vez que vimos o General Lecor.
A partida para o Brazil d’esta bella Divisão produziu no publico um triste effeito. Antes d’isto, havia partido um quadro consideravel de officiaes debaixo das ordens do Coronel de cavallaria, Visconde de Barbacena, indo nelle meu cunhado D. Gastão da Camara, hoje Conde da Taipa.
A Divisão de Voluntários de El-Rei levava um numero consideravel de officiaes distinctos e pretencentes à primeira sociedade do paiz. O Coronel João Carlos de Saldanha, hoje Duque de Saldanha, fazia parte do Estado Maior do General.
O povo, impressionado pelas repetidas requisições de gente e de dinheiro para o Brazil, principiou a murmurar seriamente e a agitar-se.»
Fonte:
Memórias do Marquês de Fronteira e Alorna D. José Trazimundo Mascarenhas Barreto (ditadas por êle próprio em 1861), (Coord. Ernesto de Campos de Andrada) Coimbra, Imprensa da Universidade, 1926, pp. 152-153. [disponível em http://purl.pt/12114, Biblioteca Nacional Digital]
segunda-feira, 11 de janeiro de 2016
MEMÓRIAS: Apontamentos históricos a respeito dos movimentos e ataques das forças do comando do general Carlos Frederico Lecor, quando se occupou a Banda Oriental do rio da Prata desde 1816 até 1823
Apontamentos históricos a respeito dos movimentos e ataques das forças do comando do general Carlos Frederico Lecor, quando se occupou a Banda Oriental do rio da Prata desde 1816 até 1823 com que a Divisão dos Voluntários Reaes evacuou a praça de Montevidéu (Por uma testemunha ocular)
[As memórias de João da Cunha Lobo Barreto, que foi em tenente de caçadores na Divisão de Voluntários Reais.]
veja as fotos em
domingo, 10 de janeiro de 2016
Estado Maior: Carlos Frederico Lecor
O Tenente general CARLOS FREDERICO LECOR, primeiro filho de Luiz Pedro Lecor e D. Quitéria Luísa Marina Lecor nasceu a 6 de outubro de 1764, em Santos-o-Velho, Lisboa, na rua do Pé de Ferro, vizinha do convento das Trinas do Mocambo. Muda-se para Faro com a sua família algures na década de 1770. Após os estudos iniciais, terá trabalhado como caixeiro na companhia do tio, assim como viajado pelo norte da Europa, mas preferiu alistar-se e jurar bandeiras, aos 29 anos, como soldado de artilharia Pé de Castelo, na Fortaleza de São João do Registo da Barra de Tavira, a 13 de outubro de 1793.
Subalterno
A 17 de março de 1794, já sargento, é promovido a Ajudante de infantaria com exercício na Praça de Vila Nova de Portimão pelo Capitão General dos Algarves, que já havia patrocinado os seus três irmãos meses antes, recebendo a sua carta patente de ajudante, a primeira como oficial, a 6 de abril.
A 5 de outubro de 1794, é admitido na Real Academia de Marinha, como discípulo do primeiro ano do curso de Marinha, tendo sido ‘plenamente aprovado’ no exame de admissão. A 2 de dezembro desse ano de 1794, troca com o 1.º tenente António Pimentel do Vabo e torna-se o 1.º tenente da 9.ª companhia do Regimento de Artilharia do Algarve, em Faro.
Entre Portimão e Lisboa, conclui o 1.º ano na Real Academia, sendo aprovado no exame final, por volta de Junho, estando assim habilitado “a ouvir as Liçoens do segundo anno”,o que não vem a fazer, pois nos finais de dezembro, embarca na Esquadra do Brasil.
Até julho de 1796, serve como 1.º tenente de artilharia, destacado do seu regimento, na nau Príncipe Real. Viaja de Lisboa a Salvador, retornando já em 1796. Segundo é referido por algumas fontes, ficou de baixa ao serviço a partir de junho de 1796.
Capitão nas Tropas Ligeiras
A 1 de março de 1797, é promovido a capitão da 8.ª companhia de infantaria da Legião de Tropas Ligeiras. Participa na campanha de 1801, a Guerra das Laranjas, na fronteira de Zibreira, próximo a Castelo Branco. A 13 de maio de 1802, é promovido a sargento mor de cavalaria da Legião.
