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01/08/2025

Carta Régia a D. Álvaro da Costa (21 de julho de 1823)

[O rei D. João VI ordena a retiradas das forças portuguesas da Cisplatina]

«D. Alvaro da Costa de Sousa Macedo, Commandante das Forças em Monte Video, ou na sua falta quem suas vezes fizer: Eu El Rei vos envio muito saudar: Havendo encarregado o Conde de Rio Maior, e o Desembargador Francisco José Vieira de passarem á Corte do Rio de Janeiro, com a importante comissão de junto do meu sobre todos muito amado e Prezado Filho Primogenito D. Pedro de Alcantara tratarem de restabelecer a harmonia, evitando se a desintelligencia que infelizmente tinham suscitado as pérfidas violências da Facção que insidiciosamente se havia levantado nestes Reinos, e que em todas as suas sinistras maquinações só tinha por objecto a perda de toda a Monarchia Portugueza em geral. Fui outro sim servido authorizallos para igualmente alli tratarem dos arranjos necessários para a evacuação das Forças de Mar e Terra que se acham nessa Praça e Banda Oriental do Rio da Prata; e de tudo o mais quanto for adequado para que assim devidamente se execute; avisando-vos dos termos em que tiverem convido a semelhante respeito: Portanto ordeno-vos que com a sua participação procedais logo á mencionada evacuação, pois em todo o sobredito, vos devereis inteiramente conformarao que, em meu Real Nome, vos fôr comunicado pelos referidos Commissarios todos, ou por aquelles que sobreviverem, e não forem compreendidos em qualquer legitimo impedimento, que perturbe a algum deles do exercício desta Commissão que a todos Fui servido encarregar, ficando a força que tendes debaixo do vosso comando assim dependente do que eles vos participarem q he do Meu Serviço, e do meu sobre todos muito Amado e Presado Filho Primogenito D. Pedro d’Alcantara. O que tudo assim cumprireis. Escripta no Palacio da bemposta aos vinte e um de Julho de mil oitocentos e vinte e três.

Rey»


Fonte

AHU, ACL, CU 065, Cx. 4, Doc. 217


01/01/2025

Carta Régia aos governadores do Reino (7 de dezembro de 1814)

Governadores do Reino de Portugal e dos Algarves.

Amigos. Eu, o Príncipe Regente vos envio muito saudar, como aqueles que amo e prezo. Achando-se finalmente terminada a custosa luta, em que entrarão as potências aliadas pela salvação, e liberdade da Europa; e devendo hoje esses reinos a sua independência, e segurança ao incomparável valor, e disciplina do Exército, que ora coberto de glória acaba de voltar ao seu país, aonde é de esperar, e muito para desejar, que não se requeira tão cedo o emprego de uma tão considerável força armada. 

Sendo ao mesmo tempo notória, e inegável a urgente necessidade que se apresenta nesta ocasião de pôr o importante continente do Rio Grande de São Pedro a salvo de qualquer insulto, ou intenções hostis da parte dos povos do Rio da Prata, onde posto que exista um governo incerto, e instável; tem contudo no meio das suas dissensões, e divisões de partidos, exercido o desenvolvimento militar, e aumentado por isso mesmo a maça da Força, a ponto que é já muito superior àquela, que regularmente se poderia destinar á defesa daquele continente, a respeito de cujos habitantes não deixaram semelhantemente de empregar tudo que são meios sediciosos; exigindo portanto todas estas considerações que se tornam sem perda de tempo aquelas prudentes medidas de precaução, que sejam conducentes a preservar a integridade, e segurança de uma província, tanto mais interessante, quanto dela depende a subsistência da maior parte das capitanias marítimas deste Estado do Brasil.

