sábado, 30 de novembro de 2019

Na Estrada de Montevideu

Embarque da DVR a 29 de Maio de 1816, na Praia Grande (J. B. Debret)
No final de 1814 foi mandada aprontar uma divisão de voluntários, a ser composta de pouco menos de 5000 militares das três armas, com o objetivo de intervir no sul do Brasil. Este blogue é uma humilde contribuição para o conhecimento da história da Divisão de Voluntários Reais do Príncipe, e depois d'El-Rei, entre 1815 e 1824, assim como das tropas da Capitania do Rio Grande.
A campanha de 1816 foi um esforço conjunto de mais unidades do Exército do Brasil e de Portugal num teatro de operações que ia desde a costa atlântica à costa do rio Uruguai, com quatro colunas distintas.
Apesar de adotar uma perspetiva portuguesa do conflito, este blogue procura também a perspetiva oriental a fim de traçar a mais fiel possível descrição dos acontecimentos desta guerra.

AS BATALHAS
As ações, sítios e batalhas da campanha, com ligação aos artigos disponíveis sobre elas, com ênfase forte nos memorialistas.
AS BIOGRAPHIAS
Em constante atualização, aqui pode encontrar ligações à biografia de alguns dos militares, portugueses e federais.
OS MOMENTOS
Os artigos sobre momentos que não envolvem combate.
OS VOLUNTARIOS
Listas e caracterização dos militares da Divisão dos Voluntários Reais.
AS TÁCTICAS
Os artigos predominantemente da análise tática militar.
AS MEMORIAS
As vozes dos combatentes e testemunhas dos eventos.

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Exército do Brasil: José Maria Rita de Castelo Branco, conde da Figueira


O capitão general JOSÉ MARIA RITA DE CASTELO BRANCO CORREIA DA CUNHA VASCONCELOS E SOUSA, 1º Conde da Figueira, nasceu em Salvaterra de Magos, a 5 de Fevereiro de 1788, filho de José Luís de Vasconcelos e Sousa, marquês de Belas, e de D. Maria Rita de Castelo Branco Correia e Cunha.

Tendo assentado praça como cadete a 10 de Março de 1806, com 18 anos, é promovido no ano seguinte, a 24 de Junho, a alferes agregado ao Regimento de Cavalaria n.º4 (ou de Mecklemburgo, aquartelado em Lisboa). Nos finais de 1807 embarca na Corte com destino ao Rio de Janeiro.

A 13 de Maio de 1808, aniversário do regente, é promovido a tenente, muito provavelmente no 1.º Regimento de Cavalaria do Rio, unidade que é levantada nesse mesmo dia, para empregar vários oficiais vndos de Portugal com a Corte.  Dois anos depois, a 24 de Junho, é promovido a capitão. No mês anterior é titulado conde da Figueira (13 de Maio de 1810).

A 7 de Março de 1812, é graduado em major (ou sargento mor), ajudante de ordens do Governador das Armas do Rio de Janeiro, marechal de campo Ricardo Xavier Cabral.

Em 1817, é tenente coronel. Fez parte da expedição portuguesa que foi à cidade de Pernambuco em 1817. Serve, na aclamação de D. João VI, em inícios de 1818, como reposteiro mor, vindo oito anos depois a servir na mesma capacidade do funeral do monarca.

A 19 de Outubro de 1818, com 30 anos de idade, toma posse como capitão general do Rio Grande de São Pedro, assumindo o comando das tropas do Rio Grande, em plena atividade operacional desde meados de 1816. Substitui o Marquês de Alegrete.

Herdou um dispositivo bastante espalhado no terreno, desde a fronteira oeste da província na área entre Missões e Santana do Livramento, e no território oriental, na margem esquerda (ocidental) do rio Uruguai, até Paysandu, resultado na ofensiva do tenente general Joaquim Xavier Curado em 1818.

É o comandante das forças portuguesas  na batalha de Tacuarembó, a 22 de Janeiro de 1820, que coloca um fim à guerra de 1816-1820 entre Portugal, Brasil e Algarves e a Liga Federal, ou dos Povos Livres.

A 14 de Abril de 1820, pelos seus sucessos na campanha, é promovido a coronel de cavalaria, mantendo como capitão general da província até Setembro desse ano.

