sexta-feira, 15 de março de 2019

Na Estrada de Montevideu


No final de 1814 foi mandada aprontar uma divisão de voluntários, a ser composta de pouco menos de 5000 militares das três armas, com o objetivo de intervir no sul do Brasil. Este blogue é uma humilde contribuição para o conhecimento da história da Divisão de Voluntários Reais do Príncipe, e depois d'El-Rei, entre 1815 e 1824, assim como das tropas da Capitania do Rio Grande.
A campanha de 1816 foi um esforço conjunto de mais unidades do Exército do Brasil e de Portugal num teatro de operações que ia desde a costa atlântica à costa do rio Uruguai, com quatro colunas distintas.
Apesar de adotar uma perspetiva portuguesa do conflito, este blogue procura também a perspetiva oriental a fim de traçar a mais fiel possível descrição dos acontecimentos desta guerra.

AS BATALHAS
As ações, sítios e batalhas da campanha, com ligação aos artigos disponíveis sobre elas, com ênfase forte nos memorialistas.
AS BIOGRAPHIAS
Em constante atualização, aqui pode encontrar ligações à biografia de alguns dos militares, portugueses e federais.
OS MOMENTOS
Os artigos sobre momentos que não envolvem combate.
OS VOLUNTARIOS
Listas e caracterização dos militares da Divisão dos Voluntários Reais.
AS TÁCTICAS
Os artigos predominantemente da análise tática militar.

quinta-feira, 14 de março de 2019

Batalha de S. Borja: A primeira notícia


Junto apresento a transcrição de um excerto de correspondência onde é apresentada a primeiríssima notícia da batalha de S. Borja, dada por Hipólito Francisco de Paula ao tenente general Joaquim Xavier Curado, que a comunica desde logo ao marquês de Alegrete, em Porto Alegre.

Apenas 6 dias após a batalha ela mesma (ocorrida a 3 de Outubro, leia mais), verifica-se pela narração de Hipólito Francisco de Paula que este se terá apartado da coluna de José de Abreu por volta desse mesmo dia ou no dia seguinte, de forma a cumprir os cerca de 175 km de distância entre S. Borja e o acampamento do rio Ibirapuitã, onde o grosso do exército da Capitania do Rio Grande estava. Os eventos descritos referem-se exclusivamente ao dia 3 de Outubro, parecendo claro que este primeiro mensageiro não assistiu aos eventos que ainda decorreram nos dois dias seguintes à batalha.

«Suposto que não tive parte oficioza do Tenente Coronel Jozé de Abreo sobre o rezultado da diligencia de Missoens, com tudo chega agora Hipolito Francisco de Paula, paizano que se offereceu voluntario para o ataque dos Insurgentes no Distrito de Missoens, dizendo me, que o referido Tenente Coronel Abreo o mandava incumbido da obrigação de dar-me parte vocal do rezultado do ataque, prencipiando no dia trez, the o dia cinco do Corrente, por não lhe ser possivel escrever-me no barulho da acção, remetendo-me com antecipação todos os papeis que forão achados a André Artigas, Comandante da acção, que se escapou.
Este homem enviado narra o seguinte:

= Que no dia tres do Corrente chegou a Coluna comandada pelo Tenente Coronel José de Abreo ás dés Óras da manhãa em frente ao Passo de São Borja, que se achava com quatorze dias de Citio apertado: que logo que o Enemigo avistou a nossa coluna, sahio a encontrar-la, e emboscando-se em hum laranjal atacou-a furiozamente; porem sem efeito por que a nossa Tropa depois de huma Óra de fogo atacou com a espada na mão e destrosando inteiramente // os Enemigos, lhes tomou duas Pessas de Artelharia, e grande quantidades de armamentos: que aquelles que escaparão deste primeiro encontro correrão precipitadamente ao Passo do Uruguay, onde forão novamente atacados, e mortos quase todos, e alguns passarão o banhado de Santa Luzia, e ficarão com a retirada cortada; por que o Butuy, e o Uruguay estando muito cheios lhes prohibe a passagem: e que o tenente coronel comandante hia atacalos; para acabar com o resto dos insurgentes: que se avalia o numero dos mortos dos enemigos em mil homens, quaze todos indios, e mestiços, dous negros, e hum branco, e muitos prizioneiros; e entres estes alguns dos nossos indios, que se tinhão revoltado, sendo o chefe destes o indio João da Cruz; e que outro indio Chará se distinguio muito a favor da nossa cauza: que a nossa perda concistio em sete homens mortos, destes cinco milicianos, e dous da Legião de São Paulo, e doze ou quatorze feridos: que os enemigos tinhão já proximo o reforço pelo o Uruguay, distinado pelo o Artigas, e que já se achava no Passo pronto a desembarcar; porem que o destrosso geral dos Citiantes o brigou a // a retirar-se precepitadamente, sendo perseguido pelos nossos, que meterão a pique huma canoa carregada de tropa; e que os outros Barcos se retirarão pelo o Uruguay abaixo.

