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08/04/2026

Memoria Histórica do Regimento de Infantaria de Santa Catharina (Manuel Joaquim de Almeida Coelho, 1850]

«MEMORIA HISTORICA DO EXTINCTO REGIMENTO DE INFANTARIA DE LINHA DA PROVINCIA DE SANTA CATHARINA, OU INFORMAÇÕES DOS SEUS SERVIÇOS MAIS NOTÁVEIS E DOS MOTIVOS E LOGARES ONDE OS PRESTOU, ESCRIPTA NA CIDADE DO DESTERRO EM DIAS DO NATAL DO ANNO DE 1850

[Manuel Joaquim de Almeida Coelho]

[...]

Campanhas de 1816 a 1820

SERVIÇOS E OCCUPAÇÕES DO REGIMENTO

As ideias do gabinete do Rio de Janeiro, de ocupar a praça de Montevidéu e seu território, descortinaram-se com a chegada ao Brasil da divisão de voluntários reais ao mando do general Carlos Frederico; e no detalhe geral dos corpos existentes então no Sul, ou para reforçar aquela divisão, ou para ocupar os diferentes e importantes pontos. da fronteira, foi o regimento de Santa Catarina destinado para fronteira de Missões (190 léguas pouco mais ou menos distante do Rio Grande). Sem se declarar o seu destino, ele teve ordem de marchar para Bagé, donde tomaria a direção conveniente; e foi então que alguns intrigantes espalharam boatos que o regimento repugnava a marcha, afirmando-o ao general Manoel Marques de Souza, comandante cio Rio Grande, e este ao Marquês de Alegrete, governador e capitão-general da capitania, com cores mui feias, como então se disse. Devia-se ao regimento 16 meses de soldo (tanto quanto tempo havia que não recebia) e debaixo deste pretexto a notícia da repugnância se foi propagando, o caso tornando-se sério, e alguns soldados mais simples tomando a peito o negócio, instigados pelos intrigantes. O certo é que, no dia 16 de março de 1816, tocou a chamada, e o regimento seguiu ao seu destino: todavia em abono da verdade devo dizer que uns poucos e mais inocentes soldados demonstraram alguma repugnância, deixando-se ficar firmes (sinal estabelecido pelos intrigantes) à voz de andar à direita; porém à primeira e simples admoestação, no maior silêncio, marcharam. (42)

Na charqueada de Domingos Rodrigues fez alto, e aí apareceu o general Manoel Marques, a titulo de despedir-se mas o fim dessa despedida foi mais politico e observador, que efeitos de amizade e separação; e isso foi bem conhecido por todos aqueles que sabiam que, por causa da intriga, pouco ou nada se ganhara, no Rio Grande, a sua afeição: entretanto que o general estava bem persuadido da desobediência e desordem no regimento, para que tanto trabalhavam os degradados e outros intrigantes, a quem parece que o tenente-coronel prestava ouvidos. No dia o regimento chegou a Bagé e teve ordem de esperar por algum soldo. Aí foi onde o tenente-coronel Terres [António José Torres de Meneses] dirigiu uma participação ao capitão-general, do regimento repugnar a marcha para a fronteira (tanto poder tem a ilusão no espírito do homem fraco!) quando nem uma repugnância havia, e com cores tão feias que o capitão-general mandou reforçar, com praças de outras, a companhia. de granadeiros, desmembrá-la e seguir para a fronteira, debilitando desta maneira o regimento. 

Houve, porque tudo se soube, quem afirmasse que fora tal a participação do tenente-coronel Terres que o capitão-general, no seu primeiro impulso de irritação, resolvera o tremendo castigo de mandar desarmar à viva força o regimento e quintá-lo: tais iam sendo as consequências do medo do tenente-coronel! E nesta parte, se disse, não ser ele tão culpado como um seu mentor, que era o oficial ou o homem mais medroso e intrigante que então havia. Entretanto que o procedimento do regimento foi bem observado. 

