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12/11/2022

Reorganização da DVR, Relação de Unidades e Oficiais (2 de maio de 1816)


Com base numa proposta do marechal General Beresford que já vinha de 1815, a Divisão dos Voluntários Reais do Príncipe reorganiza-se, em Julho de 1816, tendo sido enviadas cartas que chegaram apenas (em 2.º via) após a DVR ter embarcado para o Brasil.

Assim, só no Rio de Janeiro, a 2 de maio de 1816, é que as mudanças são efetuadas de facto na Divisão de Voluntários Reais, agora de  d’El-Rei, por D. João VI ter ascendido ao trono por morte de sua mãe, D. Maria.

Principais alterações:

- A partir do 3.º Batalhão de Caçadores (mais as duas últimas companhias do 1.º Batalhão de Caçadores), forma-se o 1.º Regimento de Infantaria, a 10 companhias.

- A partir do 4.º Batalhão de Caçadores (mais as duas últimas companhias do 2.º Batalhão de Caçadores), forma-se o 2.º Regimento de Infantaria, a 10 companhias.

- O 1.º e 2.º Corpo de Cavalaria funde-se no Regimento de Cavalaria, a 12 companhias.

É com esta formação que a Divisão embarcará a 29 de maio, com direção a Santa Catarina. A relação apresentada de seguinte contém quase três centenas de oficiais. A ortografia dos nomes está modernizada.


DIVISÃO DOS VOLUNTARIOS REAIS DE EL-REI

[280 oficiais]


ESTADO MAIOR [25 oficiais]

Comandante em Chefe

TenGen. Carlos Frederico Lecor


Ajudantes de Ordens (CeC)

TenCor. João Pedro Lecor (Gov Pç. Albufeira)

Maj. José Ferreira da Cunha

Maj. António Pinto de Araújo Correia (Caç.11) 

Cap. D. José Miguel de Noronha 

Cap. José Pedro de Faria de Lacerda (Cav. 10)


Ajudante General e Secretário Militar

MarCamp. Sebastião Pinto de Araújo Correia 


Ajudantes de Ordens do Ajudante General)

Cap. António Maria de Lacerda (Castello-Branco) (Cav.1)

Cap. Francisco Pinto de Araújo (Corrêa) (Inf.15)


Deputado do Ajudante General - TenCor. D. Álvaro da Costa (Inf.11)

Deputado do Ajudante General – Maj. Joaquim Cláudio Barbosa Pita

Assistente do Ajudante General - Ten. Frederico Ernesto Krusse (Inf.6)

Assistente do Ajudante General - Cap. António Pedro Lecor (1.º Ten, Veteranos)

Assistente do Ajudante General – 1.º Ten. Francisco Frederico Agorreta (Art. 3)


Oficial Maior da Repartição do Secretario Militar - Amaro José Ferreira


Quartel Mestre General

Brig. Bernardo da Silveira Pinto


Deputado do Quartel Mestre General - Maj. Miguel António Flangini 

Deputado do Quartel Mestre General - Maj. Filipe Neri Vital Gorjão 

Assistente do Quartel Mestre General - Ten. Jacinto (Pinto) d’Araújo Corrêa (Inf.6) 

Assistente do Quartel Mestre General - Ten. Gil Guedes Corrêa 


Auditor Encarregado da Repartição de Víveres – António Gerardo (?) Curado de Meneses (Juiz de Fora de Aldeia Galega)

Auditor Encarregado da Repartição de Transportes – Manuel da Costa Monteiro (Auditor do Depósito Geral de Recrutas de Infantaria)

Oficial Maior da Repartição do Secretariado Militar – Amaro José Pereira (Quartel Mestre, Art. 4)


Engenheiros

TenCor. Joaquim Norberto Xavier de Brito

TenCor. Francisco António Raposo


* * * 


1.ª BRIGADA DE VOLUNTÁRIOS REAIS [95 oficiais]

Comandante - Brig. Jorge de Avilez Zuzarte Ferreira de Sousa (Inf. 5)

Major de Brigada - Ten. José Leonardo Teixeira Homem (Cav. 4)

Cirurgião Mor - honras de Maj. Alexandre Luís Leite (Inf. 16)

Capelão - Fr. Gaspar da Rocha (Inf. 15)


1.º Regimento de Infantaria

Cor. João Carlos de Saldanha de Oliveira e Daun (Inf.13) 

TenCor. António José Claudino de Oliveira Pimentel (Inf. 5)

Maj. José Pedro de Melo (Inf. 24)

Maj. João Joaquim Pereira do Lago (Inf. 6) 

Ajudante - Ten. Claúdio Caldeira Pedroso (Inf. 17) 

Ajudante – Alf. António de Moura Brito (Inf. 17)

Cirurgião-mor (honras de Capitão) Francisco de Andrade Taborda

Cirurgião-mor (honras de Capitão) José Joaquim Teixeira 


Quartel Mestre - João António Ribeiro Branco (Caç. 7)

Quartel Mestre – José Maria de Azevedo (Caç. ?)


1.ª Companhia - Cap. Ignacio da Cunha (Inf. 3)

2.ª Companhia - Cap. Carlos Hodge

3.ª Companhia - Cap. José Joaquim Pacheco (de Avelar) (Inf. 4) 

4.ª Companhia - Cap. Pedro António Rebocho (Inf. 23)

5.ª Companhia - Cap. José António Freire (Inf. 20)

6.ª Companhia - Cap. Alexandre Machado Paes (Inf. 21?) 

7.ª Companhia - Cap. João Rodarte da Gama Lobo (Inf. 10)

8.ª Companhia - Cap. António Duarte Pimenta (Inf. 18)

9.ª Companhia - Cap. José Cabral de Abreu Lima (Inf. 16) 

10.ª Companhia - Cap. João de Avilez Zuzarte (Inf. 2) 


Tenentes

Sebastião Lobo (de Vasconcelos) (Inf.9)

António Silvestre de Sousa (Inf.2)

António Manoel de Meirelles (Inf.3)

José de Magalhães (da Costa) (Inf.15) 

António Aniceto Cardoso (de Figueiredo) (Inf.3) 

Hipólito Cassiano de Paiva (Inf.7) 

Francisco Xavier da Cunha (Inf.19) 

António Basílio Garcês (Inf.19)

Domingos Ciríaco Avondano (Inf.9)

Caetano Cardoso de Lemos (Inf.6)


Alferes

Luís Leite de Castro (Reg. Mil. Guimarães)

António Bernardino Geraldo (Inf.6) 

Luiz Xavier Valente (Inf.10?)

