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22/06/2021

Fiel, natural e circunstanciada exposição dos acontecimentos da noite de 23 de Junho de 1821 (João Crisóstomo Calado)


Resultado da revolução liberal do ano anterior, 1821 foi um ano de grandes perturbações políticas em todo o império e especialmente no Brasil, que albergou a corte portuguesa até Abril desse ano, após 13 anos de permanência. Ainda que integrado no Exército do Brasil, a Divisão de Voluntários Reais, que ocupava Montevideu (e Colónia do Sacramento) há já 4 anos, era ainda um vasto corpo militar que até o ano anterior estava destacado do Exército de Portugal, com vagas asseguradas no seus respetivos corpos de origem; isso já não acontecia em 1821, apesar das promessas prévias. 

Essa situação incerta, em conjunto com a propagação dos ideais constitucionalistas vindos da metrópole portuguesa, levou a um período de instabilidade e revolta política que afetou fortemente a disciplina e coesão militar da Divisão. 
Com o levantamento de alguns oficiais em 20 de Maio, liderados pelo coronel Claudino Pimentel, que entre outras coisas obrigou o tenente general Carlos Frederico Lecor a jurar previamente a constituição, iniciou-se um período revolucionário, com grande ação dos membros do Conselho Militar e a geral politização de todas as classes. As divisões que resultaram viriam a ter grande influência posteriormente na independência do Brasil, com este processo na recém-criada Província Cisplatina (será declarada formalmente a 31 de Julho de 1821) a assemelhar-se mais a uma guerra civil que propriamente uma independência modelo.

O texto memorialista que transcrevo é um pequeno exemplo das muitas situações que ocorreram neste autêntico período revolucionário em curso e centra-se no levantamento do 2.º Regimento de Infantaria da Divisão na noite de 23 de Junho de 1821. De sua própria volição, o regimento, aquartelado fora da praça de Montevideu, no Seco, um pouco a norte da praia do Buceu, pegou em armas com a inabalável intenção de se dirigir em massa a Montevideu a reclamar direitos.
O texto resulta da versão dos factos pelo coronel João Crisóstomo Calado, comandante do regimento, que tentou controlar a situação, articulando com o capitão general Lecor a melhor forma de resolver a delicada situação. A transcrição foi feita a partir de um manifesto impresso publicado no Rio de Janeiro e que pode ser encontrado no arquivo online Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, da Universidade de São Paulo aqui.

A ortografia foi modernizada, com pequenas notas explicativas, assim como conversão de medidas antigas portuguesas, nomeadamente a toesa, que converti para o sistema métrico em 1,98 m. A acompanhar o texto, publico ainda uma parte do mapa "Planta dos Subúrbios de Monte-Video", referente a Maio de 1826, desenhado por Adolfo António Frederico de Seweloh e com base em levantamento feito pelo coronel Jacinto Desidério Cony, da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro e que pode ser visto aqui. Neste mapa, que pode ser visto em cima, destaquei as localizações que são referidas no texto, para melhor ilustração da geografia.

* * *

Fiel, natural e circunstanciada exposição dos acontecimentos da noite de 23 de Junho de 1821, pela irregular e indiscreta reunião do 2.º Regimento de Infantaria da Divisão de Voluntários Reaes d' El-Rei em seu próprio acantonamento do Seco.

O coronel João Crisóstomo Calado, chefe deste regimento, aliás tão benemérito pelos seus serviços, e a quem ele não deixou um só instante de prestar todo o desvelo, e cuidados, que lhe prescreviam os seus deveres, e amor de seus próprios soldados, sem dúvida estimaria sepultar no silêncio tal acontecimento, sufocando a perene mágoa que lhe assiste, se este, além de ser tão público, não fosse objeto de transcendência quanto à sua honra , e quanto à disciplina do mesmo regimento, só levado a tal excesso por espírito de vertigem imprevisto, fruto das circunstâncias azedadas por quotidianos sofrimentos: eis a razão porque aparece à luz pública a presente exposição, que desfazendo ilusórios boatos, fará brilhar a verdade , mostrará com clara luz o erro, e falta; porém porá em seguro a honra do mesmo coronel, e removendo calúnias, que se possam atribuir ao seu Regimento, ou por ignorância do facto, ou por má tenção, não deixará em menos preço o conceito militar, de que é digno tal corpo.
    Não sendo por tanto o seu fim senão narrar a verdade, se limitará ao acontecimento, sem levantar o véu, que poderia sendo rasgado, descobrir estranhos motivos, e dar margem a dissensões sempre perniciosas, e de que he alheio o seu caráter, e sistema; assim, só apontará as reflexões devidas, e que se achem implícitas na sua exposição, protestando, do modo o mais sagrado, não ser da sua mente querer ofender a pessoa alguma, mas sim só pugnar por si, e pelo seu regimento, como lhe cumpre.