* * *

Imagem
- Capela do Antigo Paço Real - Salvaterra de Magos
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Capela_do_Antigo_Pa%C3%A7o_Real_-_Salvaterra_de_Magos_-_Portugal_(2624895948).jpg

sábado, 7 de setembro de 2019

O Filho do Marechal


Sebastião Pinto de Araújo Correia nasceu em Viana do Castelo e era, em Novembro de 1813, aos 28 anos, o coronel do Regimento de Infantaria n.º 18, promovido apenas três meses antes. Estava a sua divisão e o Exército nas margens do Adour, defronte de Bayonne, já bem dentro de França. Pequeno nobre do Minho, o mais velho de sete irmãos, era primo de D. António Araújo de Azevedo, antigo ministro da guerra em Lisboa, o que ajuda a explicar ser coronel a uma idade tão precoce. Ainda assim, Sebastião Pinto havia sido prejudicado na antiguidade, por via de um ferimento na cabeça na batalha de Fuentes de Onoro, no dia 5 de maio desse 1811, no comando de Caçadores 6. Esteve 4 meses e meio com parte de doente. Outros tenentes coronéis promovidos de 1809, alguns que conheceremos mais à frente, obtiveram a patente de coronel em 1812, um ano antes.



A 6 de novembro, o  novel coronel de Infantaria 18 pediu e recebeu uma licença de três meses para recuperação em Portugal de uma moléstia que padece, resultado decerto do ferimento em 1811, mas a mesma é posteriormente alterada para ir ao Rio de Janeiro, para tratar na corte assuntos da sua casa. O coronel Pinto viaja para Portugal e não volta ao exército em operações na França para a campanha de 1814.



Ainda que concebamos que a visita de Pinto à corte fosse simplesmente em busca da devida recompensa de um herói da guerra, ferido no serviço real, por especial deferência do seu mentor e ‘pai’, o marechal Beresford, fica também claro que essa estadia se tornou depois em diligência do real serviço, não só decerto pelo transporte dos decretos e demais correspondência a Lisboa, mas por ter dado o seu conselho profissional ao Principe Regente e ao marquês de Aguiar.



Parece também provável que Sebastião Pinto tenha sido autorizado a ir ao Rio de Janeiro, em vez de voltar à campanha, isto é, já de um forma oficiosa, em diligência de serviço. É estranho que um comandante de regimento, por mais protegido que fosse, seja especialmente autorizado a permanecer em licença por 3 meses mais que o inicialmente, sendo depois autorizado a ir o Rio de Janeiro.



No âmbito da divergência de interesses lusos-britânicos que se processava desde finais de 1813, com o afastamento definitivo de uma ameaça francesa sobre Portugal, Beresford terá enviado Pinto com ofícios, à laia de guarda avançada, de forma a recuperar alguma da autoridade face à regência. Nada melhor que enviar um heroi de guerra, oficial de potencial e ferido até numa grande batalha, além de primo de um dos ministros.



As circunstâncias dão a volta, porém, quando Sebastião Pinto participa na idealização da divisão e traz os ofícios, acaba por minar mais ainda a autoridade do marechal general, ainda que não o desejasse. A vontade do Príncipe Regente supercede todas as outras, e a necessidade de pacificar a Banda Oriental e Artigas era o mais importante agora para Portugal, na nova configuração europeia que se esboçava em Viena.



O coronel Pinto tem feito sempre remarcáveis serviços à sua Pátria,” recomenda António de Lemos Pereira de Lacerda, secretário militar do marechal Bereford, a D. António Araújo de Azevedo em carta de 4 de maio de 1814, que Pinto mesmo transportou. Sebastião Pinto parte para o Rio de Janeiro pouco depois dessa data. Lacerda salienta que o seu recomendado “tem constantemente merecido a amizade, e consideração do Chefe do Exercito, que o ama tanto, que se chega a denominá-lo: o filho do Marechal”. É também em abono de Sebastião Pinto que Lacerda intercede por justiça ao seu recomendado, por este  ter entregue os seis irmãos ao serviço do soberano:



Os seus sentimentos a respeito da boa cauza da Monarquia não se limitarão unicamente a servir elle; mas tinha seis irmãos, e todos seis entregou ao serviço do Exercito, e todos seis tem alcançado pelo seu comportamento os Postos em concequencia do bom conceito que tem merecido. Sebastião Pinto como bom irmão os pôs na estrada da honra, e ali os tem cuidadosamente alimentado á custa de sacreficios, e de grandes despezas; e estas, unidas as que elle com sigo proprio tem feito, não podem deixar de ter muito deteorado os seus fundos. Elle aí vai, tem a V. Ex.ª por Parente, e Amigo, e Protector, e tudo se remediará, e o seu merecimento será premiado, porque o nosso Augusto Soberano se não ha de esquecer de fazer justiça.



Tendo sido ferido na cabeça numa das batalhas mais famosas da Guerra Peninsular, Pinto considerou possivelmente que seria uma oportunidade para se apresentar a sua Alteza Real o Príncipe Regente e pedir que se lhe faça justiça. O coronel Pinto vai obter exatamente o que pretende no Rio de Janeiro, uma espécie de debutância na corte, com a proteção do seu primo D. António, ministro do reino no Brasil. A corte está fora de Portugal há já seis anos e apresentando-se um verdadeiro heroi da Guerra europeia, este é recompensado. No aniversário da rainha D. Maria, a 12 de outubro, Sebastião Pinto é promovido a brigadeiro, obtendo o avanço que pretendia.



