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24/01/2018

Exército do Brasil: Luís Teles da Silva Caminha e Meneses, Marquês de Alegrete


capitão general, marechal de campo, LUÍS TELES DA SILVA CAMINHA E MENESES, 5.º e último marquês do Alegrete e 8.º conde de Tarouca, nasceu em Lisboa,  a 27 de abril de 1775, filho de Fernando Teles da Silva Caminha e Meneses, 3.º marquês da Penalva, e de D. Maria Rosa de Almeida, filha dos 2º marqueses do Lavradio.

Em 23 de Abril de 1789, com 14 anos, assenta praça e jura bandeiras no Regimento de Infantaria do Marquês das Minas (um dos três regimentos de infantaria em Lisboa na altura, que vem a ser conhecido logo de seguida como o de Freire e que, em 1806, se torna o n.º 4). A 18 de Junho de 1790, é dispensado do exercício do seu posto para frequentar a Academia Real de Fortificação, Artilharia e Desenho, criada nesse mesmo ano. É promovido a tenente a 14 de Agosto de 1792. Um ano depois, a 1 de Setembro de 1793, é graduado em capitão, mantendo o exercício de tenente. A 25 de Abril de 1794, torna-se capitão efetivo.

Mantendo o ritmo de ascensão, é graduado em sargento mor (ou major), a 1 de Março de 1795, e no final desse mesmo ano, a 17 de Dezembro, torna-se sargento mor efetivo com graduação em tenente coronel. É nesta situação que passa ao Regimento de Infantaria de Peniche, a 30 de Março de 1796.

Em Junho de 1804, é graduado em coronel do Regimento de Infantaria de Lippe (n.º 1, como fica numerado daí a dois anos), tornando-se o seu coronel efetivo a 18 de Agosto de 1805.

Acompanha a Corte na transferência para o Brasil, em Outubro de 1807. A 13 de Maio de 1808, é promovido a brigadeiro, ficando agregado ao 3.º Regimento de Infantaria do Rio de Janeiro.

A 1 de Novembro de 1811, torna-se capitão general da província de São Paulo. Em 13 de novembro de 1814, toma posse como capitão general de São Pedro do Rio Grande do Sul. 

Com 41 anos, comanda todas as forças da Capitania do Rio Grande, comandando-as no terreno na batalha de Catalán.

03/10/2017

Exército do Brasil: José de Abreu

O tenente coronel JOSÉ DE ABREU nasceu em 1770 em Maldonado (Banda Oriental), filho de João de Abreu e de Ana Maria de Souza, colonos riograndenses deslocados para lá em razão da invasão espanhola do Rio Grande.

A 28 de Dezembro de 1784, retornando à província dos seus pais, assenta praça como soldado no Batalhão de Infantaria e Artilharia do Rio Grande, sendo promovido a cabo de esquadra em 1794. 

Quatro anos depois, em 1798, é cadete porta estandarte no Regimento de Dragões do Rio Grande. A 25 de julho de 1808 é promovido a tenente. Até 1810, era tenente da 7.ª companhia do seu regimento.

Em agosto de 1810, é graduado em capitão [dados adicionado a 30.12.2018].

Após o fim da campanha de 1811/1812, foi promovido a capitão, com antiguidade de 11 de junho de 1811. É promovido a tenente coronel a 20 de janeiro de 1813 e nomeado comandante dos Esquadrões de Cavalaria Miliciana de Entre Rios (distrito entre os rios Quaraí e Ibicuí).

Em 1816, com 45 anos, comanda, com grande distinção, as forças portuguesas nas batalhas de São Borja e Arapey, repelindo na primeira uma invasão oriental por Andrès Guaçurary y Artigas e derrotando na segunda o próprio José Artigas no seu quartel general de campanha. Teve ainda um papel importante nos instantes finais da batalha de Catalán, um dia depois de Arapey.



* * *

João Simões Lopes Neto (1865-1916), escritor brasileiro, dá-lhe o epíteto de 'Anjo da Vitória', nos seus Contos Gauchescos, de 1912.

Saiba mais sobre José de Abreu no excelente blogue "Eu, tu, eles: passado, presente, futuro":
- José de Abreu (i) : Repositório [aqui]

21/03/2017

Extratos: Diário Militar do Brigadeiro Joaquim de Oliveira Alvares (Março de 1817)


Num conjunto de “documentos sem importância”, como o próprio documento do Arquivo Histórico do Itamaraty é denominado (cota AHI-REE-00944: “Rio da Prata: Documentos sem importância – 16 folhas, 1811-1818”) aparecem 9 folhas do diário militar do brigadeiro graduado Joaquim de Oliveira Alvares, chefe da Legião de Voluntários Reais de S. Paulo, referentes ao mês de março de 1817. 