Tenho determinado, por todos estes respeitos, que desse Reino se enviem com a maior brevidade possível duas brigadas de caçadores, compostas na conformidade do plano, que com esta mando remeter, a qual tropas se deverá sempre considerar como destacada do Exército desse reino, aonde haverá de voltar logo que cessem os motivos, que ora fazem necessária esta medida, ordenando igualmente que se denominem = Voluntários Reais do Príncipe =, por ser esta a denominação, que julgo mais própria dar-lhes, quando estou certo da boa vontade, e satisfação, com que esta tropa se prestará a embarcar para uma expedição que se dirige a firmar a segurança de uma parte daquela mesma monarquia, por cuja independência arrostou até agora toda a sorte de perigos, e trabalhos; sendo indubitável que por esta minha real resolução ficará consolidada de uma maneira permanente aquela prosperidade, que deve resultar da segurança dos mútuos interesses, e relações entre este Estado do Brasil, e esses reinos, que enlaçam necessariamente a força, e o poder destas duas grandes partes da monarquia portuguesa. 

Pela Secretaria de Estado dos Negócios da Marinha tenho mandado expedir nesta mesma ocasião as ordens convenientes para os transportes; e pela Repartição do meu Real Erário se dirigem aquelas, que devem estabelecer, e regular os meios necessários para a manutenção desta Tropa, durante a sua permanência neste continente. 

O que tudo me pareceu participar-vos para vossa inteligência, e para que assim se execute, com aquela prontidão, atividade, e zelo, que tanto tem caracterizado a conduta desse governo.

Escrita no Palácio do Rio de Janeiro em sete de dezembro de mil oitocentos e quatorze.

Príncipe 


Fonte: Arquivo Histórico Militar, DIV-2-01-06-03

Carta Régia ao marechal marquês de Campo Maior (Beresford) (7 de dezembro de 1814)

Honrado e marquês de Campo Maior, e marechal comandante em chefe dos meus reais exércitos e amigo. Eu, o Príncipe Regente, vos envio muito saudar como aquele que amo e prezo. Havendo determinado pela carta régia que em data de hoje dirijo aos governadores do reino e que por eles vos será comunicada que daí se enviem com toda a brevidade para este continente duas brigadas de caçadores na conformidade do plano que acompanha a citada carta régia, na qual vereis os ponderosos motivos que me determinaram a ordenar esta medida. 

Tenho a mais bem fundada confiança de que, na execução dela tomareis aquela ativa parte e cooperação que é própria do zelo, que haveis sumamente mostrado pela sorte da monarquia portuguesa e pela segurança e independência dos meus estados. 

E sendo certo que às vossas fadigas e sábias direções se deve a glória, reputação e respeito de que hoje goza o meu exército na Europa, não menos lisonjeiro será para vós que este bem se torne transcendente as tropas deste continente pela comunicação da sua boa disciplina, resultando por consequência que dos vossos trabalhos em Portugal se derivará também a grande vantagem de se conservar a integridade e segurança desta tão interessante parte dos domínios da minha coroa. O qual ? me ??? participar-vos para vossa inteligência e para que assim se cumpra na parte que vos toca, Escrita ??? no Palácio do Rio de Janeiro em 7 de dezembro de 1814.

Príncipe

Para o honrado o marquês de Campo Maior

Fonte: AHM-DIV-2-01-06-04


Ofício ao marquês Monteiro Mor (9 de dezembro de 1814)

Ilustríssimo e excelentíssimo senhor

Pela carta régia que sua alteza real o Príncipe Regente, meu senhor, dirige nesta ocasião a esse governo, verão os governadores do reino os motivos ponderosos que determinaram o mesmo augusto senhor a ordenar a medida a que ela se dirige, e não podendo sua alteza real por isso mesmo duvidar um momento da atividade e interesse com que esse governo se ocupará da execução destas reais ordens, procedendo imediatamente à organização do corpo de tropas que ora mando passar a este continente, na conformidade do plano que acompanha a citada carta régia de maneira que estejam em estado de poder embarcar logo que aí se achem reunidas e prontas as embarcações destinadas para o seu transporte. É sua alteza real servido mandar declarar a esse governo que considerando o mesmo senhor as circunstâncias que concorrem na pessoa do marechal de campo Carlos Frederico Lecor, o tem destinado para comandante deste corpo, o qual por conseguinte deve ser formado de acordo com este oficial, para o que cumpre que neste sentido expressa o governo as ordens necessárias ao marechal marquês de Campo Maior, a que sua alteza real também escreve nesta ocasião a carta régia junta, que os governadores lhe transmitirão aos mesmo tempo que lhe dirigem as ordens de que se trata.