A desmembração da companhia de granadeiros quer corno disse, teve um fim político, por um acaso inesperado desmentiu ao comandante do regimento e destruiu todas quantas más ideias ocuparam a mente irritada do capitão-general. A companhia foi com uma marcha forçada de 150 léguas (descrevendo zig-zags, que assim o julgaram alguns necessário para o fim de a acabar) apresentar-se na missão de S. Francisco de Borja, onde a salvação de muitas vidas e a honra de nossas armas dependiam da sua chegada, ou de outro qualquer auxílio de tropa. Saíra ela de Bagé com cento e onze praças, inclusive os seus oficiais, (43) e por seduções de alguns dos corpos do continente, desertaram alguns bons soldados para a cavalaria de dragões ou para a força que reunia o general Joaquim Xavier Curado; e foi assim que, com mil promessas de vantagens, se pôs em prática um plano (fosse ele de quem quer que fosse) de deixar o regimento sem soldados. A companhia chegou a S. Francisco de Borja a 13 de setembro de 1816 com oitenta e cinco baionetas; e oito dias depois de aquartelada, foi posta a povoação em rigoroso e apertado assédio por André Artigas, à testa de dois mil homens, pouco mais ou menos, bem armados, e duas peças de artilharia.

Comandava a fronteira de Missões o brigadeiro Francisco das Chagas Santos; mas não havia tomado bem (ou confiava demasiadamente na sua valentia) as precauções e medidas necessárias para se não expor a um sítio, dentro de uma praça (130 léguas distante da capital mais de 80 do general Curado) sem segurança de auxílio e falto de alguns meios para sustentar-se; porque, afora a artilharia (sem artilheiros) pólvora e bala que tinha bastante, de tudo mais carecia. para acudir a mais de duas mil pessoas de ambos os sexos diferentes idades, das famílias dos índios e outros extranaturais que existiam ou se recolheram á praça, contando com a proteção das nossas armas. A força com que devia sustentar-se o general, pouco excedendo a 120 homens de cavalaria miliciana portuguesa e alguma do regimento de cavalaria miliciana guarani, de necessidade sucumbiria, se não chegara tanto a tempo a companhia de granadeiros.

Com este contingente, Chagas, a quem nunca faltou valor e presença de espírito, contou a seu lado duzentos e tantos combatentes. Foram imediatamente nomeados os comandantes das bocas das ruas ou entradas da praça (44) e assestada urna peça de artilharia em cada uma; e assim foi dividida a companhia, indo a cavalaria guarnecer a quinta. Foi nomeado pelo general, major da praça, o capitão José Maria da Gama, oficial que possuía, além da nobreza da sua pessoa, a valentia e mais predicados necessários para um posto tão importante em ocasião perigosa.

Amanheceu o dia 22 de outubro e com ele o inimigo a tiro de peça e ao som de instrumentos marciais, cercando a Povoação. Não direi que observara tática alguma adotada pelos exércitos sitiadores; mas fanatizado o de André Artigas por um frade apóstata (fr. Pedro) que nos seus discursos persuadira aos índios que morrendo no combate, ressuscitariam além do Uruguai entre suas famílias; e ao mesmo tempo, observando no exército muita disciplina, não podia deixar de ser um inimigo corajoso e temível; além da que os índios das Missões (de que se compunha cio grande parte a força inimiga) são sofredores e valentes, quando os dirige um chefe de sua fé. como então era André Artigas.

Estabelecido o assédio, teve a praça que sofrer vários, mas mal dirigidos ataques do inimigo, que foram sempre rechaçados pelos nossos: contudo, oficial houve da nossa cavalaria que, temendo algum fim desastroso, se atreveu a lembrar ao general Chagas uma escápula, rompendo-se em uma noite a linha dos sitiantes: felizmente essa lembrança não mereceu resposta alguma: e nunca a deve merecer o militar que se atrever a tanto, uma vez que se não tenham envidado todos os esforços e esgotado lodos os recursos da defesa! Ao amanhecer do dia 28 o inimigo carregou com tal furor e animosidade que a nossa cavalaria teve de recuar, cedendo alguns passos do terreno que ocupava, e a infantaria de sustentar um vivo fogo de o rebater muito de perto e quase braço a braço; e por, isso mesmo que o inimigo. preparado de machados, trabalhou por arrombar as portas do exterior (e o conseguiu de uma, apesar de ser muito forte) e algum houve que chegou a pôr pé dentro de casa: contudo, horrorizado e bem sangrado, se retirou às suas linhas, com perdas de muitos.