Rodrigo de Sá Valente (Inf.10)

António José de Araújo (Inf.16)

António de Vale Salazar e Sousa (Inf.4)

António Luiz Ribeiro (Inf.4)

António Felix de Menezes Coelho (Inf.4)

Joaquim José Pereira (Inf.13)

José de Macedo (Inf.15)

Francisco Xavier da Costa

António Mendes Belo (Inf. 15)

Luís António Ribeiro Bonjardim

José Francisco da Maré

Jerónimo Ezequiel da Costa Freire

Carlos Frederico Krusse

João de Sousa (Inf.10)

Joaquim da Fonseca e Castro (Inf.10)

2/5/16: João de Sousa Quevedo Pizarro (2.º Reg Inf, DVR)

José de Amorim de Azevedo (1.º Bat Caç, DVR)


1.º Batalhão de Caçadores

TenCor. Manuel Jorge Rodrigues (Caç. 1) 

Maj. Jerónimo Pereira de Vasconcelos (Caç. 12) 

Maj. Caetano Alberto de Sousa Canavarro (Caç. 4) 

Cirurgião-mor (honras de Capitão) Francisco Bernardo de Santana (Caç. 6)

Cirurgião-mor (honras de Capitão) Joaquim José Barrão (Caç. 8)

Ajudante - Ten. José Anastácio (Caç. 6)

Quartel Mestre - José António Fernandes (Caç. 6) (Sarg)


1.ª Companhia - Cap. João Teixeira Vieira de Queiroz (Caç. 12) 

2.ª Companhia - Cap. Sebastião da Cunha Ferraz (Caç. 4)

3.ª Companhia - Cap. João Manuel de Almeida (Caç. 11) 

4.ª Companhia - Cap. Sebastião Navarro (Caç. 6) 

5.ª Companhia - Cap. Luís de Vasconcelos Lemos Castelo-Branco (Caç. 4) 

6.ª Companhia - Cap. Lucas da Costa Pimenta (Caç. 4) 


Tenentes

Luiz Manuel de Jesus (Caç.8) 

José dos Santos Pereira (Caç.7) 

João da Cunha Lobo (Barreto) (Caç.4) 

António Maria de Gouveia (Caç.2) 

António Osório de Magalhães (Caç.1)

Filipe Corrêa de Mesquita (Caç.6)


Alferes

João Velez da Gama Lima (RegMil VViçosa)

António Joaquim da Silva Pacheco (Caç.3)

José António Furtado (Caç.5)

Francisco Inocêncio

António Jacinto da Costa Freire

António Mariz Carneiro (Caç.9)

António Ezequiel Cabrita (Caç.8)

José Martins Taveira (Caç.6)

António José Moreira (Caç.7)

José Vieira Dias (Caç.10)

José Maria da Paz (Caç.2)

Joaquim Rodrigues da Costa Simões


* * *


2.ª BRIGADA DE VOLUNTÁRIOS REAIS [94 oficiais]

Comandante - Brig. Francisco Homem de Magalhães Quevedo Pizarro (Inf. 16)

Major de Brigada - Cap. Pedro Pinto de Araújo Correia (Caç. 3)

Cirurgião Mor - honras de Maj. José Pedro de Oliveira (Caç. 6)

Capelão - Padre José Joaquim Pereira


2.º Regimento de Infantaria 

Cor. Francisco de Paula de Azeredo (Inf.8)

TenCor. João Crisóstomo Calado (Inf. 20) 

Maj. José Maria da Silveira (Inf. 18)

Maj. Guilherme Cotter (Inf. 9)

Ajudante - Ten. Leonardo da Sousa Leite (Inf. 13)

Ajudante – Alf. José Joaquim Antunes (Inf. 18)

Cirurgião-mor (honras de Capitão) – Manuel Alexandra da Mota (Caç. 11)

Cirurgião-mor (honras de Capitão) – Bernardo Machado da Cunha (Caç. 12)

Quartel Mestre - Bernardo José Xavier (Caç. 12)

Quartel Mestre – José Maria Picanço


1.ª Companhia – [vago]

2.ª Companhia - Cap. Francisco da Paula Esteves (Inf. 15) 

3.ª Companhia - Cap. José António Franco (Inf. 15)

4.ª Companhia - Cap. Manuel Jeremias Pinto (Inf. 17)

5.ª Companhia - Cap. António Joaquim Henriques Lobinho (Inf. 4) 

6.ª Companhia - Cap. Tristão de Araújo Vasconcelos (Inf. 21) 

7.ª Companhia - Cap. Duarte Cardoso de Sá (Inf. 12) 

8.ª Companhia - Cap. Salustiano Severino

9.ª Companhia - Cap. João Luís Pereira de Castro (Inf. 6) 

10.ª Companhia - Cap. Teotónio Nobre (Inf. 15) 


Tenentes

Francisco de Paula Cabrita (Inf.2) 

Luiz Emidio de Castro (GR Polícia)

João de Mattos (Maia) (Inf.15)

António José de Carvalho (Inf.3)

Henrique Luiz da Fonseca (Inf.2) 

João António de Abranches (Inf.7)

José Caetano Vivas (Inf.8) 

Francisco Zeferino Felgueiras (Inf.6)

João Pedro Xavier Ferrara (Inf.19) 

Joaquim da Sousa Pinto (Cardoso) (Inf.3)


Alferes

José Ignacio Burguete (Inf.13)

Ayres José Seromenho

José Ricardo Aparício (Art Nacionais Lx Ocidental)

