domingo, 23 de julho de 2017

Bem Vindo aos Voluntários Reais

No final de 1814 foi mandada aprontar uma divisão de voluntários, a ser composta de pouco menos de 5000 militares das três armas, com o objetivo de intervir no sul do Brasil. Este blogue é uma humilde contribuição para o conhecimento da história da Divisão de Voluntários Reais do Príncipe, e depois d'El-Rei, entre 1815 e 1824. A campanha de 1816 foi, no entanto, um esforço conjunto de mais unidades do Exército do Brasil num teatro de operações que ia desde a costa atlântica à costa do rio Uruguai, com quatro colunas distintas.

AS BATALHAS: As ações, sítios e batalhas da campanha, com ligação aos artigos disponíveis sobre elas, com ênfase forte nos memorialistas.
AS BIOGRAFIAS: Em constante atualização, aqui pode encontrar ligações à biografia de alguns dos militares, portugueses e federais.
OS MOMENTOS: Os artigos sobre momentos que não envolvem combate.
Os VOLUNTÁRIOS: Listas e caracterização dos militares da Divisão dos Voluntários Reais.

Editor e rato de biblioteca: Jorge Quinta-Nova [mail]

sábado, 22 de julho de 2017

Carta do Conde de Viana acerca dos eventos navais entre os dias 18 e 20 de Janeiro de 1817


Carta do Capitão de Mar e Guerra D. João Manuel de Meneses, 1.º conde de Viana, comandante da divisão naval de apoio à Divisão dos Voluntários Reais, a D. António Araújo de Azevedo, conde da Barca, Secretário de Estado dos Negócios do Reino, acerca dos eventos em torno da ocupação da praça de Montevidéu, entre 18 e 20 de Janeiro de 1817.

Illmo e Exmo Senhor

Tenho o gosto de anunciar a V. Excelência a entrega da Praça de Montevideu ao domínio de Sua Majestade no dia 20 deste mês, entrando o nosso Exercito na Cidade ao mesmo tempo q. entrava a Esquadra dentro do Porto, os habitantes da Cidade se acham no maior contentamento de se verem debaixo da Proteção de S. M., e livres da opressão em que há tanto tempo viviam; as Tropas inimigas evacuarão a Praça no dia 18, logo que a Esquadra fundeou em linha defronte da Cidade; no dia 19 me aproximei do Porto quanto pude com toda a Esquadra, ameaçando ataca-la, imediatamente se arvorou na Cidade a bandeira branca, dirigindo-se a meu bordo hum escaler, com uma deputação do Cabildo, trazendo-me uma carta do mesmo Cabildo, à qual respondi como V. Excelência verá pelas copias que remeto ao Sr. Marquês de Aguiar, tratando com a referida deputação o entrar com a Esquadra no dia seguinte, e tomar posse da Cidade debaixo do domínio de S. M., arvorando-se nos fortes a Bandeira Portuguesa, nesse mesmo dia fiz fundear dentro do Porto as Escunas Maria Teresa, e Tártara para evitar a saída de quatro embarcações, que se achavam carregadas de Pólvora, e apetrechos de guerra com destino ao Uruguai, no dia 20 pela manhã me fiz à vela com toda a Esquadra para dentro do Porto, tendo 200 homens da Brigada Real da Marinha, prontos a desembarcar para tomar posse da Cidade, ao momento em que vi aparecer à vista da Praça o nosso Exercito, por cuja rezão sustive o desembarque da tropa na Cidade, mandando tomar posse do Forte da Ilha das Ratas, e das quatro embarcações pertencentes ao inimigo, que se achavam carregadas com 450 barris de pólvora, e muitos apetrechos de guerra, os habitantes não podem estar mais satisfeitos, e o que desejam é serem para sempre, vassalos de Sua Majestade, à exceção de alguns europeus que muito lhe custou verem arvorar a Bandeira Portuguesa. 

De Buenos Aires tenho noticias até ao dia 18, e ao Sr. Marquês de Aguiar remeto todas as Gazetas, pelas quais V. Excelência verá a desordem em que se acha aquele Governo, tendo sido batidos os dois Exércitos de Mendonça, e do Peru, o General [Joaquín de la] Pezuela entrou em Salta no dia 4 deste mês; o Supremo Diretor de Buenos Aires pediu a sua demissão, e dizem que [Manuel] Belgrano vai ocupar aquele lugar, o Supremo Congresso retirou-se de Córdova para Buenos Aires, por se aproximar o Exercito Espanhol: em Buenos Aires reina a maior discórdia, entre o Povo e o Governo, de maneira que tudo está em uma completa desordem; são estas as novidades que tenho a anunciar a V.  Excelência.

1.º Conde de Viana, D. José Manuel de Meneses

Como o principal objeto da minha comissão era a tomada de Montevideu, e esta está concluída, desejarei muito assistir á Aclamação de Sua Majestade, uma vez que o meu serviço nesta comissão se acha acabado, restando somente a tomada da Colónia do Sacramento para onde conto partir em poucos dias, esperando ter a mesma fortuna de subjugar aquele Ponto ao domínio de Sua Majestade, da mesma maneira que todos os mais que se acham já gozando dessa fortuna, restando somente entrarem no Uruguai algumas embarcações pequenas para cooperarem com o nosso Exercito, quando marchar pela margem daquele Rio, e das 4 embarcações que tomámos ao Inimigo, estou armando uma para esse fim. Desejo muito que V. Excelência esteja inteiramente restabelecido, aproveitando esta ocasião de afirmar a V. Excelência a consideração em que tenho a honra de ser. 

Bordo da Corveta Calipso surta em Montevideu, 26 de Janeiro de 1817 
De V. Excelência Amigo muito Obrigado
Conde de Viana

[Ao] Illmo. E Exmo. Sr. Conde da Barca

Fonte
Arquivo Distrital de Braga, Fundo Família Araújo de Azevedo, PT/UM-ADB/FAM/FAA-AAA/G/004267 [imagens 2 a 4]

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http://dvr18151823.blogspot.pt/2017/01/entrada-em-montevideu-20-de-janeiro-de.html

Imagens
- Emeric Essex Vidal, "Monte Video from the Anchorage outside the Harbour.png" (Wikicommons)