terça-feira, 20 de setembro de 2016

Ação do Passo de Yapeyú (21 de setembro de 1816)


Após ter atravessado o rio Uruguai a 12 de setembro, o chefe oriental André Artigas, Andresito, montou sítio à vila de S. Borja, a capital das Missões orientais, no dia 21, ameaçando o flanco direito das forças da capitania do Rio Grande.
Nesse mesmo dia, o tenente coronel José de Abreu impediu a passagem de reforços, um pouco mais a sul, comandados por Pantaleón Sotelo, iniciando uma gesta de cerca de um mês onde liderando cerca de 600 militares, destacados da força principal pelo general Joaquim Xavier Curado, fez prodígios de valor até que finalmente aliviou e quebrou o sítio a S. Borja.

A Visão Portuguesa

Parte Oficial do Tenente-Coronel José de Abreu, sobre o ataque do Passo de Iapejú, ao Tenente-General Commandante das Tropas Portuguezas na Fronteira.

José de Abreu
Illmo. e Exm Sr. — Dou parte a V. Exc. que hontem, 21 do corrente [setembro de 1816],tive a fortuna de chegar ao Passo do Iapejú sem ser sentido do inimigo; e atacando o Acampamento que estava sobre o mesmo Passo, não teve o inimigo mais tempo (apezar de ter muitas canôas) que de passar a primeira barcada de tropas. O resto entranhou-se pelo mato contra a barranca do Ibicuhy [rio Ibicuí]; e por toda a margem do Rio se atiravam a nado aos 10 e aos 20, para passarem ao outro lado. Como o mato é alli muito espesso, não lhe pude fazer maior damno, apezar de ter mandado entrar a perseguil-o a Infantaria e alguns Milicianos, os quaes trouxeram prisioneiros 2 homens e algumas mulheres, e os cavallos dos que se lançaram ao Rio; e assim mais 1.500 rezes, e 25 cavallos que tinham no potreiro, defronte a Iapejú, d’onde os estavam passando. 

Como a tropa que entrou no mato participasse que navegava pelo Ibicuhy acima uma frota de canôas, conduzindo tropas inimigas em numero de 200 homens, mais ou menos, mandei o Capitão de Dragões José de Paula Prestes que com o seu Esquadrão examinasse a costa d’este Rio: este Oficial avistou o inimigo no Passo de Sancta Maria, junto á Barra do Ibicuhy, com grande numero de tropas, fazendo a passagem para a Província de Missões; e como lhe houvesse eu ordenado que não arriscasse o seu Esquadrão, ele me participou o que observava, e de que 200 homens do inimigo lhe faziam frente na barranca do Rio, e duas barcas canhoneiras lhe faziam fogo do meio do mesmo Rio. 

Marchei então para aquelle logar com ligeireza, deixando unicamente de guarda á bagagem um Esquadrão de Milicianos do Rio Pardo. Chegando alli, conheci a precisão de fazer uma picada no mato, para metter a Artilharia até á margem do Rio, e logo puz em pratica esta operação, que consegui com brevidade; e mettendo a Infantaria e Artilharia pela picada, cheguei á borda do dito Rio, d’onde avistei o inimigo quasi todo já do outro lado, tendo passado com o auxilio das suas grandes Barcas. 

Estas, logo que nos avitaram n'aquele ponto, começaram a fazer-nos vivo fogo de bala e metralha, que felizmente para nós foi sem efeito. Como a extensão e grande largura do Rio inutilisasse o meu fogo de mosquetaria, mandei fazer fogo de Artilharia sobre o inimigo, o qual produziu algum efeito, arruinando uma das Barcas, e fazendo fugir da praia o inimigo que estava da parte d’além. 

Paso de Yapeyú, no rio Uruguai
Tendo depois d'isto observado que a Cavallaria inimiga se movia por aquella margem, buscando a Barra, e que as Barcas recebiam tropas, e com ellas navegavam pela mesma direcção, ordenei ao Tenente Floriano dos Sanctos, do Esquadrão de Entre Rios, que marchasse com a metade do dito Esquadrão a occupar outro Passo abaixo, para d’alli fazer fogo ao inimigo. Com efeito chegou lá este Corpo a tempo de fazer algumas descargas sobre as Barcas que passavam; mas logo as canhoneiras se apresentaram, e com o seu fogo protegeram a retirada e passagem do resto. Não tendo eu canôas para com ellas levar adiante as minhas operações n’este dia, retirei-me para o logar da bagagem, e o inimigo pôde repassar o Uruguay.