Segue-se a transcrição deste breve, mas relevante diário, com a ortografia modernizada, deixando em aberto algumas pequenas partes que não consegui interpretar devidamente.

Quem o desejar, poderá consultar também o documento diretamente no Projeto Rede da Memória Virtual Brasileira, em URL .

Leia também a biografia do brigadeiro graduado Joaquim de Oliveira Álvares.

* * *


Extratos do Diário do Brigadeiro Oliveira (Março de 1817)

Março 1 [1817]
Apresentou-se Bento Manuel [Ribeiro], que fora explorar a campanha com 20 homens, e referiu que chegando a Arapeí fizera avançar dois bombeiros, um português, outro espanhol, aprisionado na Batalha de Catalán, que tendo passado Mata Ojo, onde não descobriram vestígios do Inimigo, se adiantaram muito além deste arroio, donde, nada sendo observado, voltaram com o desígnio de reunir-se ao capitão. 
Acharam-se improvisadamente atacados em Mata Ojo por uma partida, de que se escaparam por estratagema. Mas como se suposeram já livres do perigo, o espanhol ficou um pouco atras a beber água, continuando o português a sua marcha; o qual ouvindo depois 2 ou 3 tiros, persuade-se que o espanhol fora apanhado e morto. 
Em consequência desta noticia o capitão Bento Manuel apressou-se a chegar ao Exército de medo de ser atacado por forças superiores. 
O Brigadeiro, apesar da atenção que lhe tem merecido a bravura deste oficial, não pode deixar de supor com a parte mais sensata do Exército, que Bento Manuel, tendo caído no desacerto de servir-se como Bombeiro de um espanhol insurgente, havia poucos dias prisioneiro (a quem tiveram a indiscrição de soltar com mais de 150 outros) e que tendo este podido escapar-se, o capitão se recolhera com medo de ser descoberto, e atacado. 
O brigadeiro já concebeu ideias menos favoráveis deste oficial por ocasião da ultima diligência, de que foi encarregado a qual se malogrou no conceito do brigadeiro, por que o capitão Bento Manuel ou se ocupou, ou deixou ao seus ocupar-se, intempestivamente em roubar cavalos.

Março 5  [1817]
Chegou ao Exercito, remetido por Bento Correia, partidário, empregado sobre as vizinhanças de Bagé, e atualmente ocupado em correr gados nos territórios espanhóis, um correntino o qual depôs que se chamava Manuel Gomes, e é soldado miliciano da Companhia de Quintana, anexa à Partida de [Fernando] Otorgués: que fora aprisionado em um sítio ou fazenda de Batovi Chico, onde tinha ido comer melancias, sem licença: que Otorgués se acha acampado nos fundos do Campo de Margarita Conde; sobre a costa do Rio Negro, com 400 homens, compreendidos Milicianos, vecindários, duas companhias de Dragões e uma de negros (composta de setenta e tantas praças), em geral moradores da Costa do Rio Negro até Cerro Largo, bem armados de espingardas, clavinas e espadas: que Otorgués não tem esperanças de outro reforço, por não haver mais moradores a quem possa convocar: que este chefe não tem armamentos de reserva: que tem uma peça de 4, e que pelo que respeita a munições, tem não só as suficientes distribuídas pelas tropas (32 cartuchos por praça), mas ainda uma carretilha bem provida tanto de munições da peça, como de armas pequenas: que ele supunha que Otorgués não só se não reunia a Frutuoso Rivera, por se haverem desavindo em Santa Luzia Chica, mas mesmo com [José] Artigas, pois que tendo-lhe ordenado que se lhe reunisse com toda a sua gente recusara obedecer-lhe, e lhe mandara unicamente 200 homens de cavalaria bem armados de clavina e espada; e não permitia que família alguma da Costa do Rio Negro se lhe fosse ajuntar: que em consequência os moradores suspeitavam que Otorgués intentava apresentar-se ao Exército Português: que dos correios de Artigas não se coligia a Tropa que atualmente tem; mas que do último de que lhe consta, se sabia que das vizinhanças do Paraná e Santa Fé se lhe tinham agregado perto de 1ooo Guaicurus, que esperava muito mais, que estava reunindo gente, a quem procurava muito disciplinar: que Frutuoso Rivera está em Santa Luzia-Grande com mais de 1000 homens, incluídos 200 que lhe cedera Otorgués, e finalmente, que algumas partidas, deste partidário patrulham sobre Cerro Largo e Olimar.

