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12/11/2022

Reorganização da DVR, Relação de Unidades e Oficiais (2 de maio de 1816)


Com base numa proposta do marechal General Beresford que já vinha de 1815, a Divisão dos Voluntários Reais do Príncipe reorganiza-se, em Julho de 1816, tendo sido enviadas cartas que chegaram apenas (em 2.º via) após a DVR ter embarcado para o Brasil.

Assim, só no Rio de Janeiro, a 2 de maio de 1816, é que as mudanças são efetuadas de facto na Divisão de Voluntários Reais, agora de  d’El-Rei, por D. João VI ter ascendido ao trono por morte de sua mãe, D. Maria.

Principais alterações:

- A partir do 3.º Batalhão de Caçadores (mais as duas últimas companhias do 1.º Batalhão de Caçadores), forma-se o 1.º Regimento de Infantaria, a 10 companhias.

- A partir do 4.º Batalhão de Caçadores (mais as duas últimas companhias do 2.º Batalhão de Caçadores), forma-se o 2.º Regimento de Infantaria, a 10 companhias.

- O 1.º e 2.º Corpo de Cavalaria funde-se no Regimento de Cavalaria, a 12 companhias.

É com esta formação que a Divisão embarcará a 29 de maio, com direção a Santa Catarina. A relação apresentada de seguinte contém quase três centenas de oficiais. A ortografia dos nomes está modernizada.


DIVISÃO DOS VOLUNTARIOS REAIS DE EL-REI

[280 oficiais]


ESTADO MAIOR [25 oficiais]

Comandante em Chefe

TenGen. Carlos Frederico Lecor


Ajudantes de Ordens (CeC)

TenCor. João Pedro Lecor (Gov Pç. Albufeira)

Maj. José Ferreira da Cunha

Maj. António Pinto de Araújo Correia (Caç.11) 

Cap. D. José Miguel de Noronha 

Cap. José Pedro de Faria de Lacerda (Cav. 10)


Ajudante General e Secretário Militar

MarCamp. Sebastião Pinto de Araújo Correia 


Ajudantes de Ordens do Ajudante General)

Cap. António Maria de Lacerda (Castello-Branco) (Cav.1)

Cap. Francisco Pinto de Araújo (Corrêa) (Inf.15)


Deputado do Ajudante General - TenCor. D. Álvaro da Costa (Inf.11)

Deputado do Ajudante General – Maj. Joaquim Cláudio Barbosa Pita

Assistente do Ajudante General - Ten. Frederico Ernesto Krusse (Inf.6)

Assistente do Ajudante General - Cap. António Pedro Lecor (1.º Ten, Veteranos)

Assistente do Ajudante General – 1.º Ten. Francisco Frederico Agorreta (Art. 3)


Oficial Maior da Repartição do Secretario Militar - Amaro José Ferreira


Quartel Mestre General

Brig. Bernardo da Silveira Pinto


Deputado do Quartel Mestre General - Maj. Miguel António Flangini 

Deputado do Quartel Mestre General - Maj. Filipe Neri Vital Gorjão 

Assistente do Quartel Mestre General - Ten. Jacinto (Pinto) d’Araújo Corrêa (Inf.6) 

Assistente do Quartel Mestre General - Ten. Gil Guedes Corrêa 


Auditor Encarregado da Repartição de Víveres – António Gerardo (?) Curado de Meneses (Juiz de Fora de Aldeia Galega)

Auditor Encarregado da Repartição de Transportes – Manuel da Costa Monteiro (Auditor do Depósito Geral de Recrutas de Infantaria)

Oficial Maior da Repartição do Secretariado Militar – Amaro José Pereira (Quartel Mestre, Art. 4)


Engenheiros

TenCor. Joaquim Norberto Xavier de Brito

TenCor. Francisco António Raposo


* * * 


1.ª BRIGADA DE VOLUNTÁRIOS REAIS [95 oficiais]

Comandante - Brig. Jorge de Avilez Zuzarte Ferreira de Sousa (Inf. 5)

Major de Brigada - Ten. José Leonardo Teixeira Homem (Cav. 4)

Cirurgião Mor - honras de Maj. Alexandre Luís Leite (Inf. 16)

Capelão - Fr. Gaspar da Rocha (Inf. 15)


1.º Regimento de Infantaria

Cor. João Carlos de Saldanha de Oliveira e Daun (Inf.13) 

TenCor. António José Claudino de Oliveira Pimentel (Inf. 5)

Maj. José Pedro de Melo (Inf. 24)

Maj. João Joaquim Pereira do Lago (Inf. 6) 

Ajudante - Ten. Claúdio Caldeira Pedroso (Inf. 17) 

Ajudante – Alf. António de Moura Brito (Inf. 17)

Cirurgião-mor (honras de Capitão) Francisco de Andrade Taborda

Cirurgião-mor (honras de Capitão) José Joaquim Teixeira 


Quartel Mestre - João António Ribeiro Branco (Caç. 7)

Quartel Mestre – José Maria de Azevedo (Caç. ?)


1.ª Companhia - Cap. Ignacio da Cunha (Inf. 3)

2.ª Companhia - Cap. Carlos Hodge

3.ª Companhia - Cap. José Joaquim Pacheco (de Avelar) (Inf. 4) 

4.ª Companhia - Cap. Pedro António Rebocho (Inf. 23)

5.ª Companhia - Cap. José António Freire (Inf. 20)

6.ª Companhia - Cap. Alexandre Machado Paes (Inf. 21?) 