Joaquim José Maria Parate 

António Caetano de Sousa Macedo

José Maria de Maré

Caetano José Vianna

João Ignacio Xavier (Art. Ordenanças)

Pedro José Baptista (GR Policia)

Manoel Esperidião da Silva (Inf.19)

Lôpo José Corte-Real (Inf.5)

José Joaquim Antunes (Inf.18)

João de Mattos Coatrim (Inf.8)

Francisco António de Moraes (Inf.12)

Rodrigo José da Silva Vieira

José Augusto de Carvalho

José Joaquim do Amaral (Inf.11)

José Manoel Peres (Inf.22)

José Hermenegildo Pereira de Horta (Inf. 16)

Fernando Homem de Vasconcelos

[2.5.1816:] Sebastião Correia da Costa (1.º Bat Caç., DVR)

Bernardo da Silva Sotomaior (Art, DVR)


2.º Batalhão de Caçadores

TenCor. Francisco de Paula Rosado (Caç. 11?)

Maj. João José de Moraes (Caç. 6) 

Maj. André McGregor (Caç. 4)

Cirurgião-mor (honras de Capitão) José Miguel Neves (Inf. 14)

Cirurgião-mor (honras de Capitão) José Rebolido Pinheiro (Caç. 8)

Ajudante - Ten. Francisco Xavier da Cunha (Inf. 19)

Quartel Mestre - António Inácio de Seixas (Caç. 8) (Sarg.)


1.ª Companhia - Cap. José Maria da Rocha (Caç. 12)

2.ª Companhia - Cap. Domingos de Almeida da Costa (Caç. 12)

3.ª Companhia - Cap. Miguel Correia de Freitas (Caç. 12)

4.ª Companhia - Cap. José Maria de Araújo (Caç. 3)

5.ª Companhia - Cap. Vicente José de Almeida (Caç. 7) 

6.ª Companhia - Cap. José de Vasconcelos (Caç. 8)


Tenentes

José Fernandes dos Santos (Caç.8)

João Teixeira de Macedo (Caç.4) 

Manuel de Sousa Pinto de Magalhães (Caç.11) 

Manoel Eleutério (Caç.12)

José Osório de Magalhães (Caç.1) 

Gaspar José de Brito (Caç.5)


Alferes

Sebastião Vaz da Costa

José Joaquim de Magalhães Fontoura

José Joaquim Correia (Artilheiros Nacionais Lx Ocidental)

José Marques Salgueiros (Caç.9)

Manoel Joaquim Maria (Caç.11)

Gregório José dos Santos (Caç.1)

Luiz Pinto (Caç.3)

Manoel António da Fonseca (Caç.12)

Manoel José (Caç.5)

José da Cruz de Freitas (Caç.4)

Francisco Esteves de Figueiredo (Inf.17)

António Inácio (Inf.4)


* * * 


Regimento de Cavalaria [53 oficiais]

Cor. António Feliciano Teles de Castro Aparício (Cav. 1)

TenCor. António Manoel de Almeida Morais Pessanha (Cav. 6)

TenCor. João Vieira Tovar de Albuquerque (Cav.9) 

Maj. Joaquim Claúdio Barbosa Pitta (Cav.3)

Maj. António de Castro Ribeiro (Cav.3)

Maj. João Nepomuceno de Lima (Cav.4) 

Maj. Duarte Joaquim Correia (de Mesquita) (Cav.8)

Cirurgião-mor (honras de Capitão) João Ferreira de Almeida (Inf. 13)

Cirurgião-mor (honras de Capitão) Joaquim António Pinto (Inf. 19)

Cirurgião-mor (honras de Capitão) Julião José de Almeida (Inf. 16)

Cirurgião-mor (honras de Capitão) José Celestino da Costa (Inf. 1)

Picador (honras de Tenente) José Pedro Lobo (Legião Tropas Ligeiras)

Ajudante – Alf. António de Sousa Florindo (Cav. 12)

Ajudante – Alf. João Tavares (Cav. 4)

Quartel-Mestre - Duarte José da Cruz (Cav.7)

Quartel-Mestre - Francisco Nunes do Amaral (Cav.1)

Capelão - José Pinto dos Santos (Inf.21)

Capelão - Manoel Martins (Caç.4)


1.ª Companhia - Cap. José António Esteves de Mendonça e Sá (Cav.1)

2.ª Companhia - Cap. António de Cerqueira (Cav.9)

3.ª Companhia - Cap. João de Nepomuceno (Isidro) de Macedo (Inf.11) 

4.ª Companhia - Cap. Miguel Pereira de Araújo (Cav.7)

5.ª Companhia - Cap. Lopo de Vasconcelos Pereira (de Abreu) (Cav.12)

6.ª Companhia - Cap. José Maria de Sá Camelo (Cav. 10)

7.ª Companhia - Cap. Francisco Inácio da Silveira (Cav.8)

8.ª Companhia - Cap. Bento José Duarte (Cav.4)

9.ª Companhia - Cap. José de Barros e Abreu (Cav.1)

10.ª Companhia - Cap. José Maria de Cerqueira (Cav.9)

11.ª Companhia - Cap. Joaquim Antonio de Moraes Palmeiro (Cav.4)

12.ª Companhia – Cap. Filipe Neri de Oliveira (Cav. 4)


Tenentes

José de Melo Sousa e Meneses (GRPolicia)

Fortunato de Melo (Cav.11) 

José Francisco Raposo (Cav.8)

António Ferreira da Costa (Cav. 5)

Manuel Joaquim de Lima Bezerro (?) Praça (Cav. 11)

João Batista de Oliveira (Cav.4)

António Maria Xavier (Cav.4)

João Xavier de Morais (Resende) (Cav.3)

Domingos Egídio de Freitas (Cav. 8)

José de Melo (Cav. 9)

Luís Estevão Couceiro (Cav. 11)


Alferes

Vicente Ferreira Brandão Furtado de Mendonça (Reg Mil Viana do Castelo)

João Gomes da Silva (Cav.1)

Anselmo José de Almeida Valejo (Cav.8)