Àquele oficial pois destinado a tomar o comando desta divisão, pareceu a sua alteza real que com justo motivo deveria pertencer a escolha dos oficiais que ela deve conter, não duvidando o mesmo augusto senhor de que ele procederá neste assunto com aquela honra e imparcialidade que é própria do seu caráter, e como tal determina sua alteza real que os governadores do reino assim lho intimem, e o participem ao marquês de Campo Maior, que certamente não deixará de reconhecer quanto é justo, e conforme à boa ordem do serviço começar em tal organização por dar um semelhante testemunho de confiança ao chefe do corpo.

Como esta medida abrange um objeto em que interessa essencialmente a causa da nação em geral, e para o qual por isso mesmo é de presumir que se manifeste o assentimento público, ordena sua alteza real que os governadores do reino principiem por fazê-la conhecer não somente ao Exército, mas a todos em geral, evitando por este modo qualquer mal entendida interpretação que se pretenda dar a tão importante deliberação, a respeito da qual será de modo algum conveniente que esse governo entre em ulterior explicação com qualquer membro do corpo diplomático, porquanto nesta parte se reserva sua alteza real fazer à corte de Madrid, e de Londres, aquelas comunicações que parecerem próprias e análogas às suas atuais relações políticas; e agora mesmo manda escrever ao seu enviado D. José Luís de Sousa Botelho, a fim de fazer uma abertura amigável a este respeito, apontando (se a Espanha quiser mandar tropas) o modo possível de cooperarem utilmente as forças das duas potências contra os insurgentes das províncias do Rio da Prata. O que sua excelência fará presente nesse governo para sua inteligência e devida execução.

Deus guarde a vossa excelência, Palácio do Rio de Janeiro em 9 de dezembro de 1814.

Marquês de Aguiar

Sr. Marquês Monteiro Mor

Fonte: AHM-DIV-2-01-06-02

Notas finais do Plano de organização da Divisão de Voluntários Reais (7 de dezembro de 1814)

[Notas finais do Plano]

Para a organização destas brigadas devem preferir os oficiais, oficiais inferiores e soldados dos corpos de caçadores, que para isto se oferecerem, e que forem robustos e bem morigerados, sendo indispensável em todo o caso que daqueles corpos de caçadores se extraiam tantos indivíduos quantos sejam necessários para organizar 12 companhias, na conformidade deste plano. 

Quando, porém, se não apresentem, contra toda a expectação, soldados voluntários para a organização deste corpo, permite sua alteza real que a sua força se preencha com soldados que tiverem tido uma deserção simples, de que já fossem perdoados por alguma ocorrência; ainda aqueles que tiverem sido sentenciados, ou estiverem no caso de o ser, por aquele delito.

E quando ainda não seja  // suficiente este arbítrio se fará a nomeação dos oficiais, oficiais inferiores e soldados que forem precisos, tirando-se por destacamento de cada um dos corpos do Exército, por uma escolha acomodada às leis que o regulam, verificando-se assim a composição desta divisão com a força ordenada.

O general que deve comandar esta divisão, por isso mesmo que é responsável pelo bom serviço dela, repugnará receber os indivíduos que lhe forem mandados pelos comandantes dos corpos, se lhes notar reconhecida inaptidão e, em tal caso, o representará ao marechal comandante em chefe do Exército, a fim de que este dê a tal respeito a necessária providência.

Este corpo de caçadores assim organizado receberá o seu competente armamento, e terá o uniforme dos batalhões de caçadores de Portugal n.º 3, 4, 6 e 11.

Para a organização da cavalaria se praticará o mesmo que fica dito a respeito da infantaria, e os soldados trarão consigo os seus respetivos armamentos, tanto pertencentes ao homem como ao cavalo.