Aconteceu que, pelas sete horas e meia da tarde [1930h] do mesmo dia 23, tratando o referido coronel de diferentes objetos de policia para o seu regimento com o ajudante José Joaquim do Amaral, em virtude de certas participações, e reflexões, fez o coronel chamar o capitão do estado maior, a quem recomendou nova, e expressa exação nas revistas ordenadas no regimento. Pouco depois das oito horas, voltou o mesmo capitão do estado maior, e deu parte que tudo se tinha cumprido, e sem novidade. Após disso se retirou, e havendo-se despedido o ajudante, ficou só o coronel no seu próprio quartel.
    Às nove horas [2100h] pouco mais ou menos, comparece o sargento da 6.ª Companhia Manuel José Lopes, e dá parte que as companhias 3.ª 4.ª 5.ª e 6.ª se achavam armadas, e fora dos quartéis; pouco depois, chega o capitão do estado maior dá a confirmação oficial à mesma parte. O coronel se veste arrebatadamente, e vai apresentar-se ás companhias, alheio inteiramente do que pretendessem por tal desatino; chama os sargentos para avisarem aos senhores oficiais a comparecerem imediatamente; a intimação desta ordem não era precisa em geral, pois já alguns se achavam presentes, clamando pela boa ordem.
    Apenas o coronel é visto, e reconhecido dos soldados, rompem estes gritos: “Meu coronel V[ossa]. S[enhoria]. perdoe, porém nós queremos ir a Montevideu para que se paguem nossos soldos segundo o prometimento, que se nos fez na madrugada do dia 20 de Março: a estas vozes, tendo o coronel respondido que estavam loucos, segundam: “Não estamos, meu coronel, V. S. e os senhores oficiais que queiram, hão de acompanhar-nos: nós não demos parte deste acontecimento a V. S., porque o não queríamos ver em Conselho de Guerra, e a nos todos não nos hão de meter; e os senhores oficiais, assim como nos convidarão na noite de 20 de março, nós os convidamos agora”. Apesar de ser crítico o momento de interpor com firmeza a voz de autoridade, o coronel, fiado na disciplina do seu corpo, e respeito dos soldados, que mostravam amá-lo quer fazer-se obedecer, e dissolver uma reunião, filha do delírio, chama os sargentos, e intima a ordem para que os senhores oficiais sem demora fizessem entrar as companhias no seu dever, e as recolhessem nos quartéis: a 3.ª companhia, dócil à ordem, se encaminha a cumpri-la, porém as outras desgraçadamente se conservam firmes, e não obedecem, Passa então o coronel a tentar os meios da persuasão, e conciliação. Determina aos sargentos que formem as companhias para ele ir falar-lhe a cada uma de por si, o que executa, procurando com razões fazê-los capacitar, que deviam sossegar, obedecer, e entrar nos quartéis, que ele coronel se fazia cargo das suas queixas, e representações, que não era aquela a maneira cordata de as fazerem, anti militar, imprópria, e indigna de tão bons soldados, com todas outras reflexões próprias do assunto: neste momento, de uma das companhias rompem os gritos: “Vamos aos Granadeiros”; de outra: “Meu coronel, V. S. não tem que recear o sucesso, esta deliberação é de toda a Divisão, quando nós chegarmos a Montevideu, teremos as portas abertas, e os nossos camaradas da guarnição á nossa espera, e nós ternos que ir pela artilharia, e cavalaria”. Declarada à geral inteligência, e mostrando-se ser este ato tão premeditado, e serio, reflexiona o coronel que é preciso variar de expediente, sendo inúteis, e infrutíferos os meios já aplicados, e que é forçoso ceder por hum momento à torrente, para depois regular a sua direção; assim grita: “Senhores, iremos onde queiram, porem primeiro quero saber se me obedecem”. Respondem por aclamação: “Sim, senhor, faremos quanto V. S. mandar, porém queremos ir a Montevideu”. Aproveita o coronel esta pausa, e manda ao Ajudante José Joaquim do Amaral que apresentando-se no quartel das duas companhias de Granadeiros que distará 72 Toesas do Seco [c. 143 metros], contivesse a ordem e precaucionasse maior desatino, caso ali já lavrasse o alvoroço; e ordena ao major José António Franco passe rapidamente a Montevideu, e inteire de tudo ao ilustríssimo e excelentíssimo senhor capitão general barão da Laguna [Carlos Frederico Lecor, 1765-1836], o que não tinha antes praticado, por não remeter uma participação de tanto dissabor, em quanto julgava estar ao seu alcance remediar o mal, não sendo tão pouco, a seu ver, acertado que se alvoroçasse Montevideu àquela hora da noite, sem absoluta precisão; pois eram já 11 horas [2300h]; e é certo que o referido major falou a S. excelência às 11 e três quartos [2345h].
    Passa depois o coronel a ponderar aos soldados, que deviam ir em ordem, e levar as bandeiras do regimento: nisto é obedecido de bom grado. Encaminha-se pois ao quartel com duas companhias a executar o que havia proposto, e bem que ali com motivos prolixos e frívolas razões se demorasse meia hora, se conservam era silencio e sossego os soldados. Enfim, dois oficiais tomam as bandeiras, e marchando para a Cidadela se reúnem ali às duas companhias. Postas em formatura, tenta outra vez o coronel persuadir aos soldados quanto era melhor entrarem nos quartéis, e ali esperar que S. excelência o senhor capitão general fosse ouvir as suas representações, que ele como seu Chefe lho prometia, e obrigava a consegui-lo do seu general. Bem entendido o coronel que ainda não era o momento da saudável crise, mas não quis omitir a menor coisa, para descargo do seu dever: assim não lhe foi estranha a resposta do seguinte grito: Não, senhor, queremos ir a Montevideu por nossas pagas”; faz-lhes entender que era impraticável serem pagos daquela maneira, como pensavam, que nem havia dinheiro, nem estava á disposição de S. excelência: resposta: “A Divisão está paga em dia pelo Estado, e o dinheiro deve estar em Montevideu”. E é nesta