António José da Rocha (Cav.9)

António Pedro da Rocha (Cav.3)

Carlos Schultz

Francisco António da Silva

Sebastião Rodrigues (Cav.1)

José Dias de Carvalho (Cav.5)

António Figueira de Almeida (Cav.8)

José de Mendonça (Cav.7)

Albino Pimenta de Aguiar Mourão


* * *


Corpo de Artilharia [13 oficiais]

Comandante - Maj. Maximiliano Augusto Penedo (Art.2)

Ajudante - Cap. Vicente Antonio Buys (Art.2)

Qartel Mestre – António José da Costa (Art. 2)


1.ª Companhia - Cap. José Ricardo da Costa (Silva Antunes) (Art.2)

2.ª Companhia - Cap. António José da Silva (Art.2) 


Primeiros-Tenentes

João Caetano Rosado (Art.2)

Joaquim Filipe Lampreia (Art.2)


Segundos-Tenentes

João Ignacio Holbech (Art.1)

Roque António de Faria (Art.1)

Faustino António Jovita (Art.1)

José Dias Serrão (Art.3)

Gabriel António Francisco de Castro (Art.4)

António José Peixoto (Art. 2)


Fonte

- Arquivo Histórico Militar, 2.ª Div. -01-03-05

05/09/2019

Estado Maior: Álvaro da Costa de Sousa de Macedo


O tenente coronel ÁLVARO DA COSTA DE SOUSA DE MACEDO nasceu no Palácio dos Viscondes de Mesquitela, na Calçada do Combro, em Lisboa, a 22 de Agosto de 1789. Era filho de D. José Francisco da Costa de Sousa e Albuquerque, 2.° visconde de Mesquitela, Armador Mor do Reino, e de Maria José de Sousa Macedo, 2.ª viscondessa de Mesquitela.

Alista-se a 5 de Agosto de 1809 no Regimento de Artilharia n.º 4, no Porto, passando, dois meses depois, a 24 de Outubro, ao Regimento de Infantaria n.º 6, na mesma cidade, como Alferes da 5.ª Companhia. No final do ano, a 29 de Dezembro, passa à 2.ª Companhia de Granadeiros do regimento.

A 29 de Novembro de 1810, é promovido a tenente e nomeado ajudante de ordens do coronel Wiliam Moundy Harvey. Este oficial, do mesmo regimento de Álvaro, comandava a brigada portuguesa constituída dos regimentos de infantaria n.º 11 e 23.

Participa na batalha de Albuhera, em Maio de 1811, onde a sua brigada trava brilhantemente cavalaria francesa em linha. Recebe posteriormente a Cruz de Distinção da batalha, outorgada por Espanha.

Em 1812, é ferido na tomada de Badajoz, juntamente com o seu general e o major da Brigada Thomas Peacocke. Um mês depois, a 5 de Maio, é promovido a capitão.

Em 17 de Agosto de 1813, após a morte do seu general, passa a capitão da 2.ª Companhia de Granadeiros, do Regimento de Infantaria n.º 23.

A 27 de Abril de 1814 é promovido a sargento mor do Regimento de Infantaria n.º 11, com antiguidade de 17 de Fevereiro, após ter sido “encarregado de appresentar a Suas Excellencias os Senhores Governadores do Reino os despachos do lllustríssimo e Excellentíssimo Senhor Marechal General Duque da Victoria, relativo ás acções que houverão desde 14 do referido mez de Fevereiro até 1 de Março". Pelo seu serviço durante a guerra, recebe a Cruz da Guerra Peninsular, 1.ª classe, por 5 campanhas.

A 24 de Junho de 1815, com 25 anos de idade, é promovido a tenente coronel e nomeado deputado do Ajudante General da Divisão de Voluntários Reais do Príncipe, embarcando para o Brasil, em Setembro desse ano, onde serve durante a campanha. A 4 de Julho de 1817 é promovido a coronel.

Após a campanhas do sul do Brasil, é promovido a brigadeiro a 26 de Março de 1821, recebendo o grau de cavaleiro da Ordem da Torre e Espada dois meses antes, a 22 de Janeiro. É o último comandante da Divisão dos Voluntários Reais, assim como Capitão General da Província Cisplatina, quando Carlos Frederico Lecor toma o serviço brasileiro, em Setembro de 1822.
A 18 de Novembro de 1823, após um conflito de um ano entre as forças portuguesas e brasileiras, assina um compromisso com Lecor e as forças portuguesas abandonam Montevideu em Março do ano seguinte. Pelos seus serviços, recebe a Cruz de Ouro de Montevideu.

Já em Portugal, torna-se o governador da Praça de Setúbal em 1824, sendo, em 1828, o encarregado interino do Governo de Armas da província do Minho. 
Em 1830, torna-se o Capitão General e governador da Ilha da Madeira até ao fim da Guerra Civil, sendo promovido a marechal de campo a 2 de Janeiro de 1832. A 26 de Outubro de 1833, é feito conde da Ilha da Madeira e promovido no mês seguinte a tenente general (21 de Novembro).

Após o final da guerra civil, exila-se em França, onde falece em 1835.

05/05/2018

Estado Maior: José Ferreira da Cunha


O sargento mor José Ferreira da Cunha nasceu em Almeida por volta de 1786, filho de José Ferreira da Cunha.

Assentou praça e jurou bandeiras no Regimento de Infantaria de Almeida em 9 de Setembro de 1801, aos 15 anos de idade, tendo por fiador o seu tio, Simão José da Cunha. De acordo com os livros mestre do regimento, tinha olhos e cabelos castanhos e media 58 polegadas, cerca de 1,60 metros. Foi promovido a furriel em 16 de Fevereiro de 1805, na 5.ª companhia.  

Após a restauração, apresentou-se no regimento a 21 de Julho de 1808, e foi promovido a primeiro-sargento dias depois, a 1 de Agosto, passando a servir na 4.ª companhia do regimento. 

A 14 de Janeiro de 1809 é promovido a alferes, passando a servir por essa altura como ajudante de ordens do coronel Carlos Frederico Lecor, quando este assumiu o comando militar da Beira Baixa. 