7.ª Companhia - Cap. João Rodarte da Gama Lobo (Inf. 10)

8.ª Companhia - Cap. António Duarte Pimenta (Inf. 18)

9.ª Companhia - Cap. José Cabral de Abreu Lima (Inf. 16) 

10.ª Companhia - Cap. João de Avilez Zuzarte (Inf. 2) 


Tenentes

Sebastião Lobo (de Vasconcelos) (Inf.9)

António Silvestre de Sousa (Inf.2)

António Manoel de Meirelles (Inf.3)

José de Magalhães (da Costa) (Inf.15) 

António Aniceto Cardoso (de Figueiredo) (Inf.3) 

Hipólito Cassiano de Paiva (Inf.7) 

Francisco Xavier da Cunha (Inf.19) 

António Basílio Garcês (Inf.19)

Domingos Ciríaco Avondano (Inf.9)

Caetano Cardoso de Lemos (Inf.6)


Alferes

Luís Leite de Castro (Reg. Mil. Guimarães)

António Bernardino Geraldo (Inf.6) 

Luiz Xavier Valente (Inf.10?)

Rodrigo de Sá Valente (Inf.10)

António José de Araújo (Inf.16)

António de Vale Salazar e Sousa (Inf.4)

António Luiz Ribeiro (Inf.4)

António Felix de Menezes Coelho (Inf.4)

Joaquim José Pereira (Inf.13)

José de Macedo (Inf.15)

Francisco Xavier da Costa

António Mendes Belo (Inf. 15)

Luís António Ribeiro Bonjardim

José Francisco da Maré

Jerónimo Ezequiel da Costa Freire

Carlos Frederico Krusse

João de Sousa (Inf.10)

Joaquim da Fonseca e Castro (Inf.10)

2/5/16: João de Sousa Quevedo Pizarro (2.º Reg Inf, DVR)

José de Amorim de Azevedo (1.º Bat Caç, DVR)


1.º Batalhão de Caçadores

TenCor. Manuel Jorge Rodrigues (Caç. 1) 

Maj. Jerónimo Pereira de Vasconcelos (Caç. 12) 

Maj. Caetano Alberto de Sousa Canavarro (Caç. 4) 

Cirurgião-mor (honras de Capitão) Francisco Bernardo de Santana (Caç. 6)

Cirurgião-mor (honras de Capitão) Joaquim José Barrão (Caç. 8)

Ajudante - Ten. José Anastácio (Caç. 6)

Quartel Mestre - José António Fernandes (Caç. 6) (Sarg)


1.ª Companhia - Cap. João Teixeira Vieira de Queiroz (Caç. 12) 

2.ª Companhia - Cap. Sebastião da Cunha Ferraz (Caç. 4)

3.ª Companhia - Cap. João Manuel de Almeida (Caç. 11) 

4.ª Companhia - Cap. Sebastião Navarro (Caç. 6) 

5.ª Companhia - Cap. Luís de Vasconcelos Lemos Castelo-Branco (Caç. 4) 

6.ª Companhia - Cap. Lucas da Costa Pimenta (Caç. 4) 


Tenentes

Luiz Manuel de Jesus (Caç.8) 

José dos Santos Pereira (Caç.7) 

João da Cunha Lobo (Barreto) (Caç.4) 

António Maria de Gouveia (Caç.2) 

António Osório de Magalhães (Caç.1)

Filipe Corrêa de Mesquita (Caç.6)


Alferes

João Velez da Gama Lima (RegMil VViçosa)

António Joaquim da Silva Pacheco (Caç.3)

José António Furtado (Caç.5)

Francisco Inocêncio

António Jacinto da Costa Freire

António Mariz Carneiro (Caç.9)

António Ezequiel Cabrita (Caç.8)

José Martins Taveira (Caç.6)

António José Moreira (Caç.7)

José Vieira Dias (Caç.10)

José Maria da Paz (Caç.2)

Joaquim Rodrigues da Costa Simões


* * *


2.ª BRIGADA DE VOLUNTÁRIOS REAIS [94 oficiais]

Comandante - Brig. Francisco Homem de Magalhães Quevedo Pizarro (Inf. 16)

Major de Brigada - Cap. Pedro Pinto de Araújo Correia (Caç. 3)

Cirurgião Mor - honras de Maj. José Pedro de Oliveira (Caç. 6)

Capelão - Padre José Joaquim Pereira


2.º Regimento de Infantaria 

Cor. Francisco de Paula de Azeredo (Inf.8)

TenCor. João Crisóstomo Calado (Inf. 20) 

Maj. José Maria da Silveira (Inf. 18)

Maj. Guilherme Cotter (Inf. 9)

Ajudante - Ten. Leonardo da Sousa Leite (Inf. 13)

Ajudante – Alf. José Joaquim Antunes (Inf. 18)

Cirurgião-mor (honras de Capitão) – Manuel Alexandra da Mota (Caç. 11)

Cirurgião-mor (honras de Capitão) – Bernardo Machado da Cunha (Caç. 12)

Quartel Mestre - Bernardo José Xavier (Caç. 12)

Quartel Mestre – José Maria Picanço


1.ª Companhia – [vago]

2.ª Companhia - Cap. Francisco da Paula Esteves (Inf. 15) 

3.ª Companhia - Cap. José António Franco (Inf. 15)

4.ª Companhia - Cap. Manuel Jeremias Pinto (Inf. 17)

5.ª Companhia - Cap. António Joaquim Henriques Lobinho (Inf. 4) 

6.ª Companhia - Cap. Tristão de Araújo Vasconcelos (Inf. 21) 

7.ª Companhia - Cap. Duarte Cardoso de Sá (Inf. 12) 

8.ª Companhia - Cap. Salustiano Severino

9.ª Companhia - Cap. João Luís Pereira de Castro (Inf. 6) 

10.ª Companhia - Cap. Teotónio Nobre (Inf. 15) 


Tenentes

Francisco de Paula Cabrita (Inf.2) 

Luiz Emidio de Castro (GR Polícia)