Logo que receba a partecipação oficioza do Tenente Coronel Jozé d'Abreo, terei a onra de levar á prezença de V. Ex.ª.»


Fonte
Carta do tenente general Joaquim Xavier Curado ao capitão general Marquês de Alegrete, 9 de Outubro de 1816, in: Arquivo Público do Rio Grande do Sul: Correspondências de José de Abreu, 1810-1825.

* * * 

Nota Biográfica
Hipolito Francisco de Paula – Natural do Paraná, e referido em algumas fontes como tenente, terá sido em 1814 o primeiro povoador do Rincão de São Miguel, obtendo a Sesmaria de São Jerônimo, local onde foi criada a fazenda do Pinhal.

* * *

Saiba mais sobre a Batalha de S. Borja e as ações da coluna do tenente coronel José de Abreu em:

Batalha de São Borja (3 de Outubro de 1816)

Ação do Passo de Yapeyú (21 de setembro de 1816)



terça-feira, 5 de março de 2019

O Filho do Marechal


Sebastião Pinto de Araújo Correia nasceu em Viana do Castelo e era, em Novembro de 1813, aos 28 anos, o coronel do Regimento de Infantaria n.º 18, promovido apenas três meses antes. Estava a sua divisão e o Exército nas margens do Adour, defronte de Bayonne, já bem dentro de França. Pequeno nobre do Minho, o mais velho de sete irmãos, era primo de D. António Araújo de Azevedo, antigo ministro da guerra em Lisboa, o que ajuda a explicar ser coronel a uma idade tão precoce. Ainda assim, Sebastião Pinto havia sido prejudicado na antiguidade, por via de um ferimento na cabeça na batalha de Fuentes de Onoro, no dia 5 de maio desse 1811, no comando de Caçadores 6. Esteve 4 meses e meio com parte de doente. Outros tenentes coronéis promovidos de 1809, alguns que conheceremos mais à frente, obtiveram a patente de coronel em 1812, um ano antes.

A 6 de novembro, o  novel coronel de Infantaria 18 pediu e recebeu uma licença de três meses para recuperação em Portugal de uma moléstia que padece, resultado decerto do ferimento em 1811, mas a mesma é posteriormente alterada para ir ao Rio de Janeiro, para tratar na corte assuntos da sua casa. O coronel Pinto viaja para Portugal e não volta ao exército em operações na França para a campanha de 1814.

Ainda que concebamos que a visita de Pinto à corte fosse simplesmente em busca da devida recompensa de um herói da guerra, ferido no serviço real, por especial deferência do seu mentor e ‘pai’, o marechal Beresford, fica também claro que essa estadia se tornou depois em diligência do real serviço, não só decerto pelo transporte dos decretos e demais correspondência a Lisboa, mas por ter dado o seu conselho profissional ao Principe Regente e ao marquês de Aguiar.

Parece também provável que Sebastião Pinto tenha sido autorizado a ir ao Rio de Janeiro, em vez de voltar à campanha, isto é, já de um forma oficiosa, em diligência de serviço. É estranho que um comandante de regimento, por mais protegido que fosse, seja especialmente autorizado a permanecer em licença por 3 meses mais que o inicialmente, sendo depois autorizado a ir o Rio de Janeiro.

No âmbito da divergência de interesses lusos-britânicos que se processava desde finais de 1813, com o afastamento definitivo de uma ameaça francesa sobre Portugal, Beresford terá enviado Pinto com ofícios, à laia de guarda avançada, de forma a recuperar alguma da autoridade face à regência. Nada melhor que enviar um heroi de guerra, oficial de potencial e ferido até numa grande batalha, além de primo de um dos ministros.

As circunstâncias dão a volta, porém, quando Sebastião Pinto participa na idealização da divisão e traz os ofícios, acaba por minar mais ainda a autoridade do marechal general, ainda que não o desejasse. A vontade do Príncipe Regente supercede todas as outras, e a necessidade de pacificar a Banda Oriental e Artigas era o mais importante agora para Portugal, na nova configuração europeia que se esboçava em Viena.