Março 6  [1817] 
O senhor General em Chefe [Joaquim Xavier] Curado recebeu uma parte do Comandante de Bagé Pedro Fagundes de que se lhe tinham apresentado 2 desertores da partida de Otorgués os quais dizem que sobre o Cerro Largo andava uma partida de 200 homens que mandara este insurgente, e que sobre o Olimar patrulhavam alguns exploradores. Saiu o capitão Bento Manuel (Milícias do Rio Pardo) com 6 homens os quais devem continuar unidos até certa altura, e depois separarem-se. Bento Manuel seguirá com 3 até o Arroio da China, e de lá procurará orientar-se para obter notícias do exército do Senhor [Carlos Frederico] Lecor. Os outros 3 dos quais é guia o soldado miliciano Domingos do Couto seguirá em direitura a Montevidéu. O Brigadeiro não espera grandes resultados desta diligência. 

N. B. Para inteligência de V. S.ª direi que Domingos do Couto, é irmão de Manuel do Couto, que V. S.ª deve conhecer, por ser conhecido da família.

[Oliveira]

Março 10 [1817]
Chegaram ao senhor Curado ofícios do comandante de Bagé, Pedro Fagundes. Desejoso de saber notícias do Serro Largo, mandou o castelhano Pedro Pablo Portilho com 2 Portugueses, que não encontraram obstáculo; e voltaram com uma certidão do Cura e jurada sub fide Sacerdotis, pela qual consta não haver insurgentes naquelas vizinhanças. Afirmam que no Cerro Largo só se acham 6 ou 7 famílias além do Rev. Cura, que dizem não é pequena, apesar de ser escolhida. No dia 5 de Março, apresentou-se-lhe, a Pedro Fagundes, um sobrinho e companheiro de Manuel Vieira, que obtiveram licença para correr, e que efetivamente corriam, gados nos Campos do Pereira (situados sobre a margem meridional do Rio Negro, onde desemboca o arroio Chileno) o qual, tendo sido perseguido por uma Partida de 20 insurgentes, pouco mais ou menos, e não podendo fazer resistência, conseguira escapar-se sem poder ter obtido notícias de seu tio e dos outros companheiros. Em consequência, Pedro Fagundes mandou a um Miguel Valente com o sobrinho do Vieira para bombear a partida inimiga: ainda não tinham voltado a 10.

Março 12 [1817]
O tenente coronel António Pinto [de Fontoura] deu notícias na revista do sol posto, que nas vizinhanças de Itaquatía foram aprisionados um F. Bueno e 3 escravos, e mortos alguns, que andavam com ele correndo gados nos territórios espanhóis tendo perdido 150 cavalos, e toda a boiada, que já tinham apanhado. Não deu autor.
Comunicaram-me pessoas fidedignas, que nas imediações de Bagé, há perto de 1000 homens empregados nesta ladroeira, e o pior é que se dizem apoiados por pessoas que o não deviam consentir, e em proveito de muitos que, por brio, e em consequência do seu caráter e patente, deviam ter em vista outros interesses nas circunstâncias atuais.

Março 15 [1817]
Chegaram 5 espanhóis remetidos, e aprisionados pelo Capitão Bento Manuel, que saiu do campo a 6 do corrente na Estância espanhola do Maxuca, situada entre as pontas de Ararunguá e Goiavos.