Fonte
Diogo Arouche de Moraes Lara, “Memória da Campanha de 1816”, in: Revista trimensal de historia e Geographia, ou, Jornal do Instituto Historico e Geographico Brazileiro, n.º 27, Outubro de 1845 pp. 275-276


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A Visão Oriental

Carta de Justo Yegros a Andrés Artigas. Le entera de un encuentro que ha tenido  con el enemigo en momentos en que se aprestaba a pasar el IBICUY en los corsarios con la tropa del Comandante Pantaleón Sotelo.

[Pueblo de la Cruz, setiembre 23 de 1816.]


Con esta fecha noticio a VS. q.e en el momento q.e me reuní con el comandante D. Pantaleon Sotelo para pasar su tropa delotro lado lo verificamos con los corsarios por el arroyo del vicuy el día veinte del q. gira y en virtud de no haver concluido deparar un corto trozo de Cavallada, tubimos q.e aguardar el día Siguiente, 

/ luego q.e se concluyo dicho trabajo y q.e nos pusimos en franquia se nos presentaron los Enemigos en el mismo paso con dos piezas de Tren del Calibre de a 4, luego q.e estos tomaron el monte principiaron a dirijir sus fuegos de cañon a los Buques y tropa q.e sehallaban destelado; 

/ inmediatamente determiné se hiciera safarrancho abordo y rompi el fuego con los corsarios asta tirarles noche cañonasos contestandome ellos con seis deBala raza; en nuestra Gente no se esperimento ninguna desgracia y al ber el  fuego de los Enemigos no sehoia mas voz q. era el de mueran los tiranos q. nos intentan oprimir.

/ Seguidamente determiné salieran los Buques fuera del arroyo del Bicuy para lo qual nos habian preparado nuebamente una Embozcada de Cavalleria a esperar nos aproximaramos a la Costa para lograrnos, esta intencion nunca les surtió Efecto alguno pues con motivo de hir siempre una canoa armada con un cañon a labanguardia fueron descubiertos pues rompieron un fuego vivo afucileria y la canoa les correspondió con un cañonazo ametralla; 

/bisto esto trate de entrar por un pequeño arroyo q. está cituado enla misma arroyo delaBicuy por donde pude conseguir el salir con los Buques ybolber a reunirme con D. Pantaleon Sotelo.Yo he llegado ayer veinte y dos al Pueblo dela Cruz a las tres menos quarto a la mañana en donde mehallo componiendo el falucho q.e enteramente esta haciendo agua luego q.° se componga q.° sera muy brebe Sigo mi precipitado Biage a Donde VS. se halla.

Saludo a VS. con todo mi afecto Pueblo dela Cruz 23, de Sepbre de 1816.

Justo Yegros

Fonte: Archivo Artigas

Biografia
- Tenente Coronel José de Abreu

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Ação de José de ABREU sobre Pantaléon SOTELO. Passo do rio Uruguai, defronte da cidade de YAPEYÚ. 
Forças Portuguesas (Capitania do Rio Grande)
5 esquadrões Cavalaria (1 da legião de São Paulo, 1 de Dragões, 1 de Milícias do Rio Pardo, 1 de milícias de Entre-Rios e 1 de milícias Guaranis.) = 513 praças. 
SOTELO já tinha passado o rio, “e estavam acampadas sobre a margem esquerda, protegendo o desembarque do resto”.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Conselho de Guerra Consultivo: Porto Alegre, 20 de setembro de 1816

CONSELHO DE GUERRA CONSULTIVO
[Porto Alegre, 20 de Setembro de 1816]


O Marquês de Alegrete do Conselho de Sua Majestade el Rei meu Senhor Gentil homem da Sua Real Câmara, Grã Cruz na Ordem da Torre e Espada, Comendador na de Christo, Marechal de Campo dos Reais Exercitos,  Governador e Capitão General da Capitania de S. Pedro.
Carlos Frederico Lecór Comendador nas Ordens de S Bento d'Aviz, e da Torre e Espada Tenente General dos Reais Exercitos, General em Chefe da Divisão  dos Voluntários d'El-Rei & Bernardo da Silveira Pinto, Brigadeiro dos Reais Exercitos Quartel Mestre General da Divisão dos Voluntários d'El-Rei &

Tendo sido reunidos em Conselho de Guerra Consultivo para consultar sobre as operações da Campanha de Montevidéu, temos deliberado e deliberamos o seguinte.

S. Ex. o Sr. General Lecor marcha pela estrada da Costa do mar com a Divisão  dos Voluntários d'El-Rei e duzentos homens de Cavalaria da Capitania do Rio  Grande a ocupar Maldonado, Montevidéu, e Colonia.  
S. Ex. talvez julgue a propósito lançar destacamentos em S. Domingo Soriano para escala das embarcações, que entrarem no Uruguai, e no Passo de Peres (Rio  Negro) para abrir comunicação com 

/o Sr General Silveira, que marcha do Cerro Largo com 800 homens da Divisão dos Voluntários d'El-Rei, e 800 do contingente com as guerrilhas de Manoel Joaquim Antonio dos Santos, e passa para a margem direita do Rio Negro a buscar a esquerda do Rio Queguay para entrar em Sandú. 