O coronel Pinto tem feito sempre remarcáveis serviços à sua Pátria,” recomenda António de Lemos Pereira de Lacerda, secretário militar do marechal Bereford, a D. António Araújo de Azevedo em carta de 4 de maio de 1814, que Pinto mesmo transportou. Sebastião Pinto parte para o Rio de Janeiro pouco depois dessa data. Lacerda salienta que o seu recomendado “tem constantemente merecido a amizade, e consideração do Chefe do Exercito, que o ama tanto, que se chega a denominá-lo: o filho do Marechal”. É também em abono de Sebastião Pinto que Lacerda intercede por justiça ao seu recomendado, por este  ter entregue os seis irmãos ao serviço do soberano:

Os seus sentimentos a respeito da boa cauza da Monarquia não se limitarão unicamente a servir elle; mas tinha seis irmãos, e todos seis entregou ao serviço do Exercito, e todos seis tem alcançado pelo seu comportamento os Postos em concequencia do bom conceito que tem merecido. Sebastião Pinto como bom irmão os pôs na estrada da honra, e ali os tem cuidadosamente alimentado á custa de sacreficios, e de grandes despezas; e estas, unidas as que elle com sigo proprio tem feito, não podem deixar de ter muito deteorado os seus fundos. Elle aí vai, tem a V. Ex.ª por Parente, e Amigo, e Protector, e tudo se remediará, e o seu merecimento será premiado, porque o nosso Augusto Soberano se não ha de esquecer de fazer justiça.

Tendo sido ferido na cabeça numa das batalhas mais famosas da Guerra Peninsular, Pinto considerou possivelmente que seria uma oportunidade para se apresentar a sua Alteza Real o Príncipe Regente e pedir que se lhe faça justiça. O coronel Pinto vai obter exatamente o que pretende no Rio de Janeiro, uma espécie de debutância na corte, com a proteção do seu primo D. António, ministro do reino no Brasil. A corte está fora de Portugal há já seis anos e apresentando-se um verdadeiro heroi da Guerra europeia, este é recompensado. No aniversário da rainha D. Maria, a 12 de outubro, Sebastião Pinto é promovido a brigadeiro, obtendo o avanço que pretendia.

Já Sebastião Pinto navegava no mares do Atlântico sul, na sua “estrada da honra”, em direitura ao Brasil, o exército português em operações, fora do país desde maio de 1813, celebra a rendição de Soult, o fim da Guerra Peninsular e o exílio de Napoleão em Elba e começa a percorrer a sua estrada do triunfo de regresso à pátria. 

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Exército do Brasil: Diogo Arouche de Moraes Lara


O capitão graduado Diogo Arouche de Moraes Lara nasceu em S. Paulo em 1789, filho do tenente general José Arouche de Toledo Rendon [na foto em baixo] e de D. Maria Thereza Rodrigues de Moraes. Vinha de uma família paulista com grande tradição castrense, sendo o seu avô o mestre de campo (ou coronel) Agostinho Delgado Arouche e seu bisavô o sargento mor Francisco Nabo Freire, nascido em Lagos.

Muito pouco é conhecido acerca da fase inicial da sua carreira militar, mas terá estudado matemáticas e, em 1802, com cerca de 13 anos, é nomeado tenente da companhia de caçadores do 2.º Regimento de Milícias de S. Paulo, pelo capitão general da província, António Manuel de Melo e Castro de Mendonça. O capitão general seguinte (António José Correia da Franca e Horta, 1753-1823) ainda não havia confirmado a promoção por volta de 1803, mas notou que o tenente servia “sem nota”.  Em Maio de 1803, é inclusive indicado numa nota o oficial que Diogo Arouche vai substituir, Joaquim Pedro Salgado que havia sido agregado em capitão para fora da província.

Não é certo quando integra a Legião de Voluntários Reais (também conhecida por Legião de S. Paulo), mas tê-lo-á feito na artilharia, conforme sugere o seu camarada Machado de Oliveira (Oliveira era também capitão graduado na infantaria, mas mais moderno que Diogo Arouche), provavelmente entre 1804 e 1808, tendo-se deslocado para o Rio Grande. Terá passado, previamente a 1809, à infantaria; na Legião, a arma era constituída de 8 companhias em 2 batalhões. 



O que é certo é que, a 27 de Junho de 1809 é promovido a alferes de 4.ª Companhia do 1.º Batalhão de Infantaria da  Legião de Voluntários Reais, de sargento (não indica mais nada, pelo que poderemos aferir que era também de infantaria).

Não é certo de que forma se relaciona o facto de Diogo Arouche Moraes Lara ter sido tenente de milícias e depois, passado a uma unidade de linha, ou como sargento ou até assentado praça. Pode ter sido que a promoção não foi confirmada pelo novo capitão general, ou uma muito incomum despromoção de oficial, ainda que passando da 2.ª à 1.ª linha. A primeira possibilidade é a mais certa, pois não tenho conhecimento de nenhum caso semelhante na segunda senão por punição disciplinar (e ainda assim, a demissão era preferível).

Participa na campanha de 1811-1812. Machado de Oliveira indica que Moraes Lara, então ou alferes ou tenente serviu como parlamentário com grande distinção(não encontrei a promoção de alferes a tenente, que terá ocorrido algures entre 1809 e 1814). 

A 13 de Maio de 1813, na promoção geral após a campanha, é promovido a Ajudante do 1.º Batalhão de Infantaria da sua unidade.