Março 16 [1817]
Os prisioneiros foram sucessivamente inquiridos na presença do tenente coronel [Joaquim Mariano] Galvão [de Moura] da Legião de São Paulo, e Policarpo Rolon depôs o que segue:
É natural de Montevidéu, soldado miliciano da companhia do capitão José Vieira, e pertence à Divisão de Artigas acampada na Purificacion.
Esta Divisão consta presentemente de 350 homens , comandados por La Torre, 700 por Verdun, 360 por Mondragon, 80 por Ayedo; e outros tantos por Gadea; 180 por Justo Meres; 300 Guaicurus, 300 Menuanes, e 180 charruas comandados por Aguiar. Paredes, que comanda os vecindários, de que ignora o número, acampa em Sandú. André Artigas (Andresito) acha-se do outro lado do Uruguai com 500 homens = Arenhúm, Governador de Santa Fé estava em marcha, para se reunir a José Artigas com 400 homens. Para o mesmo fim já estavam em marcha 200 Cordoveses, que recusaram prestar obediência a Buenos Aires, assim como 500 Guaicurus, que concorriam da baixada de Santa Fé.
Tinham passado ao outro lado do Uruguai 400 Correntinos, destinados (segundo diziam no Exército) a pacificar uma sublevação em Corrientes.
Otorgués tem na costa do Rio Negro 200 a 300 homens. Frutuoso Rivera 900 em Santa Luzia grande; e Miguel Barreiro 1500 em São José. Assim as forças de Artigas reunidas montam a 7000 homens.
A tropa está bem armada: a cavalaria de clavina, espada e pistola; e a infantaria de espingarda com baioneta; armamento novo, e há bastantes munições.
Artigas fez fortificar a Purificacion com 2 redutos que já concluiu, e outro, que esta a ponto de acabar, [...] e obra de 2 Franceses: estes redutos devem ser guarnecidos por 2 peças de artilharia, que já tem, de 12, 8 e 4, vindas do Arroio da China, e de Santa Fé alem de duas de 24, que espera de Cordoba.
Dizia-se no Exército de Artigas, que ele pretendia fazer-se forte na Purificacion, visto estar próximo o Inverno, e não querer violentar a cavalhada, que pretendia deixar descansar até ao Verão quando intentava novamente atacar os portugueses.
Este caudilho tem para cima de 2000 cavalos de reserva sobre o Uruguai e Daiman, e 1000 sobre o Uruguai e Hapeuy (?): e em cada um destes rincões há uma guarda de 10 homens.
Saiem também diariamente pequenas partidas de observação compostas de um sargento e 4 soldados além de outras de igual força que à noite vão tomar os passos. A maior parte da Cavalhada está gorda.
Artigas tem no porto da Purificacion 5 barcos pequenos, 4 barcas canhoneiras competentemente guarnecidas, 6 botes, e 5 canoas.
Frutuoso Rivera está indiferente com [Miguel] Barreiro por que este entregara Montevidéu sem resistência, deixando aos portugueses a artilharia carregada, munições, e para cima de 6000 fardamentos: mas consta que Artigas oficiara a ambos, para se congraçarem.
Artigas, depois da ação de Catalán, mandou o capitão Pedro Aquino com 10 homens com ordem de chegar ao lugar onde se deu a ação; e de observar os movimentos do Exercito Português: o qual desempenhou a comissão e recolheu-se dando parte de não ter encontrado o Exército. A esta partida que o Tenente Rubio Marques rendeu com 10 homens escolhidos como vaquianos da Fronteira, com ordem de se conservarem nas vizinhanças de Santa Ana 10 dias, e findos estes sai regularmente outra partida de igual número; e assim se continua. Não tem mandado partidas de maior circunstâncias.
Os outros quatro prisioneiros conformaram-se com o depoimento acima com pouca diferença: porém um deles deixou entrever que os 400 correntinos tinham marchado em socorro de Andreé Artigas, que se retirara depois que Chagas passou o Uruguai.
Apresentou-se Bento Manuel depois do sol posto com um prisioneiro. Não continuou a comissão de que fora encarregado por inconvenientes, que preciso averiguar.

Março 17 [1817]
Bento Manuel a quem eu dera cartas de recomendação para meu cunhado, o Major Marques, e para o Tenente Coronel José Maria de Almeida, veio entregar-me as cartas, e disse-me as notícias seguintes:
Tendo recebido ordem para seguir até Montevidéu com 8 homens de milícias e um vaquiano os quais deviam separar-se (como fica dito no extrato anterior) obtivera também licença para levar alguns índios a fim de correr gados na volta: que tendo chegado sem novidade às vizinhanças da Estância da Maxuca observara no dia 11 que ali havia inimigos; e em consequência mandara formar a indiada na frente para persuadi-los que eram dos seus. O que conseguiu até uma descida para a estância onde já não puderam deixar de ser conhecidos pelos uniformes, mas como se achavam vizinhos à casa da Estância, e os seus iam bem montados, pode apanhar os 5 que remeteu. Maxuca com os outros quatro puderam escapar-se. Estes 10 homens tinham saido de Purificacion, sem armas e com o destino de conduzir daquela estância para a vila, sebo e coiros em uma carreta que os nossos abandonaram (valha a verdade!). No mesmo dia de tarde observou 3 homens de desconfiança, e mandou despir as fardas de 3 dos seus; fez persegui-los e conseguiu apanhar um deles, que levava uma parada para Artigas. Eu li o ofício do comandante da partida Antonio Sarco, e continha que naquelas vizinhanças andavam muitos portugueses a correr gados, e por isso recorria a S. Senhoria para que lhe mandasse uma partida capaz de os apreender, e de coibir as corridas, e roubos, assim como algum tabaco de que muito precisavam. O prisioneiro declarou a Bento Manuel que os 10 homens andavam bem montados e armados. O capitão obrigou-o a levá-lo ao ponto onde disse que deixara Sarco com os 6 homens com que ficara, mas Bento Manuel já não achou senão vestígios de que ali estiveram.
Este espanhol é muito vivo, talvez enganasse a Bento Manuel sobre a situação da Partida. [...] Recusou declarar coisa alguma sobre a diligência de que fora encarregado. Bento Manuel receando ser descoberto recolheu-se ao acampamento. Disse-me também este capitão que sabia que sobre o Taquarembó patrulhava uma partida de 80 homens comandada por Filipe Gueria.