O corpo de artilharia sairá igualmente com o seu fardamento, e se lhe entregarão as bocas de fogo e mais petrechos constantes do mapa incluso. //

Esta divisão terá dois auditores de brigadas, dos quais um será intendente geral dos víveres, e outro dos transportes.

Tendo sua alteza real ordenado que esta divisão se considere sempre como pertencente ao Exército de Portugal, a onde deverá regressar, manda sua alteza real declarar que os indivíduos que a compõem serão no seu regresso incorporados de novo aos corpos a que pertenciam, admitidos ali nas patentes em que se acharem então. E quantos aos soldados, se a esse tempo não quiserem continuar a servir ou não puderem fazê-lo por falta de saúde, serão reformados com o soldo por inteiro, ficando isentos dos cargos públicos e do alistamento de milícias.

Por esta disposição fica entendido que a gente que compõem [sic] esta divisão deve ser dada nos mapas do Exército de Portugal como praças existentes fora dos corpos, e notada a oficialidade com aqueles postos em que ora entrarem no serviço da divisão, devendo ficar, portanto, no Exército de Portugal diminuído o número de soldados, oficiais inferiores e oficiais que corresponde aquele que forma a totalidade deste destacamento.

As promoções nesta divisão serão sempre feitas a favor dos indivíduos que nela têm praça, e no sistema de disciplina e regímen // económico deste corpo se seguirão estritamente as regulações e ordens gerais organizadas para o Exército de Portugal em tudo aquilo em que elas forem conciliáveis com o sistema e estabelecimentos existentes no país.

Sua alteza real permite que com esta divisão possam vir as lavadeiras que se julgarem necessárias para o arranjo e asseio da tropa.

Palácio do Rio de Janeiro em 7 de dezembro de 1814.

Marquês de Aguiar


09/08/2020

Civil/Exército do Brasil: D. Margarida de Almeida Portugal (Marquesa de Alegrete)

A senhora Dona MARGARIDA DE ALMEIDA PORTUGAL , 5.ª marquesa de Alegrete, nasceu em Santa Clara, Lisboa, aos 24 de Agosto de 1791, filha dos marqueses do Lavradio, D. António de Almeida Portugal e D. Ana Teles da Silva, tendo sido batizada, no mesmo dia, no oratório do Palácio dos marqueses no campo de Santa Clara. 

Em 1807, como muita da corte, viaja para o Brasil. A 1 de Outubro de 1808, casa-se com o 5.º marquês de Alegrete, D. Luís Teles da Silva, na Sé do Rio de Janeiro. 

Acompanhou o marido quando este foi capitão general do São Paulo, em 1811, e depois, do Rio Grande de S. Pedro, em 1814. 

Tem 25 anos de idade quando acompanha o marido na batalha de Catalán, a 4 de Janeiro de 1817, onde, de acordo com testemunhos presenciais, ajudou os feridos no campo após a ação:


Demorámo-nos no Campo da ação o dia 4 e 5, ocupados em enterrar os nossos mortos, e curar os feridos, a senhora Marquesa tem zelado dos doentes com muita caridade, desfiando panos com suas próprias mãos para se curarem as feridas.”

(Tenente coronel Inácio José Vicente da Fonseca, Artilharia da Legião de S. Paulo, em carta a Vicente Ferrer da Silva Freire)

*

Um exemplo novo de valor, e de heroísmo serviu para aumentar a celebridade da vitória gloriosa de Catalán: ele foi dado pela marquesa de Alegrete, tão ilustre por suas virtudes como por sangue: a presença do espírito varonil que patenteou no meio dos maiores perigos, e debaixo do fogo inimigo, e com que animava a todos, não foi menos admirável que a prática  incansável de piedade, a que se entregou depois da batalha, em socorro dos feridos , sem distinção de amigos ou inimigos. Ela finalmente se fez  naquele dia  por todos os motivos digna de maior estima, respeito, e admiração do exército.