João de Mattos (Maia) (Inf.15)

António José de Carvalho (Inf.3)

Henrique Luiz da Fonseca (Inf.2) 

João António de Abranches (Inf.7)

José Caetano Vivas (Inf.8) 

Francisco Zeferino Felgueiras (Inf.6)

João Pedro Xavier Ferrara (Inf.19) 

Joaquim da Sousa Pinto (Cardoso) (Inf.3)


Alferes

José Ignacio Burguete (Inf.13)

Ayres José Seromenho

José Ricardo Aparício (Art Nacionais Lx Ocidental)

Joaquim José Maria Parate 

António Caetano de Sousa Macedo

José Maria de Maré

Caetano José Vianna

João Ignacio Xavier (Art. Ordenanças)

Pedro José Baptista (GR Policia)

Manoel Esperidião da Silva (Inf.19)

Lôpo José Corte-Real (Inf.5)

José Joaquim Antunes (Inf.18)

João de Mattos Coatrim (Inf.8)

Francisco António de Moraes (Inf.12)

Rodrigo José da Silva Vieira

José Augusto de Carvalho

José Joaquim do Amaral (Inf.11)

José Manoel Peres (Inf.22)

José Hermenegildo Pereira de Horta (Inf. 16)

Fernando Homem de Vasconcelos

[2.5.1816:] Sebastião Correia da Costa (1.º Bat Caç., DVR)

Bernardo da Silva Sotomaior (Art, DVR)


2.º Batalhão de Caçadores

TenCor. Francisco de Paula Rosado (Caç. 11?)

Maj. João José de Moraes (Caç. 6) 

Maj. André McGregor (Caç. 4)

Cirurgião-mor (honras de Capitão) José Miguel Neves (Inf. 14)

Cirurgião-mor (honras de Capitão) José Rebolido Pinheiro (Caç. 8)

Ajudante - Ten. Francisco Xavier da Cunha (Inf. 19)

Quartel Mestre - António Inácio de Seixas (Caç. 8) (Sarg.)


1.ª Companhia - Cap. José Maria da Rocha (Caç. 12)

2.ª Companhia - Cap. Domingos de Almeida da Costa (Caç. 12)

3.ª Companhia - Cap. Miguel Correia de Freitas (Caç. 12)

4.ª Companhia - Cap. José Maria de Araújo (Caç. 3)

5.ª Companhia - Cap. Vicente José de Almeida (Caç. 7) 

6.ª Companhia - Cap. José de Vasconcelos (Caç. 8)


Tenentes

José Fernandes dos Santos (Caç.8)

João Teixeira de Macedo (Caç.4) 

Manuel de Sousa Pinto de Magalhães (Caç.11) 

Manoel Eleutério (Caç.12)

José Osório de Magalhães (Caç.1) 

Gaspar José de Brito (Caç.5)


Alferes

Sebastião Vaz da Costa

José Joaquim de Magalhães Fontoura

José Joaquim Correia (Artilheiros Nacionais Lx Ocidental)

José Marques Salgueiros (Caç.9)

Manoel Joaquim Maria (Caç.11)

Gregório José dos Santos (Caç.1)

Luiz Pinto (Caç.3)

Manoel António da Fonseca (Caç.12)

Manoel José (Caç.5)

José da Cruz de Freitas (Caç.4)

Francisco Esteves de Figueiredo (Inf.17)

António Inácio (Inf.4)


* * * 


Regimento de Cavalaria [53 oficiais]

Cor. António Feliciano Teles de Castro Aparício (Cav. 1)

TenCor. António Manoel de Almeida Morais Pessanha (Cav. 6)

TenCor. João Vieira Tovar de Albuquerque (Cav.9) 

Maj. Joaquim Claúdio Barbosa Pitta (Cav.3)

Maj. António de Castro Ribeiro (Cav.3)

Maj. João Nepomuceno de Lima (Cav.4) 

Maj. Duarte Joaquim Correia (de Mesquita) (Cav.8)

Cirurgião-mor (honras de Capitão) João Ferreira de Almeida (Inf. 13)

Cirurgião-mor (honras de Capitão) Joaquim António Pinto (Inf. 19)

Cirurgião-mor (honras de Capitão) Julião José de Almeida (Inf. 16)

Cirurgião-mor (honras de Capitão) José Celestino da Costa (Inf. 1)

Picador (honras de Tenente) José Pedro Lobo (Legião Tropas Ligeiras)

Ajudante – Alf. António de Sousa Florindo (Cav. 12)

Ajudante – Alf. João Tavares (Cav. 4)

Quartel-Mestre - Duarte José da Cruz (Cav.7)

Quartel-Mestre - Francisco Nunes do Amaral (Cav.1)

Capelão - José Pinto dos Santos (Inf.21)

Capelão - Manoel Martins (Caç.4)


1.ª Companhia - Cap. José António Esteves de Mendonça e Sá (Cav.1)

2.ª Companhia - Cap. António de Cerqueira (Cav.9)

3.ª Companhia - Cap. João de Nepomuceno (Isidro) de Macedo (Inf.11) 

4.ª Companhia - Cap. Miguel Pereira de Araújo (Cav.7)

5.ª Companhia - Cap. Lopo de Vasconcelos Pereira (de Abreu) (Cav.12)

6.ª Companhia - Cap. José Maria de Sá Camelo (Cav. 10)

7.ª Companhia - Cap. Francisco Inácio da Silveira (Cav.8)

8.ª Companhia - Cap. Bento José Duarte (Cav.4)

9.ª Companhia - Cap. José de Barros e Abreu (Cav.1)

10.ª Companhia - Cap. José Maria de Cerqueira (Cav.9)

11.ª Companhia - Cap. Joaquim Antonio de Moraes Palmeiro (Cav.4)