Março 18 [1817]
O senhor tenente general Curado mandou participar na revista do sol posto que sentia não ajudar aos seus camaradas nos exercícios diários, por moléstias.

Março 19 [1817]
Saíram em diligência Bento Manuel com 6 soldados milicianos, um [oficial] inferior e 8 dragões para fazer conduzir 30 homens que tinham sido avisados pelo Tenente Coronel [Manuel] Carneiro [de Silva Fontoura] para comparecer no Exército e o não fizeram. Dizem que conduzira ao mesmo tempo algumas mil rezes que correra. Semelhantes bombeiros não são proveitozos a um Exercito.
O senhor tenente general Curado teve notícias de terem aparecido espias inimigas sobre os Serros de Santana, e que os nossos tinham visto cavalos suados, abandonados no mato, próximo ao acampamento. Atribui-se esta circunstância não a bombeiros, mas sim a corrida de gados, que constituem, segundo dizem, uma das grandes especulações do exército.

Março 20 [1817]
Persuadi ao senhor Curado que me deixasse nomear o Alferes [Manuel de] Toledo [Pisa] da Cavalaria da Legião, para ir bombear as vizinhanças de Santana, e Serros de Carumbé, com 20 homens do mesmo corpo, e com destino de apreender as pequenas partidas que noticiaram os prisioneiros, o que consegui.
Recebi uma carta de Pedro Fagundes, comandante de Bagé, em data de 17 do corrente, e que remata da maneira seguinte = Os Gaúchos por esta fronteira se tem aproveitado da ambição com que os portugueses se cansam atrás de vacas, e proximamente mataram 7 ou 8 : não há temor, nem palavras, nem respeito, que os contenham de humilhantes tentativas =
O coronel Bento Correia da Câmara recebeu um oficio de Brito, ajudante de ordens de S. Ex.ª o senhor Marquês General, dirigido a Bagé, onde lhe participa que para ali marcham 40 praças do Regimento de Porto Alegre, e brevemente lhes serão remetidas as que faltam para completar 3 esquadrões. Teve ao mesmo tempo uma carta do capitão Joaquim de Azevedo e Sousa que lhe dá parte de ter chegado a Bagé com os mencionados 40 homens, e que ali esperava as suas ordens. O coronel, que se acha em Quaraí, onde o deixou o senhor Marquês e não tem recebido ordens algumas, que lhe pudesse comunicar, mandou apresentar ao senhor Curado o ofício e a participação.
O senhor Curado respondeu-lhe, que o senhor coronel podia seguir para Bagé se quisesse mas que estivesse persuadido que não levava consigo uma só praça das que existem no Exército. Câmara cala-se e oficia pelo mesmo canal – [...] la fin.
O tenente coronel Pinto disse-me que o senhor Curado, expondo-lhe o caso, acrescentara que era verdade, que Bento Manuel o avisara da parte de S. Ex.ª o Senhor Marquês, que o coronel Bento Correia da Câmara ia para Bagé com o Regimento de Porto Alegre, e que o indemnizaria com 1000 os quais mandaria para o Exército dentro de um mês; que isto mesmo não era parte oficial: mas ainda que a fosse a não cumpria porque como S. Ex.ª o senhor Marquês lhe prometia mandar 1000 em reféns de 180 praças do Regimento de Porto Alegre, que destinava para Bagé, ele também se achava autorizado para não cumprir a dita, visto que S. Ex.ª não desempenhava a dita e que nisto imitava ao Senhor Lecor.
O ajudante de ordens de S. Ex.ª o senhor Curado, General em chefe, Bulhões, disse-me que Fagundes tinha oficiado dizendo que já ali tinha tropas suficientes, tanto que intentava atacar os insurgentes que acampavam sobre o Rio Negro (suponho que os 80 de Gueria); e que recebera ordens de S. Ex.ª para atacar até ao mesmo Otorgués dando o comando desta expedição ao capitão Cunha.