(Capitão Diogo Arouche de Moraes Lara, Infantaria da Legião de S. Paulo, in: “Campanha de 1816”)

 

* * *


Imagem (topo)

- "Batalha de Catalán", óleo do coronel Pedro Paulo Cantalice Estigarríbia (Hospital Militar de Porto Alegre, RS) 

27/04/2017

Relação das munições de guerra,e mais apetrechos, que são necessários para as duas Brigadas de Artilharia a Cavalo


Relação das munições de guerra,e mais apetrechos, que são necessários para as duas Brigadas de Artilharia a Cavalo da Divisão de Voluntários Reais do Príncipe, além das que estão já prontas no Arsenal, como consta da Relação de S. Ex.ª o Senhor Tenente General José António da Rosa.


Carros de nova construção para Obuses de 5 ½ polegadas ... 4
Carros de nova construção para as Peças de calibre 6 ... 11
Archivos ...2
Barris de Polvora de sobrecelentes ... 2
Martellos de orelhas ... 7
Facas flamengas ... 12
Níveis d’água ...2
Balanços de pesar pólvora com pesos até 3 (?)
Facões para desbastar espoletas das granadas ... 2
Máquina de tirar espoletas ... 1
Baldes de folha ... 13
Tranças enxofradas ...288
Madexas de fio de guita ... 12
Cartuxos vazios de calibre 6 ... 200
Lanternas de furta fogo ... 12
Archotes ... 120
Machados ... 20
Machadinhas ... 12
Podões ... 12
Picaretas ... 12
Alviões ... 12
Enxadas ... 12
Pas de ferro ... 12
Galleras ... 2
Paus de bolêa de sobrecelentes ... 46
Pés de galo ... 4
Cornetas ... 4
Espadas de cavalaria com cinturões ... 284
Manoplas ... 180
Parelhas d’arreios de tronco ... 14
Parelhas d’arreios de sota, ou dianteiras ... 30
Selins arreados para montarem os artilheiros ... 156
Selins arreados para montarem os oficiais ... 13
Mantas para baixo dos selins ... 435
Peitoraes com tirantes de coiro para os cavallos dos artilheiros ... 136
Cabeçadas com prizões de ferro ... 435
Bornaes para grão ... 435
Aparelhos de limpeza ... 300
Tesoiras para tosquear cavallos ... 30
Franceletes com fivellas ... 300
Piquetes de corda com seus pertences ... 2
Mallas de coiro para garupa ... 284
Tirantes de corda de sobrecelentes ... 60
Manjedoiras  para 435 cavalos
Barracas de capitão ... 4
Barracas para subalternos ... 5
Barraquins ... 50
Caldeiras para rancho ... 50
Mações para soquetes de calibre 6 ... 40
Fiminellas para os ditos ... 40
Maças de soquete de calibre 9 ... 20
Fiminellas para as ditas ... 20
Maças de soquetes de calibre 18 ... 10
Fiminellas para as ditas ... 10
Resmas de papel cartucinho ... 20
Portavellas de coiro ... 12
Pares de pistolas com os seus coldres ... 284
Cartucheiras de cavalaria com 20 cartuchos embalados para cada uma ... 284
Carteiras de cavalaria ... 284
Esporas (pares) ... 284