ocasião que novamente remete outra parte a s. excelência o senhor barão da Laguna pelo ajudante José Joaquim do Amaral rogando-lhe encarecidamente se apressasse a ir encontrar o Regimento: assegurando-lhe ao mesmo tempo que ele Coronel se faria forte a detê-lo em ordem. Outrossim, que sua excelência devia persuadir-se que só a sua presença poderia evitar que o regimento entrasse em Montevideu; onde achando-se de acordo com os outros corpos, poderia promover funestos desacertos, em menos cabo de todo o respeito ás autoridades, em menos preço da honra nacional: que sim sua excelência tomasse na praça as medidas que julgasse a propósito, porém sem demora, ou falência fosse encontrar, e falar ao Regimento. Contudo, podia assegurar a sua excelência que os outros corpos não seriam tocados pelo do seu comando, que este se prestaria respeitoso a receber a pessoa do senhor capitão general; e que finalmente a marcha se fazia pelo caminho do cordão, visto ele a não poder estorvar. Isto era uma hora da noite, e é certo ter o ajudante faltado a sua excelência à uma e meia.
    Tenta depois o coronel mostrar aos soldados o absurdo da sua opinião, e persuasão, porfiam em marchar adiante. Como faltasse a 1.ª companhia, lembra-se este incidente para os fazer demorar; debalde foi, porque respondem: “Já está avisada”. Assim, sem poder evitar, o coronel marcha com as seis companhias para o ponto onde costumava reunir o regimento, quando era mandado vir a Montevideu [1] [Este lugar distará da Cidadella 139 toesas [cerca de 275 metros]. Aí procura entreter o tempo que pode em prolixidades de formaturas, até que se reuniu a l.ª companhia: lembra então que faltam a 2.ª e 8.ª, e que as ia fazer avisar, o que executa pelo capitão da l.ª de Granadeiros Salustiano Severino dos Reis com expressa recomendação para que o major Francisco de Paula Esteves conservando-as formadas o esperasse, fazendo observar toda a possível ordem. Tendo decorrido alguns minutos, se põe o coronel à frente das sete Companhias, e procurando o caminho o mais extenso, se dirige ao quartel da 2.ª e 8.ª companhias, que distará 130 Toesas do lugar aqui citado [c. 257 metros], e com tudo, seria já uma hora e meia, quando se efetuou a incorporação das duas Companhias com o major Esteves, que ali o esperava, conforme a ordem comunicada: a este determina que forme o regimento (*) [Existia este só com nove companhias, porque a 7.ª ainda se achava a bordo da fragata Tétis, tendo só desembarcado duas das 3 que já estavam a bordo para seguirem com o regimento para o Rio de Janeiro.] por ordem de companhias em um largo que fica entre o Campo do Silva; e o Seco (**) [Este sitio distará de Montevideu 2822 toesas. [cerca de 5588 metros] segue pois a marcha em razão dos repetidos clamores dos soldados, que já não era possível rebater: o coronel a efetua por um desfiladeiro, caminho só de escolha para ganhar tempo; e vem colocar o regimento junto do Saladeiro do Pereira, da outra parte do caminho, onde é o quartel de uma companhia do 1.º Regimento de Cavalaria, que felizmente não foi inquietada. Foram tantas as delongas, que só ás duas horas e meia aproximadamente, é que o regimento se formou no citado sítio, que pouco mais ou menos distará 264 toesas do Silva [c. 523 metros].
    Não tinha já o coronel oficial algum, que pudesse dispensar para dirigir a sua excelência o Sr. Barão; e como instava a necessidade, manda o seu próprio criado para pessoalmente vir ter com sua excelência, e instar quisesse apressar-se, pois haviam ultimado os esforços para conter, e demorar a marcha, e resolução do regimento; que ele coronel tinha esgotado todos os recursos para sossegar os Soldados, que ainda ia a tempo de o escutarem com decoro, que a não aproveitar os momentos, era inevitável a entrada em Montevideu o que seria o pior dos males, e a maior desgraça. Chega depois de poucos momentos o ajudante Amaral, tendo já falado com sua excelência em Montevideu, a quem de novo faz marchar na mesma diligencia. Progredia a marcha para os subúrbios da Praça. Porém graças ao delineado estratagema, só às três horas e três quartos [0345h] formou no sitio denominado Tres Cruces, junto á Panadaria de Morales, aquartelamento da artilharia da Divisão, que distará 497 toesas [c. 984 metros] do quartel da 1.ª companhia de cavalaria acima referida, e fica a meio caminho de Montevideu ao Seco.
    Dada a voz de alto, e preenchidas as formalidades usadas, pensa o coronel fazer o último esforço para se opor à aproximação da Praça, que era já o mal eminente. Reverte-se da energia de chefe e lança mão do encanto, que embeleza os corpos filhos da disciplina, quando o chefe é amado e respeitado: “Soldados! Quero e ordeno que aqui se a guarde o senhor capitão general: eu castigarei o primeiro que me desobedeça. A junção com outros corpos não é agradável neste caso um obre como queira, e vós como julga o vosso coronel, que é vosso verdadeiro amigo”. Ficam firmes em coluna, e não replicam. Dá-se ordem para fumarem, e conservarem-se sem rumor, e assim se conservam até depois das quatro horas [0400h] em perfeita docilidade. Era muito para delicadas circunstâncias, e o mais que podia conseguir qualquer Chefe depois dos primeiros sucessos.