A 16 de Maio de 1810, é promovido a tenente. Apesar de ser ajudante de ordens de Lecor desde o início de 1809, só a 2 de Maio de 1812 é confirmado no lugar, ficando desligado do Regimento de Infantaria n.º 23. A 3 de Janeiro de 1814, é promovido a Capitão, no mesmo exercício. 

A 22 de Junho de 1815, com 29 anos, é promovido a Sargento Mor Ajudante de Ordens do Comandante em Chefe da Divisão de Voluntários Reais.

27/01/2018

Transcripto: Informação sobre a situação político-militar das províncias do Rio da Prata enviada ao marquês de Alegrete (João Vieira de Carvalho)


A carta que apresento transcrita foi escrita nos finais de 1814 e inícios de 1815, pelo sargento mor João Vieira de Carvalho ao marquês de Alegrete, marechal de campo D. Luís Telles de Menezes, então o capitão general da província do Rio Grande de S. Pedro, hoje do Sul. 

Esta carta precede as primeiras operações militares portuguesas em meio ano, quando ainda é desconhecido se uma expedição portuguesa viria, de que tamanho, e se isso representaria a invasão da Banda Oriental.
A referência ao chefe miliciano Manuel dos Santos Pedroso (que falece em Março de 1816 e não chega a participar nas operações), permite-nos datar este documento de antes de Março de 1816, tendo sido escrito antes, mas é de crer que terá sido escrito por volta de Dezembro de 1814, quando o marquês de Alegrete tomou posse do cargo de capitão general do Rio Grande.

D. João já havia tomado a decisão de ocupar Montevideu pela altura em que esta carta foi escrita, mas só em maio, 5 meses depois, é que se sabe quantos homens levava a expedição (os nossos Voluntarios Reaes do Príncipe), que foi maior que o esperado (pelo menos duas fontes, incluindo aqui Carvalho - e Luís Santos Marrocos, esperavam 2000 portugueses veteranos da Guerra Peninsular).

A carta é fundamentalmente dividida em três partes: a primeira, versando sobre as questões políticas gerais. A segunda, sobre as cautelas diplomáticas a ter face às eventuais partes no terreno (Buenos Aires, Artigas e Espanha). A terceira parte da carta é uma reflexão puramente militar sobre como deviam decorrer as operações militares, no caso de se decidir a invasão.


João Vieira de Carvalho
Futuro ministro da Guerra do Brasil imperial, por três vezes, após a independência, João Vieira de Carvalho, de 32 anos de idade, escreve ao seu general, a pedido do governo da Corte, refletindo, a partir da sua experiência de vários anos na província como sargento mor de Engenharia. 

A sua reflexão, erudita e militar em boa combinação, com referências culturais muito localizadas no tempo, data 202 anos hoje de nós que a lemos aqui. 

Vieira de Carvalho reflete, por exemplo, sobre a dispendiosas campanhas de 1811-1812, como a primeira "guerra sem aquisição de terras"; e defende que é vital ocupar a banda Oriental até ao rio Uruguai.

A ortografia é modernizada, e as minhas notas estão formuladas entre parênteses retos, que reputei fundamentais à compreensão de algumas referências. Coloca ainda também elementos titulares, antes de determinados pontos de interesse. Utilizo ainda o vermelho escuro para identificar passos de interesse, que servem de título ao que se segue.

[nota biográfica sobre o autor no final do artigo]


* * *
Informação sobre a situação político-militar das províncias do Rio da Prata enviada ao marquês de Alegrete

As vantagens que se podem seguir ao Brasil com a posse da margem oriental do Rio da Prata merecem mais as vistas do governo do que mesmo o receio do novo sistema daquelas províncias, ou o cuidado filantrópico e pacificador das mesmas. O egoísmo nacional, que é desculpável em todas as nações e que praticamente sustentam as que melhor se governam, a desunião revolucionária de Buenos Aires, apatia do governo de Espanha a respeito dos negócios do Rio da Prata, e sobretudo a força política de um governo legítimo como o do Brasil guiado por fortuna nossa pelas virtudes e espírito de justiça de S. A. R o Príncipe R. N. S. formam a base da presente questão, que deve ter por princípio fundamental: aplicar meios proporcionais ao proveito do resultado. Se este não há-de ser a posse que deixo dita nada mais julgo próprio dos grandes esforços do governo.


Estão muito frescas as ideias dos anos de 1811 e 1812; duas campanhas se passaram. Absorveram mais dinheiro, armas, gente e recursos de transporte. Entendeu-se com a economia interna da capitania do Rio Grande. Os habitantes deste viram pela primeira vez e com desgosto uma guerra sem aquisição de terras. As capitanias do sul do Brasil sofreram uma concussão política, que bem se manifestou nas imigrações e fugas dos habitantes que se esconderam ao recrutamento e marcha das tropas (1). [notas de roda pé ao fim do documento]

Desfiguraram-se as boas intenções do novo governo publicando os revolucionários, e talvez acreditando-o os mesmo espanhóis, que de mãos postas pediam o socorro do Exército Português, que S. A. R. só queria de mão armada apossar-se da província de Montevideu; tendo o fecho de tais serviços a necessidade que se figurou de ir um emissário do Rio de Janeiro a Buenos Aires apadrinhar a retirada de um exército que não tinha conhecido reveses (2).

Salvou-se, é verdade, por uma vez a praça e província de Montevideu, porém ela caiu quando largámos a sua guarda. A revolução de Buenos Aires continuou, e da mesma sorte a Espanha na sua indiferença. 

Não me consta que ela mostrasse o mais pequeno reconhecimento ao Exército Pacificador, e no congresso de Viena, onde as nações parece ajustarem as suas contas políticas, esquecem talvez esta.