Já Sebastião Pinto navegava no mares do Atlântico sul, na sua “estrada da honra”, em direitura ao Brasil, o exército português em operações, fora do país desde maio de 1813, celebra a rendição de Soult, o fim da Guerra Peninsular e o exílio de Napoleão em Elba e começa a percorrer a sua estrada do triunfo de regresso à pátria. 

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

Estado Maior: Álvaro da Costa de Sousa de Macedo


O tenente coronel ÁLVARO DA COSTA DE SOUSA DE MACEDO nasceu no Palácio dos Viscondes de Mesquitela, na Calçada do Combro, em Lisboa, a 22 de Agosto de 1789. Era filho de D. José Francisco da Costa de Sousa e Albuquerque, 2.° visconde de Mesquitela, Armador Mor do Reino, e de Maria José de Sousa Macedo, 2.ª viscondessa de Mesquitela.

Alista-se a 5 de Agosto de 1809 no Regimento de Artilharia n.º 4, no Porto, passando, dois meses depois, a 24 de Outubro, ao Regimento de Infantaria n.º 6, na mesma cidade, como Alferes da 5.ª Companhia. No final do ano, a 29 de Dezembro, passa à 2.ª Companhia de Granadeiros do regimento.

A 29 de Novembro de 1810, é promovido a tenente e nomeado ajudante de ordens do coronel Wiliam Moundy Harvey. Este oficial, do mesmo regimento de Álvaro, comandava a brigada portuguesa constituída dos regimentos de infantaria n.º 11 e 23.

Participa na batalha de Albuhera, em Maio de 1811, onde a sua brigada trava brilhantemente cavalaria francesa em linha. Recebe posteriormente a Cruz de Distinção da batalha, outorgada por Espanha.

Em 1812, é ferido na tomada de Badajoz, juntamente com o seu general e o major da Brigada Thomas Peacocke. Um mês depois, a 5 de Maio, é promovido a capitão.

Em 17 de Agosto de 1813, após a morte do seu general, passa a capitão da 2.ª Companhia de Granadeiros, do Regimento de Infantaria n.º 23.

A 27 de Abril de 1814 é promovido a sargento mor do Regimento de Infantaria n.º 11, com antiguidade de 17 de Fevereiro, após ter sido “encarregado de appresentar a Suas Excellencias os Senhores Governadores do Reino os despachos do lllustríssimo e Excellentíssimo Senhor Marechal General Duque da Victoria, relativo ás acções que houverão desde 14 do referido mez de Fevereiro até 1 de Março". Pelo seu serviço durante a guerra, recebe a Cruz da Guerra Peninsular, 1.ª classe, por 5 campanhas.

A 24 de Junho de 1815, com 25 anos de idade, é promovido a tenente coronel e nomeado deputado do Ajudante General da Divisão de Voluntários Reais do Príncipe, embarcando para o Brasil, em Setembro desse ano, onde serve durante a campanha. A 4 de Julho de 1817 é promovido a coronel.

Após a campanhas do sul do Brasil, é promovido a brigadeiro a 26 de Março de 1821, recebendo o grau de cavaleiro da Ordem da Torre e Espada dois meses antes, a 22 de Janeiro. É o último comandante da Divisão dos Voluntários Reais, assim como Capitão General da Província Cisplatina, quando Carlos Frederico Lecor toma o serviço brasileiro, em Setembro de 1822.
A 18 de Novembro de 1823, após um conflito de um ano entre as forças portuguesas e brasileiras, assina um compromisso com Lecor e as forças portuguesas abandonam Montevideu em Março do ano seguinte. Pelos seus serviços, recebe a Cruz de Ouro de Montevideu.

Já em Portugal, torna-se o governador da Praça de Setúbal em 1824, sendo, em 1828, o encarregado interino do Governo de Armas da província do Minho. 
Em 1830, torna-se o Capitão General e governador da Ilha da Madeira até ao fim da Guerra Civil, sendo promovido a marechal de campo a 2 de Janeiro de 1832. A 26 de Outubro de 1833, é feito conde da Ilha da Madeira e promovido no mês seguinte a tenente general (21 de Novembro).

Após o final da guerra civil, exila-se em França, onde falece em 1835.

terça-feira, 3 de setembro de 2019

Memórias do coronel Francisco de Paula Azeredo: V (Final)


Memórias do coronel Francisco de Paula Azeredo: Parte V
Desde a Batalha de India Muerta, a 19 de Novembro, até à tomada de Montevideu e início da ocupação portuguesa.

Continua da Parte IV [LER]
Parte I [LER] | Parte II [LER] | Parte III [LER]


Com a chegada ao campo inimigo restabeleceu-se a disciplina nas tropas, que estavam bastante faltas d'ella pela sua longa demora nas Pelotas, o que é sempre muito prejudicial aos exercitos, que marcham em paiz estrangeiro. Não foi dos mais atacados da febre d'indisciplina o regimento que commandava o Coronel Azeredo.