    Seriam quatro e um quarto [0415h], quando chega o secretário militar, o coronel Miguel António Flangini. Em razão da névoa e escuro, é equivocado com o senhor barão da Laguna, e o coronel dá a voz de sentido que é obedecida como voz de comando em parada. Conhecida porém dos soldados a equivocação rompem de novo os gritos: “Vamos a Montevideu; sua excelência não vem aqui”. Dá-se a voz de silêncio, e então o coronel Flangini declara aos soldados, que o senhor capitão general tinha já sabido da Praça pelo portão novo, que estava em caminho, e que necessariamente se tinha desencontrado. Esta fala é escutada com respeito, e decoro; porém clamam logo adiante. Toma então o coronel a frente do regimento, e com firmeza, e inteira resolução faz entender que castigaria o primeiro que falasse, e em segunda manda ao capitão da 2.ª companhia, António José de Carvalho, que se adiantasse da coluna a esperar a sua excelência, para o acompanhar, e dirigir ao lugar, onde o Regimento tinha feito alto. Chega finalmente sua excelência o senhor capitão general. Tudo se conserva firme em coluna como estavam, e guardam silêncio.
    Determina sua excelência, que saiam os primeiros sargentos, e 1 soldado por companhia a falar-lhe. Os Soldados trepidam, receiam sair fora da formatura: nenhum quer fazer cabeça na representação. Em virtude disto, o coronel dá a voz, que saiam os soldados da direita das companhias. É obedecido, e vem apresentar-se a sua excelência que lhes faz a interrogação acerca do que querem os seus camaradas: respondem que querem os seus pagamentos. Um dos sargentos se excede em menos preço do respeito devido a sua excelência, referindo com aspereza, e sem comedimento injustiças sofridas em promoções, falta de soldos, e outras queixas, que sendo proferidas de modo indevido, o coronel toma o arbítrio de o mandar calar, o que não tinha praticado imediatamente, em atenção a estar perante o Sr. capitão general, que o escutava, e a quem se dirigia; mas não era lícito tolerar desatinos a infinito sem os estorvar.
    Em circunstâncias tais, julga o coronel dever satisfazer a todo o o corpo, e pede a sua Ex.ª queira entrar na coluna, a fim de que todos os Soldados pudessem ouvir, o que tivesse a dizer-lhes. Manda abrir intervalos, e pôr as armas ao ombro, o que é executado, como se fora em parada regular. Passa sua excelência ao centro da coluna, e pergunta aos Soldados de que se queixavam, e convida-os a que falem. Repetem as queixas de faltas de soldos, e acrescentam que em outras capitanias se havia dado uma gratificação à Tropa, e que nesta pelo contrário, tendo-se-lhe prometido pagar, nem isso tinham obtido. Que tinham muito frio, que estavam sem mantas, e vivendo em um quartel sem tarimbas, e deitados pelos chão muito húmido, o que era mui penoso e prejudicial à saúde, que não podiam resistir ao desarranjo, em que viviam com metade de um pão (*) [Como recebiam um dia pão, e outro farinha, por isso contam meio pão por dia.] por dia, e péssima ração de carne, por ser tão magra, se apegava ás paredes, que os trapos com que se cobriam, e esteiras em que dormiam, as tinham destruído em que consequência de embarcarem para o Rio de Janeiro, como se tinha feito publico por ordem, não se tendo efectuado, por sua Ex.ª o estorvar, apesar de já estarem embarcadas três companhias; que eles estavam prontos a servir em qualquer parte que os mandassem, porém queriam a sua paga.
    Tendo-os sua Ex.ª escutado urbanamente, passa a animá-los, e persuadi-los, que o não terem ido para o Rio, fora em razão de terem chegado novas disposições, e contra ordem para assim o executar, que se lhe havia de pagar, que estivessem contentes, que àqueles, que aqui quisessem continuar o serviço, se lhe dariam hortas aos casados e por fim procura sua excelência fazer-lhes ver, que em alguns pontos das suas queixas havia dificuldades, que ele não podia remover, e que era absurda a desconfiança, em que estavam a seu respeito; que ele contava, como era de esperar, fossem sempre dignos soldados, e que merecessem o agradecimento da nação, como tinham merecido até ao presente. Replicam que queriam ser pagos por letras bem como os oficiais. Segue sua excelência dizendo-lhes, que os oficiais se sujeitavam a um alto rebate, que eles o não podiam sofrer, nem ele general passar letras de pequenas quantias. Estando a romper a alva (**) [Seriam aproximadamente cinco horas e um quarto [0515h].] e havendo já concorrência de povo na estrada, roga o coronel a sua excelência queira retirar-se, ao que anui, e seguindo para a Praça, marcha o coronel, com regimento para o seu acantonamento, acompanhando-o o coronel Flangini, no maior sossego, e na melhor ordem, chega às 6 horas, e recolhem-se as companhias nos seus respetivos quartéis sem a menor novidade.
Á vista deste relatório tão verdadeiro, como exato, seria escusado nada adicionar, mas o coronel julga de justiça ajuntar algumas reflexões, que o mesmo objeto parece apontar. É bem certa, e clara a falta, que este Regimento cometeu, mas que moral, disciplina militar não é preciso haver em seu corpo para retrogradar do seu delirante desacerto, e parar depois dos primeiros passos! É mais fácil conservar sucessiva e pacífica ordem, do que fazer reviver a ordem quebrantada. Lisonjeia ver triunfar o respeito, e a subordinação mesmo a par do erro, e mostrar-se este corpo digno mesmo na sua falta. É nas circunstâncias difíceis que se prova o verdadeiro espírito, e conceito de um corpo. O perigo apura o merecimento; nisto se prova quanto pode a boa educação militar com bons soldados; e é de esperar que este acontecimento não seja mais que ligeira nuvem nos belos dias da sua existência militar.
    Cumpre igualmente não deixar em silencio que o seu coronel tinha já repetidas vezes dirigido representações tocantes aos sofrimentos dos soldados, e bem que algumas não pudessem ter pronta solução, ignora a fatalidade porque outras não foram escutadas em tempo oportuno, como o foram imediatamente depois deste triste facto. Longe da sua ideia querer por tais reflexões disfarçar a gravidade em si de tal procedimento no seu regimento; mas é justo que a verdade apareça e que se pese o bem e o mal. Desta maneira julga ter praticado e satisfeito ao que se tinha proposto. Montevideu, o l.° de Novembro do ano de 1821.