Recopilando portanto a minha primeira ideia digo, que sem a certeza da posse do território em questão devemos limitar-nos ao bom estado de respeito da nossa fronteira, punindo exemplarmente os roubos, estabelecendo pontos determinados para o comércio entre os dois países, vigiando escrupulosamente sobre a legalidade e boa fé do mesmo, deixando assim à feliz capitania do Rio Grande gozar do seu doce governo, e do espantoso acréscimo de agricultura e comércio que diariamente se lhe conhece (3).

Mas se enfim o céu tem reservado para o feliz reinado de S. A. R. a aquisição de um terreno de mais de quatro mil léguas quadradas, com dois portos de mar, próprio pela sua fertilidade e clima ao estabelecimento de muitos vassalos, o arredondamento da fronteira do Brasil por este lado nos limites naturais dos Rio da Prata e Uruguai, a influência direta em todas as províncias da América do sul até ao Peru, a melhor segurança das capitanias do sul do Brasil pela regularidade dos princípios que ministra a guerra a estabilidade de limites naturais, então ajustemos os dois grandes meios de o conseguir e abram o caminho às armas.


* * * 

Montevideu


Buenos Aires, Artigas e Espanha parecem ser os alvos das negociações políticas. O governo de Buenos Aires cheio de fações que se mexem com rapidez, sem representação nacional, dilacerado pelos partidos que lhe absorvem os seus pequenos recursos de numerário, sem exército, e enfim sem força para vingar.-se dos seus inimigos internos, não está em estado de oferecer vantagens nas suas negociações. Um governo revolucionário quando negoceia principalmente com aqueles que lhe são diametralmente opostos em princípios ou cobre de refinada malícia os protestos de reconciliação com que ganha tempo, ou patenteia indiretamente a sua fraqueza interna. Temos a experiência. Começaram os portenhos a revolução, e começaram logo a tentar o nosso governo com negociações que sempre abortaram. Protestos, intriga e dinheiro, tudo manejaram para se acreditarem dispostos a submeterem-se um dia a S. M. C. ou a unirem-se ao Brasil. Queriam ganhar tempo, e se agora renovam as suas instâncias é porque estão no segundo caso que deixo dito da fraqueza interna. Como poderá afiançar a realidade e fidelidade dos seus ajustes um governo que não tendo podido estender a sua revolução além do Peru, que não tem aliciado cabalmente a província do Paraguai, que não pode seduzir ou vingar-se de Artigas, e que até agora não tem obtido o favor de um só governo legítimo?

A intriga faz nascer as revoluções, e só as armas as acabam. Livre-se S. A. R. de ouvir protestos de revolucionários, e confiando tudo das suas virtudes, e ao valor e mor dos seus exércitos poderá um dia imperar sobre Buenos Aires tomando a divisa de Sobieski [rei João III Sobiesky da Polónia (1629–1696)]: Per has ad instam [referência a um brasão histórico deste rei com uma espada atravessando 3 coroas, e com a sua própria coroa no topo, com o lema: Através destas, aquela].

É portanto o meu parecer a respeito de Buenos Aires que nem se trate com altivez, porque é ela muitas vezes quem acende mais o republicanismo, nem com a consideração de relações.

Artigas tem roubado uma reputação que não merece. Reduzido a comandar talvez três mil homens mal armados, sem disciplina e rotos contenta-se com a sombra de uma representação que mal pode sustentar. Bem longe está ele das virtudes dos célebres campeões da liberdade dos povos Washington [George Washington (1732-1799)] e Guilherme Tell. Nem mesmo tem a ambição e coragem dos rebelados Oglow [Osman Pazvantoğlu, ou Pass[e]wan Oglow (1758–1807)] e Alibek [Ali Bey (tb. Bek ou Bak), al-Kabir (1728–1773)]. Um refratário mais do que um sistemático, não se ajusta, não concorda. As negociações com ele seriam frustradas, e o que se poderia esperar de um homem que não pode ser lisonjeado nem pelas virtudes nem pela ambição?

Se a alta e respeitável dignidade de S. A. R. se acha comprometida com a existência de Artigas, eu julgo que ela cessará com um simples aceno de S. A. R. ao excelentíssimo governador e capitão general da capitania do Rio Grande, sem contudo fazer a honra àquele refratário de mover exércitos para o castigar.

Parece que naturalmente se voltam os nossos cuidados políticos ao governo de Espanha. Façamos tudo por arrancar-lhe uma cessão formal da província e praça de Montevideu. Deve-se fazer valer os serviços já feitos à sua causa tanto na Europa como na América, e aqueles que as nossas tropas lhe podem ministrar na ocasião da sua expedição ao Rio da Prata; serviços que decerto serão os decisivos no resultado dos seus esforços.

Não será fora de propósito fazer entender ao governo de Espanha a cordialidade e zelo da nossa coadjuvação no caso da pretendida cessão, e a restrita posição neutral em que permaneceremos quando ela se não verifique. Não esquecerá ao encarregado desta comissão o fazer perceber a possibilidade em que estamos de fomentar a independência das províncias do Rio da Prata quando se não realiza a nossa pretensão (4).

Quando a Espanha responda negativamente julgo que se deverá protestar ao gabinete de Madrid assim como declarar a todos os da Europa, que sempre que a anarquia continue nas províncias do Rio da Prata, que a Espanha não ponha os meios de a evitar, e que os estados de S. A. R. se vejam ameaçados de uma força armada, então todo o território conquistado pelos exércitos portugueses ficará pertencendo de propriedade e direito a S. A. R. e nunca restituídos como em 1812. Não façamos sacrifícios generosos por uma nação que nos dominou injustamente sessenta anos e que cuidou tão pouco na nossa tutela que deixou cair nas mãos dos holandeses as nossas mais ricas possessões da América e Ásia; possessões que ou voltaram à custa de briosos esforços de vassalos como Vieira e Dias, ou se perderam para sempre.

É verdade que no tratado de 1680 garantem-se reciprocamente Portugal e Espanha as suas possessões entre Santos e o Cabo de Horn, estipulando mútuos socorros no caso de rebelião, porém eu julgo ter caducado este artigo logo que se estabeleceu o governo português no Brasil. O motivo daquele ajuste cessou com a emancipação deste país, e com o cabal conhecimento do com caráter dos brasileiros que, como deviam, receberam nos seus braços a S. A. R.. A conservação de tal artigo é certamente ofensiva a eles e bem alheia das pias e generosas intenções do augusto senhor.