12.ª Companhia – Cap. Filipe Neri de Oliveira (Cav. 4)


Tenentes

José de Melo Sousa e Meneses (GRPolicia)

Fortunato de Melo (Cav.11) 

José Francisco Raposo (Cav.8)

António Ferreira da Costa (Cav. 5)

Manuel Joaquim de Lima Bezerro (?) Praça (Cav. 11)

João Batista de Oliveira (Cav.4)

António Maria Xavier (Cav.4)

João Xavier de Morais (Resende) (Cav.3)

Domingos Egídio de Freitas (Cav. 8)

José de Melo (Cav. 9)

Luís Estevão Couceiro (Cav. 11)


Alferes

Vicente Ferreira Brandão Furtado de Mendonça (Reg Mil Viana do Castelo)

João Gomes da Silva (Cav.1)

Anselmo José de Almeida Valejo (Cav.8)

António José da Rocha (Cav.9)

António Pedro da Rocha (Cav.3)

Carlos Schultz

Francisco António da Silva

Sebastião Rodrigues (Cav.1)

José Dias de Carvalho (Cav.5)

António Figueira de Almeida (Cav.8)

José de Mendonça (Cav.7)

Albino Pimenta de Aguiar Mourão


* * *


Corpo de Artilharia [13 oficiais]

Comandante - Maj. Maximiliano Augusto Penedo (Art.2)

Ajudante - Cap. Vicente Antonio Buys (Art.2)

Qartel Mestre – António José da Costa (Art. 2)


1.ª Companhia - Cap. José Ricardo da Costa (Silva Antunes) (Art.2)

2.ª Companhia - Cap. António José da Silva (Art.2) 


Primeiros-Tenentes

João Caetano Rosado (Art.2)

Joaquim Filipe Lampreia (Art.2)


Segundos-Tenentes

João Ignacio Holbech (Art.1)

Roque António de Faria (Art.1)

Faustino António Jovita (Art.1)

José Dias Serrão (Art.3)

Gabriel António Francisco de Castro (Art.4)

António José Peixoto (Art. 2)


Fonte

- Arquivo Histórico Militar, 2.ª Div. -01-03-05

10/03/2017

Apontamentos sobre as táticas empregues pelas tropas da Capitania do Rio Grande: José de Abreu em S. Borja e Arapeí




As duas ações comandadas pelo tenente coronel José de Abreu, em S. Borja (3.10.1816) e Arapeí (3.1.1817), dão interessantes pistas para a tática usada pelas forças da Capitania do Rio Grande, no que tange ao uso combinado das 3 armas, infantaria, cavalaria e artilharia. Ambas as ações tiveram sensivelmente o mesmo número de militares portugueses em ação, 670 em S. Borja e cerca de 600 em Arapeí, o que nos permite aferir o uso tático de forças desta dimensão, destinadas fundamentalmente a ações de vanguarda.

A vanguarda da Divisão de Voluntários Reais, a atuar do outro lado dos teatros de operações, junto à costa atlântica, tinha cerca de 850 efetivos, ainda que com uma muito maior percentagem de infantaria.

Caracterização das tropas sob o comando de Abreu

Ambas as colunas de Abreu, em outubro e em janeiro, tinham a mesma distribuição entre tropas da 1.ª (profissionais) e de 2.ª linha (milícias). 

No primeiro grupo, das tropas permanentes, encontramos o Regimento de Dragões do Rio Grande (ou Rio Pardo, com também eram conhecidos) e a Legião de Voluntário Reais de S. Paulo, que era uma força de tropas ligeiras, que tinha cavalaria, infantaria e artilharia. Esta Legião havia sido criada em 1775 e desde quase o seu início que atuou sempre na província do Rio Grande, ficando lá aquartelado.

Na capitania do Rio Grande, em 1816, havia 3 regimentos de cavalaria de milícias, ou tropas não permanentes, mobilizadas apenas em caso de conflito: Rio Pardo, Porto Alegre e Rio Grande. 



Adicionalmente, havia os esquadrões de Milícias a Cavalo de Missões (composto por soldados de etnia guarani, que combatiam com lanças) e os esquadrões de cavalaria miliciana do distrito de Entre Rios [Ibicúi e Quaraí]. Ambos se tornam regimentos posteriormente à campanha. José de Abreu é titularmente o comandante dos esquadrões de Entre Rios.

Algumas destas unidades, apesar de titularmente milícias, no que indica que seriam apenas mobilizadas em caso de guerra, eram de facto as unidades de linha da fronteira mais remota, a oeste. A questão era que a zona de fronteira era uma zona militarizada. Estes militares, principalmente os oficiais, eram ao mesmo tempo colonos e a autoridade militar portuguesa, tão longe de Porto Alegre e até da vila do Rio Pardo.

Ainda assim, ambas as colunas Abreu são constituídas por cerca de 80% de cavalaria, mais ao menos distribuída entre cavalaria de 1.ª e 2.ª linha. A infantaria e artilharia representavam cerca de 20% da força total.




A Coluna

Em coluna, José de Abreu usa, nas duas ações, a mesma ordem: à cabeça, um esquadrão de Lanceiros Guaranis (Milícias a Cavalo de Missões), seguido de um esquadrão do Regimento de Dragões do Rio Grande e um esquadrão de Milícias a Cavalo de Entre Rios. 

Um quarto esquadrão, das Milícias a Cavalo do Rio Pardo, foi usado em S. Borja, mas não em Arapeí. Tendo em vista as duas ações, considero este esquadão excedentário para uma análise da formação típica.

Em seguida, o chamado centro, com a infantaria da Legião de S. Paulo (Legião de Voluntários Reais, na designação oficial), em duas subunidades, com a artilharia entre elas (2 peças de calibre 3 em S. Borja e Arapeí).