João Crisóstomo Calado

RIO DE JANEIRO NA TYPOGRAPHIA NACIONAL.

***

Pouco menos de um mês depois, o general Carlos Frederico Lecor publica uma ordem do dia em que se refere expressamente aos acontecimentos de 23 de Junho:


Quartel General de Montevideu, 20 de Julho de 1821

Ordem do Dia

O capitão general, comandante em chefe, ao mesmo tempo que desaprova a conduta que mostrou inconsideradamente o 2.º Regimento de Infantaria da Divisão dos Voluntário Reais d'El-Rei, na noite do dia 23 do mês próximo passado, escolhendo o modo menos militar, e mais incompetente, para lhe fazer as suas representações quando, sem ordem, saiu dos seus quartéis e resolveu assim causar-lhe o sentimento mais estranhável, tem a satisfação que é possível no meio de um sucesso tão fatal, considerando que a deliberação dos soldados em pedirem naquela ocasião os seus oficiais, e as suas bandeiras, a atenção ao que se lhes disse, e o sossego e harmonia com que voltaram para o seu acantonamento, parece provar que o seu momentâneo desvio da primeira lei dos exércitos não foi ação voluntária deles, mas sim obra de um alento sedutor que se agitou para os alucinar.

O comandante em chefe quer persuadir-se de que os filhos de um povo constante e generoso, e eles os mesmos que deram às nações admiradas, no abandono das suas casas, dos seus haveres, e de tudo o que mais anima os homens na vida, para cumprirem as ordens do seu governo, o maior exemplo de patriotismo, de obediência, e de resignação, que os anais do mundo apresentaram e que a história cuidadosamente recomendará à posteridade mais remota, para que lá mesmo seja famoso; as tropas que no espaço de seis campanhas combateram na Europa com vantagem, porque o fizeram com honra e subordinação; os soldados a quem a vitória acompanha desde os campos da Roliça, até às margens do Garona, onde a paz desejada mandou fazer alto aos seus brios, aqueles finalmente que na América sustentaram  em quatro campanha o crédito merecido porque foram valentes, humanos e disciplinados, não podiam aventurar-se a um passo que é contrário aos seus deveres, à sua reputação e aos seus interesses, e que seus veneráveis pais, encanecidos na prática da virtude, hão de saber com a dor mais intensa, por ser diametralmente oposto à boa educação que lhes deram, sem que a eles enganosamente os arrastasse mão insidiosa, malévola e estranha, invejosa da glória deles, adversa ao bom nome português e declarada inimiga da felicidade desta província, e dos seus dignos e beneméritos habitantes.

Ainda assim sendo, o proceder do 2.º Regimento, naquele repente vertiginoso, não é escusável, porque mal se parece a debilidade e ligeireza com que os soldados então faltaram à sua obrigação, com a fortaleza e reflexão de quem tantas vezes viu inalteradamente a morte no meios dos combates.

O comandante em chefe, na impossibilidade de que os acontecimentos passados deixem de ter existido, deseja ao menos que o poder eterno apague na memória das gentes a recordação da parte da noite de 23, e lavar, à força de bom comportamento, a nódoa que tanto o afronta, para que não vá escurecer com uma nuvem negra e ominosa os claros e gloriosos dias da pátria, e para que modere, ou inteiramente satisfaça, e desarme a justa indignação, com que ela há de castigar os ultrajes que fazem ao seu decoro e dignidade os que violam o respeito e obediência das leis.

Barão da Laguna


06/02/2017

Relação de Praças que devem receber Cruz de Condecoração (1821)


RELAÇÃO DAS PRAÇAS DA DIVISÃO DE VOLUNTÁRIOS REAIS QUE DEVEM RECEBER CRUZ DE CONDECORAÇÃO N.º 3 (1821)


A “Relação das praças da Divisão de Voluntários Reais que devem receber cruz de condecoração” pode ser encontrada no Arquivo Histórico Militar, nas cotas AHM-DIV-1-14-313-13 e AHM-DIV-1-14-311-06. Apesar de esta relação ter sido feita em 1821, em 1823 os militares ainda não haviam recebido as cruzes.
Originalmente, os nomes foram registados pelos respetivos corpos de origem e depois compilados no que respeita aos militares que estavam na América. Tanto quanto possível, modernizámos a ortografia.


Leia mais sobre 

512 nomes no total
Infantaria: 177; Caçadores: 153, Cavalaria: 160; Artilharia: 21 + Artífices-Condutores: 1


Regimento de Infantaria n.º 1 (5)
Cabo José Marques da Rosa
Anspeçada João Soares
Soldado Tomás Duarte
Soldado António Fortunato
Soldado João Simões Maia

Regimento de Infantaria n.º 2 (14)
1.º Sargento José de Jesus Vila Nova
2.º Sargento José João Teixeira
2.º Sargento José Pedro de Magalhães
2.º Sargento José de Oliveira Guimarães
Cabo Manuel de Jesus
Soldado Francisco Martins
Soldado Manuel do Nascimento (1.º)
Soldado Francisco Malveiro
Soldado Silvestre Duarte
Soldado António Lourenço
Soldado António da Silva
Soldado José Rodrigues Captivo
Soldado Mateus Guerreiro
Soldado Inácio Gonçalves (1.º)

Regimento de Infantaria n.º 3 (10)
Anspeçada João Gonçalves
Soldado Francisco Pinto Moreira
Soldado Francisco Miguéis
Soldado José António
Soldado Jacinto Nunes
Soldado Francisco José 
Soldado José da Costa
Soldado António Esteves
Soldado João Francisco Brazila
Soldado Manuel Lapa

Regimento de Infantaria n.º 4 (12)
Alferes António do Vale Salazar e Sousa
Alferes António Inácio da Veiga 
1.º Sargento João António Perim
2.º Sargento António da Silva
2.º Sargento António Lino Ferreira
Anspeçada Francisco Rodrigues
Anspeçada Joaquim Procópio
Soldado Manuel da Silva
Soldado Luís Maria
Soldado João da Silva (2.º)
Soldado Germano José
Soldado Vicente Ferreira (2.º)

Regimento de Infantaria n.º 5 (9)
1.º Sargento Diogo José Mendes
2.º Sargento Manuel José de Castro
Cabo António Picheira
Soldado Pedro de Jesus
Soldado António de Carvalho
Soldado Luís Mestre
Soldado Manuel Duarte
Soldado Manuel dos Santos
Soldado José Estrela

Regimento de Infantaria n.º 6 (5)
2.º Sargento José Maria Dinis
Furriel Manuel Teles Domingues
Anspeçada João António da Silva
Soldado Agostinho Pereira
Soldado Joaquim Jorge Arrifana