O Sr Brigadeiro Oliveira com a Legião de S. Paulo, as Companhias de Granadeiros e Caçadores do Regimento de S. Catarina, e a Guerrilha de Maneco dirigem-se ao Salto no Uruguay, e espera as Ordens do Sr General Silveira.  
O Sr Brigadeiro Oliveira na sua marcha do Passo de Rosário ao Salto terá cuidado em  não deixar na retaguarda corpos inimigos. Se o Sr Brigadeiro Oliveira não achar prudente pela inferioridade de forças (a qual só se entenderá quando estas forem menos da metade das do inimigo) atacar qualquer daqueles  corpos, manobrará de maneira que lhe seja sempre fácil a junção com os corpos  de Missões, com quem S. S. procurará ter sempre pronta comunicação. 
O Sr Brigadeiro Oliveira terá certamente em vista as margem dos Rios Quaraim e Ibicuí para aqueles fins. No caso que se supõe tomará o Sr Brigadeiro Oliveira a ofensiva logo que seja reforçado com forças de Missões ou tenha noticia da ocupação de Sandú pelo Sr General Silveira que terá a bem seguir então a margem do Uruguai a procurar a cooperação ou junção do Sr Brigadero Oliveira. 

Para que haja a possível comunicação entre os corpos das operações S  Ex o Sr General Lecór anunciou já a sua tenção de tomar uma posição no Rio  Negro, e de fazer navegar pelo Uruguai parte da flotilha. 

O Sr General Silveira e o Sr Brigadeiro Oliveira farão a sua comunicação pelo Cerro Lunarego ou Cuñapirú se aquele ponto estiver ocupado pelo inimigo. 

O major Jardim com a sua guerrilha, e as duas Companhias de Milícias que estão em Bagé portando-se  em Lunarego será encarregado da segurança e prontidão desta comunicação, tendo tambem em vista os Indios Charruas e Minuanos que habitam acima de S.  Anna. 
O corpo do major Jardim avançará com direção ao Uruguai no passo que o Sr General Silveira e o Sr Brigadeiro Oliveira o fizerem: tendo particular cuidado em anunciar aos mesmos SS. o dia em que deverá ocupar tal posição. 

A comunicação do Sr Brigadeiro Oliveira com a Provincia de Missoes será segura pelo tenente coronel José de Abreu com as Millicias do seu comando, e seguirá os movimentos do Sr Brigadeiro Oliveira, dando-lhe as noticias que obtiver da Provincia de Missões. 

O Regimento de Dragões do Rio Pardo, o resto do Regimento de S. Catarina, e os Millicianos que não entram nas colunas já mencionadas destinam-se a defesa daquela provincia. 

Pelas comunicações se ha de conhecer da necessidade, quando a haja de socorrer Missões se acontecer que o Inimigo faça algum ataque com o auxilio das Missões Ocidentais. A força de Missões procurará espreitar os movimentos da Provincia do Paraguai lançando partidas até à Candelaria.

Ajustado o Concordado no presente plano de operações o assinamos e firmamos  com o selo das Novas Armas em Porto Alegre aos 20 de setembro de 1816. O Sargento Mór do Real Corpo de Engenheiros João Vieira de Carvalho nomeado Secretário do Conselho de guerra Consultivo

Carlos Frederico Lecor  
Marquez d' Alegrete
Bernardo da Silveira Pinto

Imagem
Herrmann Wendroth: Porto Alegre vista do lago Guaíba, c. 1852. Aguarela.

Um mau início: Xavier Curado a José de Abreu, Setembro de 1816


Quando publico Correspondência militar no teatro do Uruguai (13 a 23 Setembro de 1816), onde transcrevo 5 cartas escritas entre comandantes portugueses na área de Entre Rios (Quaraí e Ibicuí) e Missões, a norte, não senti necessidade de apresentar a transcrição desta que aqui faço. Faço-o por duas razões:
Primeiro, só tive acesso à primeira página do que talvez sejam mais uma ou duas. Se dá para compreender inclusive a data aproximada, dá para perceber o sentido, ao mesmo tempo, uma forte admoestação e um ultimatum a José de Abreu para fazer acontecer por parte do general em chefe.
Segundo, o assunto desta carta torna-se obsoleto em cerca de três dias, quando Abreu bate Sotelo no Passo de Yapeyú, e ainda por acontecer daí por uma semana a batalha de S. Borja, onde a lenda de Abreu se cimenta. Joaquim Xavier Curado é forte nas palavras e impõe-se a Abreu naquilo que coloquialmente poderemos inclusive nomear como 'piçada', ou 'mijada'.