O general Chagas, que presenciou atentamente e a valentia da guarnição. congratulou-se com os granadeiros pelos atos do bravura e intrepidez, que acabavam de praticar; entretanto que iam faltando os mantimentos na povoação e não havia água. Era então dessa distinta companhia o cadete José Joaquim de Almeida Coelho, já bem conhecido por seu génio denodado. Esse moço (sem que alguém lhe encomendasse) encarregou-se de expor a vida, durante o sítio, para suavizar o sofrimento de muitos sitiados. Com seis ou oito granadeiros, de armas suspensas a tiracolo pelas bandoleiras e uma pequena peça de amiudar, puxada a mão, quando mal pensava o inimigo, estava na sua frente, desafiando-o e fazendo-lhe fogo e foscas. Ao abrigo desses granadeiros, muitos índios da praça e outras pessoas corriam a encher potes e barris de água, não tão boa como se desejava, mas como o permitiam as circunstâncias, porque era tirada de uma pequena lagoa, no meio do campo cento e cinquenta braças da povoação, bem remexida de barro vermelho e algumas vezes em quantidade tal que pouco mataria a sede dos sitiados, pela retirada precipitada dos protetores.

O general, logo que lhe constava a temeridade, ousadia e perigo a que se expunham esses granadeiros, mandava imediatamente alguns homens a cavalo protegê-los e cabe aqui dizer que sempre eram destemidos e de sua escolha e confiança.

Um tiro da nossa artilharia, dirigido pelo granadeiro José Dias de Arzão (45) no segundo dia de sítio, desmontou uma peça do inimigo que mais dano causava à guarnição da praça, dando a bala (calibre 4) em um dos munhões, de sorte que lhe deixou a peça inservível e mortos dois artilheiros.

Nesse estado se achavam as cousas, quando começava a raiar o dia 3 de outubro e tão nublado que não se podia divisar objeto algum ao longe: todavia, sentindo-se na praça grande rumor na linha inimiga, a guarnição se dispôs para um novo combate. Poucos minutos depois, o tenente do regimento de cavalaria miliciana guarani, António Eripi, do cume do zimbório da igreja, onde subira para observar melhor o rumor ou movimentos do inimigo, avisa que um corpo volumoso de cavalaria atravessa o extenso banhado ao sul da povoação, demandando o campo do inimigo. Era o tenente-coronel José de Abreu, que tendo aviso (46) do general Chagas, correu com oitocentos homens que comandava, não só em socorro de S. Borja, como a vingar nos sitiadores o arrasamento na nova povoação de Manduhi (cuja ereção fora animada e protegida por Abreu) e com marchas tão ocultas, que só foi pressentido pelos insurgentes quando começavam a ser batidos e derrotados: contudo Abreu não o conseguia impunemente.

Abreu, achava-se na fronteira de Alegrete a 50 ou mais léguas distante de S.. Borja, quando recebeu o aviso e no dia 3 de outubro começou a imortalizar seu nome (que jamais pode-se esquecer nos anais do Brasil) levando de rojo o inimigo e perseguindo-o até pô-lo além do Uruguai, ajudado pela companhia de granadeiros, que, instantaneamente deixando as trincheiras, se lhe reuniu e acompanhou até a barra do rio Butuí. Abreu retirou-se logo depois, ou no mesmo dia, coberto de bênçãos e da bem merecida glória de ter derrotado e enxotado para longe os insurgentes, com perda de muitos, e aberto as portas de S. Borja. A companhia de granadeiros comportou-se, durante os treze dias de sítio, como era de esperar de homens briosos e acostumados aos trabalhos da vida militar.

O seu digno capitão foi remunerado (por informações de Abreu) com a graduação de major. Os mais oficiais e toda a companhia se fez digna dos subidos louvores que com tanta justiça se lhes dirigiu.

Entretanto que o capitão-general, que fizera desmembrar a companhia por motivo, como disse, muito diverso, fazia seguir para Bagé o coronel Pedro da Silva Gomes, a tomar o comando do regimento, para que fora despachado na corte, sendo então tenente-coronel da Legião de S. Paulo. (47)

Empossado do comando, o coronel conheceu quão exagerada fora a participação do tenente-coronel Terres e que nenhuma coisa mais havia que uma pequena murmuração entre alguns soldados, mas simples pela falta de 18 ou 20 meses de soldo: e eles tinham razão! Entravam para uma nova campanha e lembravam-se das misérias que haviam sofrido nas passadas, e desses males não estava alheio o mesmo coronel.