Para o laboratório fulminante

Atacadores de latão vazados para espoletas de papel ... 20
Cabos para os ditos ... 20
Atacadores de ferro calçados de cobre com as cabeças chumbadas para velas .. 8
Atacadores de ferro sortidos para espoletas de pau ... 20
Macetas de pau sortidas ... 12
Formas de pau com anéis de ferro para carregar velas ... 12
Funis de folha de Flandres para carregar espoletas de papel ... 30
Ditos para carregar velas ... 12
Ditos para carregar bombas, ou granadas ... 4
Jogo de medidas de onça até arratel ... 1
Marco de pesos ... 1
Balanças (par) ... 1
Compasso de pontas curvas ... 1
Dito – direito pequeno ... 1
Régua graduada ... 1
Facas flamengas ... 25
Tesoiras grandes ... 2
Ditas pequenas ... 4
Peneiros finos ... 6
Ditos de crina ... 2
Crivos ... 1
Imprimidor de ferro para cabeças d’espoletas de papel ... 1
Vazador de ferro para cortar as cabeças das ditas ... 1
Torno de ferro pequeno ... 1
Torno de mão ... 1
Ditos de madeira para bancos ... 2
Martelo de cobre com orelhas ... 2
Ditos de ferro ... 2
Dito pequeno ... 1
Limas sortidas com cabos ... 10
Goiras sortidas ... 4
Formões ... 2
Caldeiras de arame para massa ... 2
Dito pequena para massa de polvora ... 1
Serra pequena ... 1
Verrumas(?) sortidas ... 8
Ferros sortidos para brocas ... 8
Chumbadas de brocas ... 1
Broca de peito ... 1
Alicates sortidos de ponta aguda ... 2
Ditos de ditas chatas ... 2
Arame para (cabeças?) de espoletas de papel (...) ... 4
Picas (?) feitas ... 12
Arame delgado (...) ... 4
Pranchada de chumbo pesada ... 1
Formas de pau para ballas de iluminação ... 12
Réguas de 4 palmos de comprimento e meio de largo ... 2
Ditas de 2 palmos ... 1
Esquadro ... 1
Calcadores de pau para vellas ... 2
Cocharras (?) de cobre para carregar as ditas ... 12
Ditas de ferro para espoletas de papel ... 2
Mactas/Maetas sortidas ... 6
Celhas para fazer composições ... 6
Peles de pergaminho ... 100
Ditas de lixa ... 3
Resmas de papel para espoletas ... 8
Ditas de dito cartão para vellas ... 16
Folhas de papelão para cabeças d’espoletas ... 50
Regoa com passadeira de todos os adarmes ... 1
Formas de pau sortidas de todos os adarmes ... 100
Fio de vella (...) ... 6
Passadeiras para todos os calibres de Artilharia
Goma Arabia (...) ... 16
Cocharrinhas de 2 e 3 oitavas para cargas de espolletas de pau ... 8
Broxas partidas ... 6
Maquina de tirar espoletas de bombas e granadas ... 1
Banco para carregar espoletas de pau ... 1
Repuchos de pau sortidos para calcar as espoletas de bombas ... 12
Serrotes sortidos ... 4
Berbequim com quatro ferros sortidos para brocar ... 1
Caixas de folha de flandres de 12 polegadas de comprimento, 4 de largura, e 4 de altura ... 12


Lisboa, 12 de Agosto de 1815
Maximiliano Augusto
Major Comandante


Fonte
Arquivo Histórico Militar, cota AHM-DIV-1-16-045-6, imagens 56 a 62

25/01/2016

MEMÓRIAS: O jovem marquês de Fronteira e o desfile da Divisão em Lisboa a 18 de dezembro de 1815

Praça do Rossio, no primeiro quartel do século XIX. 



Numa das memórias mais conhecidas referentes a este momento histórico, D. José Trazimundo Mascarenhas Barreto, 7.º marquês de Fronteira (1802-1881), relembra em 1861 as emoções invocadas pelo desfile de 18 de dezembro de 1815, 46 anos antes, com que a Divisão de Voluntários Reais se despedia de Lisboa, e a que assistiu com a tenra idade de 13 anos. 

Carlos Frederico Lecor, comandante da Divisão destinada ao Brasil, havia sido não só o ajudante de ordens do Marquez de Alorna, entre 1805 e 1808, mas era um amigo devotado da família e da inteira confiança de D. Leonor, a 4.ª marquesa de Alorna, especialmente durante o seu exílio em Londres, por ordem da Regência.