Regimento de Infantaria n.º 7 (12)
Alferes António de Moura e Brito
1.º Sargento Francisco da Sousa Ferreira
2.º Sargento Manuel Carneiro da Costa
2.º Sargento José Tomás da Rosa
2.º Sargento Joaquim Teles Franco
Anspeçada Felisberto da Silva
Soldado José Francisco Maria
Soldado Jacinto Bettes
Soldado António José Rodrigues
Soldado Manuel Duas Murujo
Soldado João António Luís
Soldado José Gomes de Mira

Regimento de Infantaria n.º 8 (6)
Sargento Ajudante João de Matos Colreir
2.º Sargento João Crisóstomo
Soldado José António
Soldado António Nunes
Soldado Manuel José
Soldado António da Rocha

Regimento de Infantaria n.º 9 (9)
Alferes Caetano José Viana
Alferes Joaquim José Bandeira
Sargento (?) Manuel António da Silva
Sargento (?) Joaquim José Lobo
Soldado António José de Melo
Soldado Domninsgos Martins do Mosteiro
Soldado Francisco José da Costa
Soldado Manuel José de Araújo
Soldado Manuel José Rodrigues

Regimento de Infantaria n.º 10 (8)
Alferes Joaquim da Fonseca e Costa
Alferes Rodrigo de Sá Valente
Alferes Luís Xavier Valente
2.º Sargento Carlos Simões
Soldado Joaquim José Antunes
Soldado José de Oliveira
Soldado José Francisco Encarnação
Soldado Joaquim Pereira

Regimento de Infantaria n.º 11 (10)
Sargento Ajudante José Joaquim do Amaral
Cabo Álvaro José
Soldado António Lopes Tiomil
Soldado Luís Marques
Soldado Luís da Fonseca
Soldado Inácio da Cruz
Soldado Joaquim de Loureiro Samixa
Soldado António Gomes Tondela
Soldado José Correia Outeiro
Soldado Francisco Rodrigues Bajos

Regimento de Infantaria n.º 12 (10)
Furriel Joaquim de Almeida
Cabo José Joaquim
Soldado João Baptista
Soldado Luís Manuel
Soldado Domingos José
Soldado João Manuel
Soldado José Teixeira
Soldado Anselmo dos Ramos
Soldado José da Silva
Tambor Joaquim José

Regimento de Infantaria n.º 13 (1)
Alferes Joaquim José Pereira

Regimento de Infantaria n.º 14 (3)
Anspeçada Lourenço Fernandes
Soldado Manuel Rico
Soldado Manuel Gonçalves

Regimento de Infantaria n.º 15 (13)
Alferes António Mendes Belo
1.º Sargento Félix Paulo de Carvalho
Cabo José dos Remédios
Cabo Joaquim José
Soldado Francisco de Lemos
Soldado Luís Correia
Soldado Gaspar Ribeiro
Soldado Jacinto Ramos
Soldado João Rato
Soldado Faustino dos Santos
Soldado José de Figueiredo
Soldado António Carranço
Soldado António da Cunha

Regimento de Infantaria n.º 16 (5)
Alferes António José de Araújo
Sargento Ajudante António de Araújo e Silva
2.º Sargento Gonçalo José de Brito
2.º Sargento Gregório Joaquim
Anspeçada Luís Alberto

Regimento de Infantaria n.º 17 (4)
Alferes (Agregado) Francisco Esteves de Figueiredo
Furriel Domingos Joaquim de Santana
Soldado Venâncio José
Soldado José Soares de Campos

Regimento de Infantaria n.º 18 (8)
Alferes José Joaquim Antunes
2.º Sargento Manuel Pinto
Cabo Luís de Oliveira Gomes
Anspeçada Rodrigo da Silva
Soldado Manuel de Oliveira
Soldado Francisco José
Soldado Fernando Moreira
Soldado Manuel Ferreira Tomás

Regimento de Infantaria n.º 19 (6)
Soldado Manuel da Silva Correia
Soldado Alexandre José da Cruz
Soldado Luís Francisco Leiria
Soldado José António
Soldado Joaquim Francisco Teixeira
Soldado António José Bibar

Regimento de Infantaria n.º 20 (2)
Alferes João de Sousa 
2.º Sargento Francisco Baptista

Regimento de Infantaria n.º 21 (7)
2.º Sargento António Joaquim da Cunha
Soldado José Maria
Soldado Manuel José da Costa
Soldado Manuel José Parente
Soldado João Joaquim
Soldado Caetano José Esteves
Tambor Ventura José

Regimento de Infantaria n.º 22 (12)
Cabo José Rufino
Soldado João Francisco Enjeitado
Soldado Manuel José Sequeira
Soldado Manuel Simões
Soldado Anselmo da Silva
Soldado Severino José da Silva
Soldado Joaquim José Nogueira
Soldado António da Costa
Soldado José António Marujo
Soldado Manuel Pimentel
Soldado Manuel Joaquim
Soldado João da Silveira

Regimento de Infantaria n.º 23 (2)
2.º Sargento João Lourenço Almeida
Soldado José Rodrigues Aveleiras

Regimento de Infantaria n.º 24 (9)
2.º Sargento Sebastião de Figueiredo
Soldado João António
Soldado Francisco Manuel
Soldado Francisco da Costa
Soldado Manuel Lopes
Soldado Caetano Martins
Soldado António Rebelo
Soldado Félix Preto
Soldado Tomé Vaz


* * *

Batalhão de Caçadores n.º 1 (10)
Alferes Gregório José dos Santos
1.º Sargento Manuel Mendes
2.º Sargento António da Cunha e Paiva
Soldado João Baptista Bogalho
Soldado José dos Santos Ladeira
Soldado Manuel Joaquim de Oliveira
Soldado António Lopes
Soldado João dos Santos
Soldado João Fernandes Rato
Soldado José Joaquim Charnim

Batalhão de Caçadores n.º 2
(não há menção)