Apesar de achar que não coube na postagem das cinco cartas, é de interesse divulgar esta sexta carta noutra postagem, mas fazendo a ligação. 

Fora de contexto e sem as outras cartas, um leitor não teria José de Abreu senão como um mau comandante, quando de facto vai ascender à fama e heroísmo nos dois meses seguintes, em Arapey, derrotando José Artigas ele mesmo, e fechando a batalha de Catalán (no dia a seguir) com uma carga de cavalaria na ala direita. 

[463-A] [Data desconhecida (c. 18/19.9.1816), possivelmente em Marcha, TenGen. Joaquim Xavier Curado a TenCor. José de Abreu]

Sr. Tenente Coronel Jozé de Abreu

Tive muita satisfação quando me participou o Brigadeiro Tomaz da Costa de ter tomado o expediente de nomear a V. S.ª para Comandante da Partida que devia atacar e destruir os Indios que de mistura com os Insurgentes se propunhão a invadir Missoens certificando-me em Oficio de 14 que era muito natural que V. S.ª os encontra-se no dia 13: e consultando a idea que sempre formei do seu zelo, e actividade no Serviço, facilmente me persuadi que o projecto de atacar prontamente se teria executado.

Em Oficio de 15 me participou o mesmo Brigadeiro que V. S.ª pedindo-lhe maior numero de Cavalaria proguntava se devia separar as forças para atacar em dous pontos, ou o que devia fazer. 

Esta duvida, e esta progunta alem de serem ociozas fazem patentes não só que a actividade de V. S.ª mancou na melhor occazião, como tambem que os Enemigos não tinhão sido atacados no dia em que se esperava: porque sendo a Comissão de V. S.ª atacar o Enemigos pouco emportava que fossem destruidos em massa ou em detalhe. Neste instante recebo o Oficio do Brigadeiro Francisco das Chagas com data de 15 exegindo, e clamando pelo socorro que me deprecou anteriormente: signal evidente de que V. S.ª ainda não deu um só passo para adiantar a deligencia de que se acha encarregado.

Sobre este asumpto já escrevi de oficio ao Brigadeiro Tomaz da Costa extranhando o vagar e frouxidão que se observava nos movimentos de V. S.ª na data de 17 que me foi remetido por Copia. 

Este procedimento não só tardio, como perigozo pelas funestas consequencias que podem rezultar deixão muito em duvida o merecimento de V., S.ª adquirido no decurso de muitos annos, e para que não seja destruido deve V. S.ª remediar a falta que tem cometido atacando e destruindo os Enimigos que invadirão Missoens estabelecendo o socego e tranquilidade publica àquela Provincia. Deixo de lembrar a V. S.ª a responsabilidade em que V. S.ª se acha na prezença do Illmo. E Ex.mo Sr. Marquez Capitão General desta Capitania aquem já dei parte de que V. S.ª na frente de um Corpo de 700 homens composto de Cavalaria, Infantaria e Artilharia foi in- [...] [capaz?]

[infelizmente, só tive acesso à primeira página]

Fonte
Arquivo Público do Rio Grande do Sul: Correspondências de José de Abreu, 1810-1825.

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Biografias
- Ten Gen Joaquim Xavier Curado (comandante da Fronteira do Quaraí) [LER]
Brig Francisco das Chagas Santos, governo militar das missões orientais, em São Borja [LER]

- TenCor José de Abreu (Esquadrões de Cavalaria de Milícias de Entre Rios) [LER]

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Tomada do Forte de Santa Teresa (16 de Agosto de 1816)


De forma a preparar a chegada dos Divisão de Voluntários Reais (DVR) ao sul, assim como para estabelecer desde logo pontos de apoio face a qualquer oposição oriental na área da fronteira do rio Jaguarão e Chui, foi considerado fundamental pelo governo do Rio de Janeiro, em acordo com os objetivos da campanha, mandar as forças da capitania do Rio Grande do Sul ocupar a vila de Melo e a fortaleza de Santa Teresa.

Enquanto que Santa Teresa, uma fortaleza originalmente construída pelos portugueses em 1762 (e perdida para os espanhóis no ano seguinte), dominava a estrada real para Montevideu e Colónia, numa zona estreita de terra próxima a Castillos entre a Laguna Negra e o mar, Melo dominava uma estrada secundária que passava pelo interior, a ocidente da Cochilha Grande, a principal cadeia montanhosa da Banda Oriental, e que levava a Minas e depois também à estrada principal, em Pan de Azúcar.