«A Divisão de Voluntários de El-Rei, antes de embarcar para o Brazil, formou em grande parada na praça do Rocio, debaixo do commando do seu General em chefe, [Carlos Frederico] Lecor. Os Governadores do Reino assistiram à parada na varanda do palacio da Regencia. A Divisão era o corpo mais brilhante que tem sahido das fileiras do Exercito portuguez. Tanto os officiaes, como os soldados, eram jovens, mas aguerridos, tendo feito todas ou parte das campanhas da Guerra Peninsular. O uniforme era dos mais elegantes que havia nos exercitos da Europa: o antigo uniforme dos nossos caçadores, que tinha reputação de elegância, entre os entendedores.
O General Lecor era o typo dum verdadeiro soldado e seguia-o um brilhante Estado Maior.
As duas Brigadas de Caçadores eram commandadas por dois jovens Generaes que fizeram a Campanha Peninsular com grande distincção, os Brigadeiros [Jorge de] Avillez [Zuzarte Ferreira de Sousa] e [Francisco Homem de Magalhães Quevedo] Pizarro.
Minha avó [D. Leonor de Almeida Portugal, 4.ª marquesa de Alorna (1750-1839)] estava comnosco, nas minhas casas do Rocio, onde foi visitada pelo antigo Ajudante de campo de seu irmão, General Lecor, accompanhado de muitos officiaes que tinham servido com meu tio, entre elles o General [Francisco de Paula] Azeredo [Teixeira de Carvalho] que ha pouco morreu. Tristes recordações seriam as de minha Avó, ao despedir-se d’aquelles officiaes, lembrando-se de que, poucos annos antes, os tinha visto naquella mesma praça, fazendo parte da Divisão de Alorna, do commando de seu irmão e meu tio, o Marquez de Alorna.
Foi a ultima vez que vimos o General Lecor.
A partida para o Brazil d’esta bella Divisão produziu no publico um triste effeito. Antes d’isto, havia partido um quadro consideravel de officiaes debaixo das ordens do Coronel de cavallaria, Visconde de Barbacena, indo nelle meu cunhado D. Gastão da Camara, hoje Conde da Taipa.
A Divisão de Voluntários de El-Rei levava um numero consideravel de officiaes distinctos e pretencentes à primeira sociedade do paiz. O Coronel João Carlos de Saldanha, hoje Duque de Saldanha, fazia parte do Estado Maior do General.
O povo, impressionado pelas repetidas requisições de gente e de dinheiro para o Brazil, principiou a murmurar seriamente e a agitar-se.»

* * *

Fonte:
Memórias do Marquês de Fronteira e Alorna D. José Trazimundo Mascarenhas Barreto (ditadas por êle próprio em 1861), (Coord. Ernesto de Campos de Andrada) Coimbra, Imprensa da Universidade, 1926, pp. 152-153. [disponível em http://purl.pt/12114, Biblioteca Nacional Digital]

19/12/2015

A grande Parada de 18 de Dezembro, o adeus de Lisboa à Divisão

«LISBOA 18 de Dezembro[, 1815].


A Brilhante parada que honrem, por motivo do anniversario da nossa Augusta Soberana, fizerão as Tropas de Linha e Milícias desta Capital , ás quaes se veio reunir a nova Divisão dos Voluntários Reaes do Príncipe, commandada em Chefe pelo Tenente General Carlos Frederico Lecor, apresentou ao numeroso concurso dos habitadores desta Cidade que a vèlla se apinhou , hum dos mais pomposos espectáculos pelo aceio e garbo marcial de todos os Corpos. Entre os de linha se não podia facilmente designar a algum delles a palma da primazia; pois se notava cm todos o particular esmero dos seus respectivos Chefes em apresentarem as tropas do seu commando dignas do sempre illustre nome de Guerreiros Portuguezes. Ao vêr estes aguerridos Soldados, despertavão-se em nossa imaginação as victorias que coroarão de louros os guerreiros Portuguezes no Douro, no Bussaco, em Albuera, em Ciudad-Bodrigo, em. Badajoz, em Arapiles, em Vittoria, nos Pyrenéos, cm S. Sebastião, no Nivelle, Nive, e Adour, em Ortbez, e nas margens do Ets e Garona, em toda a parte em fim onde na ultima gloriosa luta lhes foi preciso combater, devendo-lhes em grande parte Portugal a independência, a Hespanha a liberdade, a França o paternal Governo dos Bourbons, a Inglaterra e o seu Grande Wellington trofeos e gloria immortal pela invencível força com que, unidos os Portuguezes e Bretões debaixo do commando de Arthur, contrastarão intrépidos os bellicosos Exercitos e os mais hábeis Generaes do inimigo commum da Europa.