Em pequeno numero foram as deserções, e insignificantes as faltas commettidas. Para isto concorreu essencialmente o exemplo e firmeza do Coronel. Para poder punir os soldados apresentou para modêlo a sua propria conducta, e começou castigando as faltas dos officiaes mais graduados do seu regimento. ".

O Tenente-coronel João Chrysostomo Calado, sem solicitar licença, ausentou-se por tres dias, indo á villa do RioGrande. No seu regresso, o Coronel mandou-o immediatamente prender, e deu parte ao Commandante da brigada o Brigadeiro Francisco Homem de Magalhães Quevedo Pizarro: esta falta foi publicada em ordem do regimento, e d'ella aproveitou o reprehendido, que tendo sido sempre um official valente, se tornou depois irreprehensivel.

Ainda então estavam presentes na memoria de todos os officiaes, que faziam esta campanha, as ordens do dia do exercito do Marechal-general Lord Beresford, que nas de 23 d'outubro e 2 do dezembro de 1810 manda lançar a nota de desertor ao official que se conservar ausente do acampamento mais de vinte e quatro horas. Tão sevéro era em punir como indulgente em perdoar, quando a voz da clemencia se podia escutar sem prejuizo da disciplina.'Tambem não soffria a menor quebra na sua dignidade como commandante do regimento, não consentindo que se executasse ordem superior, que lhe não fosse communicada directamente, e tambem intercedia sempre pelos seus subordinados, quando via que os superiores os vexavam sem razão. Isto o tornou amado de officiaes e soldados, que o acompanhavam alegres e cheios de confiança.

Depois dos acontecimentos que acima se referem, teve logar o combate da India-Morta, em que o regimento d'infanteria n.° 2 não tomou parte. Westa acção commandou o General Manoel Sebastião Pinto d'Araujo, e combateu n'ella com grande denodo, como costumava, o Major Jeronymo Pereira de Vasconcellos, estando gravissimamente enfermo quando entrou em fogo : depois d'esta acção passou este official para o regimento do commando do Coronel Azeredo.

A marcha da brigada foi demorada, estacionando por muitos dias nos diversos acampamentos em Roxa e em S. Carlos. A estação era magnifica, pois a marcha se fez desde e mez de novembro até ao fim de Janeiro de 1817, em que as tropas deram entrada na praça de Montevideu ; comtudo este paiz é por tal forma açoitado pelos ventos do poente, chamados pamperos, que mesmo n'esta estação a permanencia nos acampamentos se tornava muito incommoda.

N'essas solidões immensas, regadas pelo Uruguay e pelos seus confluentes, sob o ceo do Cruzeiro, a vida dos expedicionarios se passava na monotonia dos campos, varados pelos ventos, batidos pelas trovoadas, ensopados pelas chuvas meridionaes.

Ahi as saudades da patria, augmentadas pela immensa distancia que a separava, eram exacerbadas pela falta de conforto, pelo máo sustento, pela pequena e demorada paga. O pão era de péssima qualidade, e ainda assim diminuido de seis onças de pêzo sobre o que determinava a ordenança; o serviço do commissariado era feito só com a mira no ganho immoral; e a carne mesma, não obstante a abundancia do paiz, era por vezes tão ruim, que os soldados a recusavam, e não tinham que comer. No meio d'estas inclemencias e contrariedades, o regimento do commando do Coronel Azeredo não leve um unico desertor desde a sua marcha das Pelotas pelo pontal de S. Miguel, onde os dois paizes s'extremam, até á praça de Montevideu, sobre o rio da Prata: por este motivo, o Capitão-general commandante em chefe elogiou, em ordem de divisão de 7 de março de 1817, o excellente comportamento do Coronel e do regimento que commandara n'esta longa e penosa marcha.

A cidade de Montevideu, edificada n'uma peninsula, tem um aspecto risonho pela sua construcção em amphitheatro: suas ruas não são calçadas, e as casas tem apenas um andar com terrassos servindo de telhados. A falta d'aguas a que está sujeita, obriga os habitantes a aproveitar aquellas que provém das chuvas, que recolhem em cisternas. No tempo em que a expedição portugueza chegou ao Rio da Prata estava Montevideu n'um estado florescente: mais tarde as guerras continuas, os bombardeamentos e as devastações não interrompidas tem enfraquecido o seu primitivo esplendor. Não obstante todos estes desastres e calamidades, as republicas argentinas tem progredido, e segundo a descripção de mr. Martin de Moussy, a civilisação e os fructos da liberdade mesmo incompleta apparecem por cima das ruinas e dos massacres.