Batalhão de Caçadores n.º 3 (17)
Alferes Luís Pinto
Alferes António Joaquim Pacheco
Sargento (?) Luís de Mansilha
Soldado António Teixeira
Soldado António Alexandrino
Soldado José Joaquim
Soldado João Pereira
Soldado Rodrigo José
Soldado Chrisante Martins
Soldado José Maria
Soldado Francisco Xavier
Soldado Luís de Carvalho
Soldado Jerónimo José
Soldado Manuel (?)
Soldado José Geraldo
Soldado Manuel Alves
Soldado António José

Batalhão de Caçadores n.º 4 (18)
Alferes José da Cruz de Freitas
1.º Sargento José Pedro de Almeida
2.º Sargento Joaquim José de Magalhães
2.º Sargento João Correia
2.º Sargento Jerónimo Osório
Anspeçada António Cardoso
Anspeçada Manuel Dias
Soldado Luís Cardoso
Soldado José Marques
Soldado Simão Bernardo
Soldado João de Deus
Soldado Francisco dos Santos
Soldado Gerardo Rabasquinho
Soldado António José (2.º)
Soldado Manuel Vaz
Soldado João Pereira
Soldado João da Fonseca
Soldado Cipriano de Carvalho

Batalhão de Caçadores n.º 5 (22)
Alferes Manuel José
Alferes José António Furtado
1.º Sargento Simão Rodrigues Alves
2.º Sargento Francisco Pires
2.º Sargento Manuel Luís
Furriel Joaquim Lopes
Cabo António Manuel
Anspeçada José Correia
Anspeçada Francisco José
Soldado Joaquim José Faro
Soldado José Aparício
Soldado José Alves
Soldado João de Oliveira
Soldado Carlos Guedes
Soldado António Simão
Soldado Manuel Gonçalves
Soldado José Marcelino
Soldado João Baptista Graça
Soldado Francisco Alves Martins
Soldado Ângelo José
Corneta João Nunes
Corneta António Vicente

Batalhão de Caçadores n.º 6 (18)
Ajudante José Anastácio Monteiro
Quartel Mestre José António Fernandes
1.º Sargento Francisco Rodrigues
2.º Sargento Manuel Pinto
2.º Sargento António Francisco Ferreira
Soldado Luís da Silva
Soldado Luís José
Soldado José Rodrigues
Soldado José Manuel Barbosa
Soldado João da Silva
Soldado José António Andrães
Soldado António Rodrigues
Soldado Manuel António Sernancelhe
Soldado Alexandre Vieira
Soldado Manuel de Almeida
Soldado Manuel José Ferreira
Soldado Manuel António da Costa
Corneta José de Oliveira

Batalhão de Caçadores n.º 7 (10)
Alferes António José Moreira
Soldado José Maria Pereira
Soldado José Maria (1.º)
Soldado Joaquim José da Silva
Soldado António José da Silva
Soldado José Domingues
Soldado José Joaquim
Soldado Manuel José Guedes
Soldado José Marques
Soldado Joaquim José Barbosa

Batalhão de Caçadores n.º 8 (11)
Alferes António Ezequiel Cabrita
1.º Sargento José Pedro de Araújo
1.º Sargento João Monteiro Lacerda
Cabo Caetano Cardoso
Cabo Alexandre Soares
Cabo Manuel Neves
Soldado José Conde
Soldado Francisco José (2.º)
Soldado Francisco Calvão
Soldado José Duarte
Soldado António José dos Santos

Batalhão de Caçadores n.º 9 (2)
Alferes José Marques Salgueiral
Alferes António Mariz Carneiro

Batalhão de Caçadores n.º 10 (21)
Alferes José Vieira Dias
Furriel António do Amaral
Cabo António Coelho de Oliveira
Anspeçada José Manuel
Soldado Manuel Moreira Vilela
Soldado Manuel José (1.º)
Soldado José de Sousa
Soldado António Joaquim de Azevedo
Soldado Manuel Landim
Soldado Manuel Teixeira
Soldado Custódio da Silva
Soldado José Vicente
Soldado Luís António
Soldado José Fernandes dos Santos
Soldado Francisco Inácio Moutinho
Soldado António Monteiro
Soldado Manuel António
Soldado Domingos Francisco de Matos
Soldado António de Almeida
Soldado Manuel José Ferreira
Soldado Martinho Pinto

Batalhão de Caçadores n.º 11 (15)
Alferes Manuel Joaquim Maria
2.º Sargento Custódio José de Freitas
Cabo José Francisco dos Santos
Cabo Manuel Ribeiro Braga
Cabo João de Oliveira e Silva
Anspeçada Francisco José da Costa (2.º)
Soldado António da Silva (1.º)
Soldado Joaquim Ferreira
Soldado José da Costa (2.º)
Soldado Manuel José de Carvalho
Soldado Manuel Pinto
Soldado António José Gonçalves
Soldado José Ferreira
Soldado José da Costa Olmieira
Coronheiro João António Vasconcelos

Batalhão de Caçadores n.º 12 (9)
Furriel Paulo Joaquim de Sousa
Sargento Fernando António de Freiria
Sargento António Maria de Sousa
Soldado António Martins
Soldado José da Silva
Soldado José Joaquim Exposto
Soldado Manuel José Rodrigues
Tenente Manuel Eleutério
Alferes Manuel António de Fonseca


* * *

Regimento de Cavalaria n.º 1 (15)
Alferes Sebastião Rodrigues
Quartel Mestre Francisco Nunes do Amaral
1.º Sargento António José da Fonseca
1.º Sargento Francisco José da Mata
2.º Sargento Alberto Camanho
Cabo Teodorico de Jesus
Cabo José Gameiro
Anspeçada José Ferreira
Soldado Manuel Garcia
Soldado Miguel António
Soldado Manuel João Duarte
Soldado João Afonso
Soldado Joaquim da Fonseca
Soldado Manuel Baptista
Soldado António Fernandes

Regimento de Cavalaria n.º 2 (4)
Soldado João da Rosa
Soldado António Ramos
Soldado António Mestre
Soldado Francisco da Silva