Na segunda parte da coluna, ou a esquerda, começando logo a seguir à segunda subunidade de infantaria, Abreu usa dois esquadrões das Milícias a Cavalo de Entre Rios nas duas ações.

Fecha a coluna na retaguarda com unidades diferentes em ambas as ações, dois esquadrões de cavaria: um da Legião de São Paulo e um das milícias do Rio Pardo, na batalha de S. Borja, e um esquadrão de milícias de Porto Alegre, em Arapeí, 3 meses depois.

Como flanqueadores da coluna, Abreu usa sempre dois esquadrões das milícias de Entre Rios, do seu comando.

Coluna (3-13) – 670 homens
S. Borja, 3.10.16

Lanceiros Guaranis [ala direita]
1 esq, RegDragRG [ala esquerda]
Esq Entre Rios [ala esquerda]

Esq RM Rio Pardo [perseguição a sudoeste]

Inf LSP [centro/bosque]
Art LSP + 2 peças c.3 [centro/bosque]
Inf LSP [centro/bosque]

Esq Entre Rios
Esq Entre Rios [ala direita]
Cav LSP [ala direita-bosque]
Esq RM Rio Pardo [perseguição a sudoeste]

Flanqueadores:
Esq Entre Rios [ala direita]
Esq Entre Rios [ala esquerda]
Coluna (1-9) – 500/600 homens
Arapeí, 3.1.17

Lanceiros Guaranis (centro)
RegDragRG (ambas as alas, destacamentos)
Entre Rios (centro-direita)

Inf LSP (centro-direita)
Art LSP + 2 peças c.3 (centro)
Inf LSP (centro-esquerda)

Esq Entre Rios (centro-esquerda)
Esq Entre Rios (centro-esquerda)
RMil Porto Alegre (centro)

RegDragRG (ambas as alas, destacamentos)

Flanqueadores (10 e 11):
Esq Entre Rios [ala direita]
Esq Entre Rios [ala esquerda]





A Linha

Tanto na batalha de S. Borja como na de Arapeí, a Coluna Abreu chega em coluna e rapidamente se coloca em linha, engajando o inimigo de forma rápida e decisiva, com rápido destacamento de unidades específicas com objetivos concretos. Em S. Borja, Abreu destaca desde logo um esquadrão a cortar a ligação das forças federais que se lhes opunham e a que já se encontravam diante da vila de S. Borja, então sitiada, muito provavelmente em preparação para uma 3.ª tentativa de assalto.

Não há propriamente a paciente transformação da coluna em linha como em divisões maiores e  com mais infantaria, mas um uso mais fluído e dinâmico das forças predominantemente de cavalaria, muito mais móveis e ágeis, principalmente nas pampas, muito propícias à manobra da arma montada.

No entanto, ao oferecer combate, Abreu forma linha antes de decidir nas ações o já referido uso rápido e decisivo de manobra, até pela forte preocupação em colocar a artilharia, de forma segura, numa posição de fogo sobre o inimigo.

Abreu tem as suas unidades em linha intercaladas entre tropas de 1.ª e 2.ª linha, conforme era o uso na época das guerras napoleónicas, normalmente sendo a antiguidade determinada pela antiguidade do comandante. 

Normalmente, em uso no Exército Português, a unidade mais à direita da linha era a comandandada pelo oficial mais antigo (daí o uso dos números paras os regimentos, em 1806, que determinaria a posição do corpo na linha, em vez da antiguidade do comandante), sendo a ala esquerda para o 2.º mais antigo, o 3.º mais antigo à esquerda do 1.º, o 4.ª à direita do 2.º e por aí fora, com as unidades de menos antiguidade ao centro. Esta colocação tinha o fim de equilibrar a linha em termos de experiência e força.

Ora, com Abreu, no âmbito das táticas em uso pelas tropas da Capitania do Rio Grande, com bastante mais cavalaria que o normal, não são as tropas mais antigas que ocupam as alas (ou a cabeça e a cauda de uma coluna, onde normalmente se esperariam essas unidades), mas, na verdade, as mais recentes (Missões e Entre Rios), assim como decididamente as mais adaptadas ao ambiente, tanto homem como cavalo. Logo a seguir, na 3.ª e 4.ª posições (as segundas unidades à esquerda e à direita), estão unidades de linha, que acabam por normalmente ser as verdadeiras alas, pelo uso das outras em tarefas de flanco. Depois delas esquadrões dos 3 regimentos de milícias, verdadeiras tropas não permanentes, mobilizadas apenas em caso de conflito, apesar de manter algum treino ocasional, conforme já referimos. Ao centro, a infantaria e a artilharia, com o eixo central de tudo sobre as peças, fundamentais à duas vitórias, especialmente em Arapeí.

Por ora, fica aqui feita uma primeira análise às táticas das forças da capitania do Rio Grande, que tão bem serviram as armas portuguesas na brilhante campanha de 1816. É uma forma de olhar mais especificamente para o uso de colunas de movimento, com forças flanqueadoras, usado frequentemente por todos os comandantes do Rio Grande e o seu uso brilhante por parte de José de Abreu. Este tenente coronel de 45 anos é um exemplo do melhor a que um comandante de cavalaria na fronteira pode oferecer. Abreu recebeu o epíteto de Anjo de Vitória, e verificando os seus feitos em S. Borja e em Arapeí, nunca um epíteto foi tão bem atribuído.

Antiguidades dos comandantes de corpos & Posição na linha

A posição na linha das unidades era determinada pela antiguidade dos seus respetivos comandantes, à ausência de um sistema de numeração, em uso na metrópole desde 1806.
No geral, as linhas são preenchidas de acordo com a antiguidade.