Ao contemplar o vasto golfo do Rio da Prata, o Coronel Azeredo não pôde deixar de sentir a impressão d'enthusiasmo que transparece nos cantos inspirados de Cooper, Echeverria e Gongol, poetas que de diversas regiões do globo vieram celebrar as grandezas do vasto imporio das aguas do Uruguay e do Paraná, e prestar a sua admiração ás interminaveis planicies, e aos pampas, de que se compõe este paiz na sua magestosa uniformidade, cujos limites são só o horisonte. Um porto de mar com uma abertura de cincoenta legoas e com a extensão de sessenta, deve ser o mais admiravel panorama. Assim elle serve de ponto de reunião ás esquadras de todas as nações da terra, e pelos rios que n'elle desaguam são levados e conduzidos os productos d'importação e exportação d'esta vasta e esplendida região, a que Martin de Moussy déra o nome de Mesopotamia argentina.

Esta bella região tem sido o theatro de guerras devastadoras. Na época em que os portuguezes foram ao Rio da Prata, a historia das suas luctas estava apenas em começo. Artigas assolava as ricas provincias argentinas, declarando-se o defensor da liberdade e dos povos. O exercito portuguez veio tomar parte nesta lucta, e apesar de manter inalteraveis os seus creditos grangeados noutras campanhãs, não concorreu senão para aggravar as desgraças da mãe patria, pelas despezas que lhe causou sem proveito algum, e com prejuizo, porque da oceupação de Montevideu tirou a Hespanha pretexto para não restituir Olivença depois da paz geral, como se estipulou no tratado de Vienna.

Os louros ceifados nos campos de batalha na longa lucta da peninsula pelo exercito portugues, não murcharam nas planicies do Rio da Prata, e o estandarte da cruz quinqnipartida manteve-se glorioso; mas dos sacrifícios e fadigas dos portuguezes só tirou proveito a ingrata colonia brazileira, que rasgou as entranhas da mãe, que a concebêra. Mais tarde ella mesma teve de perder a conquista que lhe grangearam as armas portuguezas, porque o seu funesto exemplo foi seguido pela antiga colonia hespanhola; teve ella de amargar durante quatro annos de anarquia sanguinaria a sua emancipação, para depois se entregar durante vinte annos ao despotismo furioso de Rosas, até que vencido por Urquizà, se fez a constituição de Santa Fé, que hoje prepara melhojes destinos ás vastas provincias argentinas.

Apenas entrada a expedição em Montevideu foi o regimento commandado pelo Coronel Azeredo, e que fazia parte da brigada capitaneada pelo Rrigadeiro Pizarro, destinado para a guarnição da praça, fazendo destacamentos sobre o forte do Serro e varias ilhotas, que ha na bahia. O tempo se passou no serviço de guarnição, adoçado por.não interrompida serie de divertimentos e bailes, em que os habitantes da cidade muito se deleitavam, como é habitual em todos os povos que participam do sangue hespanhol.
O serviço do exterior da praça era feito pela primeira brigada. Pertencia-lhe vigiar o inimigo, que se abrigava nas circumvisinhanças do recinto, e cobrir a praça. Faziam-se sortidas de tempos a tempos, e estas traziam o proveito de se fazerem prezas no campo inimigo.


* * *

CONHEÇA A BIOGRAFIA DESTE OFICIAL AQUI

Retirado de: AGUILAR, Francisco D’Azeredo Teixeira D’, Apontamentos Biographicos de Francisco de Paula D’Azeredo, Conde de Samodães, Porto, Tip. Manoel José Pereira, 1866. pp. 82-sg

Memórias do coronel Francisco de Paula Azeredo - IV


Memórias do coronel Francisco de Paula Azeredo: Parte IV
Desde que marcha de Torres, a 31 de Agosto de 1816 até à Batalha de India Muerta, a 19 de Novembro.

Continua da Parte III [LER]
Parte I [LER] | Parte II [LER]


[28/8/1816]
'No dia 28 porém, tiveram noticias de Portugal, e o Coronel Azeredo teve a satisfação de receber cartas das pessoas que mais amava, e cuja saudade acerba lhe não deixava gozar um só momento, nem dos passatempos que a boa hospitalidade d'estes povos lhe proporcionava, nem do vasto e admiravel espectaculo d'este paiz magestoso.

[31/8]
No dia 31, como acima dissemos, terminou o doce ocio d'esta Capua-americana, e o Coronel fez embarcar os seus cavallos e os dos seus officiaes, e deu ordem para elles o esperarem no pontal de S. Miguel, a setenta legoas de distancia; para este pontal se dirigiu o batalhão, primeiramente embarcando em hiates na lagoa dos Patos, e depois pelo rio de S. Gonçalo, que é navegavel: mas os cavallos apenas embarcaram para atravessar a lagoa, que tem aqui cinco legoas de largura, seguindo depois por terra, até ao dito pontal.