A 25 de Julho de 1814, é graduado em capitão de infantaria na Legião. Terá servido como diretor do Arsenal de Porto Alegre, mas em 1816 retorna à Legião na área do Rio Pardo para servir na campanha iminente. 
Os dois cargos em que serve neste período são indicativos de uma forte competência em termos administrativos, seja como ajudante do major do seu batalhão, seja gerindo o arsenal da capital da província.

Com 27 anos, é capitão graduado de infantaria da Legião e participa da batalha de Catalán [saiba mais], onde segundo Machado de Oliveira, Moraes Lara comanda uma das partes da carga de infantaria na parte final da batalha que ajudou a derrotar o ataque principal oriental: “[...] e posto enfim à frente de uma massa de infantaria penetrou o bosque, em que se entrincheirara uma grande parte da infantaria inimiga, e donde sustentava um fogo mortífero contra a espalda do acampamento, bateu denodamente esta força, e obrigou-a a aceder depois de vigorosa resistência, rendendo-se mais de 200 prisioneiros.”

Diogo Arouche Moraes Lara, já no acampamento do Quaraí, em 1817, escreve uma das mais importantes fontes dessa primeira fase do conflito, especialmente em Entre Rios e Missões. Os mapas que lhe vem anexos são preciosos croquis das batalhas de S. Borja, Arapéi e Catalán. Ainda que escrito em 1817, o manuscrito só em 1844 reemerge pelas mãos de José Joaquim Machado de Oliveira, que o transcreve e faz publicar na revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, em 1845, assim como uma biografia de Diogo Arouche, a qual, pela sua proximidade ao oficial, dou mais valor, ainda que a mesma esteja longe de exata ou precisa.

A 22 de Janeiro de 1818, é promovido a Capitão efetivo, no comando da 1.ª Companhia do 1.º Batalhão da sua legião, o lugar de maior prestígio para um oficial da graduação dele. Já agora, o seu camarada e biógrafo Machado de Oliveira era o comandante da 1.ª Companhia do 2.º Batalhão.

É, já próximo do final da guerra, por volta de 1818-1819, é promovido a tenente coronel, no comando do recém-criado Regimento de Milícias Guarani a Cavalo, de Missões, formado a partir das companhias de milícias a cavalo de Missões (8 de guaranis e 3 de brancos), que vinham já de 1811. Até à independência, chegou a haver um 2.º regimento de Milícias a cavalo Guarani, os famosos lanceiros naturais.

Morre em combate, a 9 de Maio de 1819, com cerca de 30 anos. em S. Nicolau, no comando do seu regimento, ao tentar reocupar o aldeamento às forças orientais. Algumas fontes dão-no como não tendo ainda cumprido o seu 30.º aniversário, sendo que assim terá nascido entre Junho e Dezembro de 1789.

Memória(s) da Campanha de 1816
No manuscrito da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro [conheça aqui, abre nova janela], está ao início uma Advertência que, quando da publicação em 1845, foi omitdo ou não existia no manuscrito usado por Machado de Oliveira. Seja como for, aqui a transcrevo, convidando também  ler a versão publicada na RIHGB, em 1845, que pode ser lida aqui:


Advertencia.
O Amor da Patria, e do meu Soberano me faz tomar o maior interesse por tudo quanto he util, e gloriozo para ambos. A Campanha d' 1816 feita pelas Tropas da Capitania do Rio Grande de S. Pedro do Sul, he pelas brilhantes acçoens militares nella havidas hũa das muitas que fundamentam a digna reputação das Armas Portuguesas, a Gloria Nacional, e a de El Rey D. João 6.º. E dezejando conservar a memoria de tão brilhantes acçoens, assim como os respeitaveis nomes de tantos heróes, q nella fizerão-se remarcaveis, me propuz a escrevêla; e puz em pratica o meu dezejo, prevalecendo o Patriotismo às dificuldades, que me apresentavão as faltas de talentos, e dos conhecimentos precizos de todas as particularidades, que as partes officiaes das mesmas acçoens militares não mencionão, e que exigião pennoza investigação para alcansallas, muito principalmente em meio dos tumultos de hũa guerra activa. Escrevi pois como pude, e expuz os factos taes, e quaes conheci, sem me poupar ao trabalho de investigar a verdade; ficando-me sempre o pezar de o não poder fazer com aquela elegancia, que meresse tão grave assumpto: estimarei porem, que hũa pena digna delle, podendo-se aproveitar da noticia que dou daquelles acontecimentos, os descreva de maneira, que se eternizem os nomes dos meos honrados Patriotas, que trabalhárão com distinção naquella memoravel Campanha, e chegue ao conhecimento das geraçoens vindouras a prezente gloria do meu Rey, e da minha Patria.
O Autor

Imagem de topo
- Várzea do Carmo (Arnaud Pallière). fonte: Wikicommons. São Paulo, 1821.