1. Francisco das Chagas Santos, Comte. Povo de Missões - Brigadeiro Graduado (20.1.1813) 
2. Tomás da Costa Correia Rebelo Correia (E Silva), Dragões do Rio Grande - Brigadeiro Graduado (13.5.1813)
2. João de Deus Menna Barreto, Milícias do Rio Pardo - Brigadeiro Graduado (13.5.1813)
4. Joaquim de Oliveira Alvares, Legião de Voluntários Reais de S. Paulo - Brigadeiro Graduado (1814) 

5. Bento Correia da Câmara, Milícias de Porto Alegre - Coronel
6. José de Abreu, Esquadrões de Milícias de Entre Rios - Tenente Coronel.

De acordo com as práticas, o regimento mais antigo, os Dragões do Rio Grande, ocupava a posição mais à direita da linha, reservada à unidade mais veterana e respeitada. Isto acontece em S. Borja e Arapeí. A 2.ª unidade mais antiga, as Milícias de Cavalaria do Rio Pardo, ocupam a posição mais à esquerda da linha. A 3.ª unidade, no caso a cavalaria da Legião de Voluntários reais de S. Paulo, ocupa a posição ao lado dos Dragões, à direita e por aí adiante, sendo este formato de colocação em linha pela antiguidade, uma forma de garantir uma linha equilibrada em termos de qualidade.

* * *

Ordens de Batalha (linha/coluna)

A) OdB (21/9 a 4/10 – Alívio de S. Borja)

TenCor José de Abreu (EntreRios), 670 homens (soma)

Cap Corte Real

Cavalaria (530):
- 1 esq, Cav, LSP: Ten José de Castro do Canto e Mello
- 1 esq, Reg Dragões RG, Cap José de Paula Prestes
- 1 esq, Reg Mil Rio Pardo, (Ten Olivério José Ortiz)
- 1 esq, Reg. Entre Rios: 1 esq, Tenente Romão da Sousa: 1 esq, (Tenente Floriano dos Santos)
- 1 esq, Mil Guarani (lanceiros)

Inf, LSP (117): Capitães Joaquim da Silveira Leite & José Joaquim Machado de Oliveira
Art, LSP: 2.º Ten José Joaquim da Luz (23), 2 peças c.3



B) Linha de batalha (S. Borja, 3/10)

Coluna (3-13):
Lanceiros Guaranis [ala direita]
1 esq, RegDragRG [ala esquerda] Cap José de Paula Prestes
Esq Entre Rios [ala esquerda]
Esq RM Rio Pardo [perseguição a sudoeste]
Inf LSP [centro/bosque] Cap Joaquim da Silveira Leite (ou o outro)
Art LSP + 2 peças c.3 [centro/bosque] 2.º Ten José Joaquim da Luz
Inf LSP [centro/bosque] Cap José Joaquim Machado de Oliveira (ou o outro)
Esq Entre Rios
Esq Entre Rios [ala direita]
Cav LSP [ala direita-bosque] Cap José de Castro do Canto e Mello
Esq RM Rio Pardo [perseguição a sudoeste]

Flanqueadores:
Esq Entre Rios [ala direita]
Esq Entre Rios [ala esquerda]



C) Linha de Batalha (Arapei, 3/1)

Coluna (1-9):
Lanceiros Guaranis  (centro)
RegDragRG (ambas as alas, destacamentos)
Entre Rios (centro-direita)
Inf LSP (centro-direita)
Art LSP + 2 peças c.3 (centro)
Inf LSP (centro-esquerda)
Esq Entre Rios (centro-esquerda)
Esq Entre Rios (centro-esquerda)
RMil Porto Alegre (centro)

Flanqueadores (10 e 11):
Esq Entre Rios [ala direita]
Esq Entre Rios [ala esquerda]

RegDragRG

dados: Inf LSP (100 homens)


D) OdB CATALÁN

Marquês do Alegrete 12 [14] – Piquete Cav, guarda do General em Chefe

TenCor Joaquim Mariano Galvão de Moura Lacerda, LTL
Artilharia: TenCor Inácio José Vicente de Fonseca

[ALA DIREITA]
1 – Reg Dragões Rio Grande  (Cap. Sebastião Barreto Pinto)
2 – Cav, Legião de S. Paulo

7 [3] – Bat. da Esquerda, Legião de São Paulo, 3 de 6 (Cap. José Pinto de Carvalho)

3 [4] – 2.º Bat Inf, Legião de S. Paulo
6 [5] – Bataria do Centro, Legião de São Paulo, 4 obuses (SargMor. Francisco Castro Matutino Pitta + TenCor Vicente da Fonseca)
4 [6] – 1.º Bat Inf, Legião de S. Paulo

5 [7] – Bataria da Direita, Legião de São Paulo, 2 peças de calibre 3  (Ten. António Soares)

[ALA ESQUERDA (primeiro contacto)]
8 – 2 Esq Cav, Regimento de Milícias de Porto Alegre  (Cor. Bento Correia da Câmara)
9 – Regimento de Cavalaria de Milícias do Rio Pardo  (Brig. João de Deus Mena Barreto)

10 [13] – 1 Esq Cav, Guarda avançada da Cav, Legião de S. Paulo  (Cap José da Silva Brandão) – vai reforçar o general
11 [10] – Cav, Esquadrões de Entre Rios  (TenCor José de Abreu) – vai reforçar a direita da linha

RESERVA (& Cavalhada, etc.)
13 – Inf, Legião de S. Paulo (reserva)
+ as duas Peças de 3, Legião de São Paulo (Ten. José Joaquim da Luz)