Estado Maior
Três anos depois, a 1 de agosto de 1805, é promovido a tenente coronel agregado à Legião, ajudante d’ordens do novo Vice Rei do Brasil, o marquês de Alorna. Apesar de Alorna não tomar posse do comando no Brasil, Carlos Frederico mantém o exercício junto a Alorna, que vem a ser nomeado Governador d’Armas do Alentejo. Antes de se reunir ao seu general, Lecor comanda interinamente a Legião, até que o barão de Wiederhold assume o comando.
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| Punhete, junto ao Tejo. |
Depois de 29 de Novembro, mantém-se como ajudante d’ordens do marquês de Alorna, colaborando com a ocupação francesa, até que foge, na Páscoa de 1808, em direção à esquadra britânica do almirante Sir Sidney Smith, para tomar o exílio em Plymouth. Após a revolta e criação da Junta do Porto, o tenente coronel Lecor desembarca no Porto, com a incumbência de promover a formação do 2.º batalhão da Leal Legião Lusitana, que havia ajudado a criar em Plymouth e Londres.
Exército Português Reorganizado
A 20 de novembro de 1808, no processo de reorganização do Exército, é promovido a coronel comandante do Regimento de Infantaria n.º 23, em Almeida. A 2 de fevereiro do ano seguinte, é feito comandante de brigada das unidades presentes na Beira Baixa, sedeando-se primeiro em Idanha a Nova e depois em Castelo Branco. Participa na campanha de 1809, comandando a brigada constituída pelos Batalhões de Caçadores 3 e 4, a um momento, e 4 e 6, noutro, juntamente com o 2.º batalhão do Regimento de Infantaria n.º 9.
Em fevereiro de 1810, a brigada Lecor, constituída pelos Regimentos de Infantaria n.º 12 e 13, fica posicionada na serra do Muradal, em 2.ª linha face ao comando do general Roberto Wilson na área de fronteira de Castelo Branco. No mês seguinte, Lecor leva a sua brigada para Castelo Branco, substituindo a brigada Wilson. A brigada Lecor, com a adição em inícios de Julho de um batalhão cada dos Regimentos de Milícias de Castelo Branco, Idanha e Covilhã, é subordinada ao general Rowland Hill , desembocando, cerca de dois meses depois, na batalha do Buçaco, a 27 de setembro de 1810, onde não combate, ficando posicionado na parte mais à direita da linha, na pointe de Murcela, sobre o rio Alva, retirando depois até aos primeiro dias de outubro para as linhas defensivas, em Alhandra, no extremo direito, junto ao rio Tejo.
A 5 de março de 1811, é nomeado comandante da brigada portuguesa da nova 7.ª Divisão anglo-portuguesa, mas em abril desse ano, antes da batalha de Fuentes de Honor, é de novo nomeado comandante militar da área de Castelo Branco, com os regimentos de milícias da área. Dois meses depois, a 8 de maio, é promovido a brigadeiro. Ainda no mesmo exercício, reage com muito atino, sangue frio e respeito pelas ordens na incursão francesa de abril de 1812, do marechal Marmont, sobre a Guarda e Castelo Branco, reagindo com calma e sem baixas.
Em março de 1813, nas vésperas do início da campanha desse ano, é novamente nomeado comandante da brigada portuguesa da 7.ª Divisão, tendo participado nas batalhas de Vitória e dos Pirinéus. A 10 de julho, é promovido a marechal de campo. A 10 de novembro de 1813, é o comandante interino da 7.ª Divisão anglo-portuguesa na batalha de Nivelle, sendo assim o único general português em toda a Guerra Peninsular que comanda uma divisão dos dois exércitos. No início de dezembro, com a nomeação do general George Walker, retorna ao comando da agora 6.º Brigada, mas é logo nomeado comandante da Divisão Portuguesa.
A 13 de dezembro desse ano, na batalha de S. Pierre, última parte da batalha do Nive, comanda a Divisão Portuguesa, nomeadamente a brigada do Algarve (Regimentos de Infantaria 2 e 14) no centro, ordenando até uma carga do 2.º batalhão do Regimento de Infantaria n.º 14, para desembaraçar o 1.º batalhão, de voltigeurs franceses que atacavam. É ferido sem gravidade.
Comanda a divisão até ao fim da guerra, em abril de 1814, retornando a Portugal. È nomeado governador da praça de Elvas, em 28 de agosto.