Fontes
- Gazeta do Rio de Janeiro
LARA, Diogo Arouche de Moraes – Memória da Campanha de 1816, in Revista do Instituto Histórico e Geographico Brasileiro, Tomo VII, n.º 26 – Julho de 1845, p.: 123 a 170, terceira edição, Rio de Janeiro ; imprensa Nacional, 1931, p.: 123 a 170.
- ------------ - Apêndice à Memória da Campanha de 1816, in: Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Tomo VII, n.º 27 – outubro de 1845, p.: 263 a 317, terceira edição, Rio de Janeiro ; imprensa Nacional, 1931, p.: 363 a 317.
- OLIVEIRA, José Joaquim Machado de, Breve Noticia Biographica sobre o Auctor da Memoria da Campanha de Artigas, in: Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Tomo VII, n.º 27 – outubro de 1845, terceira edição, Rio de Janeiro ; imprensa Nacional, 1931, pp. 256-262.

- BLAKE, Augusto Victorino Alves Sacramento, Dicionario Bibliographico Brazileiro, v. 2,Rio de Janeiro: Typographia Nacional, 1883. pp. 175-176
- BOEIRA, Luciana Fernandes, Como Salvar do Esquecimento os Atos Bravos do Passado Rio-Grandense: A Província de São Pedro Como um Problema Político-Historiográfico no Brasil Imperial (Tese de doutoramento), Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2013pp. 162-163
- CEZAR, Adilson, "Elogio de Adilson Cezar a seu patrono Ten Cel Diogo Arouche de Morais Lara". in: O Guararapes, Órgão de Divulgação das Atividades da Academia de História Militar Terrestre do Brasil, Aditamento ao N.º 42, Julho e Setembro 2004, http://www.ahimtb.org.br/guarara42a.htm. página de internet [31.1.2018]
SILVA, João Manuel Pereira da , Os varões illustres do Brazil durante os tempos coloniaes. 2 tom. [t. 1], (3.ª Edição),  Rio de Janeiro: B. L. Garnier. 1868

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Memórias: Expedição do Arroio de Barriga Negra (Fevereiro-Março de 1818)


Excerto de BARRETO, João da Cunha Lobo, “Apontamentos historicos a respeito dos movimentos e ataques das forças do comando do general Carlos Frederico Lecor, quando se ocupou a Banda oriental do Rio da Prata desde 1816 até 1823 (…)”, in: Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, vol. 196, Julho-Setembro 1947, pp.4-68. Leia aqui a biografia de João da Cunha Lobo Barreto.

«O General Pinto [Sebastião Pinto de Araújo Correia, (1784-1818), biografia], fazendo valer na corte os seus serviços, dizem que propusera a ocupação da Província de Entre-Rios, e para esta expedição se formou na Fronteira do Jaguarão um Corpo de tropas de que ele era o comandante; e dizem até que lhe fora expedido o Diploma de Capitão General da província do Uruguai; titulo de que jamais usou visto que não se pode verificar semelhante plano. Compunha-se esta coluna de um batalhão de libertos do Rio de Janeiro, que estranhando o clima, e as marchas forçadas, que fez desde Santa Catarina até o Rio Grande, estava reduzido a pouco mais de 300 praças; e de vários destacamentos de cavalaria de Milícias do Rio Grande, Santa Catarina e São Paulo; montando tudo em 1,000 e tantos homens. (6)

Avisado o General em Chefe [Carlos Frederico Lecor (1764-18369, biografia] da marcha desta coluna, ou porque temesse que o seu comandante fosse atacado por forças superiores, e derrotado, ou porque quisesse passar-lhe revista antes de seguir o seu destino, o caso é que ordenou reservadamente ao General Silveira [Bernardo da Silveira Pinto (1780-1830), biografia] que se fosse com ela encontrar. 

No dia 8 de Fevereiro tomou este o comando de oitocentos homens, a saber: um batalhão organizado de duas companhias do 2° Regimento de Infantaria da Divisão, e 2 de cada um dos Batalhões de Caçadores; comandado pelo Coronel Francisco de Paula Rosado; os Esquadrões do Coronel Marques [Manoel Marques de Sousa, II (1780-1824, biografia), e dois da Divisão comandados pelo Major Abreu [José de Barros e Abreu, Cav. DVR]; uma bateria de três peças e um obus, comandada pelo Major Andrade ; e as guerrilhas do Coronel Alvim. 