* * * 

Fontes
- Gazeta do Rio de Janeiro
- Comisión Nacional Archivo Artigas, Archivo Artigas, Montevideo, Monteverde, t. 31: pp. 364-367
- Diogo Arouche de Moraes Lara, “Memória da Campanha de 1816”, in: Revista trimensal de Historia e Geographia, ou, Jornal do Instituto Historico e Geographico Brazileiro, n.º 27, Outubro de 1845

12/10/2016

Os Voluntários: Contributos para uma caracterização do oficialato


Em finais de 1814, na ressaca da Guerra Peninsular, o príncipe regente D. João mandou aprontar um corpo de tropas ligeiras do Exército Português para servir no Brasil.  A Divisão de Voluntários Reais (DVR), que tenho vindo a tratar aqui, no âmbito do bicentenário sobre a campanha de Montevidéu, serviu como válvula de escape para centenas de oficiais que procuravam avanço e promoção num exército completo, saído ‘vítima’ da eficiência de Miguel Pereira Forjaz e do marechal general W. C. Beresford e do total comprometimento português nas campanhas da Guerra Peninsular.

Quando a divisão foi anunciada formalmente através da publicação do decreto da sua criação no Diário do Governo a 15 de maio de 1815, eram nele pedidos voluntários entre o oficialato do Exército Português, com a promessa de acesso ao posto superior e que se manteriam agregados ao seu regimento de origem, no número dos destacados.

Nesta postagem vou analisar o número de voluntários que se responderam ao apelo e retratar o espírito de aventura e promoção profissional que a DVR proporcionou àquela altura.

O Exército Português

2.º Corpo de Cavalaria (Divisão dos Voluntários Reais): Oficial e Soldado (1815-1823) - trajavam a azul ferrete


Antes de mais, é preciso perceber que apesar de estar a fazer um ano sobre o fim da Guerra Peninsular, o Exército Português manteve-se em números de guerra até meados de novembro; altura em que passou a efectivos de paz, totalizando 40,840. Refletindo o número sem precedentes de oficiais que se haviam incorporado, em cerca de 48 batalhões de infantaria (2 batalhões por cada um dos 24 regimentos), só para nos referir à mais significativa das armas.

Uma expedição ao Brasil, em defesa do império e da Santa religião, já de si promessa de aventuras e de avanço e promoção, quem sabe por distinção no campo da honra, era ainda mais adocicado pelo acesso ao posto seguinte e a manutenção no Exército de Portugal, e não, como era habitual passar aos quadros do Exército do Brasil.

É natural que muitos oficiais tenham respondido sem grande hesitação. João da Cunha Lobo Barreto, que entra na DVR como tenente do 1.º Batalhão de Caçadores, vindo de Caçadores n.º 4, exprime bem o sentimento em presença:

Tão depressa se publicou este Decreto, se ofereceram para servir na mesma Divisão um sem numero de oficiais, inferiores e soldados; sendo tal o entusiasmo que podemos asseverar [...]  que se o governo naquela ocasião mandasse prontificar um corpo de 12 ou 15 mil homens aguerridos, os encontraria prontos para semelhante expedição.


Nas suas memórias, editadas pelo filho, o coronel Francisco de Paula Azeredo, que vem a comandar o 2.º Regimento de Infantaria, apresenta-nos o élan que a DVR inspirava num exército que esteve em guerra, de 1807 a 1814, e que se sujeitava agora à paz:

[...] 45 anos, com constituição robusta e ânimo ousado. A vida sedentária incomodava-o; o serviço ordinários das guarnições era uma ocupação modesta para quem via uma nova carreira de combates e glória. O trabalho era o seu deleite, e a actividade o maior prazer da existência. Não quis portanto deixar escapar esta oportunidade favorável de ir ao novo mundo aumentar os seus créditos e melhorar a sua posição, pois é sabido que além da sua espada não tinha outro património.

A questão da composição da infantaria da DVR: Caçadores todos?

William Carr Beresford
(Sir William Beechey)
Apesar de comummente se pensar que a DVR era constituída por 4 batalhões de caçadores, a 8 companhias cada, a mesma foi pensada para ser constituída por 12 companhias de caçadores e 20 companhias de infantaria ligeira (na verdade infantaria de linha regular, mas fardada como caçadores), mais não seja porque esvaziaria os 12 batalhões de caçadores que ficariam em Portugal (basta notar desde já que 38 dos 60 tenentes de todos os batalhões se apresentaram como voluntários).

Silvino da Cruz Curado refere que foi Beresford, no conflito com os governadores do Reino, que forçou um limite de 12 companhias de caçadores, pois como o marechal general Beresford coloca de forma clara, “[...] ponhamos-lhe nós o fardamento que quisermos, nem por isso os faremos caçadores... podendo, talvez tirar-lhes as qualidade de boa infantaria”. 


Oficiais generais e soldado e oficial da DVR
(José Wasth Rodrigues)

Apesar do conflito entre Beresford e os governadores do reino ser algo que foi mais ou menos constante desde 1809, a situação em paz era pior no sentido em que os interesses do maior aliado, D. Miguel Pereira Forjaz, começavam a divergir fortemente do dos ingleses desde o final da Guerra em 1814.

É de crer que Beresford terá estabelecido a divisão de efetivos entre infantaria de linha e caçadores da forma que veio a tomar, interpretando ao mesmo tempo os desejos do governo do Rio de Janeiro e as necessidades do Exército. 12 companhias de caçadores já implicaria que se retirasse cerca de um quinto de todos os oficiais de caçadores; imagine-se então se todas as 32 fossem recrutadas  nesta arma.

Os números

Embarque das tropas em Praia Grande (J. B. Debret)

Assim sendo, a DVR deveria ser constituída por 20 companhias de infantaria, 12 de caçadores, 12 de cavalaria e 2 de artilharia, tirando o efetivo do estado maior ao nível divisão, brigada e batalhão/corpo. 
Os efetivos seriam recrutados para cada um destas companhias a partir da arma correspondente.