Março 21 [1817]
Saiu o Alferes Toledo pelas 11 horas da manhã com 20 praças, incluídas 3 [oficiais] Inferiores. Abreu participou ao brigadeiro que tinha recebido notícias de que Chagas se achava do lado Ocidental do Uruguai com 900 homens e mandara passar 2000 cavalos: que os paraguaios se achavam combinados com ele debaixo da condição de que os portugueses não vexem os seus territórios. Esta última notícia especialmente merece quarentena, ao menos que seja oficialmente confirmada.

Março 23 [1817]
O senhor Curado deu-se por pronto. Chegaram os bombeiros do Abreu que tinham saido a 15 do corrente. Lemes [?] com outros dois nada tiveram que notar até a barra do Quaraí no Uruguai. Outros 3 foram até o Potrero sobre o Arapeí não encontraram inimigos: trouxeram algumas armas, 1 lança, 19 cartuxeiras, e 58 bainhas de baionetas em bom estado. 
Ordem do Dia sobre as Guerrilhas – (que vai) – 

Março 25 [1817]
Ordem para marcha a 27 – ignora-se para onde. Só se sabe que o brigadeiro João de Deus [Mena Barreto] insiste em que se marche para o Belarmino. O meu voto seria, que não retrocedessemos um passo, e que quando nos fosse necessário, ocupássemos outro ponto mais avançado sobre o mesmo Quaraí, visto estar providenciada suficientemente a segurança da fronteira do Rio Grande: porém o senhor Curado não consulta. Algumas vezes tem-se saído muito bem: outras muito mal.
Chegou o capitão João Afonso, 81 ½ alqueires de farinha! E vem destinada para os doentes. Recebi carta do meu Major Mota em que me participa estarem a partir 70 praças de Infantaria da Legião das praças que ali se acham; e 60 de milícias de Porto Alegre. Estimarei que chegue este pequeno reforço! Não há ainda notícia de Toledo.
Tivemos notícias de Fagundes que as dá de terem os insurgentes avançado até o Erval &c.  
N.B. Não se especificaram estas notícias porque o Brigadeiro acha que estará ao nível delas o senhor marechal Porteli.

[Oliveira]

[Março] 26 [1817]
Chegou o Toledo, alferes que tinha ido em diligência, sem novidade. Mandou-se suspender a marcha por ora.

[Fim]

21/11/2016

Exército do Brasil: Manoel Marques de Sousa


O sargento mor MANOEL MARQUES DE SOUSA nasceu em 1780, na Vila do Rio Grande, filho do tenente general Manoel Marques de Sousa. Após os estudos iniciais, assentou praça na Legião de cavalaria ligeira do Rio Grande, ascendendo a 6 de novembro de 1799 a ajudante, posto com que participou na campanha de 1801. É promovido a capitão comandante da 2.ª companhia. 

Participa nas operações do Exército Pacificador da Banda Oriental, em 1811. Dois anos depois, a 13 de Maio de 1813, é graduado em sargento mor da Legião. 

Em 1816, com 36 anos, é destacado no comando de um esquadrão da sua legião e um esquadrão da Legião de Voluntários Reais de São Paulo, formado das 2.ª e 4.ª companhias.

Imagem
Igreja Matriz de São Pedro e Capela da Ordem Terceira de São Francisco, Vila do Rio Grande, retirada de: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Lateral_da_Igreja_Matriz_S%C3%A3o_Pedro.jpg?uselang=pt

20/10/2016

Exército do Brasil: Joaquim Xavier Curado


O tenente general JOAQUIM XAVIER CURADO nasce a 1 de março de 1743 em Meia Ponte (hoje Pirinópolis), Goiás, filho de João Gomes Curado e de D. Maria Josefa Ribeiro. Órfão do pai, foi para o Rio de Janeiro habilitar-se nos estudos secundários, no Seminário de S. José. 

Por volta de 1764, assenta praça como soldado no 1.º Regimento de Infantaria do Rio de Janeiro. Durante os próximos três anos, foi promovido a cabo de esquadra e sargento e, finalmente, a alferes a 19 de junho de 1767. 

Em 1773, é destacado para S. Paulo, sendo promovido a tenente a 6 de fevereiro de 1777. Com quase 39 anos, ascende ao posto de capitão, no seu regimento, a 2 de fevereiro de 1786. 