Tendo o Coronel atravessado tambem a lagoa dos Patos, subiu pelo rio de S. Gonçalo duas legoas, e ahi desembarcou, indo acampar o batalhão no logar das Pelotas, que já então era uma bonita povoação,, banhada pelo rio do mesmo nome, o qual vem vazar suas aguas no rio de S. Gonçalo. Chegado ás Pelotas encontrou parte das forças que tinham vindo adiante, e ahi deliberou esperar pelo resto do regimento, que vinha á rectaguarda.

Foi hospedar-se para casa do vigario, que o recebeu com a mesma cordialidade, com que os outros seus hospedes o tinham regalado n'esta longa jornada.

Esta povoação das Pelotas está n'uma situação vantajosissima para' o commercio, sobre o rio do mesmo nome, que é navegavel mais de nove legoas, e desagua no rio de S. Gonçalo, que vem da lagoa Mirim, navegavel mais de setenta legoas. A' famosa lagoa dos Patos pagam o tributo de suas aguas outros muitos rios, que levam a navegação até logares collocados a grandes distancias da costa.

São as casas aqui construidas de tijolo, cobertas de telha, e de um só andar, por causa da força dos ventos, caiadas e muito aceadas. O paiz produz todos os fructos do nosso clima de Portugal: e a não ser o viço da vegetação d'uma terra virgem, e a immensidade dos horisontes, que não offerecem repouso algum á vista, não se acharia differença entre um e outro paiz.

E' aqui o centro e coração da importante e rica provincia do=Rio Grande do Sul. Tudo n'este paiz é grande e maravilhoso, mas muito tem que desbravar a industria humana: os habitantes cultivam apenas uma parte de seus campos, e o resto fica para pastagens de gados. O seu principal negocio consiste nos couros dos bois, e carne sêcca: aquelles são exportados em quantidade enorme para o nosso paiz: a carne sêcca é consummida embarricada nas differentes provincias do Brazil.

Aos grandes proprietarios chamam-se=scharqueadores, por isso que á operação de matar os bois se dá o nome de charquear. Ha proprietario que mata annualmente mais de trinta mil bois; e esta carnificina tem principalmente lugar em dezembro e janeiro, porque sendo os mezes mais ardentes, é quando a carne se sêcca melhor.

A não ser a salubridade do clima, e a pureza dos ares, as epidemias seriam frequentes, porque a podridão do sangue e dos intestinos, de que os campos estão juncados bestes mezes, damnificariam o ar, e produziriam as pestes: pois não são só os bois que os charqueadores matam em quantidade consideravel, mas fazem igual carnificina das egoas e mullas, cujas pelles só aproveitam para as venderem por um preço insignificante. 0 numero de cabeças e ossos de bois é tal, que construem com elles paredes; e nos fornos de telha e tijolo, em vez de lenha, empregam os mesmos ossos. Como a vida se torna facil n'este magnifico paiz, a ociosidade é partilhada por todos os brancos, e só os escravos trabalham nas industrias que deixamos indicadas, que dão comtudo lugar a um trafico immenso, facilitado pelos grandes rios e vias aquaticas, onde se movem centenares de hiates, carregados dos productos do paiz, que vem trazer a abundancia á Europa e á America, e dando a esta provinda uma importancia imponente, que ella tem sabido conservar e augmentar, tornando-a uma das mais opuleutas e magnificas d'este formidavel imperio. 

[Outubro e Novembro]
O batalhão passou nas Pelotas os mezes de setembro é outubro, vivendo no seio da abundancia e dos bons commodos. Principalmente o bom vigario, que era irmão d'um Hypolito, redactor do Correio Braziliense tratou o Coronel com tal carinho e generosidade, que nos seus velhos dias, quando o frio dos annos procurava regelar-lhe a memoria, elle o recordava com saudade. Que todo o homem, em qualquer posição, procure sempre fazer o bem e crear sympathias: por obscuro que elle seja, viverá perennemente na memoria das almas bem formadas, e não será inutil a sua passagem sobre a terra.

[...]

[4/11]
Como haviamos dito, nas Pelotas se tinha reunido o regimento todo, o qual embarcou no dia 4 de novembro ás 6 horas da tarde, 

[5/11]
e como não houvesse vento, ficaram no mesmo ancoradouro, largando-o no dia 5, pelas 9 horas da manhã; subindo o rio de S. Gonçalo, e andando nesse dia dezoito legoas, foram pernoitar ao sitio dos Canudos. As margens do rio são agradaveis, mas incultas e desertas; e o rio' é mais largo e tão caudaloso como o nosso Douro.