Regimento de Cavalaria n.º 3 (1)
Furriel Joaquim das Dores

Regimento de Cavalaria n.º 4 (14)
Tenente João Baptista de Oliveira
Sargento (?) Cláudio José Dias
Sargento (?) João Tavares
Sargento (?) João Bento de Campos
Sargento (?) José Fiel
Cabo José Maria da Silva
Soldado Joaquim Simões
Soldado João Francisco
Soldado José Maria
Soldado Patrício José
Soldado Ezequiel António
Soldado António Francisco
Soldado Gerardo Fernando
Soldado Severiano Nunes

Regimento de Cavalaria n.º 5 (8)
1.º Sargento José Maria Venâncio
1.º Sargento António Gonçalves Galvão
Anspeçada José Vicente
Soldado António José da Silva
Soldado Duarte Ferreira
Soldado João António Crespo
Soldado João António Martins
Soldado Clemente Ribeiro

Regimento de Cavalaria n.º 6 (7)
Cabo Joaquim Teixeira
Soldado João André
Soldado João dos Santos
Soldado Domingos Adão
Soldado João Manuel
Soldado José Luís
Soldado João Dias

Regimento de Cavalaria n.º 7 (40)
Alferes José de Mendonça
Sargento (?) Manuel Gomes
Sargento (?) José Francisco
Furriel Gregório Joaquim
Cabo Joaquim da Costa
Cabo Manuel da Costa
Soldado Manuel António
Anspeçada Domingos José Afonso
Anspeçada Francisco Silveira
Anspeçada Francisco Velez
Soldado Luís Duarte
Soldado António Gonçalves
Soldado António Luís
Soldado Sancho Pinto
Soldado Pedro Gaspar
Soldado José Maria
Soldado João Fernandes
Soldado Joaquim Manuel
Soldado Gabriel Gonçalves
Soldado José António
Soldado João Dias
Soldado Miguel José
Soldado Teotónio José
Soldado Manuel Lopes
Soldado António Mendes
Soldado Manuel Cordeiro
Soldado António da Silva
Soldado Francisco Monteiro
Soldado António Rodrigues
Soldado João José
Soldado Francisco Montez
Soldado José António Cardoso
Soldado Joaquim Frazão
Soldado Bernardo Dias
Soldado José Pereira
Soldado José António
Soldado Manuel Luís
Soldado Joaquim António
Soldado Rafael António
Soldado José Rodrigues

Regimento de Cavalaria n.º 8 (30)
Sargento (?) Guilherme Veríssimo
Sargento (?) Luís António Bugalho
Cabo João da Rosa Dias
Cabo Francisco de Couto
Cabo José Vicente
Anspeçada Miguel António
Anspeçada António Baião
Soldado Domingos Lourenço
Soldado Pedro Lourenço
Soldado Joaquim de Sá
Soldado José da Palma
Soldado Joaquim Feliciano
Soldado João Martins
Soldado José António
Soldado José Manuel
Soldado José Maria
Soldado Joaquim Fernandes
Soldado Manuel José Marques
Soldado Pedro Lourenço
Soldado Domingos
Soldado José da Silva Panasco
Soldado José Loureiro
Soldado João do Rego
Soldado António Rodrigues Lobos
Soldado António José Guerra
Soldado António Gomes
Soldado António Franco
Soldado Francisco Ribeiro
Soldado João Soares
Trombeta José António Marcelino

Regimento de Cavalaria n.º 9 (7)
Furriel Inácio José Calvão
Furriel José António Mainarte
Cabo José António da Guerra
Cabo Constantino António
Soldado Bernardo Luís
Soldado João José
Soldado João Gaspar

Regimento de Cavalaria n.º 10 (18)
1.º Sargento Rodrigo Antunes Moreira
Anspeçada António Rodrigues
Anspeçada José Simões
Soldado Anacleto da Cruz
Soldado António Mendes
Soldado Manuel Coelho
Soldado Luís Ferreira
Soldado Luís Alves
Soldado António Rodrigues
Soldado João Coelho
Soldado Custódio Lourenço
Soldado Manuel Dias
Soldado Manuel Pereira
Soldado José de Figueiredo
Soldado José de Jesus
Soldado Joaquim Francisco
Soldado João Pedroso
Trombeta Jaime de Oliveira

Regimento de Cavalaria n.º 11 (5)
Furriel Luís Robalo
Soldado Manuel Antunes Vilão
Soldado José da Costa
Soldado Domingos Ramos
Soldado Sebastião Gonçalves

Regimento de Cavalaria n.º 12 (11)
1.º Sargento Manuel António Martins
Furriel Manuel Alves
Cabo Cipriano José
Soldado Domingos Afonso
Soldado João Fernandes
Soldado António José
Soldado António Tello
Soldado João Baptista
Soldado Manuel Rodrigues
Soldado Vicente Rodrigues
Trombeta Francisco António


* * *

Regimento de Artilharia n.º 1 (3)
2.º Tenente Faustino António Juvitta
1.º Sargento António dos Santos Belas
2.º Sargento José de Sousa Tavares

Regimento de Artilharia n.º 2 (11)
1.º Sargento Francisco Samuel da Paz
2.º Sargento José Teodoro da Silva
2.º Sargento Teodoro José Alves
Cabo Joaquim Henrique
Soldado Joaquim das Silva
Soldado Joaquim José Rodrigues
Soldado Francisco Martins Carapinha
Soldado Mariano da Ponte
Soldado José Ferreira
Soldado Sebastião José de Carvalho
Soldado Severino de Sousa

Regimento de Artilharia n.º 3
(não há menção)

Regimento de Artilharia n.º 4 (7)
Furriel José Joaquim Pereira
Cabo José Luís de Faria
Cabo Joaquim Inácio de Macedo
Soldado José de Oliveira
Soldado João Francisco
Soldado Manuel José da Costa
Soldado José António de Almeida

Companhias  de Artilheiros Condutores (1)
Soldado José de Melo