Entrarão pois sucessivamente as Tropas de Linha e Milicias na espaçosa Praça do Terreiro do Paço, e ruas immediatas, depois das 11 horas, e ficou reservada a Praça do Rocio para os quatro Batalhões de Caçadores, que formão as duas Brigadas do Corpo de Voluntários Reaes do Príncipe, que perto da meio-dia entrarão e se formarão na dita Praça, attrahindo particular attenção dos espectadores a firmeza, continência marcial, e alto grão de disciplina a que este Corpo tem sido elevado pelo seu illustre Commandante em Chefe, e pelos Brigadeiros Avellez, e Pizarro, que vinháo á frente das suas respectivas Brigadas. - Chegou pouco depois á Praça do Rocio o Illustrissimo e Excelentissimo Tenente General Francisco de Paula Leite, Governador das Armas desta Capital e Provincia, e cumprimentando o Illustrissimo e Excelentissimo Tenente General Lecor, feitas as continencias pela tropa, e passada revista aos quatro Batalhões, se encaminhárão ambos os Generaes ao Terreiro do Paço, d’onde voltárão a postar-se, com os seus luzidos Estados Maiores, (unindo-se-lhes o Illustrissimo e Excelentissimo Tenente General, d’Artilheria, José Antonio da Rosa), junto do Portão do Palácio do Governo.



Tinha dado o Castello de S. Jorge e as Fortalezas a costumada salva ao meio-dia; e á huma hora em ponto começárão no Terreiro do paço as tropas as descargas, principiando cada huma das tres pelos Parques de Artilheria seguida immediatamente em toda a linha da Infanteria. - Acabadas as descargas passárão os Generaes Leite e Lecor ao meio da Praça, onde o primeiro entoou por tres vezes o Viva á nossa Augusta Soberana, a que em toda a linha as tropas e o povo correpondêrão com enthusiasmo; acção que repetio o General Lecor, com as mesmas circunstancias. Passou depois o Governador das Armas, no lugar que anteriormente occupava, e principiárão as tropas a desfilar pela sua frente na ordem seguinte:



Rompião a marcha dois Esquadrões de Cavallaria dos Regimentos n.º 1 e 4, e após elles a Cavalaria dos Voluntarios Reaes do Commercio; vinha depois hum Parque de Artilheria Montada, do Regimento de Artilheria n.º 1, de 3 peças e 1 obuz; e, formados em columna, começárão a marchar os Voluntarios Reaes do principe,a  cuja frente se [posicionou] o seu Comandante em Chefe, que, conduzindo a Divisão até principiar a desfilar pela frente do Governador de Armas, passou a tomar lugar ao lado deste, (ao qual estava tambem unido o Tenente general Rosa), o que igualmente (...) fazendo os dois Commandantes das Brigadas desta Divisão. - Marchárão em seguimento della os dois Batalhões de Artilheiros Nacionaes Oriental e Occidental,e  atraz delles hum Parque de 5 peças e 1 obuz, do sobredito Regimento de Artilheria n.º1. - Forão avançando immediatamente a Brigada de Infantaria n.º 1 e 16, outro Parque  de 3 peças e hum obuz, e a Brigada n.º 4 e 13, o Regimento da Guarda Real da Polícia, e o ultimo parque de Artilheria Montada de 5 peças e 1 obuz. -Desfilárão consecutivamente os dois Regimentos de Milicias Oriental e Occidental, finda a passagem dos quaes se retirárão o Governador das Armas, e os Tenentes Generaes Lecor e Rosa, ficando o innumeravel concurso regosijado de vêr este esplendido apparato militar, que no seio da doce paz se não mistura com funestas recordações.»



in: Gazeta de Lisboa, n.º 299, 19.12.1815


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