A posse de ambos os pontos era essencial agora em 1816, como em campanhas anteriores (Santa Teresa havia sido ocupada na campanha de 1811/1812, mas logo depois abandonada), não só para garantir a segurança das rota inevitáveis de penetração portuguesa (que não estavam ainda plenamente estabelecidas), como para criar pressão sobre as divisões orientais na zona (Fernando Otorgués no interior, próximo a Melo; e Frutoso Rivera na área costeira de Maldonado, um dos dois portos de águas fundas da província), negando assim também ao inimigo o conhecimento das verdadeiras intenções portuguesas, o número e movimento das suas tropas.

Assim, enquanto a DVR parte do Rio de Janeiro, o Secretário de Estado dos Negócios da Guerra, Fernando José de Portugal e Castro, 1.º marquês de Aguiar [na imagem], no Rio, manda instruções, a 6 de Junho, ao capitão general do Rio Grande, então de S. Pedro, Luís Teles da Silva Caminha e Meneses, marquês de Alegrete para que, entre outra medidas, mande ocupar Melo e Santa Teresa.


A 12 de Julho, o marquês de Alegrete [na imagem à direita] transmite essas mesmas ordens ao tenente general Manuel Marques de Sousa, comandante das forças da capitania na fronteira do rio Jaguarão, logo a sul da Vila do Rio Grande e cuja área de atuação dizia respeito a toda a área oriental da fronteira portuguesa com a banda oriental, estipulando inicialmente que a ocupação dos dois pontos devia ser simultânea no dia 20 de Agosto. Em novas ordens a 17 de Julho, decerto devido a questões diversas na reunião das forças nos dois pontos de partida, o marquês do Alegrete indica que os dois objetivos devem ser tomados antes do dia 20, ainda que em dias diferentes.

Para a ocupação de Melo, que trataremos noutro artigo, foi escolhido o coronel Félix José de Matos, comandante do Batalhão de Infantaria e Artilharia do Rio Grande, assim como um pequeno destacamento de infantaria da DVR, a grande maioria da cavalaria da mesma divisão, assim como mais cavalaria de linha, de Milícias e Guerrilhas. 

Para Santa Teresa, cujo objetivo tinha um maior significado simbólico, pelo facto de ser o forte originariamente uma construção portuguesa, o tenente general escolheu o seu filho, o sargento mor Manuel Marques de Sousa, da Legião de Cavalaria Ligeira do Rio Grande, também eles Voluntários Reais, para comandar uma força constituída por cavalaria da Legião riograndense e da Legião de S. Paulo. A escolha deste oficial foi sugerida pelo marquês de Alegrete logo nas ordens originais de 12 de Julho, destinada decerto a honrar o pai e o bom serviço do filho.
A ambos os comandantes foi entregue o estandarte nacional para que fosse formalmente hasteado nos dois locais, com toda a pompa. Este era o início da invasão portuguesa.

Enquanto que Félix José de Matos entra em Melo pela manhã de 13 de Agosto, Manuel Marques de Sousa conquista o forte de Santa Teresa pelas 7 horas da manhã do dia 16, enviando a parte oficial ao seu pai e comandante, fazendo o relatório que transcrevo em seguida, valendo por si na descrição do que aconteceu nesse dia.

A vanguarda da DVR, sob o comando do marechal de campo Sebastião Pinto de Araújo Correia, prenunciando os 4000 portugueses expedicionários, chega depois ao forte duas semanas depois, a 1 de Setembro, passando as forças que ocuparam o forte a fazer parte dessa mesma vanguarda até Montevideu cumprindo as ordens do Capitão General. 


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Fortaleza de Santa Teresa, vista aérea (Wikicommons)

Ofício que escreveu o Sargento Mor Manuel Marques de Souza ao seu pai e comandante da fronteira do Jaguarão e Taim, tenente general Manuel Marques de Souza, sobre a tomada do forte de Santa Teresa ao início da manhã do dia 16 de Agosto de 1816.