Ratificada a ordem de marcha, o regimento seguiu para Missões em julho; mas as circunstâncias apertadas em que se achava o general Curado (sobre as vertentes do Quaraí em Sant'Anna, ou no lugar denominado Lageado) obrigaram-no a ordenar ao regimento que se lhe reunisse sem perda de tempo. A má estação, muitas chuvas e alguma falta de transporte concorreu para uma marcha assaz lenta: contudo bem a tempo ali se apresentou, e o general Curado teve logo motivo de o experimentar, mandando parte debaixo do comando do seu major Camilo Machado de Bittencourt, sob o comando de um oficial de cavalaria, explorar a campanha até Paipasso e Inhanduí, perto do Uruguai, havendo outra infantaria mais descansada. 

A guerra se desenvolvia por quase todos os pontos da fronteira, ou desafiada pelos insurgentes que, ciosos e ativos, se opunham à reunião das forças do general Curado, ocupação da província de Montevidéu, e a todas e quaisquer intenções hostis da nossa parte; ou por nossas mesmas forças, pela necessidade de atacar e rebater as hostilidades dentro das nossas linhas, que eles invadiam por diferentes pontos em colunas assaz fortes. Sob o comando do brigadeiro João de Deus Menna Barreto teve lugar o combate de Ibirocaí no dia 19 de outubro de 1816, e a infantaria que aí se achou da nossa parte, foi do regimento em número de 150 praças (e os seus oficiais, (48) uns por nomeação do chefe, outros por desejos de distinguir-se, como o ajudante Manuel José de Mello e o alferes Zeferino António de Souza Coutinho) comandadas pelo major Camilo Machado. Essa infantaria demonstrou na frente do inimigo muita presença de espírito, firmeza, destreza nas armas e um comportamento brioso e louvável, como era de esperar: teve, e com muita justiça, elogios do comandante da ação e de todos oficiais dos diferentes corpos que observaram a sua intrepidez.

Findo o combate, no qual o inimigo foi completamente derrotado, mormente pela infantaria, que o investiu pelo centro, dias depois o regimento recebeu ordem de marcha para Missões e em novembro chegou a S. Francisco de Borja. Aí se reuniu à sua digna companhia de granadeiros e se congratularam os amigos com recíprocos contos de suas façanhas.


NOTAS

(42) Desde o ano de 1816 a 1822, no qual foi extinto o regimento, não houve castigo algum corporal e meses se passaram, em algumas companhias, sem que houvera uma só prisão. O regimento, posto que pouco numeroso, tornou-se um corpo muito luzido e longe de ser o que alguém pense. Contendo em bom número oficiais inferiores e soldados de idade robusta ou moços alentados que haviam conhecido a ingratidão com que foram tratados nas campanhas passadas, só com maneiras afáveis poderiam ser conduzidos; pelo contrário ficaria o regimento sem a melhor parte dessas praças.

(43) Capitão José Maria da Gama Lobo Coelho d’Eça, tenente António Francisco Catella, alferes António Agostinho Capistrano.

(44) Tenente António Francisco Catella, dito adido António Máximo Franco, sargentos João da Silva Barralho, Henrique Alves da Cruz, João Pinheiro da Silva, cabo Teodósio Alves, anspeçada Pedro Fernandes (dentro da quinta), cadete José Joaquim de Almeida Coelho; o alferes António Agostinho Capristano, com 30 granadeiros de piquete (na quadra n.) para acudir ao ponto onde ocorresse maior perigo, ou fosse necessário.

(45) Era natural da vila, hoje cidade de S. Francisco, moço alto e bonito, mas tinha as canelas muito finas: contudo uma bala de fuzilaria no combate do dia 28 varou-lhe a barriga da perna direita e no assalto de S. Carlos, ano e meio depois, outra bala varou-lhe a barriga da perna direita. Com efeito! disse-lhe o intrépido cabo Pedro Fernandes, parece que o inimigo te procura as pernas para que não fujas! «Enganas-te, respondeu Arzão, o inimigo procura-me as pernas para que não o procure.