Quando porém só por motivos de generosidade quisesse S. A. R. auxiliar os exércitos espanhóis deveria ser com uma pequena força proporcional à capitania do Rio Grande, e nunca empenhar a tropa de Portugal e das outras capitanias.


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Forte de Santa Teresa, Uruguai (wikicommons)

Resolvida por qualquer motivo a ocupação da margem oriental do Rio da Prata deve-se dar princípio às operações militares, precedidas estas por um manifesto concebido nos termos gerais de amnistia, perdão de opiniões políticas, respeito à religião, usos, costumes e propriedades, licença para a retirada de habitantes que queiram, assim para a venda de bens, etc.

A expedição de Portugal deverá vir para Santa Catarina, onde se conservará pronta a dar à vela logo que receba ordem do excelentíssimo governador e capitão general do Rio Grande.

O regimento de Santos virá acampar em Taim, e juntamente com ele duas companhias de artilharia do batalhão do Rio Grande com quatro peças de artilharia de calibre 6. O regimento de cavalaria de Minas, o de Santa Catarina, as outras duas companhias de artilharia do Rio Grande com duas peças de calibre 6 e dois obuses, os esquadrões de cavalaria ligeira do Rio Grande e a companhia de artilharia montada da Corte se postarão no Cerrito.

A legião de São Paulo e o regimento de Dragões em S. Diogo (5). Os milicianos só serão chamados quando finalmente estiver resolvida a marcha e então se unirão à coluna do Rio Pardo (S. Diogo) os regimentos de Porto Alegre e Rio Pardo. Duas companhias do regimento do Rio Grande devem unir-se ao corpo de Taim, e as seis restantes ocuparão o passo do Sarandi no Jaguarão (6).

No mesmo dia marcharão estas tropas a entrar no território espanhol, e oito dias depois dará à vela a expedição de Portugal de Santa Catarina para o sul. A coluna do Rio Pardo marchará ao Uruguai a ocupar o Salto, entrincheirando-se (sendo necessário) e procurando manter-se a todo o custo entre os rios Arapey e Daymán. A partida de voluntários do tenente coronel Manuel dos Santos Pedroso [falece de bexigas em Março de 1816], que se deve ter antes juntado nas cabeceiras do Quaraí, contornará as abas da serra de Santana para conter em respeito os índios charruas e minuanos, ou se colocará em Belém se eles se tiverem unido ao inimigo (X). O corpo do passo do Sarandi marchará à vila do Cerro Largo [Melo], e depois de bater a guarnição que lá houver (7), tomará a margem esquerda do rio Negro e a seguirá até à confluência do rio Yi, permanecendo entre os passos del Costa [?] e Durazno, ou ocupando um deles como se julgar mais seguro. Este corpo é destinado não só a cortar na parte possível a comunicação de Artigas com Montevideu, como também juntar cavaladas e boiadas para auxílio da coluna do Rio Grande que depois deve vir a este ponto (8). A coluna do Rio Grande marchará deixando a lagoa Mirim a leste pelo caminho que julgar melhor atendendo aos recursos de transporte e estação a buscar o arroio de Alferes nas cabeceiras do rio Cebollati, próximo ao povo de Rocha. O corpo de Taim tomando o forte de S. Teresa e deixando-lhe uma pequena guarnição chegará a Castillos. A expedição reconhecerá a terra na latitude 34º 6', e depois de sinais feitos e reconhecidos pelo corpo de Taim, mandará uma lancha a entrar em Castillos para tomar notícias exatas dos movimentos do exército. Não havendo motivos de dificuldade navegará a expedição a tomar porto em Maldonado, e o corpo de Taim reunido à coluna do Rio Grande marcharão para o mesmo ponto. Feito o desembarque, se juntará o regimento de cavalaria de linha do Rio Grande à tropa de Portugal e irão fazer a guarnição de Montevideu (9).

As embarcações de guerra que comboiarem a expedição, e as mais que se poderem juntar farão a guarda costa, podendo as mais pequenas subir pelo Uruguai.

A coluna do Rio Grande se dirigirá ao passo de Durazno no Rio Negro e de lá a Sandú.

O estado das forças do inimigo, a sua posição, e os movimentos decidirão os nossos, podendo dizer-se em geral que se o inimigo tiver uma força considerável e que ameace poderão as colunas de Sandú e Salto darem-se as mãos e derrotá-lo; ou vendo-se obrigadas a largar as margens do Uruguai (o que não é de presumir), volver esta para as margens do Quaraí fazer respeitar a nossa fronteira, e aquela para as do rio Negro, e hão-de sustentar-se ou voltar a reunir-se com a guarnição de Montevideu (10). Não havendo que recear se desenvolverão as colunas pelo Uruguai guarnecendo a nova fronteira, e deixando o interior em pacífica e boa ordem para a sua organização política e para abrigo de uma prodigiosa população que pode manter.

Pode ser ela de habitantes de Portugal, das ilhas dos Açores, e mesmo estrangeiros. Uma ajuizada partilha de terras daria património e todos, e as produções de gado e trigo matérias para a sua indústria e comércio.

J[oão]. V[ieira de]. C[arvalho].


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[Notas] 

(1) Não falo do recrutamento feito na capitania de S. Paulo no ano de 1812, que pela sábia maneira por que foi feita não arrastou aquelas desordens. [o interlocutor, marquês de Alegrete, havia sido o capitão general de S. Paulo, desde Novembro de 1811, antes de passar ao Rio Grande]

(2) Talvez passo um pouco além do que me é prescrito, porém perdoe-se pelo verdadeiro zelo e interesse que tenho pela glória de S. A. R. e da nação. 