Illmo. E Exmo. Senhor 
Odepois de passados cincoenta e trez annos voltou a ser arvorada nesta Fortaleza, ontem pelas sete horas da manham a Bandeira Portugueza, e firmada com trez descargas de fogo de alegria, e os competentes vivas de Sua Magestade. 
Para conseguir pois encontrar nella alguma parte da sua guarnição, foi me percizo marchar debaixo do mais rigorozo tempo, e fazer a ultima marcha de doze leguas entre tarde e noite, q' foi sertamente mais tempestuoza, e escura, a ponto de assunar-se a guarnição a ficar dentro do Forte, posto que com os Cavallos Sellados, apezar de já têr tido noticia da minha chegada a Geribatuba, e só me esperavaõ ontem por noite: porem ao manifestar se a Aurora, estava eu junto ao portaõ com quarenta homens, tendo ja deixado dois Esquadroens sercando o Arrayal, afim de que no Cazo que estivese fora do Forte a guarniçaõ se não escapava, e logo fiz forçar o portaõ e a hum brado que dei de Viva El Rey de Portugal renderaõ as Armas e entregaraõ-se prizioneiros o Cap.m de Dragoens da Liberdade e Coman.de do Forte D.m Cypriano Martins, o Ten.e Natario Molina, hum Cabo de Esquadra e oito Soldados, tendose escapado onze que na ocaziaõ do ataque se precipitaraõ das muralhas abaixo. 
No Arrayal foi prezioneiro o Tenente Coronel Coman.de dos Civicos e da Companhia de Maldonado D.m Angelo Nunes, o qual andava alistando gente para o seu Corpo, e assim mais dezanove Milicianos deste Destricto.  
Como os tivessem de levante já tinhão marchado hum Ten.e com 14 Soldados e hum Tambor, arreunir-se ao Destacamento da Cavalhada que tinhaõ em as mediaçoens de Castilhos com o fim de a porem em marcha. 
Comtudo eu ainda assim me esperanço muito de que a Partida q' ontem mesmo fiz seguir de baixo do mando do Sarg.to Mor gr.do de Cav.a de Milicias Joaquim Gomes de Melo os vá alcançar, e lhes tome a cavalhada, que me consta ser de duzentos, sobre o pouco mais ou menos. 
Os que se acháraõ se acharaõ dentro desta Fortaleza foraõ trinta e dois os quais fiz reiúnar, e foraõ intregues ao Sargento Mor Joze Pedro Galvaõ, para o serviço dos Esquadroens do seu mando. 
Amanham pertendo remeter para o Rio Grande os prezioneiros feitos dentro desta Fortaleza, e juntam.e o Ten.e Cor.el Angelo Nunes (filho de Portuguezes e acerrimo Portenho) e hoje mando para suas Cazas os Milicianos, que foraõ prezioneiros no Arrayal. 
Finalm.e Ex.mo Senhor já ninguem pode negar a V Ex.a de terem cido tropas do Comando de V. Ex.a as primeiras q' nesta Campanha trouceraõ a esta Provincia a Bandeira Portugueza, nem a mim, e aos meus Camaradas a de termos cido os que a Arvoramos nesta Fortaleza. 
D.e g.e a V. Ex.a por m. ann.
Fortaleza de Santa Thereza, 17 de Agosto de 1816
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Fontes
- Arquivo Histórico de Itamaraty, AHI-REE-00553 

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Memórias do coronel Francisco de Paula Azeredo - I

A expedição demorou-se quatro mezes no Rio de Janeiro antes de seguir ao seu destino. Não está no animo dos portuguezes a grande actividade. N'aquelle clima ardente ainda esta era menor e mais demorada a sua acção.

Durante o tempo que esteve no Rio de Janeiro foi o Coronel Azeredo muito bem recebido pelo novo soberano, e pelo Principe real, que depois foi Imperador e Rei com os titulos de D. Pedro 1.° imperador e D. Pedro IV rei de Portugal.

Além das medalhas do commando nas batalhas da guerra peninsular em que o Coronel Azeredo commandara, com que El-Rei o havia agraciado, foi por decreto de 17 de Dezembro de 181o, muito antes de elle chegar ao Rio de Janeiro, condecorado com o gráo de cavalleiro da ordem da Torre e Espada.

El-Rei confiou-lhe o commando do segundo regimento d'infanteria d'esta expedição, que exerceu immediatamente. Durante o tempo que esteve no Rio procurou adestrar o regimento no exercicio e manobra, e como El-Rei ordenasse differentes paradas, a que elle e o Principe com o Infante D. Miguel iam assistir, tambem n'estes actos d'ostentação se foi passando o tempo. 

[junho 1816]
Finalmente em junho de 1816 deixou o magnifico e frequentado porto de S. Sebastião do Rio de Janeiro a expedição destinada á campanha do Rio da Prata, seguindo para a Ilha de Santa Catharina, onde aportaram ao cabo de dez dias de viagem favoravel. N'esta derrota passaram rapidamente pelas alturas de S. Paulo e de Santos, villa muito importante, de commercio consideravel em assucar, couros, agoardente e café, e vieram lançar ferro á cidade de Nossa Senhora do Desterro, na costa occidental da Ilha de Santa Catharina. Esta cidade, que hoje tem largas proporções, já então era de valia, possuindo varias fabricas e fazendo extenso commercio.