O cabo Pedro Fernandes, sendo alferes, foi morto pelos sublevados na fortaleza da Barra do Sul, em Santa Catarina, em o ano de 1830.

(46) O aviso de Chagas a Abreu foi conduzido pelo paulista miliciano António de Moura, que, numa noite muito escura, pôde romper a linha e sentinelas inimigas.

(47) Foi recebido no regimento com festejo e satisfação, da qual se fez digno, fechando os ouvidos à intriga e negando até a menor atenção aos seus autores, que logo conheceu com bastante perspicácia. Foi o 4.º e último coronel do regimento; faleceu no posto de brigadeiro em Santa Catarina. 

(48) Capitão João Cardoso Vieira, dito Alexandre José dos Campos, ajudante Manuel José de Mello, tenente José de Oliveira Pais Lemos, dito Manuel Lobo Capristano, alferes Zeferino António de Sousa Coutinho, dito António da Costa Fraga.»


FONTE

Manuel Joaquim de Almeida Coelho, “Memoria Historica do extincto regimento de infantaria de linha da provincia de Santa Catharina, ou informações dos seus serviços mais notáveis e dos motivos e logares onde os prestou, escripta na cidade do Desterro em dias do natal do anno de 1850”, in: Almanak Literário e Estatístico do Rio Grande do Sul (Alfredo Ferreira Rodrigues, org.), 21.º Ano, 1909, Ed. Pinto e Cia., Pelotas-Rio Grande-Porto Alegre. pp. 79-85


SOBRE O AUTOR

Manuel Joaquim de Almeida Coelho nasceu em Desterro, hoje Florianópolis, em 9 de novembro de 1792, filho do brigadeiro Manuel Coelho Rodrigues e Lauriana Joaquina de Almeida Correa. Assentou praça no Regimento de Infantaria de S. Catarina a 11 de novembro de 1808, dois dias após cumprir 16 anos de idade. Participou nas campanhas do Sul, entre 1811 e 1812, e na campanhas de 1816 e 1820. Em 1820, passou ao Regimento de Cavalaria miliciana de Missões, onde foi ajudante, a 12 de outubro de 1821, e capitão, a 24 de novembro de 1825. Foi ainda comandante militar da vila de Porto Belo, em 1841, na sua S. Catarina natal e reformou-se no posto de Major, com o soldo de Capitão de 1.ª Linha, a 31 de maio de 1849. Foi secretário da Câmara Municipal do Desterro de 5 de maio de 1850 a 16 de dezembro de 1864, e deputado à Assembleia Legislativa Provincial, entre 1848 e1849.

Entre as várias obras históricas que produziu sobre S. Catarina, no qual se destaca a Memória Histórica sobre a Província de Santa Catarina (1854) e várias biografias de catarinenses ilustres, escreveu a Memória histórica do extinto regimento de infantaria de linha da província de Santa Catarina (escrito em 1850 e publicado em 1853), de que publico aqui uma extrato relativo às campanhas de 1816 a 1820, nomeadamente o sítio de S. Borja, entre 22 de setembro de 1816 e 3 de outubro de 1816, em que Andrés Artigas, tendo todos os povos das missões orientais sob o seu domínio, tentou tomar também a capital, S. Borja, no que foi impedido pela chegada da coluna do tenente coronel José de Abreu que desfez o sítio e destroçou as forças da Liga de Pueblos Libres.

Nesta obra, que tem por objetivo a recuperação da memória dos feitos do regimento a que pertenceu, que considera ignorados e mal compreendidos, Almeida Coelho descreve a história do regimento desde a sua fundação em 1739 à sua extinção em 1832. Para lá do óbvio valor histórico que muito beneficiou do acesso do autor a fontes primárias, a mesma reveste-se também de um investimento pessoal na medida em que o período das campanhas de 1811/12 e de 1816/20 o viram como participante, transparecendo isso num cruzamento de outras fontes e o seu texto, assim como um conjunto de conhecimento que só poderia ter sido adquirido, em boa verdade, se Almeida Coelho tivesse presenciado muitos dos factos.

BIBLIOGRAFIA

Piazza, W. F. (2011). Almeida Coelho e sua contribuição historiográfica. ÁGORA: Arquivologia Em Debate, 5(9), 5–11.

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- Ação do Passos de Japejú e de Santa Maria (21 de setembro de 1816): 

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