(3) Eu julgo o Brasil em um certo estado médio entre a pobreza dos povos para quem a guerra é sempre vantajosa, porque todos os habitantes tomam parte nela para tirar partido, e a riqueza de outros que pela sua população e recursos sustentam com uma mão a guerra e com a outra as fábricas, agricultura e comércio. Estado aquele que se ressente facilmente com os males da guerra, e que se atrasa em breve no que ganhou a custo. 


(4) Só toca aos governos despóticos e desalinhados o receio de avizinharem com governos livres e independentes. Um príncipe amável, as leis e o exército farão o Brasil respeitável. 


(5) É da primeira necessidade levar os corpos de cavalaria desta capitania à força de regimentos de cavalaria de linha. A grande despesa dos estados-maiores está feita, e a organização destes corpos, principalmente dos esquadrões do Rio Grande, é sumamente defeituosa. O regimento de S. Catarina que apenas tem quinhentas praças deverá ser porto no pé de seiscentos ao menos. Um resto da legião de S. Paulo que existe naquela capitania deverá vir a reunir-se-lhe. 


(6) Sem contar acréscimo de força que podem ter estes corpos além da que eu lhe importo, e avaliando a expedição de Portugal em dois mil homens, creio que será o estado efectivo do exército de 6800 homens. Forças mais que suficiente para chegarmos aos rios da Prata e Uruguai; porém, não a julgo sobeja quando considero a diferença que há em conquistar um país, ou conservá-lo depois em respeito para uma pacífica posse. De mais, será necessário depois licenciar os milicianos. 


(X) A defesa do Uruguai contra os rios Quaraí e Ibicuí será feita pelos milicianos do tenente coronel José de Abreu, e as de Missões pela sua força respectiva; advertindo que todas estas tropas ficarão debaixo das ordens do general da coluna do Rio Pardo. 


(7) Se no Cerro Largo [Melo] houver uma força superior à do Sarandi, então este corpo se unirá à coluna do Rio Grande e a ocupação será feita por este coluna. 


(8) O comandante do corpo de Sarandi deve ter não só as qualidades de um hábil partidário, mas até muita manha para juntar os recursos de que trato, convidando os moradores com suavidade e distribuindo proclamações que deve levar prontas para esse fim. 


(9) É necessário unir alguma tropa do país à de Portugal. Este detalhe contudo parece-me secundário e deve ficar à deliberação do excelentíssimo general em chefe, assim como uma boa parte do plano de campanha. Os movimentos de mapa e compasso não têm lugar neste país que estando de mais revolucionado podem ser vários os acidentes de campanha. 


(10) Nada digo da célebre colónia de Sacramento por ter desaparecido o motivo da sua notabilidade. As suas fortificações estão em terra, e apenas existem uns miseráveis restos de povoação que mal podem servir para acantonamento de tropas. Contudo, pelo seu local deverá entrar no plano geral de  fortificação se um dia nos pertencer a margem oriental do Rio da Prata.
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Nota biográfica de João Vieira de Carvalho
João Vieira de Carvalho nasceu em Olivença, em 16.11.1781, filho do coronel João Vieira de Carvalho e de D. Vicencia da Silva Nogueira de Carvalho. Estudou no Real Colégio dos Nobres. Assentou praça na 3.ª companhia do 2.º Regimento de Infantaria de Olivença como soldado a 10 de Janeiro de 1786, tendo 5 anos, e foi reconhecido cadete dez anos depois, a 10 de Dezembro de 1796. 
Foi promovido a alferes em 18 de Fevereiro de 1801 (2.ª companhia), e, depois, a tenente ajudante, em 15 de Agosto de 1805. A 13 de Março de 1806, é promovido a capitão da 3.ª companhia, e é durante esta altura que frequenta Estudos Mathematicos em Lisboa, que tudo indica ser o Real Colégio dos Nobres, mas que poderá ser a Academia Real de Marinha.
Num livro mestre do seu regimento, é referido que ele “foi pela desorganização do exército para o Brasil”. Não é certo quando, mas decerto faz referência aos inícios de 1808 quando o exército português foi licenciado por Junot. De acordo com as informações acerca dos oficiais engenheiros que serviram nas campanhas de 1809 a 1814, João Vieira de Carvalho não é listado, pelo que é de entender que terá partido para o Brasil em 1808.
Em 1809, é promovido a sargento mor do Real Corpo de Engenheiros. Como Sargento Mor faz as campanhas de 1811-1812 e as de 1816-1817, Rio Grande do Sul, sendo promovido a tenente coronel nesse último ano.

Foi barão, conde e finalmente marquês das Lages. Foi ministro da Guerra por quatro vezes.

Fontes
- Arquivo Histórico de Itamaraty, "Informação sobre a situação político-militar das províncias do Rio da Prata enviada ao marquês de Alegrete", AHI-REE-00931 [leia aqui a digitalização]
- Arquivo Histórico Militar

07/10/2016

Estado Maior: Bernardo da Silveira Pinto

Igreja da Várzea de Abrunhais

O brigadeiro BERNARDO DA SILVEIRA PINTO (DA FONSECA) nasceu em 1780, na Várzea de Abrunhais, Lamego, filho de João Brum da Silveira Pinto da Fonseca e de D. Isabel Rita da Câmara Figueiredo e Castro. A 1 de Abril de 1794, assenta praça como cadete no Regimento de Infantaria de Almeida, sendo promovido a capitão do Regimento de Cavalaria de Almeida, dois anos depois, a 30 de Setembro.

Em 18 de Setembro de 1808, é major de cavalaria da Leal Legião Lusitana, sendo promovido a tenente coronel a 24 de Janeiro do ano seguinte. 

A 14 de junho de 1809, é tenente coronel agregado ao Regimento de Cavalaria n.º 2, servindo como Deputado Quartel Mestre General da Divisão de Trás-os-Montes. Três anos depois, a 5 de fevereiro de 1812, é promovido a coronel desse mesmo regimento. 

Passa, com 36 anos, à Divisão de Voluntários Reais do Príncipe, como brigadeiro Quartel Mestre General. Comandou a Coluna do Centro, que marchou no flanco direito ao corpo principal da divisão.


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4/12 – Combate de Pablo Páez: 4 de dezembro de 1816