[15 de Julho de 1816]
Ahi esteve a expedição aquartelada alguns dias, e foi só a 15 de julho que ás sete horas da manhã sahiu para o continente o 2.° batalhão do 2.° Regimento de voluntarios reaes d'El-Rei, a cuja frente se collocou o Coronel Azeredo. O embarque fez-se em lanchas baleeiras, assim chamadas por se empregarem na pesca das balêas, que se faz em larga escala n'estas paragens. Com vento fresco apenas levou sete horas a atravessar o estreito canal que separa a Ilha de Santa Catharina da província em terra firme do mesmo nome. O desembarque fez-se no pontal da Pinheira, praia arenosa, sita no fim da extensa bahia do mesmo nome, proxima á barra do Sul a seis legoas de distancia da cidade de Nossa Senhora do Desterro. São sempre as praias que bordam o mar por tal forma varridas pelos ventos, que difficil é poder acampar n'ellas sem grande incommodo: nos paizes porém da America do Sul, os ventos são por modo tão impetuosos, que taes acampamentos se tornam cheios de riscos. Além d'estas circumstancias geraes, o regimento não levava barracas nem abrigo de qualidade alguma. O governo portuguez é sempre o mesmo em todas as épocas: occupa-se especialmente do luxo e sumptuosidade no adorno das secretarias d'estado e nos gabinetes dos ministros: e de resto abandono completo: quando além d'isto se trata da força armada, esse abandono e desleixo sobe de ponto. Bem longe de se procurar mitigar-lhe o rigor dos seus penosos deveres, mais se lhe aggravam. Manda-se que marche e lá se avenha como podér: estamos na primitiva. Xenophonte retirando da invasão na Persia, e Annibal atravessando os Alpes para conquistar a Italia e sopear a altivez dos romanos, não conduziriam de certo os seus soldados mais expostos. Conhecemos os inconvenientes da equipagem de castrametação, mas ha circumstancias em que ella é indispensavel. Tal era a presente, em que a divisão havia de atravessar durante mezes inteiros um paiz deserto e açoitado pelos mais borrascosos temporaes.

Forçoso foi comtudo acampar em tão inhospita praia, e escolhido o logar mais abrigado dos ventos, bivacou o batalhão, occupando o Coronel e o seu ajudante o unico casebre -que alli havia, onde vivia uma pobre velha, que tinha tres netos, que se sustentavam de farinha de pau. Os soldados procuraram lenha nas proximidades do acampamento, e vieram fazer o rancho, e aquecer-se, porque a estação era, como se sabe, o rigor do inverno, por ser o mez de julho, que n'aquella latitude meridional é muito aspero.

Pelas 10 horas da noite sobreveio uma espantosa trovoada com relampagos horriveis e copiosa chuva.

Posto que esta paragem já esteja ao sul do tropico de Capricornio, ainda assim está sujeita como todos os paizes do imperio brazileiro, a tufões, trovoadas e tempestades continuadas. Estes phenomenos meteorologicos sempre respeitaveis em toda a parte, tomam um aspecto pavoroso n'aquellas regiões. 



Retirado de: AGUILAR, Francisco D’Azeredo Teixeira D’, Apontamentos Biographicos de Francisco de Paula D’Azeredo, Conde de Samodães, Porto, Tip. Manoel José Pereira, 1866.

sábado, 2 de julho de 2016

Memórias do tenente coronel António José Claudino de Oliveira Pimentel - I

Janeiro de 1816 – O dia 20 de janeiro de 1816 foi o dia do embarque da infantaria pertencente á divisão dos voluntarios reaes do principe, tendo já embarcado para o Rio de Janeiro, em setembro de 1815, toda a cavallaria e artilheria da mesma divisão.

Pelas oito horas da manhã d’aquelle dia pozeram-se em marcha as duas brigadas de caçadores para embarcarem no arsenal da marinha. Durante a marcha, desde Belem a Lisboa, notava-se extraordinaria concorrencia de gente de todas as classes, em cujos rostos se manifestava profunda mágua, por verem partir de Portugal uma tão brilhante porção de tropa, que se lhe afigurava não regressaria á patria. Tal é o descostume em que estão os portuguezes de ver partir dos nossos portos expedições marítimas de maior vulto!

As brigadas embarcaram na melhor ordem, assistindo a esta operação o general Lecor, commandante da divisão, e o incansavel chefe de divisão Rodrigo José Ferreira Lobo, que havia dado para este effeito as mais acertadas providencias.
Ás duas horas da tarde estava ultimado o embarque a bordo dos seguintes navios: nau Vasco da Gama e charrua S. João Magnanimo; e nos vasos mercantes: Caridade; Flor do Tejo; S. José, Phenix; Asia Grande; S. Thiago Maior; Commerciante; Russia (sueco); L’Orient (francez) e um bergantim inglez.

Os governadores do reino haviam-se esmerado em dar as mais generosas providencias para que durante a viagem nada faltasse aos officiaes da divisão, e para que os soldados fossem tratados o melhor possivel, não poupando para o conseguir nem desvelos nem despezas.

Estivemos fundeados no Tejo desde 20 de janeiro até 15 de fevereiro, não ocorrendo durante este tempo cousa alguma notavel, senão os ventos contrarios que nos não deixavam levantar ferro.