Por volta de 20 de agosto de 1789, é graduado a tenente coronel, sendo distinguindo por operações contra índios rebeldes, na fronteira entre São Paulo e Minas Gerais. 

É feito prisioneiro em alto mar por corsário franceses, numa missão à corte de Lisboa, e é aprisionado na área de Biscaia, mas consegue fugir dirigindo-se para Lisboa, o seu destino original.

A 8 de dezembro de 1800 é promovido a coronel e nomeado governador da ilha de Santa Catarina, cargo que ocupou até 1805. Aos 62 anos de idade, é reformado em brigadeiro, a 2 de junho de 1805. É no entanto, por alguma razão confirmado 2 anos depois como brigadeiro na ativa.

A 13 de maio de 1808, dia do aniversário do Príncipe Regente, é graduado em marechal de campo [major general ou general de divisão, hoje] e enviado ao Rio Grande sob as ordens do capitão geral, Diogo de Sousa. A 13 de maio de 1811 é efetivado em marechal de campo.

Na campanha de 1811-1812, comanda uma das duas colunas, valendo-lhe estes serviços a promoção a tenente general, uma ano depois, a 13 de maio de 1813.

Com 73 anos,  comanda as forças da Capitania do Rio Grande em operações a oeste, na fronteira do Quaraí.

10/01/2016

Exército do Brasil: Bento Correia da Câmara


O Tenente Coronel BENTO CORREIA DA CÂMARA nasceu no Rio Grande do Sul, tendo assentado praça como cadete no Regimento de Dragões do Rio Pardo, a 1 de março de 1795. 
Participa na campanha de 1801, na área de Missões, tendo sido promovido a tenente em novembro do ano seguinte. A 25 de julho de 1808, é promovido a capitão e neste posto faz a campanha de 1811-1812. 
É graduado em sargento mor em 13 de março de 1813, por se ter distinguido na expedição. A 12 de outubro de 1814, torna-se sargento mor efetivo do seu regimento. 

Em 1815, é promovido a tenente coronel agregado do Regimento de Cavalaria de Milícias de Porto Alegre.
É gravemente ferido na batalha de Catalán, ao comando do seu regimento de milícias de Porto Alegre.

Em 1819, é Brigadeiro comandante da fronteira de Bagé.


- Diário Militar de Bento Correia de Câmara (14 de Junho a 25 de Julho de 1819): http://dvr18151823.blogspot.com/2019/06/diario-militar-de-bento-correia-de.html

Exército do Brasil: Joaquim de Oliveira Alvares


O Brigadeiro graduado JOAQUIM DE OLIVEIRA ALVARES nasceu a 19 de novembro de 1776, na ilha da Madeira. Tendo concluído o curso de preparatórios, matriculou-se na Universidade de Coimbra onde recebeu o grau de bacharel em matemática e filosofia. Alista-se na Armada Real, tendo sido feito prisioneiro e depois escapado. 
Tendo passado ao Exército, foi em 1804 para o Brasil, sendo nomeado capitão de artilharia da Legião de São Paulo. Em 1807, é promovido a sargento mor. 

Marchou no ano seguinte para o Rio Grande do Sul, onde, em 1810, é promovido a tenente coronel. Participa na campanha de 1811-1812 e é promovido a coronel, a 20 de fevereiro de 1812. 

Em 1814, é graduado em Brigadeiro comandante da Legião de Voluntários Reais de S. Paulo, assim se mantendo até 1816. Comandou as forças da capitania do Rio Grande na batalha de Carumbé, a 27 de Outubro de 1816.

* * *

Batalha de Carumbé: 27 de Outubro de 1816
http://dvr18151823.blogspot.pt/2016/10/batalha-de-carumbe-27-de-outubro-de-1816.html

Exército do Brasil: João de Deus Mena Barreto


O Brigadeiro graduado JOÃO DE DEUS MENA BARRETO nasceu em 1769, no Rio Grande do Sul, filho de Francisco Barreto Pereira Pinto e da D. Francisca Velosa da Fontoura. 

Alistou-se no Regimento de Dragões do Rio Pardo, tendo galgado os postos de oficial subalterno. Participou na campanha de 1801, tendo sido promovido a sargento mor. A 23 de julho de 1808, é promovido a tenente coronel. Em 1811, é destacado para o comando do território de Missões. 

A 20 de janeiro de 1813, é promovido a coronel do Regimento de Cavalaria de Milícias do Rio Grande, e a 13 de maio do mesmo ano, é graduado em Brigadeiro, assim se mantendo até 1816.