Em termos da classe de oficiais, a DVR apresentava as seguintes vagas:

Infantaria:
2 tenente coronéis, 4 majores, 20 capitães, 20 tenentes, 40 alferes

Caçadores
2 tenente coronéis, 4 majores, 12 capitães, 12 tenentes, 24 alferes

Cavalaria
2 tenente coronéis, 4 majores, 12 capitães, tenentes e alferes

Artilharia
2 capitães, 2 primeiro tenentes e 6 segundo tenentes


Artilharia a Cavalo, da2.ª Brigada)  (Divisão dos Voluntários Reais): Oficial e Soldado (1815-1823) - trajavam a azul ferrete

A partir de 15 de maio, muitos oficiais voluntariaram-se para a expedição no Brasil. 
Estes são os números, por arma e por posto, de quantos se apresentaram:

Infantaria
3 coronéis, 7 tenentes coronéis, 14 majores, 55 capitães, 88 tenentes, 147 alferes
(Incluem-se nestes os coronéis Luís do Rego Barreto e Carlos Sutton e o tenente coronel John Prior, sendo que nenhum entrou)



Caçadores
5 tenente coronéis, 6 majores, 30 capitães, 38 tenentes e 41 alferes



Cavalaria
4 tenente coronéis, 3 majores, 10 capitães, 14 tenentes e 11 alferes


Artilharia
1 coronel, 1 tenente coronel, 7 capitães, 9 primeiros tenentes e 17 segundos tenentes


Se voltarmos atrás e relembrarmos as palavras do memorialista Lobo Barreto, que se o governo “mandasse prontificar um corpo de 12 ou 15 mil homens aguerridos”, não teria problema em o fazer. Pois os números demonstram-no de forma clara, e pouco faltaria (excetuo a cavalaria) para formar uma segunda DVR, se tal fosse necessário.

Aqui temos o rácio entre oficiais voluntários face às vagas no posto imediatamente superior na DVR e percebemos melhor a oportunidade que esta DVR representou para o oficialato português, sem perspetiva de promoção e muito jovem.




A classe dos capitães é a que mais se candidata, até porque era tradicionalmente o ponto de engarrafamento na carreira militar e o término desta para muitos. As pouquíssimas vagas de major (12 em toda a DVR, no que respeita aos batalhões) refletem um rácio que chega a ser de 14 capitães de infantaria de linha para 4 vagas de major, seguida de perto por 30 capitães de caçadores (mais de metade de todos os comandantes de companhias de caçadores do Exército) para 4 vagas de major. A arma que parece menos afetada é a de cavalaria, mas ainda assim apresenta 3 capitães por cada cada uma das 4 vagas de major nos dois corpos da arma. Apesar das outras classes não apresentarem rácios tão altos, mostram claramente que a oferta excedeu a procura em cinco vezes (se excluirmos as vagas de estado maior de brigada e divisão, que influem muito pouco nos resultados).

O caso dos Caçadores

2.º e 4.º Batalhões de Caçadores (Divisão dos Voluntários Reais, 1815-1823) - trajavam a castanho ou Saragoça


Ainda que Beresford tenha reduzido a 12 companhias o número de caçadores a retirar do Exército, ainda assim os 12 batalhões de caçadores ficaram sem muitos dos seus efetivos. 19,3% de todos os oficiais dos batalhões de caçadores foram para a DVR, abrindo promoção aos que ficaram. 

1 em cada 5 oficiais de caçadores em 1815 entrou na DVR.

Se verificarmos o número de oficiais de caçadores que se voluntariaram, por posto, é impressionante, tendo em vista as percentagens face aos efetivos dos 12 batalhões metropolitanos:

5 tenente coronéis (41.6% de todos os tenentes coronéis de caçadores)
6 majores (50%)
30 capitães (41.6%)
38 tenentes (63%)
41 alferes (34,2%)

Por exemplo, 63% de todos os tenentes de caçadores do Exército à altura, 38 num total de 60, ofereceram-se como voluntários, tendo 12 deles obtido o comando de uma das companhias.

***


Ainda que hoje tenuemente lembrada pela história militar portuguesa, a Divisão de Voluntários Reais foi naquela altura um imenso acontecimento para todos os militares do seu tempo e que se repercutiu de forma extraordinária na vida de muitos homens, mesmo entre os que estiveram em combate na Espanha e na França em 1813 e 1814.

Próximo: que medalhas usavam estes militares e como nos indicam elas a experiência militar que eles levaram à Campanha de 1816?

Conheça mais sobre o Exército Português nos Finais do Antigo Regime, de Manuel Amaral 

Fontes

- Arquivo Histórico Militar, 2/1/8/4 & 2/1/8/10

- AGUILAR, Francisco D’Azeredo Teixeira D’, Apontamentos Biographicos de Francisco de Paula D’Azeredo, Conde de Samodães, Porto, Tip. Manoel José Pereira, 1866.

- BARRETO, João da Cunha Lobo, “Apontamentos historicos a respeito dos movimentos e ataques das forças do comando do general Carlos Frederico Lecor, quando se ocupou a Banda oriental do Rio da Prata desde 1816 até 1823 (…)”, in: Revista do IHGB, vol. 196, Julho-Setembro 1947, pp.4-68.

- CURADO, Silvino da Cruz, Campanha de Montevideu, A Ocupação Portuguesa do Uruguai, 1816-1823 (Col. Batalhas da História de Portugal, n.º 14), Matosinhos, QuidNovi, 2006.

- LIMA, Cor. Henrique de Campos Ferreira, O Exército Português: Enciclopédia pela Imagem ; dir. artística Alberto de Sousa. - Porto : Livraria Lello, Limitada Editora, 1930. pp 54-55.