No dia 9 se pôs esta coluna em marcha sobre Canelones, e ali se demorou três dias observada por algumas partidas inimigas; e depois retrogradando sobre a Praça, descansou a duas léguas de distancia por espaço de 24 horas, e a 14 seguiu de noite pela estrada de Maldonado, fazendo assim duas jornadas sobre este ponto; porem ao 3° mudou de direção marchando para o Povo das Minas aonde acampando se demorou oito dias: estes movimentos foram tão bem mascarados, que em algumas destas marchas o inimigo nos perdeu de vista, sem que se pudesse atinar o desígnio de semelhante expedição; pois de certo foi talvez a única manobra reservada, que se desempenhou com mais segredo em todo aquele Exercito; e tanto que todos os comandantes de Corpos ignorarão o fim e tempo que duraria esta digressão, de sorte que o do 1° Batalhão de Caçadores, supondo que iria ocupar a Colónia, permitiu que os seus respetivos oficiais levassem barracas, e toda a sua bagagem, ao mesmo tempo que o do 2° Regimento, persuadindo-se de que seria uma sortida que duraria poucas horas ou dias, tinha mandado as suas companhias só com capotes emalados, e sem a menor bagagem; era na realidade um contraste gracioso; estes posto que mais leves; viam-se rotos, e precisados a estarem mesmo nús junto dos arroios enquanto lavavam sua roupa; e aqueles, carregados com suas mochilas, mal diziam seu peso, porem gozavam da melhor comodidade nos acampamentos, apresentando-se sumamente asseados no acto de revista; esperando porem os seus oficiais perderam todas as bagagens pela velocidade de suas marchas, quando os daquelas companhias se viam no vergonhoso estado de não terem uma camisa para mudar: nesta ocasião se provou o quão próximos se acham o prazer, e o desgosto. 
Levantando daqui acampamento nos entranhamos campo dentro, buscando o Arroio de Barriga Negra, onde fizemos alto por espaço de mais de 15 dias; ignorando ainda o fim desta manobra; apesar de que o General tivesse recebido alguns próprios, que no momento despedia. Tendo-se-nos acabado todas as munições de boca, ficamos reduzidos a comer a simples carne, e sem sal. Os soldados europeus que pela primeira vez sofriam tais privações, sentirão debilidade inexplicável que em pronto degenerava em epidemia se acaso ali nos demorássemos mais tempo.

Lavalleja,(7) que durante a nossa estada nas Minas, apareceu com uma força nas colinas imediatas observando a nossa direção, deixou de nos seguir ao segundo dia que dali levantamos; e assim andamos sem ser molestados por suas guerrilhas, tanto na marcha, como neste acampamento. Por este tempo voltou a aparecer o inimigo nas aproximações do nosso acampamento, e três dias depois se viu ao longe uma coluna, que para nós se dirigia; era o General Pinto, que então observado por aquele o investiu com um forte tiroteio, o que obrigou ao General Silveira a mover-se para proteger as ditas forças.

O silencio, que o inimigo até ali tinha observado, e a rapidez com que deixando suas posições partiu a atacar aquela coluna, deixava a pensar de que ignorava também a sua marcha; pois a sabe-la as forças que ali tinha, e o mau estado em que vinhão as tropas do General Pinto, lhe proporcionavam ocasião, de as bater com muita vantagem; fosse o que fosse, a 20 e tantos de Março estavam os dois generais portugueses reunidos junto ao referido Arroio. 
O General Pinto atendendo as faltas que tínhamos de mantimento mandou distribuir imediatamente á nossa coluna algumas rações de farinha e sal, e ali se demorou por espaço de dois dias ordenando no entretanto que um destacamento de quatrocentos homens fossem buscar todas as cavalhadas, e bois mansos que houvessem na estância de uma viúva, que residia a um dia de marcha do dito Arroio, pelo simples motivo de lhe constar terem ali tomado cavalos alguns desertores dos Corpos da coluna do seu comando: ordem esta que o Tenente Coronel Canavarro [Caetano Alberto de Souza Canavarro, 1.º Bat Caçadores, DVR], comandante deste destacamento não executou; conduzindo só alguns poucos bois e cavalos para o acampamento. 
O General Pinto o repreendeu pela sua moderação, por mais que o mesmo lhe fizesse ver, que os desertores tinham tornado á força cavalos, e roubado um pouco de dinheiro à dita Senhora: e daqui inferimos que outro motivo particular incitava a vingança daquele malévolo General. 

Em abono da verdade diremos que o Tenente Coronel Canavarro, em nada era inferior em condição ao General Pinto; e só sim tinha mais algum talento a que juntava a mais refinada impostura: e por isso o mais apto para semelhante expedição: porem a afabilidade e a prodigalidade com que a dita Senhora tratou tanto a ele como aos oficiais do destacamento, incitou a sua comiseração, pois que, alem de ter sido muito bem hospedado, trouxe um bom fornecimento de pão, vinho, cerveja, e sal, (1) que a mesma lhe ofereceu. Temos sumo pesar de ignorarmos ora o nome desta Senhora, cujo estado nos contristou: era jovem, tinha bastante discernimento e afabilidade impondo quase respeito com seus modelos circunspectos; seu marido tinha sido, havia meses, assassinado no Cerro Largo, e ela conservava seus ossos no quarto em que dormia, em um pequeno caixão forrado de preto, que depositado sobre uma mesa á cabeceira da sua cama era alumiado efetivamente por duas velas; nós a vimos lamentando a sua morte, abrir o caixão e beijar a caveira do seu adorado esposo, sem ver copiosas lágrimas, ou romper em alaridos; mas sim com um ar melancólico que deixando escapar; como com violência, algumas lágrimas, bem patenteava a interna dor que lhe devorava as suas entranhas.