Passa, em 1815, com 51 anos, à Divisão de Voluntários Reais do Príncipe, como tenente general Comandante em Chefe, tendo sido o seu nome logo indicado na ordem de levantamento da grande unidade, enviada do governo do Rio de Janeiro, em dezembro de 1814.
Estado Maior: Miguel António Flangini
O Sargento mor (hoje, Major) MIGUEL ANTÓNIO DE PINA OSÓRIO FLANGINI nasceu na Covilhã em data que desconheço, provavelmente nos finais da década de 1780, filho de Michele Angelo Flangini e de D. Gertrudes Eugénia Pina de Osório.
Em 1804, está no 2.º ano do curso jurídico da Universidade de Coimbra, e terá obtido o grau de bacharel.
Em 22 de abril de 1809, ao início da Guerra Peninsular, é assistente do Quartel Mestre General, Benjamin D’Urban, como tenente da Leal Legião Portuguesa, não sabendo se se alistou na Inglaterra ou já no Porto.
Um ano depois, a 12 de maio, deixa de estar agregado à LLL. Em 25 de agosto de 1812, é promovido a capitão, com o mesmo exercício.
Passa, em 1815, à Divisão de Voluntários Reais do Príncipe, como sargento mor Deputado do Quartel Mestre General.
Estado Maior: João Pedro Lecor
O Tenente
coronel
JOÃO PEDRO LECOR,
segundo filho de Luiz Pedro Lecor e D. Quitéria Luísa Marina Lecor
nasceu a 7 de outubro de 1766, em Santos-o-Velho, Lisboa, na rua São
João da Mata. Muda-se para Faro com a sua família algures na década
de 1770. Alista-se por volta de dezembro de 1792 ou Janeiro de 1793, no Regimento de Artilharia do Algarve, com quartel em Faro, sendo soldado da 5.ª companhia de artilheiros. Oito meses após assentar praça, é nomeado cadete (muitas vezes dito também sargento-cadete), apesar de ter mais 4 anos que a idade estabelecida no decreto de 1757. Embarca na nau S. António, em Lagos, em 10 de agosto de 1793 com os irmãos, António Pedro e Jorge Frederico, também cadetes, e as três companhias de artilheiros de Faro para a Catalunha onde participa nas operações do Exército Auxiliador. Cai prisioneiro de guerra dos franceses, entre 17 e 20 de novembro de 1794, juntos com os seus dois irmãos e mais 6 oficiais da Brigada de Artilharia, durante a batalha da Montanha Negra, e permanece em cativeiro na área de Toulose por dez meses.
A 7 de outubro de 1795, de volta ao regimento, é graduado em 2.º tenente. Vai a 1 de abril de 1797 como tenente na Legião de Tropas Ligeiras, na 4.ª companhia de infantaria. No entanto acaba por retornar logo em seguida para o regimento de Artilharia do Algarve, ficando como 1.º tenente da 4.ª companhia de artilheiros. No ocaso do século, a 13 de fevereiro de 1800, é graduado em capitão, em atenção ao serviço prestado na Campanha do Roussilhão e Catalunha, e aos prejuízos sofridos enquanto esteve prisioneiro dos Franceses, mantendo o exercício de 1.º Tenente da 4.ª companhia.
Na campanha de 1801, esteve incumbido de diversas diligências ao serviço de D. Miguel Pereira Forjaz, assim como foi também Ajudante de Ordens do comandante da Artilharia no Alentejo, Rosa. A 28 de julho de 1804, João Pedro casa-se com Brigida Leonor da Fonseca, na Sé de Faro.
Um ano depois, a 17 de dezembro é promovido a capitão efetivo, comandando a 6.ª companhia de artilheiros.
Durante a primeira invasão Francesa, entre finais de 1807 e 1808, pede a demissão do Regimento de Artilheria n.º 2, indicando numa carta de 1814 que foi o único oficial que o fez.
Aquando do levantamento anti francês e criação da Junta em Faro, em junho de 1808, foi empregue como enviado da Junta, com o seu primo tenente coronel António Pedro Buys, à esquadra inglesa e depois a Cadiz e Gibraltar, por forma a adquirir víveres, armas e munições.
A 17 de novembro de 1809, é promovido a sargento mor Governador da Praça de Albufeira, 35 quilómetros a oeste de Faro. Permanece nesse cargo durante a Guerra Peninsular.
Passa, com 48 anos, à Divisão de Voluntários Reais do
Príncipe, como tenente coronel 1.º Ajudante d’Ordens do
Comandante em Chefe.
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