Leia também
- Batalha de Ibirocaí (19 de Outubro de 1816):
http://dvr18151823.blogspot.pt/2016/10/batalha-de-ibirocai-19-de-outubro-de.html

Exército do Brasil: Sebastião Barreto Pereira Pinto


O Sargento Mor SEBASTIÃO BARRETO PEREIRA PINTO nasceu em Porto Alegre, no ano de 1775. 

Assentou praça e foi reconhecido cadete do Regimento de Dragões do Rio Pardo, a 18 de Outubro de 1791, com 16 anos. Após ter participado na campanha de 1801, com menções nas ordens de dia regimentais, ficou na guarnição de Rio Pardo e Missões, sendo promovido de alferes a tenente, no ano seguinte, a 14 de Novembro. 

Após seis anos, é promovido a capitão, em 25 de julho de 1808. Faz a campanha de 1811/1812, participando no combate de Itapebuhy (Itapeti Grande), sendo graduado em sargento mor a 13 de Maio de 1813, dia do aniversário de SAR o Príncipe Regente. 

No ano seguinte, a 12 de outubro, é promovido a sargento mor efetivo. Com 41 anos, comanda o regimento nas batalhas de Carumbé (27.10.1816) e de Catalán (4.1.1817).

26/11/2015

Marcha terrestre da Divisão de Voluntários Reais d'el-Rei, desde julho de 1816





Ver Marcha DVRR 1816 num mapa maior

Entre Julho e Agosto de 1816, os cerca de 5000 homens e mulheres da Divisão de Voluntários Reais do Rei, em duas brigadas de um regimento de infantaria e um batalhão de caçadores cada, mais dois corpos de cavalaria e a brigada de artilharia, iniciaram a marcha terrestre desde a então Vila Nova do Desterro, hoje Florianópolis até a fronteira da então Banda Oriental, hoje Uruguai. Em pleno Inverno, estes soldados acamparam muitas vezes em sitios ermos, arenosos, no meio de tempestades com a fúria do Atlântico Sul ao largo. Atravessaram de cima a baixo a Lagoa Mirim, desde a vila de Rio Grande, pelo canal de S. Gonçalo, entrando logo em território da Liga Federal (ou dos Povos Livres) pelo arroio de S. Miguel.

Este é um projeto em andamento em que pretendo traçar o trajeto das diversas colunas da Divisão dos Voluntários Reais, com base no itinerário oficial estipulado pelo estado-maior divisionário, incluindo os depósitos de víveres, e duas memórias: a do Tenente-coronel Francisco de Paula Azeredo, comandante 
António Claudino de Oliveira Pimentel
do 2.º batalhão do 2.º Regimento de Infantaria (que nasceu do antigo 3.º Batalhão de Caçadores, dos 4 com que se formou originalmente a DVRPríncipe (1)); e a do Tenente-coronel António José Claudino de Oliveira Pimentel, que estava na vanguarda e, portanto, nas primeiras colunas desta marcha.

Os descritivos no mapa irão sendo atualizados com datas de passagens, com as observações gerais dos memorialistas. O coronel Claudino de Pimentel chegou a ser vítima de uma suposta tentativa de homicidio por um outro oficial. Foi em Torres, quando a vanguarda entrou no Rio Grande do Sul.

Fontes memorialistas:
- AGUILAR, Francisco D’Azeredo Teixeira D’, Apontamentos Biographicos de Francisco de Paula D’Azeredo, Conde de Samodães, Porto, Tip. Manoel José Pereira, 1866;
- PIMENTEL, Júlio Machado de Oliveira, Memorial Biographico de um militar ilustre O General Claudino Pimentel, Lisboa, Imprensa Nacional, 1884;

Para o itinerário oficial pelo Quartel Mestre:
- DUARTE, Paulo de Queiroz, Lecor e a Cisplatina 1816-1828 (3 vv.), Rio de Janeiro, Biblioteca do Exército Editora, 1984.

(1) O nome original da unidade. Muda em Maio de 1816, quando em virtude do falecimento da rainha Dona Maria, se passou a chamar Divisão de Voluntários Reais d'el-Rei. 


ATUALIZAÇÃO:
- Colocação de dados acerca do Coronel Claudino Pimentel 
- Colocação de dados acerca do Coronel Francisco de Paula Azeredo 
- Colocação de dados acerca do "Itinerário de Marcha da Ilha de S. Catarina até ao Estreito no fim da lagoa de Patos", elaborado pelo major Miguel António Flangini, deputado do Quartel Mestre General.