[6/11]
No dia 6, pela 1 hora da noite, seguiram viagem, e duas legoas a montante entraram na grande lagoa chamada = Mirim, = d'onde o rio toma a origem. Tem esta lagoa mais de 70 legoas de comprido, e de largo 40, e em partes menos. No sitio onde o regimento a atravessou tem 30 legoas: a sua navegação é perigosa, por causa dos muitos baixios, e por ser muito varejada pelos ventos: pelo que se tomam pilotos práticos para dirigir os hiates.
N'este dia soprava o vento do quadrante de Nordeste, o que deu á lagoa o aspecto d'um mar agitado por uma grande tormenta: de modo que todos enjoaram, mesmo os que não conheceram tal incommodo na travessia para a America. Felizmente a viagem foi sem risco, e ás 6 horas da tarde do mesmo dia deixaram á popa a turbulenta lagoa, e commettiam um rio que n'ella vasa, chamado = Arroyo de S. Miguel =. Foi á entrada- do dito Arroyo que os hiates pararam, e passaram a noite.

[7/11]
No dia 7 seguiram o curso do rio para montante, e tendo andado cinco legoas, desembarcaram na ponta de S. Miguel, assim chamada de uma fortaleza que os hespanhoes ahi tiveram, e que os portuguezes arrazaram em 1801. O regimento desembarcou numa planicie immensa, sendo já terra hespanhola a que pizavam, e objecto das contendas.

[8-12/11]
Acampou junto ao rio n'este pontal, e ahi se demorou, seguindo as ordens recebidas, os dias 8, 9, 10, 11 e 12. Os cavallos que tinham vindo adiante, estavam magnificos, tendo engordado espantosamente nas bellissimas pastagens d'estas campinas. Era consideravel o numero de cobras, que havia neste campo; os soldados mataram muitas, e houve a fortuna de não haver desgraças. Aqui se reuniu o resto da tropa que formava a brigada, 

[13/11]
e assim reforçados marcharam no dia 13 sobre o forte de Santa Thereza, que se rendeu á discripção, sendo a guarnição diminuta, e privada dos me os de defeza.
Dista este forte do de S. Miguel sete legoas, e á sua direita, marchando n'esta direcção, se prolonga uma serra, que cerca uma formidavel lagoa, onde nasce o mesmo rio S. Miguel.

[14/11]
No dia seguinte a brigada permaneceu no seu acampamento; 

[15/11]
e no dia 15 continuaram a marcha para Angustura, nome derivado de ser ahi a terra muito estreita, entre o mar e a lagoa, a que acima nos referimos, e que tem seis legoas de comprido sobre uma de largo. 

[16/11]
Tambem dista este campo seis legoas do antecedente e cinco de Talayes, para onde se dirigiram no dia 16: ahi encontraram as tropas da vanguarda, que foram reforçadas como se tornava mister, por haver probabilidade de no dia seguinte encontrar o inimigo: e como as direcções em que elle podia achar-se eram diversas, 

[17/11]
no dia 17 marcharam em sentidos oppostos, indo o 2." regimento pernoitar a Paso de Canullos, a duas e meia legoas: 

[18/11]
e no dia 18 avançou outra tanta distancia sobre Chafalote: 

[19/11]
comtudo no dia 19 a vanguarda encontrou-se com o inimigo, com quem se bateu denodadamente.

[CONTINUA]


* * *

CONHEÇA A BIOGRAFIA DESTE OFICIAL AQUI

Retirado de: AGUILAR, Francisco D’Azeredo Teixeira D’, Apontamentos Biographicos de Francisco de Paula D’Azeredo, Conde de Samodães, Porto, Tip. Manoel José Pereira, 1866. pp. 82-sg

Memórias do tenente coronel António José Claudino de Oliveira Pimentel - III (final)


Memórias do tenente coronel António José Claudino de Oliveira Pimentel: seleção (Parte III)
Entre o início da marcha terrestre, a 7 de Julho, até à última entrada das memórias deste oficial em 4 de Agosto, em que faz alto em Mostardas. 
Continua da II Parte [LER] - PARTE I [LER]


Lamento que a pequena parte da memoria, unica que possuo, não abranja mais que o primeiro mez de marcha. Se a tivesse completa, ser-me-ia facil indicar aos leitores o verdadeiro itinerario seguido pela vanguarda da divisão de voluntarios reaes, indicando dia por dia todas as distancias percorridas, as datas das marchas e dos descansos com a indicação dos logares de campo ou povoado e dos incidentes occoridos. Reproduzindo porém aqui o que d’este itinerario me resta, póde fazer-se idéa do que seria o todo.

[7.7]
 [...] Partindo de Imbaú, a vanguarda chegou no dia 7 de julho a Villa Nova, povoação de quarenta a cincoenta vizinhos e á distancia de 18 leguas de Santa Ctharina. 

[9.7]
No dia 9 foi aquartelar-se em Laguna, villa bastante povoada em relação ao paiz, e que está situada na margem esquerda do rio Tubarão, o qual vae desaguar no mar a meia legua da villa. Na sua barra podem entrar pequenas sumacas. A marcha foi de 6 leguas.

