quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Memórias: Aquela Montevideu, o que ali se fez! (duque de Saldanha)



"Quando, já ancião e no remanso do lar, lhe fallava algum parente ou amigo nos seus feitos da guerra liberal de 1833, Saldanha escutava modesto as façanhas que lhe recordavam, sorria-se, esfregava as mãos, e ouvia-se-lhe murmurar, como simples echo do seu pensamento: «Mas aquella Montevideu! O que alli se fez!» E calava-se, tornava-se-lhe serio o rosto, e logo despertando do seu entresonho, como que tendo saído das planícies montevideanas onde o pensamento o transportára por momentos aos seus verdes anos, aos seus companheiros de armas jovens como elle e n'aquelle instante mortos já todos, levava as mãos aos cabellos e dizia então a valer, para os que o rodeavam, como se involuntariamente o não houvera já dito: “Aquella Montevideu!”

António da Costa, História do Marechal Saldanha (tomo I), Lisboa, Imprensa Nacional, 1879. página 89.

Imagem (ao topo)
- A Baía de Maldonado


~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~



“[...] diz o seu principal biógrafo [D. António da Costa], que esse período da sua vida militar deixou fundos sulcos na memória do futuro Marechal; na velhice, recordava com mais interesse os episódios de Montevidéu do qualquer outra campanha. Quando falava deles “toda a fisionomia se lhe iluminava...” contou depois Bulhão Pato."

Belisário Pimenta, O Marechal Saldanha: sua Vida Militar, suas Ideias e Métodos (separata da “Revista da Universidade de Coimbra”, vol. XVIII), Coimbra, s/ed, 1957.




Sem comentários:

Enviar um comentário