(1) Nesta ocasião não omitiremos que o Capitão Sá (conhecido pelo Sá doido) o desafiou por não repartir com ele um pouco de sal.

Na mesma casa haviam mais dois matrimónios de irmãos seus; posto que ela fosse o chefe de toda a família. Fazemos esta descrição afim de que nossos leitores votando a execração àquele General conheçam qual era a vítima, que pretendia perseguir; e bem digam este modelo do amor conjugal.

O novo Capitão General do Uruguai, tendo fatigado nas primeiras marchas os soldados e com a sua cavalaria a pé, assim mesmo. queria marchar para Entre Rios; porem consta-nos que fora contrariado pelo General Silveira, que lhe fez ver o mau estado das tropas, e o arriscado de semelhante empresa, se deliberou a tomar o caminho de Montevideu. As duas colunas marchavam unidas, mudando diária e alternativamente a sua frente; nos dias que a do General Pinto fazia a vanguarda, ia esta manobrando sempre sobre a marcha, ora tomando posições, ora fazendo escaramuças, até anoitecer; mudando as vezes duas e três vezes de acampamento; ao contrario, a do General Silveira quando formava a testa de coluna, destacava seus atiradores; e sem se demorar mais que o tempo necessário para descanso continuava a sua marcha na melhor ordem; e fazendo acampar os seus soldados, os deixava refazer, e descansar, colocando ele mesmo os postos avançados. 
Sendo diferentes as táticas, e índoles dos dois generais, é fácil de ajuizar de que pronto se indisporiam, o que não tardou a conhecer-se, pois que o 2° pretextando incómodos se meteu no seu coche, de que até ali se não tinha servido; e depois de dar as disposições sobre a marcha da sua coluna auxiliar, seguia assim na frente desta; e tanto é verdade isto, que sendo nós atacados junto do Passo dos – Dois Irmãos — este General montou a cavalo, sem a menor dificuldade, e desta sorte expediu as suas ordens todo aquele dia; sem que a sua saúde tivesse por isso a menor alteração. 

No referido passo houve alguns poucos mortos e feridos de parte a parte: e próximo as imediações de Toledo (8) uma partida das tropas deste mesmo General, comandada pelo Tenente Coronel Canavarro, surpreendeu outra inimiga, ficando em nosso poder oitenta e tantos prisioneiros, incluído o irmão de Fructuoso Ribera, Bernabé Ribera. Afinal chegarão á Montevideu estas tropas em princípios de Abril, depois de uma penosa marcha; porem sem sofrer grande perda; posto que tivessem havido alguns tiroteios, sendo porem o maior o que tivemos á vista da Praça no ato de tocarmos os postos avançados da nossa linha. (9)

Toda a cavalaria de Milícias, que acompanhou o General Pinto, se reuniu aos Esquadrões de linha do Coronel Marques, e ficou debaixo das ordens deste, no lugar do Pantanoso, formando um corpo separado com o titulo de — Divisão Ligeira —: os libertos se aquartelarão dentro da Praça; e a coluna provisória foi desfeita, recolhendo-se as praças, que a formavam, aos respetivos corpos. Por este tempo constou que um batalhão de libertos orientais comandado pelo Coronel Baccá, (10) e a artilharia que lhe estava adida, pretendiam passar-se para o nosso exercito, o General Avillez recebeu ordem para proteger esta insurreição e fez um movimento na linha, porem em ocasião desencontraria, pois só dias depois, e quase imprevistamente é que o dito corpo nos procurou; acossado pela cavalaria dos seus, e se refugiou próximo das nossas avançadas junto ao Serrito da Victoria, a tiro de fuzil das nossas vedetas.