Finalmente, amanheceu esplendido o dia 15 de fevereiro. Soprava um vento de nordeste que convidava os navegantes a desaferrar do porto de Lisboa. Era dever o partir. Ás sete horas da manhã fez a nau o sinal de suspender. poz-se então todo o comboio em movimento, e do meio dia para a uma hora da tarde todos os navios tinham saido a barra, escondendo-se ás nossas vistas a capital do reino, sem que podessemos agourar quando, ou se a tornariamos a ver.
Ao sair a barra a nau Vasco da Gama abalroou com um pequeno bergantim inglez que bordejava para entrar no Tejo, e que é muito natural que ficasse maltratado, porque a nau pela sua parte teve o beque partido.

No dia 21 avistámos a ponta de oeste da ilha da Madeira e separou-se então de nós o bergantim Balão, que havia acompanhado o comboio até aquela altura para informar os governadores do reino do que até àquele ponto houvesse occorrido. 

Continuámos com a maior felicidade a navegação tão bem encetada; pois não houve durante toda ella um só temporal no mar, nem a mais leve doença a bordo, nem a menor falta; sendo a tropa sustentada, não só com abundância de mantimentos, mas até com profusão de refrescos, havendo à disposição do corpos tudo quanto era necessário para conservar a saúde, asseio e bom estado dos soldados. E na verdade tropa alguma foi jamais bem vestida, equipada e tratada do que a divisão dos voluntarios reaes do principe, sendo tudo isto devido ao desvelos e assiduos cuidados de D. Miguel Pereira Forjaz, secretario d’estado da guerra e marinha.

No fim de quarenta e quatro dias da mais feliz e tranquilla viagem avistámos no dia 29 de março a ponta de Cabo Frio, navegando sempre com vento favorável e fresco. Este porém acalmou de tarde, o que no obrigou a dar fundo à vista da barra do Rio de Janeiro.
Pouco tempo depois de fundearmos, passou um escaler do Rio de Janeiro, dando a notícias do fallecimento de sua majestade a rainha D. Maria I, de saudosa memória. Soubemos também então que o marechal Beresford ainda se achava no Rio de Janeiro, e esta notícia não foi de certo agradavel a muitos dos que íamos...” 

[...] El-rei mostrava no semblante extrema alegria ao ver aqueles seus fieis vassalos que por tantas vezes haviam arriscado as vidas, em defesa dos seus direitos e da nacionalidade portuguesa, nos campos de batalha contra o grande conquistador da Europa, e que agora deixavam outra vez a pátria, famílias, fortuna e amigos para correrem, voluntários, a novo combates em que se achava empenhada a honra nacional.

Retirado de: PIMENTEL, Júlio Machado de Oliveira, Memorial Biographico de um militar ilustre, O General Claudino Pimentel, Lisboa, Imprensa Nacional, 1884, pp.75-77

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Estado Maior: Sebastião Pinto de Araújo Correia

Igreja Matriz de Viana do Castelo
O marechal de campo SEBASTIÃO PINTO DE ARAÚJO CORREIA nasceu em Viana do Castelo, em 1784, filho do brigadeiro Francisco Pinto de Barbosa Araújo Correia e de D. Francisca de Araújo Pinto.

Em 16 de Agosto de 1799, assentou praça como voluntário no Regimento de Infantaria de Viana, futuro n.º 9, na companhia de caçadores, tendo participado na campanha de 1801. É reconhecido como cadete a 1 de Julho de 1804.

A 1 de abril de 1805, é sargento mor agregado ao Regimento de Milícias de Braga. Pouco depois da restauração do reino, é promovido a sargento mor do Batalhão de Caçadores n.º 6, estando presente nas batalhas do Buçaco, em 1810, e de Fuentes de Honor, em 1811, onde recebe um ferimento na cabeça. 

A 10 de julho de 1813, é promovido a coronel do Regimento de Infantaria n.º 18, o antigo 2.º Regimento do Porto. 
A 6 de novembro de 1813, parte para o Rio de Janeiro, com licença de três meses. A 12 de outubro do ano seguinte, é promovido a brigadeiro. A sua contribuição para a ideia de uma divisão de tropas ligeiras vindas de Portugal para o Rio Grande foi enorme e foi este oficial a transportar a Lisboa as ordens de criação da mesma em dezembro de 1814. 

Passa, com 31 anos de idade, à Divisão de Voluntários Reais do Príncipe, como marechal de campo Ajudante General. Comandou, a partir de 4 de julho de 1816, a Coluna da Vanguarda da divisão e comandou as forças portuguesas na batalha de India Muerta.

Fontes:
- Arquivo Histórico Militar
- Wikipedia Commons


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