[10.7]
No dia 10 houve descanso em laguna, e no dia 11 passou a vanguarda para o lado direito do rio a 1 legua de distancia. 
No dia 12, com 4 ½ leguas de marcha, acampou em Porto Rebello. 
No dia 13, com 6 leguas de marcha, teve um bom acampamento junto á praia. 
No dia 14, novo acampamento 5 leguas adiante, junto ao rio Vrussango. 
No dia 15, tendo passado em canoas o rio Vrussango, foi a vanguarda acampar junto á Barra Velha, com 6 leguas de marcha. 
No dia 16 acampou em Conventos, tendo passado em muito más canoas o rio Araringoá, que é muito caudaloso. 
No dia 17, com 5 leguas de marcha, teve um pessimo acampamento em Lagoinhas, entre cómoros de areia. 
No dia 18, mais 7 leguas adiante, fez-se o acampamento junto ao mar, em Aguas Claras.
No dia 19, adiante 5 leguas, houve soffrivel acampamento em Torres, estancia com duas casas. 
Nos dias 20, 21 e 22 houve descanso n’este acampamento [...] É preso o capitão Pimenta por falta de subordinação e mandar o seu camarada roubar milho para os seus cavallos. Convoca os officiaes para uma conjuração contra mim, etc. [...]
No dia 23 teve a vanguarda muito mau acampamento na Cerrca dos Pregos. Tinha sido a marcha de 5 leguas. [Recomenda o itinerario que se deve marchar sempre pela praia por ser o melhor caminho.] 
No dia 24, com marcha de 6 leguas, fez-se o acampamento junto á estancia do Victorino. 
No dia 25, tambem a 6 leguas, foi o acampamento junto á estancia do Ignacinho. 
No dia 26, com marcha de 4 leguas, acampou a vangaurda na margem esquerda do rio Tramandalú.
No dia 27, tendo passado com incrivel trabalho o rio Tramandalú, acampou a vanguarda junto á estancia de Thomas Jozé, tendo feito marcha de 4 leguas.

[...] No dia 28 houve descanso [...] O marechal de campo Sebastião Pinto parte para o Rio Grande, deixando-me o commando da vanguarda. Esta inopinada partida teve por fim desmanchar todas as disposições que o brigadeiro Bernardo da Silveira havia traçado, na qualidade de quartel mestre general, para se effectuar a marcha da divisão para Pellotas conforme as ordens do general em chefe. O marechal Pinto, antes de partir, mostrou-me uma carta de Bernardo da Silveira, em que lhe dizia que a vanguarda devia embarcar em S. Caetano, seguindo para Pellotas, onde os officiaes se podiam fornecer dos effeitos necessarios para continuarem a marcha para a Provincia de Montevideu. O marechal Pinto, rival e inimigo irrreconciliavel de Silveira, protestou com veemente acrimonia contra as disposições d’este último, e partiu a toda a pressa para o Rio Grande. Eu não posso deixar de consignar n’estes meus apontamentos o receio que tenho de futuras desordens muito prejudiciaes ao serviço de el-rei, porque noto uma interminavel indisposição do general Pinto contra o brigadeiro Silveira, o qual, na qualidade de quartel mestre general, deve dispor tudo quanto é relativo ás marchas das columnas, segundo as ordens do general em chefe. Pelo que hoje observei, o general Pinto parece-me disposto a obrar conforme ao seu capricho, sem attender a consideração alguma. Isto será sem duvida muito prejudicial ao serviço. Oxalá que eu me engane, mas o que vejo é um principio de discordia entre dois officiaes generaes e ambos chefes de departamentos. Alem d’isso temo que o orgulho e ignorancia do marechal Pinto possam produzir males incalculaveis na operações ulteriores, etc. etc. [...]

No dia 29 de julho a vanguarda acampou junto a um grande matto em Porteira da Cidreira, tendo feito marcha de 6 leguas. 
No dia 30 acampou junto á casa do Quintão, onde havia deposito; a marcha foi tambem de 6 leguas. 
No dia 31 fez-se acampamento em Velho Oliveira a 5 leguas do antecedente. 
No dia 1.º de agosto, adiante 5 leguas, foi o acampamento em Povos. 
No dia 2 fez-se o acampamento junto á casa do defunto Machado, onde havia deposito: a marcha foi de 5 leguas. 
No dia 3 tambem houve acampamento junto ao logar de Mostardas, que terá uns quarenta vizinhos; a marcha foi de 5 leguas. 

[O dia 4 de agosto foi o ultimo indicado no itinerario, e foi destinado a descanso.]

* * *

Retirado de: PIMENTEL, Júlio Machado de Oliveira, Memorial Biographico de um militar ilustre, O General Claudino Pimentel, Lisboa, Imprensa Nacional, 1884, pp.75-77

LEIA A BIOGRAFIA DESTE OFICIAL AQUI
PARTE I [LER]
PARTE II [LER]