[Notas do Barão do Rio Branco:]
(6) — Eram quase todos soldados bisonhos. Sebastião Pinto desembarcou com eles em S. Miguel, atravessou o banhado de S. Luís, passou o Cebollati no passo da Cruz e colocou-se no rincão do Pará. Aí apareceram o general Rivera e o capitão Julian Laguna, com mais de 2.000 homens, e começaram a incomodar a nossa coluna. 
(7) — Não era Lavalleja, mas sim Julian Laguna.
(8) — Nas imediações de Pando. A força inimiga era comandada pelo capitão Julian Laguna.
(9) — O choque a que se refere o autor teve lugar em Mango. O general Rivera com 800 homens caiu sobre a retaguarda do general Silveira, mas não conseguiu destroçá-la, e retirou-se. Precipitadamente.
(10) — O batalhão amotinou-se contra seu coronel Dr. Rufino Bansá (e não Baccá) e vários oficiais. Foram fuzilados alguns soldados, e outros muitos desertaram, passando-se para Lecor. Sufocado assim o motim o coronel Bansá, depois que Rivera retirou-se do sitio de Montevideu, passou a servir debaixo das ordens de Otorgés. Fatigado e sem esperanças de sucesso, Bansá e seus oficiais Manoel e Ignacio Oribe, Gabriel Velazco, San Vicente, Morjaim e outros muitos resolveram entender-se com Lecor, pedindo que lhes permitisse passar a Buenos Aires. Bansá tinha ás suas ordens 600 libertos e 3 peças de artilha. Obtida a promessa de Lecor, puseram-se em marcha para Montevideu e foram acutilados por Otorguez até as nossas avançadas, onde o general Avilez os recebeu.»

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Exército do Brasil: José Joaquim Machado de Oliveira


O capitão José Joaquim Machado de Oliveira nasceu em São Paulo, a 8 de Julho de 1790, filho do  tenente coronel Francisco José Machado de Vasconcelos e de D. Ana Esmerina (Esméria ou Esmênia) da Silva.

Com um ano e meio de idade, o pai assentou-lhe praça mas só em dezembro de 1807, já com 17 anos, foi reconhecido cadete.  É Alferes em 1809, tenente em 1811 e, finalmente, graduado em capitão em 13 de Maio de 1813, pelos seus serviços na Campanha de 1811-12.

Em 1816, com cerca de 26 anos, é capitão de infantaria da Legião de Voluntários Reais, de S. Paulo, e participa com distinção, nos combates do Passo de Yapeyú e na batalha de S. Borja, e, já em Janeiro, na Surpresa de Arapey, sempre sob o comando direto do tenente coronel José de Abreu.

* * *

Fontes
- VV AA, Anno biographico Brazileiro: 2, Volumes 1-3, Rio de Janeiro, Imperial Instituto Artístico, 1876.

Leia também
- Celebração da Paixão de Jesus Christo entre os Guaranys (Março de 1818) (J. J. Machado de Oliveira)
https://dvr18151823.blogspot.pt/2018/03/celebracao-da-paixao-de-jesus-christo.html

domingo, 18 de novembro de 2018

Liga dos Povos Livres: José Fructuoso Rivera


O coronel JOSÉ FRUCTUOSO RIVERA (Y TOSCANA) nasceu a 17 de outubro de 1784 em Durazno, filho do proprietário rural Pablo Hilarión Perafán de la Rivera Bravo e de D. Andrea Toscano. Era também conhecido por D. Frutos.

Alista-se desde logo às forças patriotas em 1811, como Alferes, assistindo à tomada de Colla (hoje Rosário) a 20 de abril, e participando no combate de San José, cinco dias depois, sob o comando de Venancio Benavides. Já como Teniente, incorpora-se no exército de José Artigas no Canelone Chico, cinco dias antes da batalha de Las Piedras, a 15 de Maio de 1811, em que terá participado, sendo graduado em Capitán após a mesma.

Em 1812, combate a primeira invasão portuguesa na zona de Missões, sob o comando de Fernando Otorgués. Participa depois no 2.º sítio a Montevideu, entre 1812 e 1813, em várias ações, ganhando reputação entre os seus pares. Foi ferido numa ação no arroio Seco a 1 de novembro de 1812. A 31 de dezembro, participa na ação do Cerrito, sendo efetivado no posto de capitán por essa altura. 


Em 1813, comanda pela primeira vez colunas independentes das três armas, sendo promovido em seguida a Sargento Mayor, pouco antes da ação de Sótea (esta contra uma força centralista, fiel a Buenos Aires).  Já como Teniente Coronel, comanda as forças federais na batalha de Los Guayabos, onde derrotou um exército de Buenos Aires, a 10 de Janeiro de 1815. É promovido a Coronel da linha do Ejercito Oriental, com o comando do novo Regimiento de Dragones [de la Libertad]. 

Em 1816, com 32 anos, comanda a División de Observacion (ou de La Derecha), na zona de Rocha e Maldonado, destinada a observar e conter a Divisão de Voluntários Reais. Foi anteriormente o governador militar da cidade de Montevidéu por grande parte de 1816, até Setembro, quando sai em campanha.

Comanda as forças federais na batalha de India Muerta, onde é derrotado apesar das suas felizes escolhas táticas, na Ação de Santa Lucia e na observação/sítio a Montevideu, após cair em mãos portuguesas.

Vem a ser, em 1830, o primeiro presidente da República Oriental do Uruguai.